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Em cardumes, colonias, enxames, murmurações ou qualquer ação coletiva do reino animal, sempre há uma outra história pra se contar:

 

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Comentário de Jaime Tak em 9 março 2011 às 15:47
Para cada movimento de cardume, colonia, enxame, murmuração e tb para cada tipo de fenômeno tem uma curva ou dimensão fractal. "Por exemplo, a curva fractal de um rio sinuoso tem a dimensão igual a 2, superfícies de paisagem são iguais a mais ou menos 2,2. Superfície de nuvens, 1,3." John Brockman em 'Reinventando o Universo" citando Mandelbrot. Os fenômenos só têm significado porque as pessoas querem que tenham. Mesmo sem significado esses fenômenos biológicos são estranhos e belos.
Comentário de Augusto de Franco em 6 março 2011 às 6:03
Concordo com seu último comentário, Paulo. Houve um ruído lá no Twitter, introduzido, creio, por uma pessoa que recebeu um link mas não sabia do que se estava tratando, mas não aqui. Por outro lado, polemizar no contexto de uma conversação (colaborativa, como esta) não é ruim. Até porque permite que os que tiverem interessados se dêem conta de que existem visões biológicas competitivas (travestidas como ciência) e cooperativas. Por exemplo, pode permitir aprofundar esse conceito de predador (versus simbionte), a história de que existiriam estágios evolutivos diferentes num mesmo momento entre diferentes espécies e dentro da mesma espécie et coetera. Abraços.
Comentário de Paulo Ganns @pganns em 5 março 2011 às 20:27

Augusto,

 

Quando coloquei o vídeo da BBC, meu intuito era o "alerta":

  • Não usem o comportamento animal de outras espécies para motivar qualquer tipo de mudança de comportamento humano. Isso não vai dar certo simplesmente porque, toda vez que se usa esse tipo de artifício para o "bem", abre-se a possibilidade da contra argumentação, embasada nos mesmos pilares, para o mal. Para cada caso de enredamento social de outras espécies que for colocado como padrão "ideal" de comportamento, se constrói uma disputa vital de enredamento de outra espécie para sobrepô-la.

Mais do que isso é polemizar!

 

[ ]s

 

PGC

Comentário de Augusto de Franco em 5 março 2011 às 15:10

Pelo contrário, Paulo, acho que essa é uma perspectiva terrestre, tipicamente humana, sugerida pela inteligência tipicamente humana. Ela nos diz que não há "estágios evolutivos": essa é uma daquelas mentiras que nos pregaram em nome da ciência. Todos os seres vivos são igualmente evoluídos: como escreveu a notável bióloga Lynn Margulis (1998), para quem "a vida não se apossa do globo pelo combate e sim pela formação de redes".

Quando tiver um tempinho, depois, é claro, do churrasco de Carnaval, dê uma espiadinha do texto "Mentiras pregadas em nome da ciência" (um dos tópicos do Capítulo 9 de Fluzz que trata exatamente dessas questões que você levanta). Abraços.

Comentário de Paulo Ganns @pganns em 5 março 2011 às 10:21
Augusto,

Numa perspectiva extraterrestre, fora da caixa, concordo que a vida assume essa visão coreográfica, aonde o viver e a vida estão no todo. Só que essa forma de pensar, no meu modo de encarar, produz um efeito indesejado. Nos coloca na posição de semideuses.

Eu também vejo um organismo fractal funcionando, mas não deixo de aceitar que devorados e devoradores existem, com ou sem consciência da individualidade, atuando ou não de forma coletiva.
Vejo tudo na natureza com naturalidade, sem consternação ou prazer, só com vislumbre.

Um causo (mineiro adora isso):

Por observação, em minha infância, quando revoadas de andorinhões chegavam em Viçosa para ninharem-se nos telhados das casas da praçinha do Rosário, era possível observar a murmuração ou uma revoada, como a batizamos. Mas eles, os predadores, estavam lá: gaviões de cara preta, falcões tesoura e quiriquiris. Era um duelo diário, vital e com hora marcada.

“No por do sol, estaremos juntos.”

E posso te garantir, para deleite e horror da meninada, a taxa de sucesso dos rapineiros era alta, principalmente quando atuavam nas periferias.

Fim do causo.

Então, alguns meninos se perguntavam:

Na perspectiva de uma andorinha, seria melhor, em defesa da sua própria vida, estar nas bordas da revoada ou no centro delas?
Seriam as mais jovens e habilidosas na arte de voar, as que se posicionavam no núcleo da revoada, em área mais segura?
Toda aquela coordenação caótica, seria uma mistura instintiva da potência de se manter voando e, ao mesmo tempo, longe da periferia?
Quem teve sucesso vital momentâneo, os caçadores ou os caçados, os fracos ou os fortes, os saudáveis ou os doentes?
Presenciamos instinto ou inteligência, individual ou coletiva?
Existe uma pirâmide na cadeia alimentar aonde o número de devoradores depende e influencia a alta taxa de natalidade dos devorados?

Sendo assim, sempre me questiono:

E no frigir dos ovos, hoje, para nós, os humanos, o que importa responder a essa questão, no que concerne ao desarranjo estrutural que provocamos?
O que nos motivaria modificarmos o nosso “modus operandi”, construirmos narrativas sobre como o comportamento de outras espécies podem ser inspiradoras?

Creio que nada!

Estamos num estágio diferente de consciência, individual e coletiva, se nos comparamos ao golfinhos, chimpanzés, bonobos, gorilas e outras espécies em estágios evolutivos próximos aos nossos, que coabitam a terra.

Nossa inteligência, como capacidade de produzir artifícios em prol da própria espécie, já é um meta-artifício e se tornou o grande problema para a sustentabilidade do mundo natural.
Temos que aceitar nossa natural artificialidade sendo que somos naturalmente diferentes.

Estranhamente, nossa inteligência, artificial, mesmo sendo natural, já nos descolou deste mundo natural. É hora de aceitarmos esse fato. Somos algo como Overhuman de Nietzsche, mas não somos semideuses.

Estamos dentro da caixa e, por um longo tempo, até mesmo para aprendermos sobre nossas inconsequências, ficaremos encaixotados na terra.

Que tenhamos tempo e sorte para que ocorrências astronômicas não nos reserve um destino jurássico!

:>*)

[ ]s

Paulo Ganns

Bom Carnaval! Indo pra Viçosa para fazer um churrasco pra sogra! hehehe
Comentário de Augusto de Franco em 4 março 2011 às 16:59
Tudo que vejo aqui é uma dança, uma coreografia estrutural própria do metabolismo do simbionte natural. Na verdade, desse ponto de vista, o golfinho e o peixe que entra pelo boca do golfinho são a mesma coisa. Desse ponto de vista não há devorado nem devorador. Como não há nada como uma falsa consciência da individualidade, isso que vai acontecendo nos intestinos dessa capa biológica que envolve o planeta, mantém o organismo fractal em funcionamento (assim como as colônias de bactérias em nossos intestinos nos mantêm vivos: ou melhor, se mantêm vivas enquanto nos mantêm nesse planeta que somos para elas).

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