Escola de Redes

Alguns Miligramas de Política nesta Matemática

Um espectro ronda o mundo — o espectro da Internet.
Todas as velhas potências unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo.
Tudo que era sólido e estável se desmancha no ar,
tudo o que era sagrado é profanado,
e os homens são obrigados finalmente
a encarar com serenidade
suas condições de existência e suas relações recíprocas.
(trecho retirado e adaptado do Manifesto Comunista de 1848 de Karl Marx e Friederich Engels)


A sociedade contemporânea está diante de uma nova base tecnológica que estabelece condições para um novo Modo Social de Produção. A humanidade está envolvida numa Revolução. O Modo Capitalista de Produção Social está com seus dias contados, já não responde mais às possibilidades que as novas tecnologias propiciam e o processo radical de mudança está em curso.
É o chip e sua colocação sobre os trilhos virtuais das redes que conduzem este inexorável processo de mudanças. E ficar contra a avalanche só nos transforma em avalanche.
Todas as instituições se vêm envoltas com diversas forças instituintes que as estão fustigando diuturnamente. È assim nas Revoluções, novas manifestações e movimentos instituintes quebrando a perenidade dos valores instituídos.
A Internet proporciona a primeira mídia franca no mundo. Lá dizemos o que queremos e só tomamos conhecimento do que queremos. Pode se dizer tudo na Internet e os efeitos são imprevisíveis. Ninguém toma conhecimento. Muitos se mobilizam por fatos que antes das redes não seriam divulgados de forma alguma. A mídia free acaba e profana a sagrada mídia Push.
O segredo já não é mais possível na esfera pública. Hoje para se manter um segredo significa que determinado assunto não pode estar na Internet. Mas acontece que o que não está nas redes está fora do tempo. E processos humanos fora do tempo são incapazes de gerar valor.
A própria geração de valor na Economia está sob fogo cruzado nestes novos tempos de instantaneidade. Basta se verificar que os processos, serviços e produtos que mais agregam valor nas redes tecnológicas não têm precificação em sua esmagadora maioria. E aqui cabe observar que quando têm preço é porque ainda são inteligências das velhas corporações usando as redes para tentar vender mais nas novas condições tecnológicas. Na verdade em sua maioria são folders virtuais substituindo os velhos catálogos em papel couché.
As grandes criações tecnológicas que vem se aproveitando da novidade da colaboração e da parceria nas redes, a chamada Web2.0, estas todas não conseguem precificação apesar de conterem um nível de agregação de valor imenso. Claro que algo está mudando na Economia contemporânea.
Na crise atual da Economia mundial surge a questão da moeda, esta importante relação social de medida de valor que permite o processo de precificação. E aí? O Dólar continuará sendo o padrão mundial de valor? Os chineses estão morrendo de medo porque estão muito comprados em Dólar. Como será o Novo Breton Woods? Para ter alguma eficácia terá que ser em rede distribuída aberta aos usuários de todo mundo. Eta fórum difícil de gerenciar!
Que cesta será esta para configurar um novo padrão de valor para a sociedade? Mistura de moedas e de commodities? O que vale mais hoje, diamantes, ouro, soja ou a base de dados do Google?
Globalização versus fragmentação – eis uma contradição impossível de ser superada com a gestão dos velhos poderes, (o certo seria citar Caetano e dizer podres poderes). Outra inexorabilidade, não tem jeito, sempre que globaliza fragmenta e vice versa. E os fragmentos rapidamente se constituem em redes na Internet! O Capital Financeiro Globalizado sentiu o tranco deste processo em meados de 2008 e sabe que tem modificar todo o seu funcionamento para se recuperar. Será que se recupera? Novos fragmentos quando se reaglutinar serão gerados.
A instantaneidade das redes e a pós-modernidade. Inúmeras pessoas se descompromissando completamente com passado e possibilidades futuras pelo edonismo do instante presente. Vale o jogo bruto dos interesses e são colocados em redes formando patotas inimagináveis em nosso cotidiano. Com quase todo o saber humano na Internet, ações para o bem e para o mal são inevitáveis. Porque lá na telinha também estão todas as perversidades que a humanidade enfrenta, pensa e produz.
E a Revolução não para, é assim sua característica. Está faltando a Política! A expressão política desta Revolução ainda não se estabeleceu. Nova Polis, nova Política! Demografias ao invés da velha Geografia. Fim das aduanas e fronteiras. Redes de colaboração procurando por novas formas de pensar e de criar. Aqui mesmo via Ning estamos buscando alternativas nesta Escola.
E as especializações vão permanecer? Será que a exacerbada forma de divisão do trabalho continuará a mesma? Se mudarem, mudarão os aprendizados. Universidades com especialidades? Doutorados por linhas específicas do saber? Tudo isto é muito taylorismo para o mundo das redes tecnológicas. As especialidades e os especialistas são instituições de poder; - do velho poder. Especialistas sem deterem o segredo, eh eh.
No meio deste turbilhão os poderes instituídos, seus representantes, seus poderes e os Partidos Políticos que os sustentam. Seres agonizantes numa pantomima fatal que já não aponta para direção nenhuma.
Ainda é cedo, mas é muito rápido. Muito mais rápido do que podemos até perceber. Os novos dirigentes nas redes de colaboração em nodos e clusters irão dar nova régua e compasso para a sociedade que está nascendo. E os nativos digitais serão a realização de mais esta mudança na História humana.

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Comentário de Raulino Oliveira em 15 junho 2009 às 16:04
O compasso só entrou porque citei o Cetano e achei legal citar o Gilberto Gil.
Legal o seu rebate tipo bate pronto.
Comentário de Rafael em 15 junho 2009 às 15:37
E a sociedade q está nascendo diria:

- compasso! o q é isso?

E depois de aprender numa wiki sobre objetos arcaicos a geração diria:

- mas as pessoas precisavam disso para viver? quer dizer q sem a referência do centro as pessoas n sabiam se relacionar socialmente? q coisa extranha...

e por fim quase num sorriso diriam para terminar.

vcs ainda usam dólar? hahahah eu já passei...

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