Escola de Redes

Eu não lembro quando o assunto “redes” apareceu pra mim pela primeira vez. Lembro sim que de cara fui contra (risos), pois parecia mais uma daquelas modas como tantas outras que vi surgir e sumir. A primeira das modas que vivi como profissional foi a da reengenharia (eu ainda era consultor de empresas e a multinacional ganhava muito dinheiro vendendo isso). Depois veio a qualidade total, o just in time... até hoje sou precavido com novos conceitos que surgem. Não foi diferente com redes (aliás ainda não é). Depois de um período na iniciativa privada comecei a atuar como consultor para a área cultural e a area social. Olhando em retrospecto vejo que eu já me interessava por redes, só que na época não tinha esse nome. Chamemos de “coletivos”. Nessa época eu criei a associação de ex-alunos do colégio que estudei, montamos também um encontro mensal com jovens que atuavam no terceiro setor; participei de um grupo de ex-alunos de administração pública;... Hoje vejo que eram redes. Belas redes. Não hierárquicas, informais, úteis e prazerosas para os integrantes.

Em 1999, lendo livros sobre captação para melhorar o conteúdo do meu próprio sobre o tema, encontrei dois temas que me chamaram a atenção. Um deles eu adicionei ao meu livro: “cidadania ativa”. O outro não adicionei, mas ficou na minha cabeça por muito tempo: “entidades relacionais”. Um de meus projetos na época era criar Centros de Informação para a Juventude. Eles eram inspirados nos que conheci e usei quando fiz minha faculdade em Barcelona, no começo dos 90. A idéia das entidades relacionais somada à incipiente idéia da internet que ia além de webpages e emails me fez pensar que se deveria criar não um mas muitos centros de juventude conectados entre si. Estes, juntos, somariam informação local a ser disponibilizada para a rede que por sua vez seria disponibilizada para os jovens freqüentadores de qualquer centro. Com isso o show no barzinho na Vila Ré seria informado para qualquer jovem, inclusive para o que estivesse na outra ponta da cidade ou do estado. Levei essa idéia para o governo do estado de São Paulo (gestão Mario Covas) mas a área de tecnologia vivia outro problema: o bug do milênio. Fui então buscar trabalho e caí na web e a febre ponto.com.

Depois do bug que não aconteceu , em 2000 a rede era a web. Entrei a fundo nisso montando uma empresa ponto-com. Como 99,9% das empresas de Internet, abrimos escritórios em 5 ou 6 países e os fechamos em menos de 1 ano, junto com a empresa. Dessa época ficou o prazer de ter visitado Buenos Aires 6 vezes em 10 meses (era a sede da ponto.com) e a sensação de que a experiência com a web era uma mudança definitiva na minha vida e carreira.

E foi. Voltei ao governo do estado decidido a implantar cybercafés gratuitos para todos. Essa idéia era um aprimoramento dos tais centrosde informação de juventude, agora totalmente web, totalmente espaço de acesso. Criamos então o Acessa São Paulo.

O Acessa me permitiu pesquisar um universo inexplorado e novo. Eu me dedicava diariamente a entender o usuário de cybercafé. Acessei a web de todo e qualquer lugar com acesso. Desde os infocentros até os computadores do Mcdonalds, passando pelas lan houses e cybercafés da periferia. Foi nessa época também que virei blogueiro e nessa época produzi os artigos que mais gosto. Entre eles um que teve grande repercussão na blogosfera da época: A Linkania e o Religare.

Nessa época me envolvi com um outro coletivo, que “se reunia” através de uma lista de discussão chamada Metáfora. Eram ativistas, hackers e curiosos que bolavam formas de envolver tecnologia com um mundo melhor do jeito mais anárquico e divertido que vivenciei até agora. Desse grupo saíram muitas iniciativas, entre elas a Metareciclagem, bastante difundida hoje em dia em muitos lugares e que, com a entrada no nosso ministro hacker Gilberto Gil criou, através dos Pontos de Cultura, um “esparrame” da vivência não hierárquica, da ética hacker e do software (e vida!) livre.

Pra finalizar, tenho que completar essa chegada ao tema através de mais duas pessoas: Augusto e Ugarte. O primeiro me apresentou o segundo. Ambos viraram meus amigos. Augusto eu conhecia da época da dona Ruth e do Comunidade Solidária. Mas me aproximei mesmo quando, coordenando um projeto para a prefeitura e união européia chamado Nós do Centro, convidei o Augusto para nos apoiar nas ações de Desenvolvimento Local que queríamos implantar lá e para nos apropriarmos dessas metodologias através dele. Ele me falou do David de Ugarte,coincidentemente no nosso primeiro café da manhã, pois acabava de receber um livro dele chamado "11-M, Redes para ganar uma guerra". Mas fui conhecer o David mais de um ano depois, em Porto Alegre, na Conferencia de Cidades. Do encontro com David e após ele ter se transformado em meu mais novo amigo de infância, passei 10 dias com ele em Madrid julho passado e ... aqui estou. Cheguei, chegamos! Oi!

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Comentário de Marcelo Estraviz em 29 julho 2009 às 16:32
saludos, Lía!
Comentário de Lía Goren em 29 julho 2009 às 13:00
Hola Marcelo
Gracias por compartir tu recorrido. Estaba leyendo tu participación en el grupo nuevas visiones y decidí ir tomando unos momentos para conocer más de cerca a quienes, como tú, compartiremos ese espacio.
Saludos desde Buenos Aires.

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