Escola de Redes

Geraldo Ferreira De Araujo Filho

consultor de estratégias corporativas, professor, palestrante e autor dos livros “A Criatividade Corporativa na Era dos Resultados”, “Empreendedorismo Criativo, a Nova Dimensão da Empregabilidade” e “A Moeda Universal e o Novo Ordenamento Sociomoral”


“ no contexto do moderno mercado de trabalho,

o profissional é a sua própria marca “

 

A equação empregado-empregador vem sofrendo reestruturações constantes e já existe o entendimento de que a dedicação extremada ao trabalho se vem revelando como óbice. É alienante. É improdutiva.

Antes de tudo, somos seres humanos com interesses e desejos diversificados que extrapolam, em muito, a atividade profissional. E observar e compartir com todos os demais segmentos da vida é parte integrante do próprio desenvolvimento do Homem enquanto persona de si mesmo.

Intelectualmente, somos pluridimensionais. Maxitalentosos. Multi-inventivos.

Boa parte das atmosferas laborais de nossa atualidade, no entanto, ainda se encontram muito aquém do mínimo desejável, comparativamente entre a parafernália tecnológica já instalada e disponível nas organizações e o que, efetivamente, é permitido em termos de ensaios inovadores pelo corpo funcional.

Ora, se é para os profissionais se repetirem, uns aos outros, de nada valem as exigências acadêmicas cada vez maiores para os seus ingressos nos negócios, uma vez que é a reprise do que já vem sendo feito o que lhes será exigido no cotidiano.

O trabalho é uma atividade fundamental para a amplificação da expectativa de felicidade dos seres e o mundo corporativo está abarrotado de cartilhas, manuais, livros de autoajuda, enfim, de diversas tábuas de mandamentos com “instruções precisas” de como se manter empregável.

Todavia, padronizar um modelo universal para a empregabilidade é querer pasteurizar a própria essência do Homem. É desejar transformar todos em uma genérica pílula com bula de cura-tudo. É pretender reduzir a diversidade do dia-a-dia laboral a um denominador comum. É aventurar-se, enfim, na descoberta da planta, beberagem ou simpatia que remedeie todos os males e aplicar essa panaceia às múltiplas individualidades disponíveis no contexto do negócio.

Não conseguem. Andam em círculos. Desprezam a assertiva de que é impossível ao Homem ignorar sua própria história de vida a título de se transformar no “perfil ideal” para o que quer que seja.

Profissionalmente, então, seguir por essa trilha é permitir-se chegar a uma encruzilhada em que uma das setas estará apontando para o desemprego e a outra para a empregabilidade infeliz. Em assim sendo, o exercitar dessa filosofia comportamental é a exata sinonímia de permitirmos nos transformar em carcereiros de nós mesmos.

Somos, todos, nossa própria consequencia e continuidade. Não há fórmula mágica, bruxaria, alquimia, mandinga, feitiço, sortilégio ou maçã encantada, de qualquer qualidade, gênero ou espécie, que nos consiga fazer mudar esse fato. Por mais que nos esforcemos, sempre nos sobrará um característico sotaque - cada qual com o seu, nenhum melhor que o outro - caipira ou urbano.

Não existe regra única para a realização pessoal em qualquer aspecto da atividade humana. Não somos fabricados em série e o nosso recall, necessariamente, quem decide somos nós mesmos. Tudo possui ritmo próprio: primavera, verão, outono, inverno. A natureza não faz concessões.

O cenário novo presume o fim da dependência ofuscante ao negócio. A sofisticação das oportunidades e a maior flexibilidade exigida pela modernidade criaram um profissional emergente: aquele que fornece habilidades e conhecimentos diferenciados para uma ou mais organizações ao longo de sua carreira - simultaneamente ou não.

Fixá-lo em um determinado negócio é o que passa a ser o grande desafio das organizações de ponta. Não mais a linha reta, mas sim o conhecimento, é o que passa a ser a menor distância entre dois pontos.

Não existe mais espaço para o tratamento linear, para a não contemplação do desempenho diferenciado, para a não distinção das contribuições específicas dos talentos individuais. O novo perfil profissional se adéqua muito mais ao de um investidor no desenvolvimento de seu próprio talento que à submissão aos modelos burocraciais, tradicionais engessadores da singular chama criativa do Homem.

Exiguem-se os espaços para as organizações que se apresentam no mercado como simples compradoras de horas de trabalho.  Hoje, ou transmudam-se em agentes agregadores de talentos, fornecendo infraestrutura ágil, tornando-se facilitadoras da socialização do aprendizado e engajando-se como formadoras de equipes multidisciplinares, ou sucumbem.

No contexto do moderno mercado de trabalho o profissional é a sua própria marca.

" tudo o que não consegue evoluir é castigado "
(Dee W. Hock)

O mundo mudou. E o fez em uma aceleração jamais presenciada anteriormente, pegando-nos, praticamente todos, de surpresa. Os projetos de vida traçados para uma existência inteira perderam consistência e, quase anualmente, devem ser refeitos.

 A “Era da Incerteza” de John Kenneth Galbraith (The Age of Uncertainty, 1977) está aí: incomodamente presente. Perversamente desestabilizadora. Solapando-nos as esperanças. Colocando-nos frente a frente com um destino jamais imaginado.

Porém, a vida é via de mão dupla, é processo contínuo de ir e vir, mão e contramão, côncavo e convexo e, portanto, se existe uma sensação latente de instabilidade, de fragilidade, de constrangimento, de inconstância e de revés, os sentimentos não análogos a esses também continuam presentes nesse nosso atual ambiente.

Procurar distinguí-los e amplificá-los para nós mesmos é tarefa personalíssima e que requer pleno conhecimento das nossas próprias potencialidades, além do empenho no constante aperfeiçoamento das múltiplas habilidades que possuímos e de, fundamentalmente, mantermo-nos abertos e dispostos a sermos parte viva e partícipe de um mundo em permanente e acelerada transformação.

Cada vez mais, cabe-nos a responsabilidade de navegar no comando do leme da nossa própria embarcação. O buscar alienar-se desse encargo é a exata sinonímia de naufrágio, mesmo que ainda estejamos com as âncoras lançadas e atracados no cais de partida. Não há mais lugar para os que pretendem fazer das organizações o seu porto seguro.

Da mesma forma, já não mais existem bons e confiáveis marinheiros dispostos a navegar sob o comando intempestivo de um Barba Ruiva ou de outro corsário qualquer. A era da organização impositiva, despótica, dominadora, cede vez a uma parcerização que cada vez mais se evidencia pela interatividade dos interesses empregado-empregador. Um não sobrevive sem o outro. Esse é o entendimento de ponta. Essa é a fórmula do sucesso.

O superar-se, o inovar-se, o dominar-se, o ultrapassar-se, o vencer-se, o prosseguir-se, enfim, são características muito nossas, desde que o Homem surgiu como o mais brilhante e eficiente pensador do planeta.

Assim sendo, que as ondas inovadoras que estão a se quebrar em todas as praias
já desde o último quartil do século passado, muito antes de nos intimidarem frente à expectativa de podermos nos defrontar com mitológicos monstros que, porventura, possam existir em suas águas ou nos infundam o temor de sermos arrastados pelas cantigas de sereias que nada mais pretendam que seduzir-nos para, em seguida, nos afogar, muito além disso, despertem-nos, novamente, a verve dos pioneiros e sirvam-nos de estímulo para o desbravar desse mundo novo.

Afinal, e muito mais que tudo o mais, “navegar é preciso”.

" muito embora ninguém possa voltar no tempo
para refazer um novo começo,
qualquer um pode começar, desde agora,
a construir um novo final "

(Francisco Cândido Xavier)

Exibições: 173

Comentar

Você precisa ser um membro de Escola de Redes para adicionar comentários!

Entrar em Escola de Redes

© 2019   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço