Escola de Redes

CONVERSAÇÕES RECORRENTES NA ESCOLA-DE-REDES


Observando centenas de conversações que já foram travadas aqui nesta Escola-de-Redes fico com a impressão de que voltamos e voltamos e voltamos sempre aos mesmos pontos. Talvez seja assim mesmo. Talvez a trajetória das nossas conversas seja espiralada. Mas também fico com a impressão de que, muitas vezes, retrocedemos para voltas já percorridas (girando como um parafuso sem fim).

Fazendo um pequeno inventário do que me vem agora à memória:

1 - A confusão entre hierarquia e liderança (que foi objeto de discussão em dezenas de blogposts, foruns e grupos).

[As duas questões abaixo foram inseridas em 22/06/10]

2 - A idéia de que redes sociais são a mesma coisa que midias sociais, redes digitais, ambientes virtuais, sites de relacionamento ou plataformas interativas (que deixa de ver que redes são pessoas interagindo e não ferramentas).

3 - A idéia de que redes são um novo tipo de organização viabilizada pelas novas tecnologias de informação e comunicação e não um padrão de organização que pode ser ensaiado com diferentes midias e tecnologias (até com sinais de fumaça, tambores, conversações presenciais, cartas escritas em papel e transportadas a cavalo, telefone etc.)


4 - A confusão entre hierarquização (centralização) e clusterização, que deixa de ver que o poder não surge da clusterização e sim do desatalhamento entre clusters...

5 - A hipótese de que foi a escassez (natural, de recursos) que gerou a hierarquia (e não a escassez introduzida artificialmente pelo modo de regulação) e que, assim, a hierarquia tenha brotado espontaneamente do caos et coetera.

6 - A idéia de que o deslizamento do conceito de hierarquia (hieros + arché) para os mundos físico (e. g., sistemas termodinâmicos) e biológico (e. g., sistemas vivos aninhados) é uma prova de que a hierarquia é natural e, portanto, naturalmente também se manifestaria no mundo social.

7 - A idéia de que redes (mais distribuídas do que centralizadas) não são possíveis (no "mundo real") como forma de (auto) organização da ação coletiva.

8 - A idéia de que qualquer organização exige diferenciação de papéis pré-definíveis (como na crença, já desmascarada pela ciência, de que as formigas nasciam com funções especializadas: forrageiras, operárias, soldados etc.). [A formulação original se referia a papéis de gestão, mas o exemplo introduz uma confusão ao citar funções finalísticas (o que é válido no formigueiro mas talvez não em organizações complexas formadas por humanos, como notou o Robson Barros)]

9 - A idéia de que existem seres vivos (inclusive humanos) mais evoluídos do que outros (também já desmascarada pela biologia contemporânea ao constatar que todos os seres vivos são igualmente evoluídos, posto que todos evoluiram da mesma célula viva há aproximadamente 3,9 bilhões de anos).

10 - A idéia de que o ser humano é inerentemente competitivo (ou a idéia de que o ser humano é, por natureza, ao mesmo tempo, competitivo e cooperativo).

11 - A idéia de que as redes são um tipo de organização que surgiu recentemente e que elas devem, sim, ser usadas para algumas coisas mas para outras não (ligada a idéia de que as redes são um instrumento para alcançar algum objetivo, para realizar uma mudança social etc.).

12 - A idéia de que redes sociais são formadas a partir de certos tipos de relações voluntariamente estabelecidas a partir de escolhas racionais feitas por indivíduos (e que podem existir pessoas humanas sem redes, quer dizer, que primeiro existem os indivíduos plenamente humanos para, depois, se esses indivíduos resolverem se conectar uns aos outros de determinada maneira, só então surgirem as redes sociais).

13 - A idéia de que o conteúdo do que flui pelas redes é determinante para o seu comportamento (ou de que o comportamento coletivo não é função dos graus de distribuição e conectividade - ou interatividade - da rede social e sim dos propósitos dos indivíduos conectados, dos seus valores, das suas habilidades e competências etc.)

14 - A idéia de que redes são formas de participação e não ambientes de interação.

15 - A idéia de que o conhecimento é um objeto, um conteúdo e que alguém sempre tem que organizar o conhecimento, fazer algum tipo de gestão, criar alguma taxionomia para os outros.

16 - A idéia de que é necessário erigir um novo tipo de hierarquia (e não tecer uma rede-embrião) para iniciar a transição de uma organização hierárquica para uma organização em rede.


17 - A idéia de que a fenomenologia de uma rede é função das características de seus nodos e não da sua topologia. [Este último ponto foi acrescentado a partir da observação da Vivianne Amaral nos comentários abaixo e ainda não está redigido adequadamente]

Bem, devo ter esquecido de alguns temas de conversações recorrentes, listados acima, como não poderia deixar de ser, a partir da minha interpretação. Mas o problema é que as discussões sobre esses e outros pontos não reincidem por iniciativa dos novos conectados e sim por parte dos antigos conectados, não raro dos mesmos.

Isso é que dá a impressão do tal parafuso sem fim, conquanto esta talvez seja mesmo apenas uma impressão: não deve haver "progresso" aqui, no sentido de constituição de um corpo coerente, que vai se tornando cada vez mais redondo e polido. Não estamos construindo um códex, uma doutrina, um ensinamento, uma teoria explicativa de tudo, uma nova plataforma de visão de mundo. Isso, aliás, é o que diferencia uma escola-não-escola (como a E=R) de uma escola.

É difícil entender a natureza de uma não-escola, inclusive para os que estão interagindo a distância nesta plataforma ou até presencialmente com as pessoas nela conectadas há muito tempo. Muitas pessoas buscam um sistema produtor de respostas capazes de fazer sentido global para elas. São atraídas por religiões, igrejas e seitas (religiosas e laicas), sociedades filosóficas e escolas de pensamento (mesmo aquelas que, baseadas na conversação, se intitulam comunidades), que fornecem a proteção contra a pergunta-disruptiva por meio de uma meta-explicação coerente, a segurança de uma grande narrativa totalizante ou de esquemas explicativos gerais que permitam que alguém se identifique e comungue com outros que palmilham o mesmo caminho e tenha, assim, uma justificativa ética para se fechar à interação com o outro-imprevisível. Mas tudo isso é escola!

Seria meio contraditório se eu propusesse agora um esquema organizador para nossas conversas, ainda que tal esquema pudesse ser, pelo menos em parte, justificado, de vez que a lista não surgiu da cabeça de ninguém mas foi elaborada a partir das interações redundantes. Mas completar a lista de questões recorrentes me parece útil. E mais útil ainda seria transformar tal lista em um hipertexto, colocando os links para as páginas em que tais discussões foram travadas (já que o mecanismo de busca do Ning não funciona muito bem neste caso, dado que há diferenças sutis demais entre algumas das conversações que só poderiam ser captadas semanticamente).

A tarefa em uma não-escola não é criar uma espécie de wikipedia, nem mesmo uma contextopedia, com os significados que foram sendo construídos via consenso-administrado a partir do debate ou da conversação. Não há significados gerais universais. Não há significados sempre válidos para os mesmos contextos (inclusive porque, há rigor, nunca se repetem "mesmos contextos"). Há significâncias atribuídas por sujeitos em interação e válidas para os momentos de interação em que tais sujeitos estão envolvidos. São significados-fluzz, que mudam continuamente com o fluxo e o máximo que podemos fazer é mapear as relações entre esses significados mutantes. Sim, reconheço que não é fácil para nós aceitar o presente, não é fácil resistir à tentação de não-arquivar o passado em caixinhas, sobretudo se as plataformas que utilizamos são p-based (baseadas em participação) e não i-based (baseadas em interação).

Mas quando o passado volta e volta novamente e volta ainda mais uma ou várias vezes, então é sinal de que há um passado que não passou, que continua nos assombrando. É o caso, me parece, da lista de temas que elenquei acima (e que está, provavelmente, por um lado redundante e, por outro, incompleta).

Atenção: não queremos sistematizar conteúdos, não queremos interpretar e sintetizar respostas cognatas ou convergentes. Queremos apenas linkar para facilitar a busca. Quem organiza o conhecimento é a busca. Quem produz (novo) conhecimento (como relação sempre inédita, não como conteúdo arquivável) não é a gestão, mas a interação.

Então? Quem pode (e quer) ajudar a linkar?

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Comentário de Augusto de Franco em 18 agosto 2010 às 19:07
Mudei a ordem das sentenças no novo formato. Vi que era necessário fazer isso para dar alguma continuidade.


01 | Redes sociais são pessoas interagindo, não ferramentas

02 | As redes sociais não surgiram com as novas tecnologias de informação e comunicação

03 | Redes mais distribuídas do que centralizadas são possíveis, sim, no “mundo real”

04 | Redes sociais não são redes de informação

05 | Redes são ambientes de interação, não de participação

06 | Os fenômenos que ocorrem em uma rede não dependem das características intrínsecas dos seus nodos

07 | O conteúdo do que flui pelas suas conexões não determina o comportamento de uma rede

08 | O conhecimento presente em uma rede não é um objeto, um conteúdo que possa ser arquivado e gerenciado top down

09 | Hierarquia não é o mesmo que liderança

10 | Centralização (hierarquização) não é o mesmo que clusterização

11 | A escassez que gera hierarquia é aquela introduzida artificialmente pelo modo de regulação

12 | Em redes distribuídas não se pode diferenciar papéis ex ante à interação

13 | Não podem existir pessoas (seres humanos) sem redes sociais

14 | As redes sociais distribuídas não são instrumentos para realizar a mudança: elas já são a mudança

15 | É inútil erigir uma hierarquia para realizar a transição de uma organização hierárquica para uma organização em rede
Comentário de Lía Goren em 18 agosto 2010 às 15:41
Obrigada Augusto!
Una y otra vez me viene bien poner el foco en estas ideas fuertes que apuntas, que siempre se van desdibujando y que aclaran tanto el modo de abordar tus posts:

"O que chamamos de cultura como uma manifestação da mente é um programa que roda na rede social (não no cérebro, como criticou Varela, mas na rede sim)."

"Quando alguém é humano já está em rede. O problema só existe se imaginarmos que seres humanos são indivíduos. ... só podem ser pessoas: indivíduos-em-interação."
Comentário de Augusto de Franco em 18 agosto 2010 às 8:42
Penso assim, Lia e Clara: a mente não é o cérebro. Usando uma metáfora da hora: o cérebro é a interface (uma das interfaces, pois, na verdade, o corpo-vivo como um todo - aquilo que os primitivos hebreus (que não são propriamente os judeus, os que se instalaram no Sul de Canaã) chamavam de "alma" (antes que a invasão do pensamento helenista promovesse a dualidade alma-corpo). Acho que o Varela percebeu isso muito bem. Mas o que então seria a mente? Já andei falando sobre isso no texto Modelos mentais são sociais. A mente é como se fosse (para usar outra - ou a mesma - metáfora) uma nuvem de computação. Mas é uma nuvem social. O que chamamos de cultura como uma manifestação da mente é um programa que roda na rede social (não no cérebro, como criticou Varela, mas na rede sim).

Outro ponto. Não existe primeiro o nodo para depois existir a rede. Nodo já é rede (do contrário seria nodo de quê?). A formação da rede social não é um evento fortuito. Não há opção de não-conexão para os humanos. Para não cair na circularidade do argumento do ovo e da galinha: não surgiu primeiro o nodo para depois surgir a rede, nem surgiu primeiro a rede para depois surgir o nodo. As duas coisas são a mesma coisa. Quando alguém é humano já está em rede. O problema só existe se imaginarmos que seres humanos são indivíduos. Mas indivíduos biológicos (da espécie homo sapiens sapiens) não existem como humanos (e sim, somente, como humanizáveis). Indivíduos sociais, entretanto, são uma abstração (em geral usada por essa religião laica chamada 'Economics'). Se são sociais não podem ser indivíduos (culturalmente humanos), só podem ser pessoas: indivíduos-em-interação.
Comentário de Sérgio Luis Langer em 17 agosto 2010 às 16:19
Em uma sociedade estruturada segundo paradigmas (interpretativos, circunstanciais e relacionais), devemos observar a natureza pela qual somos expostos às pressões e exigências determinadas por potencialidades e pessoalidades, meramente humanas. O meio, porém, onde nos inserimos, torna-se condicionante e indutor das transformações ... biológicas, antropológicas,sociais e psicosomáticas ... cuja inclusão em um processo diferenciado pode vir a promover uma forma de organização fomentada por individualismos e intencionalidades. Assim sendo, entendo eu, a hierarquia vem a provocar uma forma de organização disciplinar, inferida em um contexto de obrigações determinativas dos seus compromissos firmados, mediante uma orientação pragmática; por sua vez, a liderança, vem a conduzir um processo pelo qual institui-se uma maneira compreensiva para diluir vias de comando concentrado. Um líder não precisa gritar ou usurpar posições para que a sua condição, venha a ser objeto ostentado do poder (pela força); muito pelo contrário, a liderança é uma estratégia natural que está predisposta na essência do ser humano (manifestando-se por uma maneira, interativamente, coerente com anseios e resoluções; não por insinuações particulares de um egoísmo intrínsico de formação).
Comentário de Lía Goren em 17 agosto 2010 às 15:21
Aquí hay otro texto ligado al contexto "educativo" y menos biológico, que va por estas líneas de desarrollo que estamos esbozando.
El texto es un extracto de D. N. PERKINS. "La persona-más: una visión distribuida del pensamiento y el aprendizaje", que corresponde al capítulo 3 de Gavriel Salomon (Compilador) Cogniciones distribuidas. Consideraciones psicológicas y educativas.

¿Qué es una persona como agente cognitivo?

Comenzamos con una asimetría. La mayoría de las concepciones acerca del pensamiento y del aprendizaje se inclinan hacia la persona solista, descuidando el hecho de que se utiliza el entorno (incluyendo a los demás) para apoyar, compartir y emprender aspectos completos del procesamiento cognitivo. En cambio, se puede adoptar la perspectiva de la persona-más en materia de pensamiento y aprendizaje, considerando a la persona más el entorno como un sistema, entendiendo que es parte del pensamiento lo que se hace, o se hace parcialmente, en el entorno, y que el aprendizaje son los rastros que quedan en él (suponiendo que sea accesible) al igual que en la persona, y por lo general abriendo la cerradura de una visión del pensamiento y del aprendizaje basada en lo individual.
De este modo, cuando abrimos la cerradura, ¿hallamos algo interesante en el amplio espacio adonde ingresamos? Se ha sostenido que los verdaderos contextos de investigación suelen comprender una amplia distribución de pensamiento y de aprendizaje entre la persona y el entorno. Los pensadores activos reúnen, a su alrededor, un rico entorno e interactúan con él de maneras sutiles para lograr resultados que a la persona solista le resultarían arduos. Desdichadamente, las escuelas muestran una poderosa tendencia en favor del desempeño individual. Confían en el supuesto del “efecto de tener a la mano”, creyendo que la gente automáticamente sacará eficaz provecho del entorno sólo porque está allí. Por tanto, pasan por alto la oportunidad de cultivar todo tipo de habilidades referidas a la distribución ingeniosa del pensamiento y el aprendizaje.
El pensar y el aprender incluyen por lo general ceder la función ejecutiva al entorno de una forma útil y provechosa. Ninguna versión obstinada de la autonomía de la persona solista parece estar garantizada. Al mismo tiempo, se produce un problema dominante del pensamiento y del aprendizaje cuando ni la persona ni el entorno ni los dos juntos sostienen una función ejecutiva eficaz. Muchos ambientes educativos abiertos padecen ese problema. Ocurren otros contratiempos cuando la función ejecutiva se cede al entorno momentáneamente, durante las etapas tempranas del aprendizaje, pero el alumno nunca la recupera.
El conocimiento de orden superior incide en la función ejecutiva de manera importante. Puede decirse que la mayor parte de ese conocimiento debe tener su lugar en la persona; según se lo señaló antes, debería estar siempre a mano, y no enterrado en una fuente bibliográfica o en otras formas de memoria sustituta. En muchas situaciones de pensamiento y de aprendizaje registradas en la escuela, el conocimiento de orden superior necesario no se halla ni en la persona ni en el entorno. Aun innovaciones llamativamente perspicaces que permiten incrementar otras características de acceso para la persona-más, no señalan por lo común la presencia de ese conocimiento en el sistema.
Todo ello demuestra que puede contarse una historia sobre los hechos y los infortunios del pensamiento y el aprendizaje basándose en las nociones de pensamiento y de aprendizaje distribuidos y el marco de acceso, en la que actúe como protagonista la persona-más, y no la persona solista. En ese relato se destacan algunos aspectos descuidados de la cognición y se ponen de relieve algunas deficiencias de la educación tradicional y hasta de la innovadora.
Como lo señala Pea (en el capítulo 2 de este libro), un rédito posible de las perspectivas que subrayan la cognición distribuida es un concepto más amplio del desarrollo humano. La perspectiva piagetiana, por ejemplo, ha destacado la asimilación y el acomodamiento del organismo al ambiente, como si el ambiente estuviera dado y la persona estuviera allí para aprender a abordarlo. Sin duda, eso es verdad hasta cierto punto. Pero además, las personas eligen y construyen sus ambientes físico y social, y en parte lo hacen para apoyar la cognición. En ese sentido se produce una asimilación y acomodación mutua entre la persona y el ambiente: un complejo proceso de equilibrio, si se quiere, en la persona-más.
Una perspectiva vigotskyana destacaría la asimilación que el alumno hace, a partir del entorno social, de modelos de cognición (Vigotsky, 1962, 1978). La idea de cognición distribuida señalaría la influencia modificadora que la persona ejerce en el entorno social. Además, subrayaría la importancia del entorno físico al lado del social como el principal factor en el conocimiento del sistema de la persona-más.
Para finalizar, muchas perspectivas evolutivas contemporáneas dan gran importancia a las limitaciones de la memoria práctica como cuello de botella evolutivo, y distintos resultados experimentales indican que el apoyo físico del entorno puede poner a la persona-más en condiciones de abordar algunos conceptos complejos que la persona solista no podría manejar. Sería interesante investigar hasta qué punto los apoyos físicos disponibles en los contextos de la persona-más generalmente absorben algunas de las cargas cognitivas del pensamiento de los jóvenes, y si con algunos ajustes podrían absorber aun más.
En síntesis, una perspectiva centrada en la persona-más señala que los parámetros y trayectorias básicos del desarrollo humano pueden cambiar según lo que comúnmente podrían considerarse matices del entorno y de la relación de la persona con él. Sin duda, eso es algo que debemos comprender mejor. Y seguramente resulta posible imaginar un proceso educativo que se oriente en mayor grado hacia la persona-más, fortaleciendo a los alumnos para que acumulen mayor saber y arte en relación con los recursos cognitivos suministrados por los medios físicos y humanos que los rodean; en realidad, fortaleciendo a los alumnos para que construyan a su alrededor su “más” personal, su propio entorno para un programa que evolucione junto con ese entorno.
Semejante táctica educativa seguramente armonizaría con la tendencia humana que va desde sistemas que cuentan un guijarro por oveja hasta los jeroglíficos, y de allí en adelante. Es notable el vigor con que los seres humanos, cuando se les da la menor posibilidad, actúan como agentes que reclutan para la empresa cognitiva no solamente a otras personas sino también los objetos físicos inanimados que nos rodean, ordenándolos y modificándolos para que se conviertan en “asociados en la cognición” (Salomon et al., 1991).
Recíprocamente, valdría la pena reflexionar acerca de que en el centro de toda persona-más existe, por supuesto, al menos un individuo. En realidad, toda persona sola es la intersección del conjunto de personas-más en el cual participa el individuo. Una persona sola se convierte, pues, en una abeja reina de un enjambre de innumerables participaciones.
¿Qué es, pues, la persona propiamente dicha (...) la persona solista? La tendencia de nuestro lenguaje y de gran parte de la práctica educativa y de la investigación psicológica es a decir que sí, que en efecto la persona propiamente dicha es la persona solista. Acaso sea mejor concebir a la persona propiamente dicha no como el núcleo común sino como el conjunto de interacciones y de relaciones de dependencia; no como la intersección, sino como la unión de compromisos; no como el núcleo puro y duradero, sino como la suma y la multitud de participaciones.
Comentário de Lía Goren em 17 agosto 2010 às 14:48
Es que hasta la idea de que es el cerebro lo central respecto del conocer es lo que se reconfigura dramáticamente cuando se lee a Varela y Maturana.
Transcribo aquí un artículo de Varela que hace unos años rastreé en la web pero que está disponible en diferentes sites:

La mente no está en la cabeza
Por Francisco Varela*


Lo primero es lo que denomino el punto clave de la encarnación. Esto en contraste con la perspectiva imperante hoy en día basada en la metáfora computacional, en que la mente es considerada como el software y el cuerpo como el hardware. Lo que aquí denomino mente es cualquier fenómeno relacionado con la mentalidad, la cognición, y en último término con la experiencia. Uno de los más importantes avances en la ciencia en los últimos años es la convicción de que no podemos tener nada que se asemeje a una mente o a una capacidad mental sin que esté totalmente encarnada o inscrita corporalmente, envuelta en el mundo. Surge como una evidencia inmediata, inextricablemente ligada a un cuerpo que es activo, que se mueve y que interactúa con el mundo.

Puede que esto les parezca obvio, pero en el mundo de la investigación han prevalecido otras ideas, especialmente la metáfora computacional a la que antes me referí. Es necesario romper con esa tradición ya que hay toda una serie de argumentos para afirmar que la mente no es un programa, un software, una manipulación de símbolos basada en determinadas reglas. Para resumir brevemente, aquí va mi primer lema: La mente no está en la cabeza. Esta idea surge como consecuencia del redescubrimiento de la importancia del estar encarnado.

Ahora bien, ¿por qué esto es así? Responde a una lógica muy precisa: una vez que hayan comprendido que para que exista una mente tiene que haber manipulación e interacción activa con el mundo, entonces tenemos un fenómeno incorporado y activo, y cualquier cosa que denominemos un objeto, una cosa en el mundo, las sillas, las mesas, las personas y las caras y todo lo demás, depende totalmente de esta constante manipulación sensorimotriz. No podemos captar al objeto como si simplemente estuviera "ahí afuera" en forma independiente. El objeto surge como fruto de nuestra actividad, por lo tanto, tanto el objeto como la persona están co-emergiendo, co-surgiendo.

Voy a presentarles un ejemplo para que vean que no se trata de algo metafórico: hace algún tiempo, Held y Hein llevaron a cabo un experimento clásico con dos gatitos, ciegos al nacer, en dos canastas. Cada gatito fue colocado dentro de una canasta y cada día eran paseados durante algunas horas dentro de ésta; es decir, ambos gatitos fueron expuestos al mismo ambiente. A uno de los gatitos se le permitió que mantuviera las patas fuera de la canasta y que caminara, al otro se lo mantuvo arropado dentro de ésta.

Dos meses después los gatitos fueron puestos en libertad. El gatito a quien se le había permitido caminar se comportó como un gato normal. El otro no reconocía los objetos, se caía por las escaleras y chocaba contra las sillas. Prácticamente se comportaba como si estuviera ciego, aunque sus ojos estuvieran intactos. ¡La conclusión que no hay que sacar es que los gatos ven con los pies! La conclusión que hay que sacar es que el espacio surge como producto del movimiento. Esta es una constatación absolutamente extraordinaria: el espacio, esta cosa frente a nosotros que parece absolutamente objetiva, el pilar de la objetividad en física, es totalmente inseparable del hecho que tenemos que manipularlo a través de una conducta sensorimotriz. Hay un sinnúmero de ejemplos que puedo describir aquí que permiten desarrollar este mismo tipo de argumento. En mi libro De cuerpo Presente hay una descripción detallada de cómo esta noción se puede aplicar a la percepción y a la calidad del color, nuevamente una propiedad totalmente co-emergente.

Transformemos este lema "La mente no está en la cabeza" en una lógica más estructurada: La cognición está enactivamente encarnada. "Enactiva" es una etiqueta que utilizo aquí en su sentido literal ya que la cognición es algo que producimos por el acto de manipular, por medio de una manipulación activa: es el principio fundacional de lo que es la mente. Como traté de mostrar anteriormente, esto implica una profunda co-implicación, una co-determinación entre lo que parece estar afuera y lo que parece estar adentro. En otras palabras, el mundo ahí afuera y lo que hago para estar en ese mundo son inseparables. El proceso los vuelve totalmente interdependientes, como vimos en el ejemplo de los gatitos.

Esta perspectiva de la mente como enactivamente encarnada tiene dos consecuencias ya que,
• si la mente no está en la cabeza, ¿dónde diablos está? Este es precisamente el punto: es en este lugar de la co-determinación entre lo interno y lo externo, luego no podemos decir que está afuera o adentro.
• La otra consecuencia que se deriva de esto y que ha sido menos enfatizada, es que la mente es inseparable del organismo como un todo. Tendemos a creer que la mente está en el cerebro, en la cabeza, pero el hecho es que el ambiente también incluye al resto del organismo: incluye el hecho de que el cerebro está íntimamente conectado con todos los músculos, con el esqueleto, los intestinos y el sistema inmunitario, los flujos hormonales y así sucesivamente. Hace de todo el conjunto una unidad sumamente apretada.
En otras palabras, el organismo como una red de elementos totalmente co- determinados determina que nuestra mente sea, literalmente, inseparable, no sólo del ambiente externo, sino también de aquello que Claude Bernard denominó el milieu intérieur, el hecho de que no sólo estamos dotados de un cerebro sino de todo un cuerpo.

Si ustedes provienen de esa tradición de la filosofía de la mente según la cual la mente es algo que ocurre en la cabeza, puede que esto les parezca bastante sorprendente. Por ejemplo, en el pasado, los filósofos se entretuvieron hablando de cerebros en un recipiente, un cerebro en un tubo de ensayo provisto de alambritos. Es divertido, la comunidad filosófica anglo-americana ha pasado muchas horas discutiendo este tipo de cosas, pero cuando vemos el estado del arte de la investigación, todo el argumento parece extraño porque con una mente en un tubo de ensayo no puede haber mente. Lo que tendríamos es una actividad neural completamente incoherente, porque no podría tener la funcionalidad de lo que realmente hace, el manejo y la interacción constante con el cuerpo y el ambiente que le da sentido.
*Tomado de El Fenómeno de la Vida, Francisco Varela, Dolmen Ediciones, Chile, 2000.


Otra cita de Varela tmada de un blog chileno bajo el título Nuestro Patrimonio Humano No Renovable

"La conclusión a la que estos ensayos apuntan es que lo central es un circularidad inalienable entre el acto de conocer y vivir, entre el universo de lo vivo y el conocer como objeto de estudio. Dicho de otra manera, el fenómeno de la vida, como un todo, quiere decir, precisamente, que el acto de vivir precede a la explicación del origen de la vida sobre la Tierra. Que el conocer precede a la comprensión del conocer visto como mecanismo biológico y neurona. Que la experiencia vivida es la base misma de la exploración científica de la conciencia". Francisco Varela
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 17 agosto 2010 às 13:44
O caso é que em tudo tem sempre um cérebro atrás! Inclusive um cérebro que questiona o que é informação... Daí, que eu particularmente, tenho muita dificuldade de pensar uma rede humana sem a ação dos nodos! E também de pensar em nodos sem a dinâmica do coletivo!
Comentário de Lía Goren em 17 agosto 2010 às 13:22
Cuando apareció como cuestión dilemática o crítica el hecho de si se estaba hablando de interacción o información, también me puse a pensar en Varela-Maturana y ese libro, (y también en el de Capra, La trama de la vida, donde el autor retoma los trabajos de Varela y Maturana).
Pero confieso que, en lo personal, me resulta todavía muy difícil desactivar la metáfora mecánica de la "información", tanto, que se me hace imposible ponerlo en palabras para otros. Con suerte, puedo mejorar la comprensión cada vez que leo, y vuelvo a leer, este tema.
En ese sentido, caro Augusto, me resultó muy útil esta parte de lo que escribiste, incluidos los resaltados que le agregué:
É mais ou menos como o que revelou a investigação de Deborah Gordon (1999), ... Ela descobriu que "a decisão de uma formiga quanto a uma tarefa é baseada em sua taxa de interação". Mas "o que produz o efeito é o padrão de interação, não um sinal na própria interação. As formigas não dizem umas às outras o que fazer por meio da transferência de mensagens. O sinal não está no contato, ou na informação química trocada no contato. O sinal está no padrão de contato". Ou seja, não se trata de uma comunicação de conteúdo, de um código, mas da freqüência e das circunstâncias em que se dão os contatos.

Em uma rede estamos sofrendo a influência de um campo, mas tal influência é sistêmica e o comportamento adotado por um agente dificilmente pode ser atribuído à ação e muito menos à intenção única e exclusiva de outro agente. Quer dizer, quando ficamos alegres em virtude desse efeito sistêmico do campo em que estamos imersos (a rede) é como se tal fato fosse inexplicável, o que significa que não conseguimos explicá-lo com base nos nossos esquemas explicativos habituais, focados nos indivíduos e não na rede, apontando um sujeito particular que nos sugestionou positivamente ou exerceu essa influência sobre nós de outra forma conhecida. Mas não é assim que a coisa funciona.


Aun así, una vez que lo termino de leer, apenas puedo ponerlo en mis propias palabras. Esto es interesante para mí, porque me confirma lo mismo que estoy tratando de comprender, me muestra que hay algo en mi manera de concebir la realidad y las relaciones ("mis sistemas explicativos") que todavía no puede "acoplarse" a una diferente manera de descripción del fenómeno del conocimiento. Como si no encontrara, en mí misma, en dónde o cómo "amarrar" ese modelo de la realidad.
Seguiré leyendo y leyendo a Maturana y Varela e interagindo aquí von vocés, hehe.
Gracias!
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 17 agosto 2010 às 11:47
Penso que todos temos cérebros que constantemente recebem informação do meio e a processam.
Mas tb creio que esta idéia de informação como sendo bits/bytes é inadequada, como vc colocou.

Na verdade, creio que a rigor entre humanos, talvez não exista de fato informação, mas mentes/cérebros que "criam" informação.
Comentário de Augusto de Franco em 17 agosto 2010 às 10:28
Então eu vou aduzindo para cada sentença um scholium. Vamos começar por uma das mais polêmicas, a décima-primeira:

11- Redes sociais não são redes de informação

Redes sociais são redes de comunicação, é óbvio. Ainda que o conceito de informação seja bastante elástico, isso não é a mesma coisa que dizer que elas são redes de informação. Redes são sistemas interativos e a interação não é apenas uma transmissão-recepção de dados: se fosse assim não haveria como distinguir uma rede social (pessoas interagindo) de uma rede de máquinas (computadores conectados, por exemplo).

Ao tomar as redes sociais como redes de informação, imaginando que tudo não passa de bytes transmitidos e recebidos, freqüentemente deixamos de ver que a comunicação modifica os sujeitos interagentes. Humberto Maturana e Francisco Varela explicam isso muito bem em um box (ao que tudo indica atribuído ao segundo) do livro A Árvore do Conhecimento (1984) intitulado “A metáfora do tubo para a comunicação”:

Nossa discussão nos levou a concluir que, biologicamente, não há informação transmitida na comunicação. A comunicação ocorre toda vez em que há coordenação comportamental num domínio de acoplamento estrutural. Tal conclusão só é chocante se continuarmos adotando a metáfora mais corrente para a comunicação, popularizada pelos meios de comunicação. É a metáfora do tubo, segundo a qual a comunicação é algo gerado num ponto, levado por um condutor (ou tubo) e entregue ao outro extremo receptor. Portanto, há algo que é comunicado e transmitido integralmente pelo veículo. Daí estarmos acostumados a falar da informação contida numa imagem, objeto ou na palavra impressa. Segundo nossa análise, essa metáfora é fundamentalmente falsa, porque supõe uma unidade não determinada estruturalmente, em que as interações são instrutivas, como se o que ocorre com um organismo numa interação fosse determinado pelo agente perturbador e não por sua dinâmica estrutural. No entanto, é evidente no próprio dia-a-dia que a comunicação não ocorre assim: cada pessoa diz o que diz e ouve o que ouve segundo sua própria determinação estrutural. Da perspectiva de um observador, sempre há ambigüidade numa interação comunicativa. O fenômeno da comunicação não depende do que se fornece, e sim do que acontece com o receptor. E isso é muito diferente de “transmitir informação”.

Além disso, há características da interação que não se resumem àquela transmissão-recepção de conteúdos evocada pelo uso corrente do conceito de informação. Em uma rede social é como se as pessoas estivessem emaranhadas e a modificação do estado de uma pessoa em-interação com outra acaba alterando o estado dessa outra sem que, necessariamente, tenha havido a transmissão voluntária (e, talvez nem mesmo involuntária) de uma mensagem da primeira para a segunda. Por exemplo, uma pessoa tende a se adaptar ao comportamento das outras, tende a imitar padrões de comportamento reconhecidos nas outras e tende, inclusive, a cooperar com elas (voluntária e gratuitamente). Uma pessoa pode ficar alegre ou triste, saudável ou doente, esperançosa ou descrente, em função da estrutura e da dinâmica desse emaranhado em que está imersa. Ao contrário do que se acredita, nada disso depende diretamente de um conteúdo transferido e recebido, intencionado na transmissão e interpretado na recepção, mas é função de outras características do modo-de-interagir como a freqüência e a recursividade, as reverberações e os loopings, os laços de retroalimentação etc.

É mais ou menos como o que revelou a investigação de Deborah Gordon (1999), professora de ciências biológicas em Stanford, que pesquisou durantes dezessete anos colônias de formigas no Arizona. Ela descobriu que "a decisão de uma formiga quanto a uma tarefa é baseada em sua taxa de interação". Mas "o que produz o efeito é o padrão de interação, não um sinal na própria interação. As formigas não dizem umas às outras o que fazer por meio da transferência de mensagens. O sinal não está no contato, ou na informação química trocada no contato. O sinal está no padrão de contato". Ou seja, não se trata de uma comunicação de conteúdo, de um código, mas da freqüência e das circunstâncias em que se dão os contatos.

Em uma rede estamos sofrendo a influência de um campo, mas tal influência é sistêmica e o comportamento adotado por um agente dificilmente pode ser atribuído à ação e muito menos à intenção única e exclusiva de outro agente. Quer dizer, quando ficamos alegres em virtude desse efeito sistêmico do campo em que estamos imersos (a rede) é como se tal fato fosse inexplicável, o que significa que não conseguimos explicá-lo com base nos nossos esquemas explicativos habituais, focados nos indivíduos e não na rede, apontando um sujeito particular que nos sugestionou positivamente ou exerceu essa influência sobre nós de outra forma conhecida. Mas não é assim que a coisa funciona.

Quando foi observado que os membros da famosa Roseto, na Pensilvânia, se mostravam mais saudáveis, do ponto de vista cardiovascular, do que as pessoas das comunidades vizinhas, muito semelhantes à Roseto, em vários aspectos, isso não pôde ser atribuído a nenhum fator particular (genética, alimentação, exercícios físicos, atenção à saúde preventiva ou cuidados médicos), mas foi associado corretamente à comunidade. O mistério só foi resolvido quando dois pesquisadores (Stewart Wolf e John Bruhn) resolveram observar como as pessoas interagiam (“parando para conversar na rua ou cozinhando umas para as outras nos quintais”). “Elas eram saudáveis – conta Malcolm Gladwell (2008) – por causa do lugar onde viviam, do mundo que haviam criado para si mesmas...”. Sim, interação e lugar. Em outras palavras, conversações e comunidade. Em outras palavras, ainda: rede social!

É claro que se pode dizer que tudo se reduz, em última instância, à informação: em qualquer interação, em termos físicos, partículas mensageiras de um dos quatro campos de forças se “deslocaram”, se espalharam ou se aglomeraram (o simples fato de ver alguém, por exemplo, implica “deslocamentos” de bósons – no caso, de fótons, partículas mensageiras do campo eletromagnético) e isso pode, corretamente, ser interpretado como informação. Mas o significado da palavra informação – tal como é tomado no dia-a-dia ou mesmo como às vezes é usado pelos chamados “cientistas da informação” – não ajuda muito a entender os fenômenos que acontecem nas redes sociais e que lhes são próprios.

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