Escola de Redes

1 ANO DO LANÇAMENTO DA IDÉIA DA ESCOLA-DE-REDES


A idéia da Escola-de-Redes foi apresentada publicamente no Hotel La Dolce Vita, nos arredores de Curitiba, no dia 21 de junho de 2008. É claro que ela já vinha sendo discutida por um grupo mais restrito de pessoas, algumas das quais se reuniram no Grande Hotel, em Campos do Jordão, com o apoio do Senac, na segunda quinzena de abril do ano passado.

Mas foi somente no final de 2008 que resolvemos utilizar o Ning como plataforma de netweaving aberta. Portanto, a atividade propriamente interativa virtual da Escola-de-Redes tem apenas 214 dias.

Nestes primeiros 214 dias atingimos, segundo o relatório do Ning, a marca de 1821 membros registrados, 127 videos, 113 tópicos, 43 eventos e 450 postagens de blog. Esse relatório não fala, porém, do fundamental: a) uma Biblioteca E=R com 150 textos para download sobre redes sociais e temas conexos; b) algumas investigações originais sobre redes; c) muitas discussões pertinentes que levantaram aspectos importantes da chamada nova ciência das redes e aventaram hipóteses inovadoras sobre o assunto; e d) 23 grupos, alguns dos quais já começaram a compartilhar agendas e podem vir a se tornar verdadeiros nodos da rede social almejada: comunidades de aprendizagem que constituirão a Escola-de-Redes, quando ela vier a se configurar como tal; mas, além de tudo isso, conseguimos reunir e) 26 grandes e quase 70 pequenos depoimentos de pessoas conectadas, contando a história de como chegaram até à Escola-de-Redes e de como começaram a se interessar por redes sociais – um material riquíssimo, ao qual se agregou alguns itinerários de leituras fundamentais, com indicações de livros, artigos e vídeos que constituíram caminhos peculiares de leituras e referências importantes de pessoas e grupos criativos que participaram ou participam da investigação ou da experimentação sobre redes sociais.

Sim, a Escola-de-Redes ainda está dando os seus primeiros passos e a rede social distribuída, prevista como seu padrão de organização, ainda não se configurou como tal. A plataforma interativa http://escoladeredes.ning.com/ é apenas uma ferramenta que está sendo utilizada nesse processo. E, como sabemos, redes sociais são pessoas interagindo, não ferramentas.

Mas estamos caminhando. Se tomarmos a média - verificada até aqui - de 8,5 novos conectados por dia, teremos, ao final do primeiro ano de atividade aberta, cerca de 3.100 membros. E antes de completarmos o segundo ano atingiremos aquela marca de 5 mil conectados, a partir da qual estima-se que as interações alcançarão uma freqüência (ou uma efervescência) capaz de ensejar a eclosão de certos fenômenos próprios das redes distribuídas. Não sei, acho que ninguém se sabe. Sei, porém, da minha decisão, como administrador deste site: atingido tal patamar pretendo abrir também a sua administração, compartilhando-a com as pessoas que tiverem vontade de cumprir o papel de netweaver da E=R, desde que sejam pessoas que também queiram abrir mão de ter, dirigir e/ou propagandear uma organização hierárquica.

Abertura... Esse não é um detalhe menor no processo de construção da Escola-de-Redes. E é muito difícil manter o propósito de articular e animar uma rede aberta. Em primeiro lugar porque não se pode contar com a progressiva acumulação de experiências dos conectados. Quem se conecta hoje - e qualquer um pode fazê-lo aqui - não tem nem as condições, nem a obrigação, de conhecer a história das interações que constituíram até agora a nossa experiência particular. Assim, pode entrar gente de todo tipo e a famosa "pressão ambiental" que regula os comportamentos bottom up não consegue se exercer plenamente. Por isso o site tem administração, que é uma forma de regulação top down, mesmo quando os administradores - da plataforma como um todo ou dos grupos - queiram adotar um comportamento não-intervencionista.

Cabe à administração zelar pelo propósito da ferramenta, eliminar os programas invasores (e os spams), descredenciar (o Ning usa uma palavra ruim: banir) trolls e excluir flames e outros membros que violam os acordos básicos de convivência estabelecidos. Até agora, felizmente, tivemos muitos poucos casos desses, mas tivemos alguns: três ou quatro programas invasores, um troll confirmado (que teve que ser des-registrado duas vezes: em 23/05/09 e em 17/06/09), meia dúzia de vendedores de produtos e serviços, um ou dois “pescadores de aquário”. Convenhamos: é mesmo muito pouco para uma plataforma aberta com quase duas mil pessoas.

Por outro lado, não deixa de ser curioso – e significativo – constatar que pessoas que reclamam da falta de democracia e transparência da ferramenta (que concede, é fato, poderes exagerados aos administradores), não praticam, nos sites, blogs e plataformas interativas que administram e, sobretudo, nas organizações hierárquicas que dirigem, esse mesmo comportamento de abertura que reivindicam. Em geral são justamente essas pessoas que mantêm sites e blogs fechados, mediando comentários ou acionando mecanismos de aprovação e confirmação para efetivar um registro. E que conduzem suas empresas e entidades como verdadeiros bunkers, desenvolvendo um comportamento adversarial em relação aos que imaginam ser seus concorrentes. Recentemente me ocorreu lançar um desafio a essas pessoas: abandonem seu quadrado e venham ser administradores deste site e netweavers da Escola-de-Redes. Ah!...

Em pouco mais de 7 meses de uso percebemos que a ferramenta Ning tem limitações. Nem sempre funciona corretamente, às vezes fica lenta demais, requer freqüentes manutenções (sem aviso prévio), mantém equipes técnicas (ao que tudo indica pouco coordenadas entre si) que introduzem mudanças (em geral cosméticas, mas algumas que pioram o serviço) sem consultar os usuários, não possui um sistema eficaz de gerenciamento – e indexação – de conteúdo (e os mecanismos de busca são pouco inteligentes), não permite downloads do conteúdo (apenas dos registros dos membros) e não é aberta à programação (a não ser pontualmente e com muitas restrições).

A despeito dessas deficiências e insuficiências, o Ning tem se revelado a melhor plataforma interativa para a animação e articulação de redes: é web (dispensando a instalação em um servidor), é gratuita e é amigável como nenhuma outra. Numa comparação com o Facebook e com o Elgg, o Ning se revelou, em virtude dessas características positivas, como a melhor ferramenta disponível de netweaving (ainda que o estudo linkado acima tenha sido feito pelo Elgg para apontar o Elgg como a melhor ferramenta).

É claro que ela poderia ser melhorada: se resolvesse os problemas apontados acima e se, por exemplo, permitisse a criação de páginas wikis por parte dos usuários, se tivesse um sistema inteligente de busca (semântica), se permitisse a instalação de um tracker (em uma espécie de "twitter interno") e se abrisse o código.

Mas essas todas são considerações sobre a plataforma (Ning) que não é a rede (Escola-de-Redes) que ainda será, como acreditamos e queremos.

Mas o que queremos mesmo? Algumas pessoas que entram na Escola-de-Redes ficam um pouco perplexas com o que avaliam ser uma falta de objetividade, de uma pauta, de um caminho. Acostumadas, talvez, aos planejamentos estratégicos de suas organizações hierárquicas, querem ver as ações empreendidas e seus resultados. Ao que tudo indica, porém, tal perplexidade só vai aumentar, na razão direta da constituição da Escola-de-Redes como uma rede distribuída.

Não, felizmente não teremos nada disso. Não queremos chegar a lugar algum (e não queremos, sobretudo, conduzir ninguém para algum lugar no futuro). Queremos apenas ser um ambiente amigável, em rede distribuída, onde as pessoas possam compartilhar suas investigações, experiências e vivências sobre redes sociais. E possam aprender com isso (somos uma escola, ainda que uma escola-não-escola) na medida em que criam, inventam e compartilham novas tecnologias de netweaving. Ou seja, como toda rede, quando formos, não seremos um instrumento para fazer qualquer mudança. Queremos ser - nós - a mudança, não os arquitetos da mudança alheia.

Conseguiremos? Ao contrário do que se repete, não depende de nós (da nossa vontade, do nosso propósito e da nossa persistência, como indivíduos), hehe. Podemos trabalhar para criar as condições favoráveis à eclosão de fenômenos próprios de redes altamente distribuídas e conectadas, mas não podemos garantir que tais fenômenos, por assim dizer, se precipitarão. Isso tudo é uma aposta. Podemos apostar.

Hoje completa um ano (ou - a rigor - um pouco mais) da primeira vez que, alguns de nós, fizemos tal aposta, ainda sem muita clareza do que essa aposta implicava e envolvia.

Mas quero dizer a todos os que - cada qual do seu modo - acreditaram nessa aposta, que estou muito feliz com esta Escola-de-Redes em construção, à qual tenho me dedicado diariamente (nos últimos 400 dias, para contar do início mesmo - em que a idéia foi concebida - ou no último ano em que ela foi lançada e discutida ou nos últimos 214 dias em que estamos interagindo nesta plataforma).

Um grande abraço aos 1821 aprendentes dessa escola que é a rede.

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Comentário de Ana Paula Sena de Almeida em 17 março 2011 às 11:04
Acho a idéia da Escola de Redes fantástica. Fiquei tão feliz ao receber o link de convite que imediatamente fiz meu cadastro. Interessante que a proposta é o compartilhamento permanente de conhecimentos, não existem pretensões com formação escolar ou profissional. Estamos no futuro, somos como disse Boaventura Souza Santos, "cosmopolitas subalternos". Abraços!
Comentário de Augusto de Franco em 16 agosto 2009 às 15:34
Acabo de fazer um pequeno (ou breve?) levantamento: listei os nomes das pessoas conectadas aqui que fizeram alguma "aparição" (ou que emitiram algum tipo de mensagem ou menção de compartilhamento: postando ou comentando mensagens de blog, vídeos, fóruns, grupos) nos últimos 267 dias (que são, exatamente, os dias de existência desta plataforma), pelo menos três vezes, mais ou menos distribuídos nestes quase 9 meses. A lista deu cerca de 80 nomes. Isso representa 3,7% dos registrados aqui.

Refinando a lista para elencar apenas os que comparecem proativamente de modo recorrente (semanal ou mensal), a lista cai para 25 pessoas, representando 1,2% do total de conectados pela plataforma Ning. Arredondando: 1% !

Imagino que, ao longo dos nossos nove meses de existência (no Ning), essa proporção não tenha se alterado significativamente.

E assim voltamos àquele misterioso 1%.

Sobre isso emiti hoje uma bateria de 3 twitts:

#E_R Não se desespere: em redes abertas muito numerosas apenas 1% das pessoas interagem de modo recorrente

#E_R Para alcançar o mínimo do intervalo de Dunbar (comunidade = rede distribuída 'todos-com-todos'), uma rede aberta deve ter 8 mil pessoas

#E_R É especulativo? É. Mas é o misterioso 1% http://bit.ly/1b5eui

Não estou reclamando, nem comemorando. Estou apenas constatando. Baseado em contas simples de freqüência.
Comentário de Augusto de Franco em 20 julho 2009 às 6:45
Bom, e hoje, 20/07/09 atingimos a marca de 2.001 pessoas conectadas à Escola-de-Redes. Em 240 dias, é uma pequena odisseia... no espaço-tempo dos fluxos, hehe. Parabéns a todos.
Comentário de Augusto de Franco em 22 junho 2009 às 16:11
Não sei se vem alguém de Curitiba, Dagmar.
Comentário de Dagmar Castro em 22 junho 2009 às 15:10
Caro Prof Augusto
Gostaria de participar do "Simposium" de Redes.
Gostaria também de me juntar a um grupo que estivesse indo de curitiba p/ Campos do Jordão.
Vc poderia me informar sobre alguém indo de Curitiba p/ o evento?
Agradeço a sua atenção e aguardo sua resposta.
Um grande abraço
Dagmar
Comentário de jandira feijo em 22 junho 2009 às 9:17
É preciso comemorar mesmo. A iniciativa da Escola de Redes é mesmo mto bacana e todos estamos aprendendo muito.
Comentário de Sérgio Luis Langer em 22 junho 2009 às 9:07
Prezado Augusto.
A iniciativa proposta dimensionou-se conforme as necessidades de um grupo compromissado com a temática versátil (e uma aprendizagem coletiva de construção humana), onde o compartilhamento de experiências gera o conhecimento. A perticipação agrega ao desenvolvimento uma responsabilização consciente e responsabilizada. Parabéns a todos, neste processo de construção social em rede.
Um abraço e Parabéns.
Comentário de Vilu Salvatore em 22 junho 2009 às 0:15
Caro Augusto,
Devemos comemorar o sucesso da Escola de Redes e cumprimentar especialmente a você pela iniciativa e enorme contribuição e a todos que vêm participando e enriquecendo o acervo da Escola com novos conhecimentos e partilhando aprendizagens.

Grande abraço,

Vilu
Comentário de José Maria Medina Ferraz em 21 junho 2009 às 23:28
Olá Amigo, Augusto!!!!
Parabéns, por este um ano de exstência, pela iniciativa etragetória que você começou e nós aderimos. Para mim participar de rede é ver todas aquelas pessoas que queriam e quer falar de sua idéias, de seus conhecimentos, suas experiencias e quem sabe por pra fora aquela indiguinação que estava corruendo por dentro, e não tinha espaço ounão deixavam. E você nos proporcionpu isso, nos dando este espaço, onde você nos ensina como podemos sermos fortes sendo iguais, na mesma direção e na horizontalidade, não precisamos de alguém que seja o todo poderoso, que diz o que os outros precisam fazer, mas de alguém qua faz juntos, isto é maravilhoso. Um forte abraço, que o Grande Arqitito do Universo, continue te iluminando, dando-te muita saúde para nos orientar nesta parada. Obrigado!!!!!!
Comentário de Fabianne Balvedi em 21 junho 2009 às 22:47
Oi Augusto. O portal softwarelivre.org agora está funcionando como um Ning. Você se registra e depois, estando logado, pode criar uma comunidade aqui. A comunidade fica com a URL softwarelivre.org/nomedacomunidade. Veja como eu fiz com o Estúdio Livre: http://softwarelivre.org/estudio-livre. Minha página pessoal por lá: http:///softwarelivre.org/fabs

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