Escola de Redes

A VIDA COMO REDE FRACTAL DE SERES INTERDEPENDENTES

Já indiquei aqui - no meu Itinerário de Leituras Fundamentais - um livro importantíssimo da bióloga Lynn Margulis (1998): “O Planeta Simbiótico: uma nova perspectiva da evolução”. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. Mas agora quero falar de outro texto, também indicado no mesmo itinerário, que estou relendo: Margulis, Lynn & Sagan, Dorion (1998). “O que é a vida?”. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002:


Simplesmente fantástico! E muito interessante para quem está dedicado a estudar as relações entre sustentabilidade e o padrão de rede. Uma coisa que chama a atenção são as misteriosas redes de fungos (um dos 5 reinos de organismos vivos: os Mychota; os outros quatro são Monera (bactéria), Protoctista, Animalia e Plantae). "Durante mais de 400 milhões de anos - escrevem Margulis e Sagan - seus esporos [dos fungos] têm-se assentado e espalhado redes micelianas por um vasto sortimento global de alimentos".

O mais interessante disso tudo, porém, é - a meu ver - o processo em rede.

Como Margulis observou, "os fungos são organismos realmente fractais", que fazem sexo por conexão ou conjugação de hifas (que são tubos que se assemelham aos cabos de rede que utilizamos hoje em dia para conectar nossos computadores) e existem "em extensas redes inacessíveis à visão, situadas abaixo do solo. Grandes micélios de hifas que saem em busca de alimentos prosperam sob as árvores das florestas. Os filamentos vivos chamados hifas tendem a se fundir. Depois de "praticar o sexo", acabam formando cogumelos ou tecidos bolorentos que, por sua vez, sofrem meiose e formam esporos... Toda rede miceliana é um clone fúngico, o filho distante de uma única linhagem genética. Acima do solo, os fungos produzem esporos que flutuam no ar, alguns dos quais você por certo está inalando neste momento. Quando pousam, os esporos crescem onde quer que seja possível. Fazendo brotar redes tubulares, as hifas, no substrato úmido, novamente os fungos produzem quantidades copiosas de esporos, os quais se disseminam, espalhando sua estranha carne pelo solo que ajudam a criar".

Fiquei pensando nesse processo pelo qual as conexões produzem esporos, que geram mais conexões, criando por replicação novos ambientes. Taí uma boa imagem para as relações entre rede distribuída e sustentabilidade. Não se trata de crescimento de um indivíduo ou mera replicação e sim, em alguns casos, de simbioses que aliam reinos distintos, dando origem a novos seres, como as 25 mil espécies diferentes de líquens, resultados da união entre fungos e algas verdes ou entre fungos e cianobactérias.

Margulis e Sagan escrevem que "o resultado [dessa] simbiose, longe de ser previsível pela simples adição, é uma surpresa não-cumulativa. Com tantos líquens diferentes, cada qual representando um encontro permanente entre um fungo e uma forma biológica fotossintética, a expressão "relacionamento de longo prazo" assume um novo significado... De algum modo, as algas e os fungos sentem a presença do corpo inteiro um do outro, formando uma parceria empreendedora e complexa que depende da história da relação. Como as células dos animais, as células de algas e fungos de um líquen comunicam-se metabolicamente. Diversamente da maioria dos animais, entretanto, o tamanho e a forma de qualquer variedade de líquen não são fixados com precisão, e a extensão da complexidade de seus tecidos restringe-se a uma ou poucas camadas de tecido. Todavia, os líquens ultrapassam os animais em longevidade: um dado líquen pode ter quatro mil anos de idade".

Para Margulis, tudo isso é evidência de que "a vida pode surgir repentinamente, de um salto, quando partes separadas se unem" (a simbiogênese). Isso significa que a vida - ou a propriedade autopoiética - nasce por conexão. Como metáfora, para nós, interessados em descobrir no "subsolo" disso que chamamos de sociedade aquelas "conexões de hifas" que ocorrem no invisível espaço-tempo dos fluxos, tudo isso não é nada menos do que excelente!

Bem, mas o livro "Que é vida?" também é importante para detonar os nossos modelos antropocêntricos ou "zoocêntricos" (do reino Animalia) ou, ainda, "fotossíntese-cêntricos" (da turma da preservação do verde, quer dizer, do reino Plantae) que se imaginam salvando o planeta por meio do proselitismo ambientalista.

É... Esse pessoal não presta muita atenção às grandes linhagens vivas que estão aí há 4 milhões de anos (como as bactérias), que não são - ao contrário do que se propaga - "menos evoluídas" do que nós, os animais e do que as plantas (que, aliás, são mais recentes do que nós). E também não presta atenção aos protoctistas e aos fungos. Margulis ataca: "todas as espécies existentes são igualmente evoluídas. Todos os seres vivos, desde a minúscula bactéria até o membro de um comitê do Congresso, evoluiram do antigo ancestral comum que desenvolveu a autopoese e que, com isso, tornou-se a primeira célula viva". Não há superioridade de uns em relação aos outros. E duvido muito que nossa forma de reprodução por formação de embriões (dos animais e das plantas) seja melhor - em termos de sustentabilidade - do que a conexão fúngica que ocorre na escuridão e solta esporos na claridade...

Vamos tomar um exemplo. A poluição. A maior catástrofe ambiental já ocorrida no planeta, que ameaçou quase todas as formas de vida então existentes, foi a liberação e a concentração do Oxigênio na atmosfera. Trata-se, como sabemos, de um gás instável (comburente), corrosivo e extremamente venenoso que chegou a alcançar a impressionante concentração de 20%. Todas as formas de vida existentes (à época do reino Monera) tiveram que se adaptar a essa terrível poluição. Se não fosse tal adaptação não existiríamos. Certamente outros seres (capazes de "respirar" metano, por exemplo) ocupariam hoje o nosso lugar. Não seriam seres inferiores, nem superiores, a nós. Seriam outros.

Margulis argumenta que "é um desejo compreensível, mas impossível, preservar o planeta em seu estado "original". A natureza prístina a que alguns gostariam de voltar não é eterna, mas o mundo verde sustentou tão esplendidamente nossos ancestrais que eles o superpovoaram. Além disso, o estrago humano dos meios ambientes exuberantes que nos nutriam não constitui prova de qualquer capacidade singular de pôr em risco toda a vida na Terra. No passado, nenhuma espécie isolada jamais ameaçou todas as outras. Qualquer tendência de uma espécie a crescer em demasia e causar devastação era contida por todas as demais. A essência da "seleção natural" está em que as tendências irrefreáveis de uma população a crescer, a ponto de causar degradação ambiental, são contidas pelo crescimento das outras. A expansão da população humana segue as mesmas regras: o ambiente degradado gera doenças, altos índices de mortalidade e, em última instância, até mesmo a extinção".

A vida existe na terra há 4 bilhões de anos. Mas não durará para sempre. Nada dura para sempre. A atmosfera do nosso planeta deixará de ser favorável à biosfera - a capa viva de 30 km que o envolve - em meros 100 milhões de anos (em virtude do aumento do calor do sol). E nem nosso sol, do qual toda vida depende, continuará produzindo a vida indefinidamente (ele deixará de fazer isso quando deixar de ser uma estrela amarela, daqui a aproximadamente 5 bilhões de anos). E nem nossa galáxia (em rota de colisão, inevitável, com a galáxia de Andrômeda, a 125 km por segundo: o desastre ocorrerá nos próximos 10 bilhões de anos) sobreviverá como tal. Não devemos achar que essas durações astronômicas estão em outra ordem de grandeza: em relação à vida na terra, já estamos no fim; e em relação ao sol estamos quase no meio do caminho.

Temos dificuldade de aceitar essas coisas porque nossa consciência de predador foi formada como uma recusa em aceitar a morte (tanto a morte do indivíduo, quanto a da espécie). É uma conseqüencia evolutiva da nossa forma sexuada de reprodução, que não preocupa, por exemplo, as bactérias - de longe os seres vivos mais expressivos. Como a própria Margulis nos mostrou, a morte é a primeira doença sexualmente transmissível (DST). Seres que não têm reprodução sexuada (e aqui entra todo o imenso reino Monera, sem o qual não conseguimos existir, até hoje) não têm morte programada (só podem morrer por acidente ou em virtude de uma catástrofe ambiental - como, por exemplo, aquela poluição pelo Oxigênio). "As bactérias - ela reconhece - tomaram conta do mundo e ainda o dirigem, usando seu metabolismo planetário descentralizado [ela queria falar, na verdade, distribuído] e sua capacidade de transferência genética mundial intra-específica... A vida na Terra é uma holarquia, uma rede fractal aninhada de seres interdependentes".

Imaginando-nos seres superiores, mais evoluídos e vivendo em uma cultura microfóbica, não aceitamos pensar a nós mesmos "como uma permutação simbiótica de bactérias". Sim, somos - nós e o ambiente em que vivemos - redes de seres microscópicos, comunidades de microorganismos. "Os seres humanos são colônias integradas de seres ameboides, assim como os seres amebóides - os protoctistas - são colônias integradas de bactérias. Queiramos ou não, viemos do lodo".

Mas tem muito mais coisa no livro, como, por exemplo, a evidência de que não há vida sem poluição (como estrutura dissipativa, um organismo vivo deteriora termodinamicamente o ambiente em que vive). Ou o processo pelo qual predadores se tornam simbiontes (no caso dos primeiros protistas isso fica mais ou menos claro, quando uma infecção mortífera transforma-se numa parte do corpo, as bactérias passam de patógenos virulentos a organelas necessárias). E por aí vai.

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Comentário de Jaime Tak em 28 janeiro 2011 às 9:22
Tb acho que os fungos conseguem perceber todo o mundo orgânico vivo ou morto e se alimentar dele através de redes. 
Comentário de Jaime Tak em 28 janeiro 2011 às 8:57
Tb vou tentar ler “O Planeta Simbiótico: uma nova perspectiva da evolução” e “O que é a vida?” Tb acho que o processo em rede é análogo ao processo de reprodução e expansão fúngica. Totalmente e fractalmente fúngica.
Comentário de Augusto de Franco em 27 janeiro 2011 às 18:50
http://www.rtve.es/television/20101227/redes-raices-inteligencia-pl...

Emisión 16 de enero 2011

Redes - Las raíces de la inteligencia de las plantas

18 comentarios

  • Stefano Mancuso, botánico, Universidad de Florencia
  • Las plantas no tienen cerebro, las plantas no tienen ni una sola neurona… pero ahora sabemos que las plantas perciben lo que sucede a su alrededor, se defienden contra sus depredadores, engañan a sus presas, e incluso se comunican entre ellas. ¿Cómo lo hacen? ¿Tienen sentidos como nosotros? ¿Hablan entre ellas?
  • Esta semana en Redes, el botánico Stefano Mancuso nos descubre los secretos y el poder de lo que es en realidad el 98% de la biomasa de nuestro planeta.
  • Entrevista de Eduard Punset con Stefano Mancuso, botánico de la Universidad de Florencia. Barcelona, 26 de noviembre de 2010.

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EDUARDO PUNSET (REDES)
EDUARDO PUNSET (REDES) 27.12.2010

Si se define inteligencia como la capacidad de resolver problemas, las plantas tienen mucho que enseñarnos.
Stefano Mancuso

Eduard Punset:
Es increíble, sinceramente. ¿Sabes? Nunca reflexionamos sobre la vida de las plantas. Has afirmado que, incluso en las referencias literarias al Arca de Noé, se trataba de seleccionar a dos animales…

Stefano Mancuso:
…de cada…

Eduard Punset:
Eso, dos de cada. Pero no había ninguna planta en el Arca de Noé, ¿verdad?

Stefano Mancuso:
No. Tienes razón. Las plantas ni siquiera se mencionan. Me parece muy interesante y nos hace plantearnos por qué no nos acordamos de las plantas.

Stefano Mancuso:
Tengo la sensación de que está relacionado con el hecho de que las plantas no puedan moverse.

Eduard Punset:
Claro.

Stefano Mancuso:
Sí, porque hay un fragmento de la Biblia, en la historia de Noé, en el que Dios le dice a Noé que se lleve consigo a todas las criaturas que puedan moverse.

Eduard Punset:
Y las plantas no se mueven. Pero de repente ahora (es decir, en la era moderna) podemos ver un vídeo de una planta carnívora devorando a una babosa, por ejemplo.
¿Tienen electrofisiología?

Stefano Mancuso:
Sí. ¡Por supuesto que la tienen!

Eduard Punset:
¿Nos lo podrías explicar un poco?

Stefano Mancuso:
Veamos… La maquinaria celular es la misma: la célula es la misma aunque, por supuesto, hay algunas diferencias…

Eduard Punset:
Pero prácticamente no hay diferencias.

Stefano Mancuso:
Eso es, prácticamente no las hay. Si ahora analizamos el organismo en su conjunto, yo diría que la diferencia entre las plantas y los animales no es una diferencia cualitativa sino meramente cuantitativa: lo único que cambia es la cantidad. Si hablamos de inteligencia, la cantidad de inteligencia es baja en las plantas, pero sí que existe. Si hablamos de velocidad, de tipo de movimiento, también existe en las plantas, aunque a una escala distinta.

Eduard Punset:
Pensemos ahora por un momento en el ápice de la raíz, por ejemplo. ¿Por qué? Pues porque dices que el ápice de la raíz tiene algo (y he visto imágenes que lo demuestran) que puede parecerse a un cerebro. ¿Podemos ir así de lejos? Por supuesto, las plantas carecen de sistema nervioso… pero hay algo que dices que es parecido…

Stefano Mancuso:
Sí. Hace algunos años, descubrimos que, en el ápice de la raíz, hay una región que denominamos zona de transición. Y cada ápice radicular tiene su propia zona de transición, que consta de unos pocos centenares de células. Dichas células tienen un sistema que se parece al neuronal. Por supuesto, no son neuronas, ni tampoco tienen la forma de las neuronas, pero su funcionalidad y su manera de operar es la misma.

Eduard Punset:
En el sentido de que obtienen…

Stefano Mancuso:
Obtienen información del entorno. Por cierto, en ese sentido, las plantas tienen mucha más sensibilidad que los animales. Cada ápice de la raíz puede detectar simultánea y continuamente por lo menos quince parámetros químicos y físicos. Es algo que los animales no pueden hacer.

Eduard Punset:
Es increíble, ¿no? Lo que sí sabemos con certeza es que pueden comunicarse…

Stefano Mancuso:
Sí. Seguro.

Eduard Punset:
…se comunican entre sí sobre los posibles depredadores, por ejemplo.

Stefano Mancuso:
Sobre cualquier cosa. Todo. Realmente… Las plantas tienen una capacidad comunicativa increíble. El lenguaje que utilizan es distinto al nuestro: las plantas utilizan moléculas químicas. Generan una cantidad asombrosa de moléculas, de moléculas volátiles que van de una planta a otra para transportar información sobre el estado del entorno…

Eduard Punset:
Sobre el tiempo.

Stefano Mancuso:
Sobre el tiempo que hace y los factores ambientales del suelo: si hay agua, si no hay agua, si hay sal, si hay elementos venenosos, etcétera. También avisan de los posibles ataques de patógenos, y esto es algo… Fabuloso, increíble, maravilloso. Por no hablar de cómo se defienden tras un ataque.

Eduard Punset:
¿Qué hacen? ¿Qué pueden hacer? Cambian la forma de…

Stefano Mancuso:
Inmediatamente cambian su metabolismo, generando proteínas u otras sustancias. Hay muchas, muchas posibilidades… para que sus hojas ya no sean digeribles. Pueden hacer que sus hojas sean tóxicas. Hay una historia muy interesante sobre esto...

Eduard Punset:
Te refieres al tanino…

Stefano Mancuso:
Sí, sucedió hace un par de décadas, creo que fue en Botsuana, en África. Juntaron a todos los antílopes kudú en una zona muy pequeña, de modo que la depredación de estos antílopes hacia las plantas de acacia fue muy superior a lo normal. Y las acacias se defendieron, empezaron a defenderse aumentando la cantidad de taninos. Al final, los antílopes acabaron muriendo. En pocos meses, creo que más de 10.000 antílopes murieron…

Eduard Punset:
¿Sabes? Lo que me fascina… parece muy simple, pero realmente me fascina… es la memoria o el mecanismo para dormir de algunas plantas como la mimosa. Cuando llega la noche, duermen.

Stefano Mancuso:
Cierran las hojas.

Eduard Punset:
Enroscan las hojas. Y cuando se hace de día, las abren. ¿Cómo lo hacen?

Stefano Mancuso:
De hecho, Eduardo, todas las plantas pueden hacerlo, pero algunas lo hacen de un modo mucho más evidente, como la mimosa. A juzgar por los descubrimientos, me parece que es el mismo mecanismo de sueño que el de los animales. Y es interesante porque, como en el caso de los animales, cada animal tiene su propia manera de dormir. Y lo mismo ocurre con las plantas. Hay plantas que enroscan las hojas, otras que las suben hacia arriba, otras que…

Eduard Punset:
Languidecen…

Stefano Mancuso:
Las curvan hacia el suelo… hay de todo. E incluso desde la perspectiva de los genes, desde la perspectiva genética, durante la noche se expresa el mismo gen del sueño que tenemos en los animales. Así que es el mismo fenómeno.

Eduard Punset:
Una cosa: es increíble cómo se las ingenian para la polinización, ¿no? Logran engañar al vector, al animal que transportará el polen de una planta a otra. Por lo visto, en el caso de la orquídea todo se basa en una mentira, es como si le dijera al vector, al animal que llevará el polen, que puede conseguir sexo y azúcar…

Stefano Mancuso:
Sí, pero en realidad no obtiene nada a cambio.

Eduard Punset:
¡No obtiene nada a cambio! ¿Podrías explicárnoslo?

Stefano Mancuso:
Es una historia increíble. Efectivamente, las plantas no pueden transportar el polen de una planta a otra, así que necesitan vectores. Es interesante porque, para conseguirlos, las plantas manipulan a los animales. A veces les ofrecen un buen trato: los animales llevan el polen de una planta a otra… Y consiguen azúcar a cambio. Pero, a veces (como en el caso de las orquídeas), no es más que un truco: el animal no obtiene nada a cambio, es una triquiñuela para manipular al animal…

Eduard Punset:
Y hacerle creer…

Stefano Mancuso:
Hacerle creer que obtendrá sexo y azúcar cuando, en realidad, no saca nada a cambio. Sin embargo, lo importante es que la manipulación de las plantas hacia los animales está mucho más extendida de lo que solemos creer. De hecho, se ha sugerido que tal vez incluso nosotros, los seres humanos, seamos vectores de las plantas. Pensemos por un momento en las plantas que nos gustan: las flores o…

Eduard Punset:
La mimosa, por ejemplo…

Stefano Mancuso:
La mimosa… o las plantas que comemos, como las manzanas. Hay quien sugiere que las plantas, a lo largo de la evolución, han desarrollado esas frutas tan bonitas, de formas tan llamativas, para manipularnos y que las llevemos por todo el mundo, y visto así…

Eduard Punset:
Para que las domestiquemos.

Stefano Mancuso:
Sí, eso es. Es más o menos el mismo comportamiento que el del perro con el hombre.

Eduard Punset:
Es una idea fabulosa. Y nunca sabremos quién miente y quién ha sido engañado: si el perro o el ser humano que lo ha domesticado…

Stefano Mancuso:
Sí.

Eduard Punset:
Es increíble, realmente. Otra cosa: también has mencionado (junto con otros científicos) que hay tanto potencial (conocido y desconocido) en las plantas, que el prototipo ideal sería un híbrido, para poder utilizar ese conocimiento oculto en las plantas con algunas máquinas. ¿Tiene futuro?

Stefano Mancuso:
Sí. Es algo que estamos trabajando en nuestro laboratorio con colegas de muchísimas universidades distintas. El caso es que hay mucho potencial de cálculo en las plantas. Y podemos utilizarlo haciendo que las plantas conduzcan máquinas. De este modo podemos conseguir mucha información, incluso sobre el modo en el que viven las plantas, simplemente dándoles a las plantas la posibilidad de moverse. En el caso de un híbrido (mitad planta mitad máquina) es realmente muy fácil hacer que se mueva según la luz, los nutrientes del suelo… y eso abre nuevas perspectivas. Sé que no hay mucho consenso sobre ello pero, realmente, si uno estudia las plantas, es inevitable pensar que se comportan de un modo inteligente. Y estamos ante algo grande, porque tenemos un tipo nuevo de inteligencia que debemos explorar. La respuesta de los animales a una acción siempre es un movimiento. En el caso de las plantas, la respuesta de las plantas ante un cambio en el entorno es un cambio en la plasticidad, remodelan el cuerpo… En función de las diferentes señales que proceden de una conducta. Es algo realmente nuevo. ¿Te acuerdas, Eduardo, de la historia de la búsqueda de inteligencia extraterrestre, del proyecto SETI?

Eduard Punset:
¡Claro!

Stefano Mancuso:
Fue muy famoso. Y yo siempre tuve mis reservas, por así decirlo… creo que jamás podremos descubrir inteligencia (tan distinta como la que tendría un extraterrestre) ¡si ni siquiera somos capaces de ver la inteligencia que tenemos ante nuestras narices! Es un tipo distinto de inteligencia, pero no somos capaces de reconocer que hay inteligencia.

Eduard Punset:
Claro, porque, si no, ¿cómo se explicaría el siguiente proceso? Tenemos a una planta joven, por ejemplo, y la exponemos a una solución salina…

Stefano Mancuso:
Sí.

Eduard Punset:
Al principio un poco solamente: le molestará pero la asimilará hasta tal punto que más tarde puedes exponerla a más y más sal y la planta sobrevivirá, puede que sufra, pero modificará el cuerpo, como decías, la estructura.

Stefano Mancuso:
Sí. El fenómeno que describes se lo han planteado durante mucho tiempo los especialistas en plantas, y lo han llamado aclimatación o adaptación… El caso es que, si se somete a una planta a un poco de estrés, y tras un poco de estrés se la somete a una cantidad mucho más alta, como en el caso de la sal, primero un poco de sal y luego mucha sal… la planta, durante el tiempo en el que ha sido expuesta a un poco de sal ha podido cambiar su metabolismo para sobrevivir incluso a altos niveles de sal. ¡Es algo que nosotros no podemos hacer! Los animales no pueden modificar su metabolismo…

Eduard Punset:
No son tan flexibles.

Stefano Mancuso:
No, ¡en absoluto!

Eduard Punset:
También somos incapaces de cambiar de opinión…

Stefano Mancuso:
No. No, de hecho, somos como los otros animales… aunque somos animales especiales. Es importante recalcarlo, porque muchas veces, cuando imparto una ponencia sobre la inteligencia de las plantas en un congreso, por ejemplo, siempre salta algún científico que dice: «¿me estás diciendo que somos iguales que las plantas?». ¡Y evidentemente no! ¡No se trata de eso! Somos increíblemente distintos de las plantas, pero creo que la inteligencia es una propiedad de la vida. ¡Incluso el organismo unicelular más simple tiene que ser inteligente! Hay una gradación. Qué sé yo, tal vez se pueda decir que un organismo unicelular tiene una inteligencia de grado 1, y que en el caso del ser humano la inteligencia asciende a un millón o a mil millones, como quieras. Lo importante es pensar que es cuestión de cantidad...

Eduard Punset:
No de calidad.

Stefano Mancuso:
No de calidad. No hay ningún momento en la historia de la evolución de la vida en la que se pasara de un organismo vivo sin ninguna inteligencia a un organismo inteligente. Creo que esto concuerda con las teorías de Charles Darwin; de hecho, Charles Darwin fue uno de los primeros científicos que creyó que las plantas eran mucho más inteligentes de lo que se suele pensar…

Eduard Punset:
Estudió el movimiento, ¿no?

Stefano Mancuso:
Sí, escribió un libro fantástico llamado El poder del movimiento de las plantas, que fue una de sus últimas publicaciones. Y supuso una revolución: el propio título ya era revolucionario, porque aludía al movimiento de las plantas, y nadie antes de Darwin le había prestado ninguna atención a eso.

Comentário de Sérgio Luis Langer em 16 abril 2009 às 14:14
Segundo o texto apresentado, referente - "A VIDA COMO REDE FRACTAL DE SERES INTERDEPENDENTES" - (o livro da bióloga Lynn Margulis com Dorion Sagan (1998): “O que é vida:” (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002), concordo que seja demonstrada significativamente a essência, e, a respectiva, integralidade sobre as relações entre sustentabilidade e o padrão de rede). A construção e a busca coerente pelo conhecimento somente poderão tornarem-se eficazes, quando movidas pelo espírito da coletividade, e responsabilização direta, para com compromissos e propósitos firmados. Desde a concepção, assumimos perante a vida, uma relação (particularmente herdada), estreita e profunda, com o zelo pela própria existencialidade, sob forma interativa entre os seres vivos (considerados, ainda, os recursos naturais existentes no meio onde estamos inseridos e as vias de uso dos mesmos) para que possamos garantir a permanente preocupação sobre os valores, princípios e considerações da nossa existência biosférica.
Em um sistema de redes, a posição definida, conforme as necessidades de execução, instituidas por sua relevância e importância, mantém a integridade consequente e sequencial de um processo continuado e sustentável; onde, cada participante deve assumir, mediante a complementariedade, uma postura que assegure trocas e oportunizações, garantindo o êxito em sua ideologia e configuração estrutural aplicativa.

Um abraço.

Sérgio Luis Langer
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 30 março 2009 às 12:43
Muito interessante!
Entendo que ao longo da história do planeta fases glaciais e interglaciais se sucederam umas às outras. Já tivemos 5 extinções de massa neste planeta. Nossa civilização atual originou-se no início de uma fase interglacial que dura há uns doze mil anos e que, acredita-se, já está no final. O planeta se auto-regula, o universo se auto-regula. Que pretensão a nossa achar que precisamos salvar o planeta! Que somos os únicos neste universo! Que somos superiores às outras raças! Que são doze mil anos comparados ao tempo do planeta (4,5 bilhões de anos) ou ao tempo do universo (12 bilhões de anos)? O que é a vida de um ser humano (uns 70 anos?) Comparada a isto? E ainda perdemos tempo com picuinhas!
Vou ler esse livro, valeu pela dica!

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