Escola de Redes

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE REDES SOCIAIS

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PROPOSTA FINAL DE PROGRAMAÇÃO PARA A CIRS - CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE REDES SOCIAIS

Os palestrantes internacionais já estão confirmados!

A CIRS não é um evento da Escola-de-Redes, mas um evento promovido por pessoas conectadas à Escola-de-Redes.

A CIRS é um evento aninhado dentro da CI-CI 2010 - Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (ver abaixo), mas não será o único nesta condição. Isso significa que ela deverá dividir os espaços disponíveis com outras atividades paralelas.

Para participar das atividades da CI-CI 2010 é necessário fazer inscrição no site oficial do evento: http://www.cici2010.org.br/

Para participar da CIRS - Conferência Internacional sobre Redes Sociais - é necessário fazer inscrição no local próprio, aqui na Escola-de-Redes. Ou então deixar um comentário manifestando seu desejo de participar no campo de comentários abaixo. A inscrição na CIRS não dará direito a participar das atividades da CI-CI 2010.


Tomou-se aqui o cuidado – que será generalizado para todas as atividades paralelas ou aninhadas na CI-CI 2010 – de não propor atividades coincidentes com a Abertura Solene da CI-CI, com os Grandes Debates do Dia (com exceção de pequenos minicursos) e com as Conferências da Noite (onde deverão pontificar os nomes internacionais aventados acima).

Várias atividades que estavam previstas na proposta preliminar foram canceladas em virtude de colidência de horários com temas de possível interesse da Escola-de-Redes que já estão programados para a CI-CI 2010.


Primeiro dia 11/03/10

08-11 | Minicurso 1: Introdução ao Netweaving
Augusto de Franco
Auditório I Unindus (60 pessoas)

13-15 | The power of organizing without organization
Clay Shirky
Auditório Principal (1.000 pessoas)

15-17 | Sistemas Sócio-Educativos: Comunidades de Aprendizagem em Rede (Arranjos Educativos Locais)
Augusto de Franco, José Pacheco, Projeto AEL SESI-SENAI, Instituto VIVO
Auditório Caio Amaral (252 pessoas)

17-19 | Simpósio da Escola-de-Redes (Primeira Parte)
Salão do Conselho (130 pessoas)


Segundo dia 12/03/10

08-11 | Minicurso 2 | Introdução à Análise de Redes Sociais
Clara Pelaez Alvarez
Auditório I Unindus (60 pessoas)

13-15 | Redes sociais e emergência
Steven Johnson
Auditório Principal (1.000 pessoas)

17-19 | Simpósio da Escola-de-Redes (Segunda Parte)
Salão do Conselho (130 pessoas)


Terceiro dia 13/03/10

13-15 | O futuro da investigação sobre redes sociais
Pierre Levy
Auditório Principal (1.000 pessoas)

Os demais horários e locais já estão ocupados (ou reservados) para a CI-CI 2010 ou para outras atividades paralelas.

Para participar das atividades da CI-CI 2010 é necessário fazer inscrição no site oficial do evento: http://www.cici2010.org.br/

Para participar da CIRS - Conferência Internacional sobre Redes Sociais - é necessário fazer inscrição no local próprio, aqui na Escola-de-Redes. A inscrição na CIRS não dará direito a participar das atividades da CI-CI 2010.




CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE CIDADES INOVADORAS (CI-CI)



A CI-CI tem como objetivo articular uma rede de pessoas envolvidas com inovações em cidades. Seu temário e programação estão sendo construídos a partir de um conjunto de perguntas provocativas para estimular e orientar o debate. Uma proposta preliminar desse "Perguntário" já está em discussão interna e será submetida em seguida aos membros do Comitê Científico da CI-CI.

Baixe aqui as Perguntas Provocativas da CI-CI 2010 PDF

A – CONCEITUANDO ‘CIDADE INOVADORA’ (E INOVAÇÃO)

1) Como poderíamos definir ‘cidade inovadora’? a) Cidade que valoriza e promove a articulação dos atores locais; b) cidade que desenvolve os conceitos de urbanismo junto aos seus cidadãos; c) cidade que potencializa os recursos endógenos do território; d) cidades que combinam um nível equilibrado de atração, implementação e acesso aos mercados; e) cidades que inspiram idéias aos cidadãos para implementações locais, voltadas para mercados globais; f) não há propriamente uma definição universal de cidade inovadora, a não ser aquela, quase (ou aparentemente) tautológica, de que é uma cidade que inova ao criar ambientes favoráveis à inovação.

2) De que ‘inovação’ propriamente se trata quando falamos em ‘cidades inovadoras’? Apenas ou principalmente de inovação tecnológica (de produto ou processo)? Ou deve-se incluir aqui também as inovações nos modelos de negócios, nos modelos de gestão e nos sistemas de governança (envolvendo novos processos e métodos organizacionais), nos modos de regulação de conflitos (estabelecidos institucionalmente ou ensaiados na base da sociedade), na natureza e no caráter dos projetos, programas e ações públicos e privados e, enfim, no padrão de relação Estado-sociedade?

3) Dentre as inovações observadas nas cidades inovadoras, quais seriam as mais notáveis? a) Regulamentação ágil (incluindo inovações voltadas a criar ambientes favoráveis ao desenvolvimento das organizações sociais e empresariais); b) novos sistemas locais de governança do desenvolvimento (incluindo redes sociais de governança por bairros e regiões administrativas, arranjos produtivos, clusters tecnológicos e científicos e iniciativas de sustentabilidade ambiental e social); c) processos sócio-educativos (incluindo redes de comunidades de aprendizagem próprias de cidades educadoras); d) abertura e conexão (incluindo acesso banda-larga universal à internet); e) ensaios de democracia substantiva na base da sociedade e no cotidiano dos cidadãos; f) padrão de rede disseminado tanto na organização do governo quanto na sua relação com a sociedade (incluindo alternativas de “internet de energia" – e de outros recursos – para o desenvolvimento sustentável endógeno baseado em self-relience); g) todas as inovações acima são notáveis e podem, em algum sentido, caracterizar uma cidade inovadora.

4) A transição, atualmente em curso, de uma sociedade industrial e hierárquica, para uma sociedade do conhecimento e em rede, é fundamentalmente social ou tecnológica? É a tecnologia, stricto sensu, que está “puxando” (ou “empurrando”) a mudança ou a criação das novas tecnologias está sendo ensejada pelos novos ambientes sociais que estão se conformando?

5) As novas tecnologias – consideradas, freqüentemente, responsáveis pela inovação – são apenas aquelas que dizem respeito aos novos produtos e processos de produção (tech-tech) ou existem tecnologias tão ou mais inovadoras que poderíamos chamar de tecnologias sociais (social-tech) e que dizem respeito a novas formas de convivência e de abordagem coletiva dos problemas?

6) Em que medida, na caracterização de uma cidade inovadora, pode-se dizer que tecnologias sociais (como as tecnologias de netweaving, as tecnologias de transição para novas formas organizacionais, as tecnologias de governança sistêmica etc.) são tão ou mais inovadoras do que as tecnologias (hard ou tech-tech) de processo e produto, porquanto são inovadoras ao ponto de desencadearem contínuas inovações tecnológicas: ao exigirem soluções compatíveis com seus novos modelos ou suas novas dinâmicas, elas reclamam, intermitentemente, novas ferramentas tecnológicas e, inclusive, orientam a geração dessas novas ferramentas?

B – CIDADE INOVADORA E SUSTENTABILIDADE

7) Em que sentido cidades inovadoras podem ser consideradas cidades (mais) sustentáveis? Qualquer inovação é sustentável – ou criadora de valor sustentável – ou somente aquelas que facilitam novos modelos de convivência (lato sensu, sobretudo novos modelos de gestão e novos sistemas de governança no que tange à sustentabilidade das organizações humanas) próprios de topologias mais distribuídas de interação (da sociedade em rede)?

8) Cidades inovadoras podem ser consideradas aquelas que realizaram um planejamento estratégico para antever e antecipar (ou projetar o seu) futuro? Novas metodologias de planejamento urbano (inclusive as ditas “participativas”) serão capazes de aumentar as chances de sustentabilidade das cidades se a aplicação de seus resultados ficar na dependência de instrumentos de gestão baseados em comando-e-controle? Como essas tecnologias de planejamento poderão criar valor sustentável se não conseguirem fazer frente aos intermitentes eventos de irrupção de ordem bottom up (como o swarming, o clustering, o crunching) que só tendem a aumentar na medida em que aumentam os graus de distribuição e de conectividade das sociedades?

9) O crescimento do PIB local é um critério sustentável para caracterizar uma cidade como inovadora? Na nova sociedade que se avizinha, na qual os processos econômicos tendem a ser cada vez mais intensivos em conhecimento (e o conhecimento, deixando de estar aprisionado ou privatizado, pode ser acessado por um número crescente de pessoas), o crescimento tende a continuar sendo uma condição de sobrevivência de negócios? Nestas circunstâncias, nas quais muitas pessoas podem ser empresárias, sem a necessidade imperiosa de ter que crescer para sobreviver, pode-se afirmar que o desenvolvimento humano e social passa a ser, a um só tempo, a condição de produção e o critério sustentável?

C – CIDADE INOVADORA E TRANSIÇÃO PARA A ERA DO CONHECIMENTO E A SOCIEDADE EM REDE

10) É a produção tecnológica (tech-tech) ou são as novas formas de interação social que vão delinear a natureza e o caráter do capitalismo que vem por aí (ou do novo ‘modo de produção’ que está emergindo)? A chamada peer-production e o crowdsourcing estão apontando para a configuração de um novo universo sócio-produtivo, regido por outras leis econômicas?

11) Na transição, que está em curso, do velho mundo industrial para uma nova era do conhecimento e da sociedade hierárquica para uma sociedade em rede, já se percebem alguns sinais de mudança para novos tipos de capitalismo ou novos ‘modos de produção’ nos quais o desenvolvimento humano e social passa a ser a principal condição para empreender economicamente. É esse o caso da peer production e do crowdsourcing, nos quais miríades de empreendedores se conectam em rede para produzir algum bem ou para prestar algum serviço, sem ter a necessidade de reter em suas mãos a propriedade dos ‘meios de produção’ e toda uma infra-estrutura material e uma super-estrutura política para manter o acesso diferencial a tal propriedade. Na medida em que o principal fator de produção passa a ser o conhecimento – um recurso intangível, que não pode ser estocado, aprisionado, protegido, separado, sob pena de decrescer e perder valor, mas, ao contrário, quando compartilhado e submetido à polinização ou à fertilização cruzada com outros conhecimentos, cresce, dá origem a novos conhecimentos e aumenta de valor (gerando inovação) – o novo empresário não precisará mais de uma estrutura hard instalada para produzir e nem, muito menos, de apoio político privilegiado para manter em suas mãos tal estrutura funcionando. Isso aponta para uma sociedade de empreendedores. Quais seriam os elementos constitutivos do novo ambiente urbano – característico das cidades inovadoras – favorável a esse tipo de sociedade?

D – AS CIDADES INOVADORAS E O VELHO SISTEMA POLÍTICO

12) Quando se fala de cidades inovadoras, deve-se fazer referência, principalmente, às cidades como redes de múltiplas comunidades aninhadas no tecido urbano ou aos governos locais, às prefeituras e às outras instituições estatais que querem “representá-las” ou comandá-las? Em que medida a bandeira das cidades inovadoras pode ser (ou está sendo) apropriada pelos velhos agentes governamentais com objetivos de marketing político?

13) Ainda que independência, stricto sensu, não seja mais possível em um mundo tão interligado como este em que vivemos, pode-se afirmar que as profundas mudanças sociais que estão ocorrendo nas últimas décadas estão criando condições favoráveis à independência das cidades do ponto de vista da governança do seu próprio desenvolvimento (local ou endógeno)?

14) Se é fato que vivemos em cidades, moramos, estudamos, trabalhamos e nos divertimos em localidades e ninguém convive no país, em que medida a nação não é uma comunidade concreta e sim uma comunidade imaginária, de certo modo inventada e patrocinada pelo Estado e seus aparatos, inclusive pela publicidade massiva das empresas estatais (que se enrolam nas bandeiras nacionais para tentar estabelecer uma vantagem competitiva bypassando o mercado ou para fazer propaganda dos governantes que nomearam seus dirigentes)?

15) O mundo humano-social contemporâneo é um conjunto fixo de Estados, nações ou países ou uma configuração móvel e complexa de infinidades de fluxos entre pessoas e grupos de pessoas, agregadas, por sua vez, em múltiplos arranjos locais e setoriais: famílias, vizinhanças, comunidades, cidades, regiões, organizações (dentre as quais, algumas poucas – que não chegam a duas centenas – são Estados)?

16) Dado seu reduzido nível de autonomia e seu pequeno grau de participação nas decisões nacionais, em que medida as cidades – entendidas como redes de comunidades em que vivem as pessoas – se quiserem ser realmente inovadoras, devem continuar na posição de expectadoras das decisões de política econômica tomadas pelos governos centrais dos países e pelas demais decisões tomadas centralizadamente pelas instâncias do Estado-nação, em todos os campos: na política energética, na política ambiental, na chamada política industrial etc., tendo que arcar com suas conseqüências?

E – CIDADES INOVADORAS E SELF RELIENCE

17) Cidades que produzirem uma parte considerável dos recursos que consomem, ficarão menos vulneráveis às crises de escassez que provavelmente sobrevirão nas próximas décadas. Isso é válido em todos os campos da atividade humana e da vida social, inclusive no campo econômico, energético e ambiental (por exemplo, quanto mais regulações ambientais próprias forem adotadas pelas cidades, mais fácil será preservar ou conservar dinamicamente os seus recursos naturais). Pode-se afirmar que, em todas as áreas, em todos os setores, quanto mais independentes de instâncias ‘de cima’ e ‘de fora’ foram as cidades, menos vulneráveis elas serão ao contágio das crises globais? Esse pode ser um desiderato comum para as cidades dispostas a assumir a condição de cidade inovadora?

18) Depois que se generalizou a forma Estado-nação, as cidades passaram a ser localidades de um país (devendo-se entender por isso que elas passaram a ser instâncias subnacionais). Para todos os efeitos, são encaradas, pelos aparatos estatais que comandam os países, como instâncias subordinadas (ordenadas a partir de cima). E conquanto tenham alguma autonomia formal, figurando como sujeitos de pactos federativos em muitas Constituições modernas, as cidades são realmente subordinadas do ponto de vista político, jurídico, fiscal, energético, econômico etc. Seu funcionamento depende, em grande parte, de decisões tomadas sem a sua participação. Normas, repasses de recursos e investimentos, são determinados por outras instâncias, de cima e de fora. E isso gera dependência, não interdependência. Pelo menos no que tange ao desenvolvimento (ao seu próprio desenvolvimento, o chamado desenvolvimento endógeno), as cidades que se querem inovadoras devem continuar tão subordinadas assim ao Estado-nação – incluindo os seus governos centrais – que quer mantê-las como seus domínios? O que as cidades inovadoras deveriam fazer para começar a alterar tal situação?

F – O NOVO PAPEL ECONÔMICO DAS CIDADES INOVADORAS

19) Considerando que a ordem comercial contemporânea não tem mais mono-pólos (como foram Bruges e Veneza), de vez que a globalização hoje é policêntrica; que o capital financeiro transnacional não exige mais centros fixos (como a Antuérpia ou a Gênova do século 16); que as chamadas democracias de mercado não precisam estar mais ancoradas em impérios militares (como a Inglaterra dos séculos 18 e 19); que as “máquinas que fabricam máquinas” da nova indústria do conhecimento não requerem mais uma infra-estrutura tão pesada que só possa ser reunida em uma localidade com alta capacidade hard instalada (como Boston, nos Estados Unidos no início do século 20); que o acesso à eletricidade é praticamente universal (e a conexão banda larga segue o mesmo caminho) e a energia e a inteligência não precisam estar mais espacialmente tão concentradas (como estiveram em Nova Iorque ou em Los Angeles e nas cidades do Vale do Silício durante o século 20), qual o novo papel econômico das cidades inovadoras no mundo deste dealbar do século 21?

G – O NOVO PAPEL POLÍTICO DAS CIDADES INOVADORAS

20) Ao longo da história tivemos vários tipos de cidades: as cidades-assentamento “horizontais” que se formaram após o final do período neolítico na Europa Antiga e no Oriente Médio (como Jericó, a partir, talvez, do 6º milênio a. E. C.); as cidades-Estado da antiguidade (as cidades monárquicas, muradas e fortificadas, que surgiram na Mesopotâmia a partir do 4º milênio, como Uruk, Ur, Lagash etc., e que se replicaram no período considerado civilizado); as cidades – burgos – organizadas em torno do comércio nos períodos feudais; uma grande variedade de cidades correspondentes aos Estados principescos e reais; até chegar às cidades como instâncias subnacionais (ou domínios do Estado-nação). E tivemos também algumas exceções, como Atenas – a polis do período democrático – e outras poleis na Ática. São exceções porque a polis grega democrática não era propriamente uma cidade-Estado semelhante às suas contemporâneas e sim uma comunidade (koinomia) política. Pode-se dizer que Atenas foi uma cidade inovadora (talvez a primeira cidade inovadora, do ponto de vista político)? Em que medida é possível afirmar que teremos agora, no ocaso do Estado-nação, novos tipos de cidades: as cidades-redes (e as redes de cidades configurando novas regiões)?

21) As primeiras cidades-Estado da antiguidade não foram democráticas; pelo contrário: foram o berço da autocracia. Acidentalmente, a democracia surgiu como uma brecha nos sistemas autocráticos que se estabeleceram nos dois ou quase três milênios anteriores à invenção democrática dos gregos. Mas quando surgiu, a democracia surgiu como um projeto de cidade, surgiu em uma cidade – Atenas, talvez a primeira cidade inovadora do ponto de vista político – no mesmo momento em que nela se conformou um espaço público. Isso significa que, geneticamente, a democracia é um projeto local e não nacional. O grupo de Péricles (para citar o principal think tank que se formou em Atenas, do qual participavam Protágoras e Aspásia, dentre outros) não foi constituído para tentar converter os espartanos ou qualquer outro povo da liga ateniense à democracia e sim para realizar a democracia na cidade, na base da sociedade e no cotidiano do cidadão enquanto integrante da comunidade (koinomia) política. Pode-se então afirmar que a volta às cidades – preconizada pela atual emersão das cidades inovadoras – também significará uma retomada desse sentido local da democracia realizada nas múltiplas comunidades de novo tipo que as constituem? Em que medida sistemas locais de governança democrática, a começar pela governança do próprio desenvolvimento, tenderão a surgir nas comunidades territoriais e setoriais que reflorescem na sociedade contemporânea? E em que medida esse intrincado conjunto de relações constituirá o novo espaço público das cidades, não mais porque será decretado por alguma instância superior e sim porque emergirá do complexo jogo interativo que se realiza no dia-a-dia das trocas (não apenas mercantis, mas em todos os sentidos, incluindo aqueles baseados na gratuidade das relações humano-sociais, na ajuda-mútua ou na solidariedade) entre pessoas e comunidades?

H – AS CIDADES INOVADORAS E OS NOVOS SISTEMAS DE GOVERNANÇA COMUNITÁRIOS NA SOCIEDADE EM REDE

22) O caminho de inovação das cidades passa hoje – necessariamente – pelo reflorescimento e pelo fortalecimento das comunidades que as constituem? Por que? Em que medida é razoável prever que essas comunidades comporão outras unidades celulares da nova arquitetura de governança do mundo glocalizado? Pode-se afirmar que, por enquanto, pelo menos, as cidades (e as coligações de cidades em novas regiões econômicas e geopolíticas) são hoje as instâncias intermediárias necessárias nessa transição para uma outra etapa do sistema global, no rumo da efetivação de uma verdadeira ecumene planetária?

23) O modelo é fractal ou unitário: a identidade de um novo tipo de cidade inovadora – que poderíamos chamar de cidade-rede – se forma por emergência, na sinergia de múltiplas identidades que, ao se identificarem entre si, também se identificam com ela (ou parte dela) por herança ou projeto compartilhado a posteriori ou por uma decisão consciente (e a priori) de algum centro diretor ou coordenador (de planejamento)?

24) Cidades inovadoras numa sociedade em rede serão – necessariamente – cidades redes de comunidades? Se comunidades se formam a partir de identidades e identidades são programas que “rodam” em redes sociais, quais programas podem favorecer a emergência das cidades como protagonistas do desenvolvimento? Podemos dizer que tais programas são programas de (investimento em) capital social? Se capital social é um bem público, em que medida podemos afirmar que, em uma sociedade em rede, não é privatizando capital social que vamos conseguir contribuir para a emersão de uma nova esfera pública (social) nas cidades ou localidades, capaz de substituir a limitada esfera pública atual, contraída pela invasão dos programas proprietários do Estado-nação (que, ao contrário do que se afirma, são privatizantes e quase sempre desestimulam ao invés de induzir o desenvolvimento)?

I – CIDADES INOVADORAS E CIDADES PLANEJADAS

25) A proposta de cidade inovadora compreende a fabricação de novas cidades, seguindo um projeto, uma planta, uma maquete (como, por exemplo, o Ziggurat de Dubai)? Por que, toda vez que se tenta fazer isso, os resultados são péssimos do ponto de vista da democracia e do desenvolvimento humano e social, criando-se arquiteturas verticalizadoras e dinâmicas autocratizantes (como é o caso das chamadas “cidades-planejadas”, e. g., a nova capital do Egito criada por Amenófis IV para o deus Aton ou Brasília), para não falar do dispêndio desnecessário de recursos? Pode-se dizer que as cidades existem, para além de eventos sócio-territoriais, geograficamente localizados, como regiões do espaço-tempo dos fluxos onde são forjados padrões de comportamento social peculiares que se reproduzem por efeito de herança cultural, às vezes milenar, que não podem ser substituídos por iniciativas conscientes de um número limitado de planejadores – e que é essa a razão pela qual verdadeiras cidades só passarão a existir (em termos sociológicos, por assim dizer) várias décadas depois da instalação dessas experiências arquitetônicas e de planejamento urbano?

J – CIDADE INOVADORA E AGILIDADE REGULATÓRIA

26) Em que medida pode-se afirmar que cidades inovadoras são aquelas que simplificam (e agilizam ao máximo, por meio da informatização e de sistemas de CRM expandidos, onde o ‘C’ não signifique apenas ‘customer’, mas também ‘citizen’) suas leis e regulamentos no que tange às obrigações dos cidadãos e, especialmente, à abertura e o fechamento de empresas (processos esses que nunca deveriam ultrapassar um dia), mas também para fundação e extinção de qualquer tipo de organização?

K – CIDADE INOVADORA COMO CIDADE ABERTA (CULTURAL, ECONÔMICA E POLÍTICAMENTE)

27) Se o principal elemento em qualquer região bem-sucedida é a abertura para o mundo externo, a qual precisa ser vista positivamente como fonte de prosperidade (apagando-se noções xenofóbicas, bem como o conceito de nativo versus estrangeiro), em que medida cidades inovadoras devem eliminar as tradicionais proteções aos ‘de dentro’ e as barreiras contra os ‘de fora’, em todos os setores?

L – CIDADE INOVADORA COMO CIDADE ALTAMENTE CONECTADA

28) Pode-se afirmar que uma cidade inovadora deve estar tão altamente conectada – e não apenas para atrair cérebros, mão-de-obra qualificada e investimentos ‘de fora’ – que seja possível aos seus habitantes e organizações se associarem a empreendedores e empreendimentos de outros lugares sem terem que sair do seu próprio lugar e sem, necessariamente, importar pessoas físicas e jurídicas? Para alcançar tal condição, em que medida é necessário que a cidade seja uma cidade digital, com banda larga universalmente disponível?

M – CIDADE INOVADORA COMO CIDADE EDUCADORA

29) Se os sistemas educacionais atuais são os principais exterminadores da criatividade e da inovação, cidades inovadoras poderão continuar abandonando seus habitantes nas mãos dos deformantes aparelhos estatais e privados de ensino escolares e acadêmicos? Pode-se afirmar que cidades inovadoras serão, portanto, necessariamente, cidades educadoras, que desenvolvem seus próprios mecanismos sociais de incentivo ao autodidatismo, ao homeschooling e ao communityschooling (como os arranjos educacionais locais) e às novas redes de aprendizagem em todos os níveis?

N – CIDADES INOVADORAS E NOVOS SISTEMAS DE GOVERNANÇA COMUNITÁRIOS

30) Cidades inovadoras podem continuar sendo administradas – do ponto de vista das suas agendas de desenvolvimento – pelas velhas burocracias governamentais? Essas burocracias não serão as primeiras a matar qualquer embrião de inovação? Pode-se dizer que a criação de novos sistemas de governança comunitários, em localidades e setores, é uma condição necessária para desamarrar as forças criativas e empreendedoras que estão latentes nas cidades? Em que medida a criação desses ambientes favoráveis à inovação, ensejarão que as cidades possam antecipar a nova forma cidade-rede?

O – CIDADES INOVADORAS E PROGRAMAS INOVADORES

31) Pode-se afirmar que a melhor maneira das cidades atuais prepararem as condições para se tornarem cidades inovadoras é construindo em rede suas agendas de inovação? Em que medida, para construir um processo coletivo e emergente de formulação das suas novas agendas de desenvolvimento, as cidades deverão esquecer um pouco as monumentalidades e os equipamentos urbanos tradicionais, as repartições, os edifícios e as outras construções que refletem instituições centralizadoras para se concentrar na substituição das políticas verticais e dos programas proprietários – elaborados por instituições governamentais e, inclusive, não-governamentais – por “softwares livres” que possam ser desenvolvidos e reformatados pelos usuários?

32) Pode-se afirmar que a Internet – e, para além dela, as redes distribuídas P2P – será chave nas agendas de inovação das cidades? Em que medida a Internet propriamente dita e as “internets” sugeridas pelo novo padrão de interação distribuído, para todos os tipos recursos e novos programas livres para rodar nessas múltiplas interconect networks, lato sensu, que deverão surgir, serão elementos fundamentais na caracterização das cidades inovadoras do futuro?

33) Qual a probabilidade de o navegador-móvel (do telefone celular, dos netbooks e dos demais dispositivos móveis de interação) ser eleito, nas cidades inovadoras, como o terminal do cidadão e, mais do que isso, como o seu “inicial”, quer dizer, o “lugar” a partir do qual ele poderá não apenas se informar e cumprir rotinas estabelecidas, mas propor e interferir, muitas vezes não apenas nas instâncias administrativas da cidade como um todo (como quem acessa um call center centralizado) e sim também nos diversos arranjos locais que deverão surgir: arranjos produtivos, arranjos educativos, arranjos de geração e distribuição de energia etc., e – por que não? – arranjos políticos capazes de ensaiar novas formas de democracia local – direta e interativa – na regulação de unidades de vizinhança e de governança do desenvolvimento comunitário?

A este elenco foram acrescentadas posteriormente as seguintes questões, mais específicas, que dizem respeito às relações entre cidades inovadoras e governos locais:

P - CIDADES INOVADORAS E GOVERNOS LOCAIS

34) Governos locais organizados hierarquicamente, com base nos organogramas tradicionais da administração pública, e setorialmente, com base em órgãos especializados como são as secretarias, autarquias e fundações, obstaculizam ou facilitam a constituição de ambientes de inovação nas cidades e nos seus diferentes territórios de identidade? Por que? A horizontalização da gestão pública, a constituição de comitês gestores transversais em todos os órgãos públicos que atuam em cada território, com autonomia para decidir e implementar políticas públicas localizadas, poderia ser um caminho para facilitar a constituição de ambientes de inovação em parceria com as pessoas em cada comunidade?

35) Em que medida a administração convencional, que parte da visão de que o governo é uma “máquina pública” produtora de bens e serviços que serão ofertados aos cidadãos, um governo provedor, e que reserva ao cidadão o papel de cliente e consumidor de serviços públicos, tendo seus direitos limitados a ter serviços públicos de qualidade, mediante o cumprimento de sua responsabilidade com o respeito às leis e o pagamento de impostos, impede o governo local de fomentar a inovação e o empreendedorismo de pessoas e comunidades?

36) A administração convencional reduz o servidor público a um agente produtor de serviços para a sociedade, que, em contrapartida, tem o direito de receber uma remuneração digna por essa atividade. Já a administração inovadora vê no governo local um papel adicional, como indutor do desenvolvimento local, e para viabilizá-lo faz do servidor público um agente de articulação do governo com a sociedade em cada território de identidade da cidade. Em que medida pode-se afirmar que a primeira obstaculiza e a segunda estimula a inovação na cidade?

37) Uma concepção de cidadania não só como detentora de direitos, mas também de responsabilidades, e uma concepção de serviço público que assuma a dimensão do fomento ao desenvolvimento local, além da prestação de serviços, são essenciais para construir cidades inovadoras? Em que medida podemos afirmar que não existem cidades inovadoras que não tenham em seus cidadãos e servidores governamentais agentes co-responsáveis pela animação de redes de governança comunitária e desenvolvimento local?

38) O envolvimento das pessoas e comunidades locais na produção, monitoramento e avaliação das políticas, programas e serviços públicos, no que se poderia denominar co-produção de políticas, programas e serviços públicos, contribui para a conformação de ambientes de confiança e diálogo entre governo e sociedade e para o fortalecimento de redes de governança do desenvolvimento local. Você concorda ou não concorda com essa afirmação e por que?

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Os comentários estão fechados para esta mensagem de blog

Comentário de Augusto de Franco em 4 janeiro 2010 às 10:48
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Comentário de Wilnara Amorim em 4 janeiro 2010 às 10:18
Tenho interesse em participar e divulgar o evento.
Comentário de Fabio Betti Rodrigues Salgado em 4 janeiro 2010 às 10:17
Quero participiar da CIRS, bem como colaborar com a divulgação do evento. Minha agenda já está bloqueada para estarmos juntos em Curitiba!
Comentário de Anabel Mascarenhas em 4 janeiro 2010 às 10:02
Conte comigo, quero participar e posso ajudar com material de divulgação.
Comentário de Paulo Roberto de Mello Miranda em 4 janeiro 2010 às 9:56
Confirmo min ha inscrição no CIRS. Estarei em Curitiba junto com todos!
Comentário de Volney Faustini em 4 janeiro 2010 às 9:27
Estou nessa! Pode contar comigo para acompanhar o Clay ou o Steven. No final do ano terminei a legendagem de mais uma fala do Steven no TED e acho interessante que o pessoal comece a se familiarizar com os convidados internacionais!
Comentário de Ricardo Mendes Junior em 4 janeiro 2010 às 9:03
Gostaria de colaborar com a CRIS. É necessário inscrever para a CICI? - tentei agora a pouco mas falhou a conexão para o pagamento, tentarei mais tarde. Um grande abraço.
Comentário de Sônia Barreto de Novaes em 4 janeiro 2010 às 9:00
Olá! Quero muito participar! Confirmo minha inscrição no CIRS e estarei lá.
Comentário de jandira feijo em 4 janeiro 2010 às 8:58
quero estar presente
Comentário de Angelo Guimarães Simão em 4 janeiro 2010 às 8:30
Confirmo a minha inscrição no CIRS.

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