Escola de Redes

Apenas deixando registrado mais um "pitaco" sobre atualidades...

Há uns 2 anos atrás vi um estudo sobre as redes de energia elétrica da China e os EUA que apontava ser a frequencia de blecautes proporcional à razão entre demanda e oferta de energia elevada a um expoente fractal... Concluíram que, para uma rede de grande porte, essa frequencia seria independente da eletricidade atmosférica (raios e tempestades elétricas). O Brasil tem um tamanho comparável a estes países, logo, ao que tudo indica, o problema é de infra-estrutura mesmo.

A natureza é previsível, sabemos o que esperar dela, não temos satélites sobre nossas cabeças a nos dizer constantemente o que está acontecendo? Não somos capazes de calcular isso? Talvez a mudança climática esteja tornando o tempo mais irregular mas nós brasileiros estamos cientes que isso não poderia explicar a falta de vontade que SEMPRE EXISTIU para implementar soluções antecipatórias. Veja o caso do trânsito de São Paulo. Prestes Maia há praticamente meio século já havia projetado o anel viário, entendendo que seria absolutamente necessário. Alguém o ouviu? O que se ouviu há pouco foi gente gritando "SOS Santa Catarina". Você já ouviu gritarem "SOS Veneza"? Será que lá nunca choveu igual ou pior? O Katrina também era outro desastre anunciado, estourou uma barragem por parca manutenção, afinal, quem liga, ali só tinha pobre mesmo...

O que é isso? São as hierarquias reacionárias de sempre, a centralização... Outra comparação válida é com a Europa, que está descentralizando e diversificando sua matriz energética cada vez mais. Essa semana mesmo ocorreu em Sevilha um encontro para discutir energia solar concentrada. Enquanto nós praticamente não sabemos o que é isso, como se fosse uma tecnologia alienígena...

A Alemanha foi uma das primeiras a incentivar a população a gerar energia no teto das casas. Exatamente, uma rede a qual se somaram um monte de fontes de energia pequenas, ao invés de ficar na dependência de grandes centrais (como é o nosso caso com Itaipu). Coisa do outro mundo? Não! São só painéis fotovoltaicos. Caros? Certamente. Mas lá eles tem incentivos como linhas de concessão de crédito específicas para adquirir estes equipamentos. E quando ligam seu sistema doméstico à rede a concessionária de energia PAGA por qualquer excedente que produzam. Além do mais essa produção de energia de forma distribuída deixa a rede elétrica muito mais estável, com blecautes menos frequentes. Pode não ser infalível mas certamente é mais estável que a nossa.

No Brasil distribuíram a concessionárias diversas a responsabilidade pela energia. Mas a rede de energia em si não se tornou uma rede muito mais distribuída. Resultado: volta e meia, num mesmo local fisico, numa mesma central ou subestação existem duas ou mais empresas gerindo com políticas e culturas diferentes, com pontos conflitantes. E esses conflitos obviamente se refletem no que acabamos e ver: apagão em 18 estados.

Quem mais é responsável por essa situação? Sem mais delongas vou logo entregando: é a SHELL. Essa empresa está empatando uma patente de um painel fotovoltaico de silício amorfo que teria um custo muito mais acessível para todos nós. O que eles querem? Talvez garantir um pouco mais de lucros com as tecnologias ultrapassadas, como os fabricantes de chuveiro elétrico gostam de fazer aqui no Brasil.

Quem quer energia solar aqui, ou se contenta em apenas aquecer a água ou vai pagar o olho da cara para importar painéis fotovoltaicos, afinal, não os produzimos em grande escala. Parece até que não temos sol suficiente para esse mercado...

Bem, vamos entender... 99,9% das instituições que aí estão querem garantir suas ridículas metas por mais algum tempo, ao custo da injustiça, devastação, miséria... e ainda posando de "socialmente responsáveis" ou "ambientalmente corretas" quando dão algumas migalhas ou fazem pequenos ajustes. Quase todas preservam 10% mas destroem 90%, ajudam 10% mas atrapalham 90% . Afinal, a maioria estabelece como meta uma porcentagem a mais em relação ao período anterior. Ou seja, querem lucros crescendo em progressão geométrica! Existe coisa mais insustentável que isso? Muitas, não satisfeitas, colocam metas de porcentagens crescentes... Querem lucros maiores que exponenciais! No setor financeiro, por exemplo, lucros de mais de 100% nunca são suficientes, querem 500% , 1000% , qualquer coisa é pouco!

Sabe o que é engraçado? Para a maioria, se uma coisa não é transformada em dinheiro ela simplesmente NÃO EXISTE, é invisível. Agora vem todo esse discurso de meio ambiente, todos tem um blablablá egológico para dizer. Por quê não teve isso na época da Eco 92 ? Precisou (um brasileiro) inventar o mercado dos créditos de carbono...

Veja aqui uma iniciativa brasileira (nadando contra a corrente) em prol da energia solar, incluindo aquecimento de água a baixo custo .

Discussões correlatas acumuladas na E=R:

http://escoladeredes.ning.com/group/ecoloucos/forum/topics/bioarqui...

http://escoladeredes.ning.com/group/ecoloucos

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Comentário de Gabriel R. de Andrade Silva em 6 janeiro 2010 às 17:57
Outro exemplo da falta de vontade que SEMPRE EXISTIU para implementar soluções antecipatórias:

Monitoramento de áreas de risco em encostas no Sudeste está "comple...

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