Escola de Redes

visualcomplexity

Li numa revista que o software PowerPoint foi um dos responsáveis pela queda dos ônibus espaciais da NASA.
Isso porque, para que os engenheiros explicassem a complexidade e quantidade de elementos envolvidos no que foi culminar com a ruptura de um isolamento no tanque de combustíveis, o fizeram no Software que, por sua construção não serve como suporte de um pensamento sistêmico ou pensamento complexo.
Os caras que tinham o poder de autorizar o redesenho não entenderam, não se interessaram e os ônibus cairam.

O arranjo de slide pós slide do powerpoint foi pensado, e reflete, um tipo de pensamento hierarquizado onde uma coisa só pode acontecer depois da
outra. Essa organização é linear e desdobra-se em todas as atividades humanas estruturadas: uma pessoa manda na outra que manda numa terceira que manda em muitas como se todas fossem uma só (governos, sala de aula, família).
Essa estrutura já serviu à humanidade, mas nós tivemos um upgrade recente e hoje estamos aprendendo a nos perceber em rede. Afinal, a internet é uma invenção humana que amplia nossa
própria consciência de humanidade: “o homem inventa as ferramentas para depois ser reinventado por elas”. A web tem nos ensinado que “ela” somos “nós” mesmos, apesar
de também ser ocupada pelo pensamento corporativo.
Esse ambiente permite conversas laterais e feedbacks sem intermediários. Pensa a TV como é : uma linha com um sentido que é de lá pra cá. Dessa forma a TV esculpe na minha cabeça
o mundo de quem está por tras da transmissão. Aliás na minha não porque eu não assisto, mas na maioria das pessoas que tem aí sua única “diversão” e forma de “informação”.

O pensamento linear que vem lá da organização das esteiras das fábricas, assim, vai resistindo em nossos cérebros enquanto impede coisas prosaicas como por exemplo você
se compreender como um ponto da rede que está formada em volta de você. E assim sendo, interferir diretamente nas questões que dizem respeito ao seu dia-a-dia.
Porque eu tenho de esperar o governo fazer “mais bibliotecas públicas” se eu tenho um monte de livros já lidos na minha estante e do meu lado várias pessoas
que mal sabem ler? Porque meu guarda-roupas tem muito mais roupa do que me é necessário e eu fico esperando a assistência social chegar até o mendigo da esquina?
Pelo mesmo motivo de eu não ter o direito de não votar. Apego a uma semi-vida.

Medo de que não tendo mais medo, terei de fazer escolhas por mim mesmo: antes uma semi-vida de preocupação e neurose do que uma vida plena de responsabilidade.
Achar que é mais fácil cuidar do meu e que cada um se vire pra lá com o dele, tem-se mostrado um pensamento socialmente estúpido. A violência, em qualquer nível que se manifeste, do crime de morte
ao “chute no balde” é o resultado. A mesquinharia é pior que câncer e nos coloca numa postura de auto-defesa a qualquer custo. Defendemos não sabemos o que de não sei quem.
É tão caótico que algumas pessoas que já partem logo pro ataque com sua buzinas e indiferença : A INDIFERENÇA é TUDO MENOS INDIFERENTE)

Insistir no ((( amor ))) é uma questão de ((( vida ))). Precisamos mais dele do que de gasolina. E ele está em nós enquanto a gasolina … vem de onde vem e ainda vaza pelo tanque e explode uma nave.

texto: fabíola | ilustração: mapa de blogues americanos conservadores (vermelho) e liberais (azuis). O laranja e o purpura (que quase não dá pra ver) é quando um refere-se ao outro (e que quando acontece deve ser normalmente de forma negativa)

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Comentário de Marcelo Estraviz em 18 fevereiro 2010 às 14:00
bacana!

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