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Os livros tem sido ruins para nós? por Rob Paterson Tradução de: Have books been bad for us?

domingo, 18 de julho de 2010
Os livros tem sido ruins para nós?

http://criatividadeinovao.blogspot.com/2010/07/os-livros-tem-sido-r...

Os livros tem sido ruins para nós?
por Rob Paterson

12 de maio, 2010 às 1:10 pm · Arquivado em: Colaboração, Comunidade, Cultura, Inovação, KM, Efeito de Rede, Relacionamentos, Mídia Social, Social Networking, Objetos Sociais, Confiança, Espaços Confiáveis, Revolução de Usuários, Wikinomics, Wikipedia, Sabedoria de Multidões

Tradução de:
Have books been bad for us?

by Rob Paterson
http://www.fastforwardblog.com/2010/05/12/have-books-been-bad-for-us/

Um pensamento muito estranho tem sido construido em mim por meses. Os livros tem sido uma coisa ruim?


Isto é melhor?

Se assim for - por quê?

Se assim for - É esta a fogueira de todas as fogueiras?

Então, qual é o meu argumento?

Muitas pessoas hoje estão convencidas de que o nascimento da web está nos tornando estúpidos. Que a web é apenas superficial. Que só os livros densos podem conter e difundir o conhecimento real.

Estou chegando à conclusão de que o oposto é verdadeiro. Que os livros tornam-nos estúpidos e que a web, como a fogueira, e pelas mesmas razões que para a fogueira, é o que nos torna inteligentes.

Então aqui vai. Todo o nosso conhecimento fundamental foi descoberto ao redor da fogueira. Imagine você um hominídeo sentado ao redor do fogo durante a noite. Você está acordado. Você está olhando para o outro. Imagino que num primeiro momento, antes que pudéssemos falar, cantaram ou fizeram música juntos. O fogo provocou uma dança social de interação e comunidade.

Acho que podemos supor que a fogueira nos ajudou a falar e por isso nos ajudou a nos tornarmos conscientes. Algo assim aconteceu cerca de 100.000 - 60.000 anos atrás. E prontamente todo o nosso desenvolvimento de ferramentas, arte e tecnologia decolou. Todos os alicerces do nosso mundo de hoje foram descobertos em um período de 10.000 anos. Ferramentas tinham sido as mesmas por um milhão de anos. Dentro de 1000 anos elas eram completamente diferentes. Nós inventamos a cerâmica. Nós inventamos a metalurgia. A roda. Tudo o que depende foi descoberto em seguida. Não só foi descoberto, mas amplamente divulgado em um curto período de tempo.

Como isso ocorreu?

Minha aposta é que isso aconteceu devido ao processo social criado pela fogueira e por nossa cultura igualitária de caçador e coletor. Tal ambiente extraí ordem do caos. Design da intuição. É ideal para a exploração do conhecimento implícito. É ideal para descobrir coisas que não sabemos existir. É ideal para tomar uma meia idéia bruta e refiná-la. Vamos usar um experimento de pensamento.

Como obter a invenção da cerâmica? Certamente ninguém disse: "Vamos criar um projeto para inventar Olaria!" Como você pode inventar algo que nunca existiu? Não, deve ter acontecido algo como isto - O Povo parou para passar a noite depois de uma chuva. Na manhã seguinte, quando se preparavam para sair, a guardiã do fogo percebeu que o fogo sob as brasas que ela recolhia, o solo já havia feito uma crosta. Talvez ela possa levar ao fogo nesta coisa - esta tigela. Naquela noite em que dividiam a comida ao redor do fogo, ela disse ao povo o que havia acontecido e mostrou-lhes a taça "que ela tinha levantado da terra no dia anterior. E a conversa começou - como isso teria acontecido? Será que ele conservava melhor o fogo? O que mais poderia conter? O que acontecia se colocado de volta no fogo? Seria possível conter a água? E assim por diante. Os experimentos foram realizados. Alguns solos funcionaram melhor do que outros. Na reunião sazonal com os Povos Primos, o Povo compartilhou a sua história com os outros e deu até uma "tigela" como um presente de seus idosos. Na reunião da próxima temporada, as duas tribos passaram dias compartilhando as histórias das experiências que eles haviam feito... ....

Não houve revisão por pares. Não havia nenhuma maneira autorizada para fazê-lo. Ninguém estava ensinando a ninguém. Eles estavam compartilhando e perguntando e discutindo. Eles estavam tendo conversas!

Mas com o livro vem a autoridade. Com o advento do livro, muito do desenvolvimento do conhecimento parou. Apenas os iniciados estavam com o "poder de jogar". O que importava não era a observação. Não era tentativa e erro. Nem o experimento. Nem a partilha. Mas a autoridade. A maioria das autoridades aceitas foram textos que não tinha fundamento na observação ou na experimentação e no erro. Ptolomeu, Santo Agostinho e Galen estabeleceram as regras.

Pior, por causa do "Livro" pessoas que fizeram observações e testes foram mortos ou perseguidos. O Livro tornou-se o ÚNICO CAMINHO. Ele fala, não você.

Por um tempo, com o advento da imprensa, o conhecimento foi aberto.

Mas de onde é que os grandes avanços vêm, em seguida? Eles vêm das Universidades? Não, eles vieram de amadores - a partir de Filósofos Naturais. Que se reuniam em clubes durante o jantar para falar sobre seu trabalho. Gradualmente, o "LIVRO" voltou. Somente artigos escritos e aprovados dentro do sistema de autoridade foram acreditados como estando certos. Pessoas de fora do sistema de autoridade foram desconsideradas.

O conhecimento era visto como uma coisa explícita - um objeto. O Livro foi a sua metáfora.

Mas agora com a web, temos uma fogueira global. Mais uma vez, podemos jogar com idéias, com observações e experimentos. Mais uma vez podemos compartilhar com os iguais que não vão nos derrubar. Ainda melhor, desta vez o grupo em torno da fogueira não é de 35 pessoas, mas somos todos nós.

Que novas coisas virão a partir de tal processo? Certamente coisas surpreendentes. Coisas que nunca poderiam ter vindo da utilização de livros.

Como uma pessoa, que adora livros, cuja vida sempre tem sido ler, agora eu me sinto maravilhado ... ...

Postado por ProsperoClaudio às 20:25

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Tags: Colaboracao, Comunicacao, Conhecimento, Declinio_Criaticidade, Fogueira, Inovacao_Aberta, Livro, Processo_Criativo, Rede_Social

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Comentário de Alzira Lima de Jesus em 22 agosto 2010 às 12:45
SER


Animalesca vontade de sentir constantemente
Carícia insone de abandono
Procura e oferta deserta
Desnuda destreza a abalar qualquer certeza

Dor inconsistentemente doída

Sangue ameno
Horas
Prazer de ser e querer
Doação e negação



Diurno caminhar
Desencontro

Dor recatadamente doída

Aproximação
Abandono
Resistência negada
Abraço abafado
Caminho plantado

Dor encantadoramente doída
Freneticamente esquecida
Flamejante


Cinzas

Fugaz insubmissão
Emancipação

Dor erradamente habitada
Arada

Participação secular
Anafrodisíaca anti negação
Desobediência enganadora

Grupo
Intercepção

Olimpíada
Cancro


Caverna acesa
Encéfalo latejo
Apatia

Murmuração gritante
Oca muralha
Pirataria
Radiação

Dor brandamente transmitida

Vida!

Alzira Lima de Jesus
Comentário de Robson Barros em 23 julho 2010 às 21:47
Por que "Fala dos Confins"

fonte: (http://www.faladosconfins.com.br)

No contexto em que vivemos a ânsia pelo acúmulo de informação nos afasta cada vez mais da tradição oral. É indiscutível a predominância da comunicação escrita, a palavra escrita é sinônimo de poder na sociedade contemporânea. Walter Benjamim, na década de 30, já assinalava a morte da oralidade e, ia mais além, a morte do narrador. O filósofo argumentava que as disputas pelo poder e a grande capacidade destrutiva da guerra ante o frágil corpo humano fizeram com que as pessoas perdessem o poder de conversar e, com isso, esvaziassem a "experiência que anda de boca em boca".

Ele afirmava:

O narrador - por mais familiar que este nome nos soe - de modo algum conserva viva, dentro de nós, a plenitude de sua eficácia. Para nós, ele já é algo distante e que ainda continua a se distanciar. [...] Esta distância e este ângulo nos são prescritos por uma experiência que quase todo dia temos a ocasião de fazer. Ela nos diz que a arte de narrar caminha para o fim. Torna-se cada vez mais raro o encontro de pessoas que sabem narrar alguma coisa direito. É cada vez mais frequente espalhar-se em volta o embaraço quando se anuncia o desejo de ouvir uma história. É como se uma faculdade, que nos parecia inalienável, a mais garantida entre as coisas seguras, nos fosse retirada. Ou seja: a de trocar experiências.Notava ainda, que o desejo de reter as coisas narradas era o que aproximava o ouvinte ao narrador. Este exercício lúdico que solicita a escuta paciente e evoca memória, duas faculdades que sobrevivem a margem de uma sociedade centrada na transmissão escrita do conhecimento, envolve o (re)conhecimento do sujeito e dos seus afetos.

Sob está égide trazer o resgate da tradição oral, nos dias atuais, consiste em missão que perpassa o debate literário e se enfrenta com a crise da sociedade contemporânea. Seguir de perto a riqueza e a extensão da fala sertaneja num laboratório vivo - gravar, selecionar, reunir materiais e finalmente editar, articulando-os com o campo das artes visuais é uma possibilida- de de trazer o diálogo fecundo que o estatuto da voz sertaneja desenha na nossa cultura tão fortemente oralizada. A arte funciona aqui como uma ferramenta de encontro sensível com o sertanejo, um laboratório poético-político que convoca o exercício do sensível e produz uma sensação - uma voz que devidamente registrada e decantada trará a expressão da linguagem manifesta e fabulosa do homem comum, o som do Sertão - vozes que nos transportam e nos fazem imaginar uma outra realidade.
Comentário de NADIA STABILE em 21 julho 2010 às 21:26
LINDO PAULO!!! ADOREI!!!

"(...)Pintem-se para a guerra,
Cantem seus hinos de batalha,(...)

outro dia assisti a um documentário,onde os índios pintavam seus rostos...por causa de Belo Monte!!
achei interessante a forma como fazem isso...
fiquei pensando na arte deles com seus grafismos, e as danças e etc...talvez a importância que damos a nossa linguagem escrita seja até menor a importância que eles atribuem às suas expressões culturais e artísticas!
Comentário de Raciel Gonçalves Junior em 21 julho 2010 às 17:41
Pessoal,

Voltando a fogueira do texto que abre essa rede de conversações...

Algum dia, quando tivermos dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade... utilizaremos as energias do amor. Então, pela segunda vez na História do mundo, o homem descobrirá o fogo”. (Pierre Teilhard de Chardin : 1881-1955).

Obviamente, tirei as palavras acima de um livro. Parei aqui para participar das conversas porque reencontrei o Paulo Ganns (ele acabou de entrar lá na Arca de Noé) e lá ainda não tivemos tempo de parar para conversar.

Uma coisa leva a outra e aqui estou eu, atraído por uma imagem e já construindo outra. A ideia, esse nosso impulso natural que nos leva a criar na mente, a formar no espírito e expressá-la.

Discordo do Rob Paterson por entender que não seremos - TODOS-, mas concordo que continuaremos ao redor da fogueira, uns mais perto, outros mais longe, uns mais aquecidos serão lembrados mais, outros menos aquecidos por um tempo ficarão esquecidos. Alguém resgatará o que pensaram ou o que pensam. Será o combustível para novas ideias.

Outro dia escrevi no Twitter:

"E eis que pela tarde ela (a pomba) voltou, trazendo no bico uma folha verde de oliveira" (Gen.8,11). Estava inventado o Twitter.

Será que sem fogueira, pessoas, livros e novas tecnologias conseguiremos finalmente inventar uma "energia" que nos permita um "onoff" mais e melhor?

Inventado isso, seria a descoberta do fogo pela segunda vez?

Abraços,

Raciel
...
Comentário de Paulo Ganns @pganns em 20 julho 2010 às 22:03
Em respeito a tribo que ao primeiro sinal da civilização lançou flechas!


Tapentikuá (Guerrear)
No vocabulário dos caiapós meridionais

Ouçam com atenção,
Arquem seus arcos,
Atirem as suas flechas,

Pintem-se para a guerra,
Cantem seus hinos de batalha,
Dancem seus ritos de ódio,
Bradem com toda a fúria,

Não fujam, pois não há abrigo,
Não corram, porque não há trilha,
Não temam, porque somos covardes,

Cuspiremos na sua pureza,
Defecaremos na sua farinha,
Mijaremos nos seus rios,
Mataremos os seus deuses,

Suas mulheres serão nossas vadias,
Seus homens, nossos escravos,
Seus filhos, nossos órfãos,

Soprem as zarabatanas,
Lancem os seus dardos,

Não esperamos razão,
Não daremos perdão,
Não teremos compaixão,
Mataremos então!

Suas histórias serão resumos,
Suas imagens serão fotos,
Suas lembranças somente versos,

Melhor morrer na morte,
Usem suas bordunas,
Arquem seus arcos,
Soprem suas zarabatanas,

Criaremos razão,
Teremos compaixão,
Pediremos perdão,
Enfim, choraremos em vão!

=============
Paulo Ganns Chaves
Comentário de NADIA STABILE em 20 julho 2010 às 21:20
"...o que se odeia no índio é a permanência da infância!!!"
Comentário de NADIA STABILE em 20 julho 2010 às 21:18
MUITO BOM PAULO!!! adoro nossos índios , e nós todos somos uns bestas que provocamos neles a necessidade de aprender a escrever!!! tem um vídeo ótimo sobre eles!! veja!! ABRAÇÃO AMIGÃO!!

Comentário de Paulo Ganns @pganns em 20 julho 2010 às 21:10
Amiga Nadia,

Um dia, um especialista escreveu, em algum livro que ainda roda por aí, que sua razão era uma coisa e sua emoção era outra! Você foi dividida!
Em outros tempos, para muitas culturas indígenas, explicar o que seria essa cisão da pessoa entre razão e emoção, devia ser motivo de piadas com grandes gargalhadas nas ocas, entre uma pitada de fumo e um aguardente de mandioca.

Uma pena que "convencemos" os índios de que tínhamos razão.

[]s

Paulo Ganns
Comentário de NADIA STABILE em 20 julho 2010 às 19:15
"(...)os outros e deu até uma "tigela" como um presente de seus idosos. Na reunião da próxima temporada, as duas tribos passaram dias compartilhando as histórias das experiências que eles haviam feito..."

Oi Cláudio,esta descoberta por acaso da cerâmica é algo extraordinário
E o compartilhar de histórias citado aqui era feito oralmente!! assim como o folclore!!
Comentário de NADIA STABILE em 20 julho 2010 às 18:49

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