Escola de Redes

Com o desenvolvimento tecnológico e o crescimento da participação popular na produção da cultura, cria-se o que chamamos hoje de cultura globalizada e inteligência coletiva. À medida que há cada vez mais participação, debate e criação colaborativa caminhamos para um futuro em que cada vez teremos mais ideias pré-formatadas e pensamentos padronizados. Se de um lado isto tem suas vantagens, de outro lado estas transformações tendem para a uniformização da consciência. Eis um desafio lançado ao surgimento da consciência coletiva: Haverá espaço para os que imaginam, planejam e executam de forma independente a partir das próprias experiências em um mundo em que cada vez mais pensamos, dialogamos e decidimos em grupo? Ou seria o nascimento da consciência coletiva, a morte da consciência individual? Como manter ambas vivas e independentes?
 
Quero dizer é que a produção da inteligência coletiva atua como a mundialização da cultura. O que presenciamos hoje em dia com a expansão do rock'n roll, do cinema de Hollywood, coca-cola e fast food ocorre também com as ideologias e as artes no ciberespaço e no mundo real.
 
Com a internet, se tornou cada vez mais fácil acessar conhecimentos oriundos de culturas distantes. As distâncias geográficas e culturais quase que inexistem dentro do ciberespaço. E como o ciberespaço é uma extensão do mundo real, podemos dizer que o fenômeno da globalização cultural é fermentado pelas tecnologias de conexão em rede.
 
Muitos mais do que a língua e a moda, estamos agora globalizando o conhecimento e a cultura. De um lado temos as vantagens de expandir o alcance das soluções aos problemas comuns nos quatro cantos do mundo. Podemos citar o conhecimento médico, da engenharia, econômico, político, social assim como outros tantos.
 
O problema que surge com essa padronização involuntária do modo de pensar e agir é que há um perigo em se tornar cada vez mais raro encontrar pessoas e civilizações criando arte a partir de próprias experiências. Ou até mesmo... à partir do nada. Há uma grande tendência em bebermos da fonte da cultura global antes de colocar qualquer conhecimento no papel ou na prática. 
 
Apesar de ter inúmeras vantagens, a consciência coletiva pode criar uma certa dependência. Se de um lado os padrões criam a ordem, de outro lado limitam a criatividade. É certo que é mais prático partirmos dos conhecimentos pré-adquiridos. Ter que redescobrir o fogo ou criar a roda novamente, nos tomaria muito tempo. Contudo as ideias novas surgem quando os padrões se quebram; Quando se foge da regra; Quando se ultrapassam as fronteiras do imaginário. 
 
Sim, a inteligência e a consciência coletiva é algo bom e que irá trazer desenvolvimento. Mas assim como a globalização e do capitalismo e da democracia, e a mundialização da cultura, também tem pontos positivos e negativos. Precisamos ficar atentos aos dois lados da moeda. Pois o futuro da humanidade depende do planejamento e da organização, muito mais do que da sorte. Seguir padrões e fórmulas prontas pode ser mais seguro, mas há casos em que precisamos ir além do imaginário conhecido para chegar a algo novo e real.

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Comentário de Juliano Paz Dornelles em 15 outubro 2012 às 19:59

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