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Os livros tem sido ruins para nós? por Rob Paterson Tradução de: Have books been bad for us?

domingo, 18 de julho de 2010
Os livros tem sido ruins para nós?

http://criatividadeinovao.blogspot.com/2010/07/os-livros-tem-sido-r...

Os livros tem sido ruins para nós?
por Rob Paterson

12 de maio, 2010 às 1:10 pm · Arquivado em: Colaboração, Comunidade, Cultura, Inovação, KM, Efeito de Rede, Relacionamentos, Mídia Social, Social Networking, Objetos Sociais, Confiança, Espaços Confiáveis, Revolução de Usuários, Wikinomics, Wikipedia, Sabedoria de Multidões

Tradução de:
Have books been bad for us?

by Rob Paterson
http://www.fastforwardblog.com/2010/05/12/have-books-been-bad-for-us/

Um pensamento muito estranho tem sido construido em mim por meses. Os livros tem sido uma coisa ruim?


Isto é melhor?

Se assim for - por quê?

Se assim for - É esta a fogueira de todas as fogueiras?

Então, qual é o meu argumento?

Muitas pessoas hoje estão convencidas de que o nascimento da web está nos tornando estúpidos. Que a web é apenas superficial. Que só os livros densos podem conter e difundir o conhecimento real.

Estou chegando à conclusão de que o oposto é verdadeiro. Que os livros tornam-nos estúpidos e que a web, como a fogueira, e pelas mesmas razões que para a fogueira, é o que nos torna inteligentes.

Então aqui vai. Todo o nosso conhecimento fundamental foi descoberto ao redor da fogueira. Imagine você um hominídeo sentado ao redor do fogo durante a noite. Você está acordado. Você está olhando para o outro. Imagino que num primeiro momento, antes que pudéssemos falar, cantaram ou fizeram música juntos. O fogo provocou uma dança social de interação e comunidade.

Acho que podemos supor que a fogueira nos ajudou a falar e por isso nos ajudou a nos tornarmos conscientes. Algo assim aconteceu cerca de 100.000 - 60.000 anos atrás. E prontamente todo o nosso desenvolvimento de ferramentas, arte e tecnologia decolou. Todos os alicerces do nosso mundo de hoje foram descobertos em um período de 10.000 anos. Ferramentas tinham sido as mesmas por um milhão de anos. Dentro de 1000 anos elas eram completamente diferentes. Nós inventamos a cerâmica. Nós inventamos a metalurgia. A roda. Tudo o que depende foi descoberto em seguida. Não só foi descoberto, mas amplamente divulgado em um curto período de tempo.

Como isso ocorreu?

Minha aposta é que isso aconteceu devido ao processo social criado pela fogueira e por nossa cultura igualitária de caçador e coletor. Tal ambiente extraí ordem do caos. Design da intuição. É ideal para a exploração do conhecimento implícito. É ideal para descobrir coisas que não sabemos existir. É ideal para tomar uma meia idéia bruta e refiná-la. Vamos usar um experimento de pensamento.

Como obter a invenção da cerâmica? Certamente ninguém disse: "Vamos criar um projeto para inventar Olaria!" Como você pode inventar algo que nunca existiu? Não, deve ter acontecido algo como isto - O Povo parou para passar a noite depois de uma chuva. Na manhã seguinte, quando se preparavam para sair, a guardiã do fogo percebeu que o fogo sob as brasas que ela recolhia, o solo já havia feito uma crosta. Talvez ela possa levar ao fogo nesta coisa - esta tigela. Naquela noite em que dividiam a comida ao redor do fogo, ela disse ao povo o que havia acontecido e mostrou-lhes a taça "que ela tinha levantado da terra no dia anterior. E a conversa começou - como isso teria acontecido? Será que ele conservava melhor o fogo? O que mais poderia conter? O que acontecia se colocado de volta no fogo? Seria possível conter a água? E assim por diante. Os experimentos foram realizados. Alguns solos funcionaram melhor do que outros. Na reunião sazonal com os Povos Primos, o Povo compartilhou a sua história com os outros e deu até uma "tigela" como um presente de seus idosos. Na reunião da próxima temporada, as duas tribos passaram dias compartilhando as histórias das experiências que eles haviam feito... ....

Não houve revisão por pares. Não havia nenhuma maneira autorizada para fazê-lo. Ninguém estava ensinando a ninguém. Eles estavam compartilhando e perguntando e discutindo. Eles estavam tendo conversas!

Mas com o livro vem a autoridade. Com o advento do livro, muito do desenvolvimento do conhecimento parou. Apenas os iniciados estavam com o "poder de jogar". O que importava não era a observação. Não era tentativa e erro. Nem o experimento. Nem a partilha. Mas a autoridade. A maioria das autoridades aceitas foram textos que não tinha fundamento na observação ou na experimentação e no erro. Ptolomeu, Santo Agostinho e Galen estabeleceram as regras.

Pior, por causa do "Livro" pessoas que fizeram observações e testes foram mortos ou perseguidos. O Livro tornou-se o ÚNICO CAMINHO. Ele fala, não você.

Por um tempo, com o advento da imprensa, o conhecimento foi aberto.

Mas de onde é que os grandes avanços vêm, em seguida? Eles vêm das Universidades? Não, eles vieram de amadores - a partir de Filósofos Naturais. Que se reuniam em clubes durante o jantar para falar sobre seu trabalho. Gradualmente, o "LIVRO" voltou. Somente artigos escritos e aprovados dentro do sistema de autoridade foram acreditados como estando certos. Pessoas de fora do sistema de autoridade foram desconsideradas.

O conhecimento era visto como uma coisa explícita - um objeto. O Livro foi a sua metáfora.

Mas agora com a web, temos uma fogueira global. Mais uma vez, podemos jogar com idéias, com observações e experimentos. Mais uma vez podemos compartilhar com os iguais que não vão nos derrubar. Ainda melhor, desta vez o grupo em torno da fogueira não é de 35 pessoas, mas somos todos nós.

Que novas coisas virão a partir de tal processo? Certamente coisas surpreendentes. Coisas que nunca poderiam ter vindo da utilização de livros.

Como uma pessoa, que adora livros, cuja vida sempre tem sido ler, agora eu me sinto maravilhado ... ...

Postado por ProsperoClaudio às 20:25

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Tags: Colaboracao, Comunicacao, Conhecimento, Declinio_Criaticidade, Fogueira, Inovacao_Aberta, Livro, Processo_Criativo, Rede_Social

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Comentário de NADIA STABILE em 20 julho 2010 às 18:32
citei folclore porque ele é passado oralmente, sem livros de pai pra filho!! então o que cito sobre meu pai até poderia ser "folclore" ...é, mas não é!!
Comentário de Claudio Estevam Próspero em 20 julho 2010 às 18:31
Car@s,

Relendo o trecho abaixo, copiado do comentário do Augusto, gostaria de compartilhar mais uma percepção para suas considerações.

"d) o livro como broadcasting (um para muitos).

Agora que todos podem publicar na Web alguns desses problemas estão sendo superados; ainda não o último, por certo: todo mundo que publica seu textinho na web (num blog ou site) e não compartilha a elaboração e não aceita sugestões ainda está fazendo broadcast. Sim, é isso mesmo!

Não são as midias sociais ou as plataformas interativas que vão resolver este problema e sim as redes sociais. O problema não é de mídia é de padrão de interação. Daí que são raríssimas as propostas de elaborar livros coletivamente (como venho tentando aqui, aliás, sem grande sucesso ainda).

Mas livro ou texto é a mesma coisa. Pode variar o tamanho, mas não muda o processo. Mudaria se houvesse interação na elaboração."


Será que esta grande conversação estabelecida na WEB, quando lemos / combinamos trechos lidos / tecemos comentários / "twittamos" / "blogamos" / indicamos livros, palestras, apresentações,etc. (em papel ou para download) / escrevemos algo em uma página Facebook / Wiki / Orkut / e tantas outras manifestações possíveis, já não é a produção coletiva de um novo tipo de "biblioteca", sempre viva, sempre atual ?

Talvez o problema não esteja do lado da escrita, mas sim do lado da leitura. Do procurar compreender o dito / escrito / feito pelo outro. Procurar "colocar mais um tijolo" em uma idéia para melhorá-la ao invés de tentar derrubá-la.

Eu sempre tive a impressão de que há muitas pessoas querendo emitir mensagens e muito poucas querendo conversar, o que demanda ler / ouvir mais (em termos de tempo dedicado e qualidade do entender / escutar o outro)

Aguardo suas impressões nesta nossa fogueira tão fértil.

Um abraço.
Claudio
Comentário de NADIA STABILE em 20 julho 2010 às 18:26
...Paulo,olhe,agora vou falar com vc de outra forma:
tentarei unir minha emoção e razão,tentarei falar como um índio,como aquele índio que está se extinguindo e que não quer aprender a escrever!! vou falar como uma pessoa do povo que cultiva seu folclore nas festas da cidade!! vou falar com outra via, a via do amor que sentia pelo meu pai, e que o lia como a um livro!! embora ele não gostasse muito de livros, e só resolveu lê-los na velhice, lia sim, jornais,esses mesmos que vc reprovou agora... enfim, vou te dizer o que meu pai dizia dos livros. Ele era um engenheiro mecânico formado na raça!! ele detestava livros e tinha sido um péssimo aluno, daqueles que anarquizam as aulas e fogem das escolas!! Mas ele fazia máquinas perfeitas!! que nunca quebravam, e alguns engenheiros formados em boas universidades se surpreendiam com ele. Ele só tinha feito escola técnica Getúlio Vargas e Liceu de Artes e Ofícios!!
não tinha diploma de faculdade! Pois bem ele dizia que existem pessoas que só sabem o que está nos livros, se lhe tiram o livro da frente.... boiam!! se ele dizia isso em relação a coisas técnicas ou teóricas...até hoje não sei!! O que sei é que as criações humanas na maioria das vezes vão além dos livros que existem, assim como nós agora aqui tentando questionar e refletir sobre coisas novas que não constam em nenhujm livro!! tá, até pode ter livros de autores visionários!! mas assim como a ficção científica,nunca o que foi "visionado" ocorre da mesma forma no futuro!!
Enfim, hoje mesmo falei com pessoal no Facebook sobre a paranóia humana!! porque insistimos em separar razão de emoção e de instinto!? porque insistimos em aceitar que índios são índios porque são iletrados? ou porque insistimos em querer nos esquivarmos uns dos outros,só porque o outro é de outro setor profissional diferente do nosso e que portanto minha razão "renascentista" trouxa sempre resolve segmentar, dividir tudo!? enfim, eu também estou atacada com este assunto aqui!!
mas é isso, até!!
Comentário de Claudio Estevam Próspero em 20 julho 2010 às 18:12
Car@s,

compartilho a visão sobre o artigo conforme comentada pelo Paulo Ganns Chaves.

Leiam este trecho, extraído do texto:

[ Minha aposta é que isso aconteceu devido ao processo social criado pela fogueira e por nossa cultura igualitária de caçador e coletor. Tal ambiente extraí ordem do caos. Design da intuição. É ideal para a exploração do conhecimento implícito. É ideal para descobrir coisas que não sabemos existir. É ideal para tomar uma meia idéia bruta e refiná-la. Vamos usar um experimento de pensamento.

Como obter a invenção da cerâmica? Certamente ninguém disse: "Vamos criar um projeto para inventar Olaria!" Como você pode inventar algo que nunca existiu? Não, deve ter acontecido algo como isto - O Povo parou para passar a noite depois de uma chuva. Na manhã seguinte, quando se preparavam para sair, a guardiã do fogo percebeu que o fogo sob as brasas que ela recolhia, o solo já havia feito uma crosta. Talvez ela possa levar ao fogo nesta coisa - esta tigela. Naquela noite em que dividiam a comida ao redor do fogo, ela disse ao povo o que havia acontecido e mostrou-lhes a taça "que ela tinha levantado da terra no dia anterior. E a conversa começou - como isso teria acontecido? Será que ele conservava melhor o fogo? O que mais poderia conter? O que acontecia se colocado de volta no fogo? Seria possível conter a água? E assim por diante. Os experimentos foram realizados. Alguns solos funcionaram melhor do que outros. Na reunião sazonal com os Povos Primos, o Povo compartilhou a sua história com os outros e deu até uma "tigela" como um presente de seus idosos. Na reunião da próxima temporada, as duas tribos passaram dias compartilhando as histórias das experiências que eles haviam feito... .... ]


Nele entendo que o autor do artigo que traduzi, Rob Paterson, defende a permuta livre, de experiências e percepções, em uma contínua rede de conversações (como entendo que procuramos - certo Augusto, Papagallis e todos os demais envolvidos com produção compartilhada de significado?). Redes de conversação, presenciais (fogueira física) ou virtuais (fogueira WEB), que vão produzindo o conhecimento na(s) sociedade(s) que não interrompem o fluir das idéias, bloqueando-o com hierarquias para julgar quais as que são válidas ou não, merecedoras ou não do IMPRIMA-SE, ....

Neste outro trecho entendo que o autor demonstra seu amor pelos livros, como eu aliás (+ de 1500 livros físicos em minha biblioteca pessoal - meu maior tesouro, meu lado smeagol (senhor dos Anéis - pt.wikipedia.org/wiki/Gollum) rs rs rs):

"Como uma pessoa, que adora livros, cuja vida sempre tem sido ler, agora eu me sinto maravilhado ... ..."

Assim, entendo que o autor, como eu, nada tenha contra o livro, enquanto uma de várias mídias possíveis, uma dentre várias ferramentas para organizar as informações e procurar compartilhá-las ao longo do espaço e do tempo. Reforço minha visão: a critica é quanto aos Senhores da Verdade, seja na Ciência, na Religião, como em qualquer outro aspecto da aventura humana de aprendizagem. Contra os guias dos "Caminhos Únicos para a Verdade" estabelecidos por quem se beneficia do pretenso conhecimento deste "Estrada Oficial para o Conhecer".

Obrigado pelos comentários enriquecedores, em torno destas nossas fogueiras da E=R.

Um abraço.
Claudio
Comentário de Augusto de Franco em 20 julho 2010 às 17:54
"Descambou", Paulo? "Lado errado", Paulo? Eu não acho que exista um "lado certo" numa conversação. São pontos de vista, abordagens, ênfases diversas.

Parece óbvio que o livro de papel, o livro de domínio privado e o livro não-interativo tendem a ser superados, assim como foram superados o livro-revelador-da-verdade e, parcialmente, o livro-com-imprimatur de algum tribunal epistemológico. Ainda que, aqui e acolá, algumas alfândegas ideológicas continuem ativas: em Cuba, livros de Trostsky, Rosa Luxemburgo e Freud eram - ou ainda são? - proibidos (na década de 1980 eles proibiram lá até um livro meu, cujos exemplares, levados por um aluno brasileiro de intercâmbio, foram apreendidos por ordem do Comitê Central).

Bem, mas a questão central aqui é a interatividade. Os graus de autoritarismo crescem na razão inversa dos graus de interatividade (que interpreto como a conjunção de distribuição e conectividade).

Dizia que a questão da interatividade não está resolvida e não será resolvida pela mídia e sim pelo padrão de organização. Pode-se fazer rede, sempre bato nisso, com cartas escritas em papel e conduzidas à cavalo (como fez o chamado Network da Filadélfia na elaboração coletiva da Declaração de Independência dos Estados Unidos). Pode-se fazer rede até com sinais de fumaça e com tambores. E pode-se ter um comportamento centralizador usando a Internet (como exemplifica, à farta, o uso de computadores nas escolas e na chamada EaD que até agora foi mais ensino à distância do que educação - ou aprendizado - à distância). Por quê? Porque não é a mídia o determinante aqui e sim o padrão de organização.

A maior parte dos textos publicados na Internet, mesmo os de domínio público, ainda são elaborados em processos com pouca interatividade. Por outro lado, havendo interatividade, isso não significa que não haverá mais esforço concentrado de um cluster de interagentes de publicar como texto ou imagem os resultados de suas investigações (do contrário seria uma regressão para a ciência).

Uma outra questão que me chama a atenção aqui é sobre a escrita. Aí sim temos um problema. No livro (êpa!) Novas visões (2008) levantei esse assunto da seguinte maneira:

Linhas escritas obrigam o pensamento multidimensional a se enfileirar (a se linearizar) para passar em uma espécie de corredor polonês. Espancam a livre e imediata apreensão – o glance ou o blink – até que ela se acostume a rastejar. Quem sabe, se houvesse uma “escrita” simbólica ao invés de alfabética (cuneiforme, hieroglífica), talvez isso não acontecesse. Mas a escrita enfileiradinha (vertical ou horizontal, da esquerda para a direita ou ao contrário, tanto faz) foi introduzida em consonância com um padrão organizativo introduzido top down, cujo objetivo era (ou o resultado objetivo foi) alterar a morfologia e a dinâmica da rede. O mesmo impulso – ou pulsão de morte – que erigiu o primeiro Estado (quer dizer, a primeira “Cidade-Estado-Palácio-Templo” sumeriana, constituída basicamente por escadas e muros, como é, fisicamente, um zigurate) gerou a linha escrita. Mais tarde, ver-se-á que se está falando da guerra, isto é, do oposto da política democrática ou pluriárquica. Sim, a escrita é também um programa, ou melhor, uma linguagem de programa.
Comentário de Paulo Ganns @pganns em 20 julho 2010 às 17:01
Oi Nadia,

Creio que o assunto descambou pro lado errado.

Na minha interpretação do texto, dentro do assunto que anda populando a internet por esses mêses, o autor escolheu um título infeliz, embora tenha construído um texto elegante sobre a defesa de uma tese.
A razão de ser do conteúdo é claramente combater a onda de livros e notícias de "especialistas" que andam atribuindo à superficialidade com a qual tratamos o conhecimento nesta plataforma, um possível "emburrecimento" da humanidade. (Eu devo ser um ET!)

É aquele erro clássico: sem parâmetros para comparar algo novo, qualquer um "especialista" comete o vício de retornar para a plataforma anterior e tenta avaliar o que há de bom e ruim no novo.

Ora, comparar o que?

Avião com charrete? Estilete com canivete?

Convenhamos, a internet e seu ecossistema são muito maiores que qualquer livro.
Contém o conhecimento antigo, contemporâneo, novo e principalmente o que está por vir!
Para mim, são mundos diferentes.

E tem gente que não comete erros. O que fazem é defender interesses, de forma velada, com essas teses contra o "conhecimento" da web.

O livro foi importante? É óbvio que foi e será por alguns anos.
Terá a mesma relevância para sempre? É óbvio que não.

O kindle ou iPad são livros "eletrônicos"?
Para muitos, sim!
Para mim, são parte de um mundo totalmente diferente e cheio de oportunidades!

Nunca, um livro tradicional irá suplantar as possibilidades e dinâmicas que estas novas plataformas irão construir. As diferenças são tão grandes que, se eu fosse dono dos dicionários, batizaria isso como "livrenet" ou algo mais criativo. hehehe

Exemplos:

Um livro com artigo sobre materiais de engenharia: falando sobre as vantagens da fibra de vidro, se colocado num livro editado em 1990, já está totalmente desatualizado. Lixo! Num livro nesta nova plataforma, a chance do artigo ficar desatualizado é mínima! Poderá inclusive ser contextualizado com referências técnicas concorrentes. No livro tradicional isso é possível? Dá-lhe edições novas a cada 2 anos, com reedição de poucas páginas, para obter mais alguns trocados para os mesmos editores e autores.

Pois é, tem gente chorando e eu desconfio muito da razão destas lágrimas.

Um romance de Machado de Assis: Aposto que Dom Casmurro será reeditado nesta plataforma e dinamicamente poderá ser linkado com wikipédia, apresentar críticas da época de seu lançamento, e mostrar um book de vários olhares no flickr sobre como seria Capitu!.

Tem gente que poderia estar rindo, mas continua esperando que o choro renda uma aposentadoria tranquila!

E a tal superficialidade?

Quantos livros eu li somente alguns poucos capítulos? Vários!
Quantos eu li e que não me serviram de nada? Outros tantos!
Quantos artigos inúteis li, que me levaram a questionar aonde estava o conhecimento humano? Mais um punhado.

De novo, o que é essa tal superficialidade?

Eu navegar num determinado blog e cair fora na primeira linha?
O autor do blog não ter reverenciado e referenciado um tal conhecimento que alguém cisma em ser proprietário?
Não assinar o contrato de conteúdo aprofundado de um eJornal? Pra quê? Pra ler que o Flamengo teve sua imagem abalada por causa de um sociopata? E eu lá estou preocupado com a imagem do Flamengo? Li e critiquei duramente a inversão de valores. Adantou? Nada.... Eu sou o conhecimento, acreditam o jornalista e a empresa.

Quanto aos índios, reservo-me o direito de chorar calado!

Desculpe-me se pareço irado. Talvez esteja mesmo.

Abração,

Paulo Ganns
Comentário de NADIA STABILE em 20 julho 2010 às 15:04
Oi Paulo Ganns Chaves e Cláudio ,tudo bem? sim, agradeço ao autor, e todos, e ao Cláudio que o postou aqui!!>>> UM TEXTO!! sim, como diz Augusto!! um texto que nos trás algo oposto ao texto!!rsrsrss
Depois lembrei de nossos índios, algumas etnias já escrevem livros, com ilustrações...eles que não tinham linguagem escrita, hoje já esperam que seus filhos aprendam a escrever, até os índios!!
Mas o ponto que achei bem interessante mesmo foi sobre o autoritarismo dos livros!!
E sobre esta rede e as redes sociais que Augusto escreveu,assim como o que os grandes gênios fizeram, ou qualquer um de nós possa fazer,geralmente não se concretizaria se os livros fossem um pouco colocados de lado>>e fôssemos adiante dos livros!! além dos livros!!
As pessoas que produzem coisas concretas, como pinturas, máquinas, esculturas, geralmente precisam sim de livros, assim como qualquer outra produção humana. Todavia,há um momento em que os livros tornam-se desnecessários! e como diz Rubem Alves, as pessoas que só leêm, por certo acabam ficando doentes, pois o espaço necessário para o pensar, para o interagir, para o criar,
é vital para qualquer pessoa!! ABRAÇÃO e agradeço a conversa!! adorei ler todos os comentários!!!
Comentário de Augusto de Franco em 19 julho 2010 às 17:05
O problema, me parece, não é o livro em si, mas:

a) o livro do tipo magister dix (tal como nas culturas do livro; e. g., o Corão);

b) o livro com imprimatur (autorizado por alguma autoridade sacerdotal hierárquica, seja um chefe eclesiástico, seja o conselho de uma instituição científica);

c) o livro de domínio privado (sob o controle de uma editora ou distribuidora ou livraria);

d) o livro como broadcasting (um para muitos).

Agora que todos podem publicar na Web alguns desses problemas estão sendo superados; ainda não o último, por certo: todo mundo que publica seu textinho na web (num blog ou site) e não compartilha a elaboração e não aceita sugestões ainda está fazendo broadcast. Sim, é isso mesmo!

Não são as midias sociais ou as plataformas interativas que vão resolver este problema e sim as redes sociais. O problema não é de mídia é de padrão de interação. Daí que são raríssimas as propostas de elaborar livros coletivamente (como venho tentando aqui, aliás, sem grande sucesso ainda).

Mas livro ou texto é a mesma coisa. Pode variar o tamanho, mas não muda o processo. Mudaria se houvesse interação na elaboração.

Todavia, a ciência continua publicando textos e não é ruim que seja assim. É bom notar que os artigos científicos expressam cada vez mais trabalhos coletivos. Acabei de inaugurar aqui uma BIBLIOTECA JURE LESKOVEC, com textos garimpados pelo Luis Guggenberger. Quase todos os 32 textos são coletivos. Um deles com 35 autores: LESKOVEC, Jure & 34 others (2009): The Battle of the Water Sensor Networks (BWSN).

O artigo do Rob Paterson, a meu ver, não dá conta de responder bem à sua pergunta-título: "Have books been bad for us?". Eu responderia, não!

Mesmo considerando os livros que foram objetos de processos que não resolveram nenhum dos problemas que elenquei acima, o simples fato de um conhecimento (ou técnica, ou opinião) ter sido publicado já é melhor do que um conhecimento que ficou guardado, trancado, protegido do profano por uma burocracia sacerdotal qualquer. As pessoas não tinham acesso a livros (e não é necessário voltar à sociedade de caçadores e coletores, como faz o autor: elas não tinham acesso na maior parte do período considerado civilizado, depois do que Ralph Abraham chamou de "Precedente Sumeriano", ou seja, durante os milênios de instalação dos primeiros Estados).

O problema não é o livro (a midia) e sim a falta-de-rede.
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 19 julho 2010 às 13:18
Fantástico! Muito interessante a visão dele! Tudo a ver! De uma certa forma me legitimou (he he he), às vezes penso (e me dizem) que tenho que escrever um livro... Mas livros são longos monólogos... E, ainda por cima, geralmente, as idéias centrais poderiam ser escritas em algumas linhas, mas se leem 500 páginas. Ando cada vez mais sem paciência para monólogos, especialistas, e bla bla... Definitivamente minha história é "multialogar"! Quem sabe começam a aparecer "textos multialogados"!
Comentário de Guaraciara de Lavor Lopes em 19 julho 2010 às 12:29
Claudio, bons dias sempre!
Li seu texto na RETRANS, assim como outros que tantos que são compartilhados e, não dou retorno por falta de tempo. Mas este retrata uma roda de conversa, familiar, que tivemos há alguns dias atrás. Eu nunca gostei muito do OU, sempre preferi o E. O que vai acontecer na web eu não faço ideia, mas imagino que uma nova segmentação histórica vai procurar colocá-lo em alguma prateleira. Cada vez que abro o navegador fico encantada com a quantidade de Não SEI que aparece para mim. Minha balança de conhecimento cada dia coloca o que EU SEI ou pensava que sabia, lá no alto porque o NÃO SEI cada dia pesa mais. A única certeza que tenho agora é: aqueles livros amorosamente manuseados estarão na estante para ficarem mais ensebados. Outros pelos quais eu me apaixone também irão para a estante (maravilha abrir o livro só para reler uma passagem marcante e marcada), os outros, sem desmerecer a qualidade e que foram muito úteis no avião ou no quarto do hotel, podem ficar na web; assim como as revistas e periódicos. Não vejo o porquê de excluir, cada um tem seu papel - sem trocadilho. Abs, Guará, cidadã planetária torcendo para ser universal.

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