Escola de Redes

REFLEXÕES A PROPÓSITO DO DESAFIO DE ORGANIZAR UM EVENTO DE MODO DISTRIBUÍDO


Refetindo sobre o desafio de organizar a CIRS - Conferência Internacional sobre Redes Sociais (um evento que ocorrerá na constelação de atividades da CI-CI 2010 - Conferência Internacional de Cidades Inovadoras: CIETEP Curitiba 10-13 de março de 2010), resolvi escrever este artigo.

O desafio, para mim, não é propriamente organizar uma conferência, coisa que venho fazendo há mais ou menos uns trinta anos. Ainda mais porquanto se trata de um evento relativamente pequeno (previsto para um público selecionado de aproximadamente mil pessoas). O desafio é fazer isso - pelo menos a partir de certas condições iniciais dadas - de modo distribuído, ou seja, com pouquíssima centralização.

É claro que partimos de condições iniciais muito favoráveis: palestrantes internacionais, infra-estrutura e logística foram aproveitados da CI-CI 2010. A retribuição da CIRS será mais inscritos na CI-CI 2010 (todos os que se conectaram à Escola-de-Redes depois de 12/11/09 deverão fazer sua inscrição na CI-CI 2010 para participar da CIRS), além, é claro, de atrair gente que está envolvida em uma reflexão de vanguarda sobre redes sociais. É um jogo ganha-ganha.

Por outro lado, enquanto a CI-CI 2010 está sendo organizada de modo predominantemente centralizado, com um comitê organizador - do qual faço parte, como articulador do Comitê Científico - instalado há quase um ano e um engajamento institucional forte na sua promoção, financiamento, apoio infra-estrutural e logístico e divulgação, a CIRS - partindo das condições iniciais previamente reunidas que mencionei acima - não tem nada disso.

A CIRS não tem um cartaz, um folheto, um site oficial, nem mesmo uma marca (logo). E não tem verba para fazer qualquer coisa, sequer um crachá e uma pasta para entregar ao participante.

A CIRS não foi promovida por nenhuma instituição ou entidade. A idéia surgiu de conversas entre pessoas conectadas à Escola-de-Redes (agora com 3.159 conectados). E por isso a CIRS não está sendo promovida pela Escola-de-Redes (já que a E=R não tem nenhum mecanismo diretivo que possa tomar decisões em nome coletivo) e sim por pessoas conectadas à Escola-de-Redes. Ou seja, os seus promotores e realizadores são, afinal, as pessoas que decidiram propô-la e que decidiram ajudar a promovê-la e realizá-la. Hoje já temos um grupo na E=R com mais de 80 pessoas dispostas a fazer isso. E já temos centenas de outras pessoas fazendo isso na prática, por sua própria iniciativa (ainda que a maioria destas não esteja formalmente nesse grupo, nem mesmo pertença à Escola-de-Redes). E alcançamos, neste momento em que escrevo, 316 pré-inscritos, faltando ainda dois meses para o evento.

A idéia e sobretudo a prática de realizar a CIRS em rede, de modo distribuído, foi, pelo menos para mim, inédita. A idéia é simples, mas desconcertante para quem está acostumado a promover eventos. Qualquer pessoa - respeitadas as condições iniciais - pode se apropriar da CIRS e promovê-la como se fosse sua: pode inventar uma logo, publicar um folheto ou um cartaz, fazer um banner e pendurá-lo onde bem entender, captar patrocínio para divulgação ou prestação de outros serviços etc. Qualquer empresa ou organização pode associar sua marca à CIRS, divulgando-a nas peças de comunicação que veicular. E nada disso precisa ser combinado como ninguém, nem mesmo relatado para algum centro logístico ou coordenador.

Ou seja, nada da tal imprescindível "identidade visual", nada de estratégia (pensada e aplicada top down), nada de coordenação operacional prévia. Nada.

E também nada de facilitação centralizada de meios de transporte e hospedagem. Cada qual que se vire. Sozinho? Ah!... Parece que não: as pessoas vão se organizando bottom up - aqui na E=R e alhures - para participar da CIRS: vão organizar caravanas, vão encontrar passagens aéreas mais baratas, vão arranjar alternativas de hospedagem...

Além do processo distribuído de divulgação e organização da participação no evento, a parte mais significativa da conferência será... uma desconferência - o Simpósio da Escola-de-Redes, organizado nos moldes de um Open Space, sem pauta prévia, sem apresentação de trabalhos selecionados e sem palestrantes convidados ou contratados. A pauta emergirá quando as pessoas chegarem no local (este sim, já reservado).

É claro que tudo isso está sendo muito facilitado pelo fato da CIRS ocorrer na constelação da CI-CI 2010, que já se preocupou com algumas dessas coisas que dizem respeito à logística e à infra-estrutura. Mas não com todas. E haverá uma parcela ponderável de pessoas que participará da CIRS mas não estará inscrita na CI-CI 2010. Pessoas que vão retribuir com a sua importantíssima presença e não com a taxa de inscrição. E pessoas que vão se auto-organizar.

Refletindo sobre tudo isso cheguei à conclusão de que esta experiência de organizar a CIRS de modo distribuído é um verdadeiro programa de aprendizagem em netweaving. É a melhor coisa que poderia acontecer com esta escola-não-escola chamada Escola-de-Redes.

Mas também percebi o tamanho dos obstáculos. Organizar as coisas de modo distribuído é quase uma ofensa aos que se organizam de modo centralizado. Organizar as coisas de modo distribuído quebra paradigmas. A mudança é mais profunda do que em geral imaginamos.

Mas será que, em uma sociedade em rede, tudo não deveria ser assim mesmo?

Com essa pergunta entramos no núcleo da presente reflexão. O que segue aqui é uma opinião pessoal. Ninguém precisa concordar com ela para participar da CIRS ou se conectar à Escola-de-Redes.

Organizações hierárquicas, quando promovem encontros, têm sempre um objetivo institucional estabelecido pelos seus chefes, ou, pelo menos, traçado com a sua concordância. Tal objetivo passa, não raro, pela promoção desses chefes e pela satisfação de seus interesses. Às vezes os interesses são claramente econômicos, mas em boa parte dos casos são de outra natureza. Visam aumentar a influência política ou a fama dos chamados (e quase sempre auto-intitulados) "líderes".

Então a organização piramidal trabalha para o cume. Ela trabalha para o centro, para o chefe, para o líder. E as pessoas que trabalham em geral não aparecem, pois seu papel precípuo é o de fazer o chefe aparecer. Aí o chefe fica contente e mantém tais pessoas na sua função (empregadas ou contratadas). Se o chefe ficar muito contente com o resultado, pode até retribuir com uma promoção do "colaborador" que lhe fez tão bem as vontades.

Ocorre que quando um conjunto de pessoas aplicam seus talentos para promover uma atividade, todas devem aparecer. Prá quê? Ora, para poder ser reconhecidas, para poder compartilhar, aumentar e desenvolver esses talentos. Essa é uma característica central daquele tipo de inteligência tipicamente humana de que falava Humberto Maturana: uma inteligência que cresce e se realiza com a troca, com o jogo ganha-ganha, com a colaboração. Uma inteligência colaborativa.

Se as pessoas abrem mão de fazer isso em prol da promoção de outras pessoas que estão acima delas na estrutura hierárquica, elas estão renunciando, em alguma medida, a exercer suas qualidades propriamente humanas. O diabo é que os funcionários burocráticos e outros empregados ou prestadores de serviços em organizações hierárquicas já introjetaram tão fundo as idéias que sustentam tais práticas, que o hábito não de servir mas de ser serviçal se instalou no andar de baixo da sua consciência e emerge como uma pulsão. Freqüentemente eles se escondem para promover seus superiores, tendo medo, inclusive, de proferir uma opinião própria em uma reunião, escrever um artigo em um blog, dar um entrevista ou gravar um vídeo para um meio de comunicação. Mas essas pessoas até se orgulham de habitar a penunbra e se vestir de cinza, adotando a servidão voluntária e, com isso, violando sua própria humanidade ou, no mínimo, deixando de explorá-la e desenvolvê-la como poderiam.

Alguns fazem isso conscientemente, em troca do emprego ou da contratação. Argumentam que se não obedecerem e fizerem a vontade dos chefes, perderão a remuneração sem a qual não terão como viver. Mas dá no mesmo. Se, para sobreviver, uma pessoa precisa castrar suas potencialidades, então tal sobrevivência não poderá ser digna. Um trabalho que deixe de promover o desenvolvimento humano de quem trabalha não pode ser digno.

Os chefes, por sua vez - como aquele senhor de escravo escravo do escravo a que se referia Hegel, com outros termos - também estão aprisionados neste círculo desumanizante. Estão intoxicados pelas ideologias do comando-e-controle e do liderancismo, segundo as quais se não for assim as coisas não funcionam. De que alguém tem sempre que liderar - quer dizer, deixando a frescura de lado e traduzindo em bom português: mandar nos outros - para que uma ação possa ser realizada a contento. Por isso não se adaptam à cultura e à prática de rede, onde não é possível mandar alguém fazer alguma coisa contra a sua vontade.

É por isso que organizar as coisas em rede distribuída é um desafio tremendo em um mundo ainda infestado, em grande parte, por organizações hierárquicas.

Quando organizações hierárquicas se interessam por redes, quase sempre esse interesse é instrumental. Querem usar as redes para obter alguma coisa que fortaleça os seus objetivos e a manutenção das suas estruturas hierárquicas. Seus chefes - quando mais ilustrados - acham que usando as "tecnologias de rede" vão conseguir aumentar sua influência, seu poder ou, quem sabe, suas vendas (daí todo esse súbito interesse cretino pelo tal "marketing viral", de resto uma vigarice).

As organizações hierárquicas - em termos do ser coletivo que se forma, não, é claro, das pessoas que as integram - não vêem as redes como fim - como uma nova forma de interação propriamente humana ou humanizada pelo social - e sim como meio para alguma coisa não-humana. Sim, organizações hierárquicas de seres humanos geram seres não-humanos. A afirmação é forte, mas não há como dizer de outro modo se quisermos ir ao coração do problema. Entenda-se bem: as pessoas continuarão sendo humanas, mas o ser coletivo que se forma não será, posto que não será 'social' (naquele especialíssimo sentido que Maturana empresta ao termo).

Mas então, o que se propõe?

Cada um que percebe esse problema que proponha o que achar melhor para resolver o problema. Não há uma solução. Quando houver uma solução ela será o resultado de uma confluência de miríades de inputs.

Se não é possível mudar de uma vez a prática das organizações hierárquicas, então deverá haver uma transição. Uma transição da organização hierárquica para a organização em rede.

No caso específico que suscitou a presente reflexão talvez se pudesse propor um caminho mais ou menos assim:

Todos os que promovem um evento e que o "compram" como seu devem poder ser conhecidos e reconhecidos por isso. Para tanto, seus nomes devem ser divulgados com destaque em todo o processo de preparação e realização do evento e não apenas os nomes dos chefes, líderes ou coordenadores. Eles não devem ser tratados como "colaboradores" (a quem se faz um agradecimento formal no encerramento dos encontros) e sim como co-autores (se de fato o forem, quer dizer, se assumirem tal papel).

Temos que fazer o contrário do que diz aquele velho adágio sindical autoritário: "Manda quem banca".

Todos esses, aos quais me referi acima, devem, se quiserem, expressar por quaisquer meios suas opiniões sobre os temas que estarão em discussão no evento e não apenas servir de escada para a divulgação das opiniões de alguns, como as daqueles que pagam seus salários ou suas remunerações. Tais opiniões devem ser veiculadas nos meios de comunicação utilizados para convocar, preparar ou realizar o evento.

Isso já é possível. Sim, já é possível. Adotando orientações como essas não teremos eventos menores ou menos "participativos". Ao contrário, como, espero, veremos com a CIRS.

É claro que um evento determinado a esta altura é apenas gancho ou um motivo para a reflexão. Tudo que acontece - qualquer processo, qualquer estruturação adotada, qualquer dinâmica desencadeada em uma organização - é um evento.

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Comentário de Julio Carvalho em 24 janeiro 2010 às 22:53
Olá Profº Augusto!
Talvez não seja possível alcançar a máxima distribuição, mas a meu ver , o aumento na densidade das relações, não só analisada pelo ponto de vista do encontro social, mas a relação entre as diversas dimensões da Rede Mãe no Glocal ativadas pela conferência, seja a grande realização desse evento. E vai tocar o solo. Vai ser o ponto de contato concreto entre o global e o local. É um ponto de chegada em que resultados tem que aparecer, mas também será um ponto de partida para consolidar a atividade Glocal da E=R . Talvez depois disso, não seja o 'barulho' a referência obtida pela realização do evento, mas o silêncio dos desorganizados que ampliará e muito o alcance da E=R no cotidiano. Afinal,grandes coisas entram na terra, através de pequenas coisas; E=R.
Abração!
Comentário de Vivianne Amaral em 11 janeiro 2010 às 18:32
Augusto, a oportunidade para vivenciar interações e produção em rede distribuída que a organização da Conferência está gerando é de fato um mergulho no netweaving, num grau de liberdade e expressão pessoal que eu nunca tinha experimentado em situações semelhantes (organizar eventos). Vivi um momento inicial de deslocamento qdo me envolvi na dinâmica da produção distribuída, mas agora estou ok e atenta ao q estou fazendo, como aprendizagem. Neste período de transição entre o o centralismo e a distribuição, não são ainda abundantes as Zonas Autônomas Temporárias.
:-) Abraços
abraços
Comentário de Guaraciara de Lavor Lopes em 11 janeiro 2010 às 16:54
Meninos e meninas. Carpe Diem!!!
Ao voltar ao mundo real (depois de 10 dias entregue a Morfeu - quase todo o tempo!), me deparei com o artigo do Augusto e as mensagens anteriores.
Vou viajar e me hospedar com milhagem. Estou vendo na milhagem do hotel quantas diarias tenho direito. Conforme for, ofereço uma vaga no hotel, se a milhagem valer para casal.
Quanto a dificuldade da falta de hierarquia, estou convivendo há 4 anos com isto. Há um grupo de profissionais, aqui e Volta Redonda, que trabalharam na industria e que tem uma experiencia e conhecimento enormes. Juntamos um grupo com a proposta de estabelecer uma rede profissional.
Pra encurtar a historia, ninguem consegue entender uma rede e ficam esperando que seja dada uma ordem pelo profissional que ocupou varias diretorias. Mas, não desisti!
Quanto a divulgação, vou colocar no Blog, no site da empresa, enviar email a alguns coordenadores das universidades locais e alguns conhecidos. Se conseguir que o QI de alguns jornais da região funcionem, vou colocar algum texto.
No mais, se puder ajudar de outra forma, estou a disposição.
Tenham uma excelente semana, iluminada. Bjs,
Comentário de Roberto Carlos Barboza em 11 janeiro 2010 às 12:28
Olá pessoal. Tive a oportunidade de conhecer as propostas da Escola de Redes em uma brilhante palestra de Augusto de Franco, no MASP, final de 2009. Esta atividade foi parte integrante do Curso Carta da Terra II (UMAPAZ), promovido pela SVMASP. Mais gratificante que saber que as coisas estão acontecendo é poder participar como agente destas propostas de transformação de modelos ultrapassados e viciados de "cidadania passiva". Segue abaixo um convite para as atividades do FÓRUM SOCIAL ABC ESTÂNCIA SOLIDÁRIA (Coletivos do ABC estabelecendo rede e solidificando ações conjuntas). Tod@s são bem-vind@s, sem burocracia, sem taxas de inscrição e sem cadastro prévio. O convite para participação da CIRS foi repassado aos coletivos e já está tendo retorno.

Parabéns Agusto de Franco e demais colegas ativistas "enredados" nesta proposta revolucionária de mudança de paradígmas. Numa sociedade pasteurizada pelo conformismo e pela passividade conivente as "desconferências" podem fazer a diferença.


Propostas para o Fórum Social
ABC Estância Solidária

de 22 a 31 de janeiro de 2010

Sexta-feira, dia 22
tarde – Almoço coletivo, a partir das 11h30, Casa da Lagartixa Preta,
Santo André (Rua Alcides de Queirós, 161, Bairro Casa Branca); noite – Bicicletada ABC, às 20 horas, Paço Municipal de Santo André (próximo ao laguinho).

Sábado, dia 23
noite – Virada Encenada, a partir das 19 horas, Espaço ARCA, Ribeirão Pires (Avenida Humberto de Campos, 576, Vila Ema).

Domingo, dia 24
tarde – Festival de Jogos e Brincadeiras Populares, das 14 às 18 horas, Paranapiacaba (ao lado do Antigo Mercado, Avenida Campos Salles, e nas ruas adjacentes, parte baixa).

Segunda-feira, dia 25
tarde – “Reconectando com a terra”, das 14 às 16 horas, Quintal Orgânico, São Caetano do Sul (Rua Ulisses Tornicasa, s/n, esquina com a Luis Claudio Capovilla Filho, Bairro São José);
noite – “A Arte da Recriação”, Segunda Vagabunda, das 20 às 22 horas, Casa da Lagartixa Preta, Santo André (Rua Alcides de Queirós, 161, Bairro Casa Branca).

Terça-feira, dia 26
tarde – “Pensamentos Autônomos”, intervenção Escola de Rua, das 14 às 16 horas, Praça Lidya Poloni, Rio Grande da Serra (Avenida Dom Pedro I com a Rua Lidia Poloni, Centro);
noite – Acampamento no Quintal, a partir das 22 horas, Quintal Orgânico, São Caetano do Sul (Rua Ulisses Tornicasa, s/n, esquina com a Luis Claudio Capovilla Filho, Bairro São José).

Quarta-feira, dia 27
manhã – Café da manhã com produtos cultivados no espaço, das 9 às 11 horas, Quintal Orgânico, São Caetano do Sul (Rua Ulisses Tornicasa, s/n, esquina com a Luis Claudio Capovilla Filho, Bairro São José);
tarde – “Diversidades, Pluralidades e Identidades”, intervenção Escola de Rua, das 14 às 16 horas, Praça 22 de Novembro, Mauá (ao lado das estações de trens e de ônibus).

Quinta-feira, dia 28
manhã – Visita a Rádio Pérola da Serra e participação no programa Revista da Manhã, às 10 horas, Ribeirão Pires (Avenida Francisco Monteiro, 518, Centro);
tarde – “Ética, Cosmovisões e Espiritualidades”, intervenção Escola de Rua, das 14 às 16 horas, Praça da Moça, Diadema (Avenida Alda com Rua Graciosa, Centro).

Sexta-feira, dia 29
tarde – “Qual é a sua Luta?”, intervenção Escola de Rua, das 14 às 16 horas, Praça Santa Filomena, São Bernardo do Campo (Rua Marechal Deodoro, esquina com a Avenida Imperatriz Leopoldina, Centro);
noite – La Imagen del Sur (produções da VIVE TV), a partir das 20 horas, Casa da Lagartixa Preta, Santo André (Rua Alcides de Queirós, 161, Bairro Casa Branca).

Sábado, dia 30
tarde e noite – TODOS POR UM, a partir das 14 horas, Praça Central, Ribeirão Pires (Avenida Miguel Prisco, s/n, Centro).

Domingo, dia 31
tarde – “Bate lata”, oficina musical de preparação para o Carnaval, das 14 às 16 horas, Praça Central, Ribeirão Pires (Avenida Miguel Prisco, s/n, Centro).
noite – Lançamento do CD Os Misturalistas (KAH-HUM-KAH), às 19 horas, Tupinikim Bar, Santo André (Rua das Monções, 585, Bairro Jardim).
Comentário de Augusto de Franco em 11 janeiro 2010 às 8:49
Pois é, Ana. A CIRS - enquanto promoção de pessoas que estavam conectadas à Escola-de-Redes até então (12/11/09) - não tem mesmo qualquer taxa de inscrição. O poderia continuar não tendo para qualquer pessoa, desde que essas pessoas arrumassem, de modo distribuído, o local, a infra-estrutura, a tradução simultânea, a logística e também pagassem as passagens, hospedagem e remuneração dos palestrantes internacionais. Já fizemos uns 3 ou 4 eventos assim, onde tudo foi gratuito, mas se resumiu a um simpósio (na base da desconferência) e os recursos foram reunidos colaborativamente. Este evento (a CIRS), no entanto, como você pode ver, se inseriu numa constelação abrigada pela CI-CI 2010 que foi obrigada a fazer muitas despesas para reunir as condições das quais ora nos aproveitamos. E devemos dar a nossa contribuição. Abraços.
Comentário de Ana Beatriz Gomes Carvalho em 11 janeiro 2010 às 7:55
O texto é muito interessante e me identifico com várias questões colocadas aqui pelo autor e pelos colegas. Gostaria de fazer duas observações: para colocar em prática as questões ponderadas no artigo, o evento não deveria ter uma taxa de inscrição (que está fazendo muita gente desistir), agregada à outro evento. Entendo a necessidade operacional, mas de certa forma a inscrição formal desqualifica as preocupações propostas no artigo. Embora eu apoie a descentralização e flexibilidade da construção de evento, a minha instituição não o reconhece como um evento acadêmico, consequentemente, não me liberará para participar. Entretanto, acredito que as resistências também fazem parte do processo, quando surge algo inovador leva um certo tempo para a sociedade absorver, mas é preciso continuar tentando...
Comentário de Daisy Grisolia em 11 janeiro 2010 às 7:37
Adorei o texto. Mas isto não quer dizer nada se a reflexão que ele propõe não se concretizar no cotidiano - no meu e no de cada um de nós. Há um grande trabalho pessoal e coletivo a ser realizado. A CIRS é uma oportunidade ímpar para por em prática idéias que tem sido discutidas, estudadas, testadas. E poder dizer: não é utopia, é possibilidade real, aberta a quem ousar olhar para vida de um modo diferente.
Comentário de Carlos Boyle em 10 janeiro 2010 às 21:05
Compañeros de Escola de redes, apelo a las palabras de Augusto para prever la posibilidad de hospedaje en casas de familia en Curitiva. Para los que vamos desde lejos sería importante despreocuparnos del tema hospedaje ya que es uno de los gastos mayores y de esa forma nos concentramos solo en el pasaje de ida y vuelta y los gastos de esos días.
Se los pido humildementem porque en mi caso, como creo que ne el de muchos otros, facilitaría la asistencia.
Si no se puede armar nada esta tudo bem tb. Desde ya muchas gracias al Nodo Curituba que podría coordinar esto
Comentário de Rita de Cassia Monteiro Afonso em 10 janeiro 2010 às 18:47
Belo texto Augusto e belos comentários, colegas. Mas não concordo com todos, e que bom! Estudo tb na COPPE (fiz lá meu mestrado e faço lá meu doutorado, além de trabalhar em projetos). Lá, encontrei a "minha turma", sem imposição, estudei o que quis (e quero) com ajuda de muitos e tive e tenho, de fato, orientação. Nos projetos nos quais trabalhei, tb não tive (tenho) esta impressão, pelo contrário... Isto me leva a uma outra questão: são as instituições ou são as pessoas as responsáveis pels hierarquias? E faço esta pergunta por que nos últimos tempos tenho achado que estamos falando muito na terceira pessoa: as instituições, as pessoas, os chefes, os líderes (o outro), esquecendo que muitas vezes, quando "chegamos lá" usamos esta terceira pessoa para tirar de nós a responsabilidade pela forma como estas coisas acontecem. Bem, era só um comentário.
A propósito do comentário sobre o Tragtenberg, tem um livro dele falando sobre o tema, nas empresas: "Administração, poder e ideologia" do qual gostei muito e pode ser comprado pela internet no link
http://www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=235. Abraço a todos
Comentário de Maria Thereza do Amaral em 10 janeiro 2010 às 18:38
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Muito bom o texto.

Sempre que leio você falando de redes descentralizadas me lembro de uma ocasião em que vi vários tambores sendo tocados ao mesmo tempo por um grupo de pessoas.
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No início era uma barulheira danada, até que aos poucos alguns foram se sobressaindo, outros seguiram estes ritmos, enriquecendo-os, e quando menos se esperava o que se viu foi um grupo de pessoas tocando tambores de maneira ritmada e interessante, onde cada um podia mudar o ritmo, desde que de uma maneira coerente, que os outros seguiam e a ordem ritmada se mantinha.
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Foi um belo exemplo para mim de como do caos vem a ordem, desde que todos envolvidos realmente queiram algum tipo de ordem não-estática.
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E também para mim é um exemplo do que Maturana fala, da realidade consensuada entre vários indivíduos.
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Redes descentralizadas em tudo: sim, acredito ser possível, desde que os que participam delas realmente as queiram e trabalhem dentro de si para isso.
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Porque o que acho de desafiador neste tipo de hierarquia é que a ordem do grupo vem da ordem interna de cada um dos participantes, sem mandantes, sem superiores ... enfim, não haverá ninguém em quem colocar a culpa por um eventual fracasso, a culpa também terá que ser dividida, tanto quanto o sucesso.
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