Escola de Redes

SOBRE ABRIR MÃO DE TER SUA PRÓPRIA TURMA


Terminamos ontem o simpósio da Escola-de-Redes que começou no sexta-feira, 26 de junho de 2009, em Campos do Jordão.

Na verdade foi uma pequena reunião de algumas dezenas de pessoas interessadas em conversar sobre vários aspectos teóricos e práticos das redes sociais.

Já escrevi aqui - em outro lugar - que penso que esse esforço poderia ser feito em vários nodos, em várias localidades ou temas de agregação.

Mas no domingo, na última atividade do simpósio, constatamos que muitos simpósios já estão ocorrendo: um almoço entre duas ou mais pessoas conectadas à E=R para discutir nossos assuntos é, na verdade, também um simpósio da Escola-de-Redes.

No entanto, quando comparamos esses micro processos de conexão e conversação entre pequenos grupos e as atividades de quase duas mil pessoas registradas neste site da Escola-de-Redes, alguma coisa parece não bater.

Como também já escrevi aqui, essa mania de tomar as ferramentas virtuais interativas por redes está criando um grande problema.

Por certo, Ning é muito diferente de Facebook e MySpace porque não é, nem, a rigor, se intitula, uma rede social. É apenas - e ainda bem - uma plataforma para quem quer articular e animar virtualmente uma rede social.

Uma ferramenta que ajuda, mas... mesmo assim, não deixa de induzir ao equívoco de que redes sociais são redes digitais.

Explicando. Ainda que Ning seja um pouco diferente, ele não consegue superar a cultura dos sites de relacionamento. Assim como Ning, Elgg e agora Noosfero, são boas plataformas para quem quer fazer netweaving. Facebook, MySpace, Twitter, absolutamente, não são. Mas não se pode fazer netweaving se não existe a net. Só se pode articular e animar uma rede que existe. E uma rede - me refiro aqui às redes voluntariamente construídas (como interfaces para falar com a rede-mãe) - não pode existir a partir do registro de uma porção de usuários em um serviço interativo qualquer.

Por causa dessa tremenda confusão entre um site (ferramenta digital) e a rede (social), entre usuários de um serviço e pessoas conectadas compartilhando uma agenda, temos também uma tremenda dificuldade de articular e animar redes sociais usando plataformas virtuais interativas. As pessoas chegam em uma plataforma dessas e fazem seu registro. É só mais um login e senha. Não interessa ler o que está escrito, entender os propósitos da rede, examinar seus acordos básicos de convivência. É de graça, é um serviço, é uma maneira de ficar sapeando ou de se informar sobre isso ou aquilo: então pronto. Elas, as pessoas, vêm e se registram. Ato contínuo, podem postar - como já aconteceu aqui na E=R - um evento sobre Sociedades Secretas ou um vídeo de música sertaneja.

Se faziam isso no Orkut, por que não poderão fazê-lo aqui? Não é tudo a mesma coisa? Um site onde eu vou lá e me registro, posto a minha foto, mando um comentário paquera para aquela moça ou moço de rosto bonitinho ou publico uma anedota?

Recentemente, David de Ugarte fez a mesma crítica, comentando o que chamou de "cultura de la adhesión":

La cultura de la adhesión, materializada en el uso político o promocional de servicios como facebook y sus grupos, consiste en la sustitución de los espacios deliberativos distribuidos, como la blogsfera, por espacios centralizados en los que las personas sólo pueden mostrar su adhesión a una figura, causa o convocatoria.

Em outro lugar, o mesmo Ugarte observou, a propósito do processo de recrutamento para seu próprio grupo:

La cultura de la adhesión, en las antípodas de nuestra mirada del mundo, se nos intentaba por la puerta principal porque gracias a los facebooks del mundo, simpatizar con algo se convierte cada vez más en un gesto banal, un acto estético superficial, que ni siquiera exige conocer o dotar de contexto a aquello con lo que se simpatiza o a lo que uno pretende unirse.

É claro que ele tem razão no que diz, ainda que - a meu ver - pelos maus motivos: na verdade, ele está reduzindo uma rede a uma comunidade de destino, no caso, uma seita, com características maçônicas, como é fácil comprovar lendo a doutrina que está construindo.

Mas, repito, ele não deixa de ter razão quando critica a banalização que os sites de relacionamento introduziram no ato de alguém se conectar a uma rede ou a uma chamada comunidade na internet.

O problema é que se reduzirmos as comunidades à comunidades de destino, acabamos mesmo fazendo uma seita ou fundando algum tipo de religião (ainda que laica). E aí começamos a encarar a liberdade apenas negativamente - como liberdade de segregação ou de desconexão de um grupo - e não positivamente, como liberdade de pertencer a vários grupos simultaneamente. Acabamos, assim, exigindo dos outros lealdade exclusiva ou fidelidade. E aí vem junto todo um pacote: começamos a exigir que os outros passem por processos de iniciação para se juntar a nós, fechamos nossos sites, estabelecemos mediação de comentários em nossos blogs e não aceitamos conviver com o outro, com o diferente, com o que não reza pela nossa cartilha, em plataformas interativas de netweaving (como o Ning, o Elgg, o Noosfero, por exemplo).

Pois bem. Entre os dois riscos: a) fundar uma "maçonaria" e b) manter uma rede aberta onde se propaga a tal "cultura de la adhesión", acho que o primeiro é mais nocivo para as redes sociais distribuídas.

Aquele achado de Frank Herbert, em "O Messias de Duna", com o qual intitulei minha primeira contribuição à constituição desta Escola-de-Redes, continua sendo fundamental: "Não reunir é a derradeira ordenação". A tentação de reunir continua sendo, a meu ver, o maior risco para quem quer experimentar as redes sociais como um processo de desconstituição de hierarquia.

[Interpolado em 02/07/09] A frase de Herbert é enigmática. É como um daqueles epigramas Zen, uma sentença heraclítica, um aforismo cínico, um juízo sintético que não se deixa desvendar pela análise, mas somente pela apreensão do seu conteúdo como um todo. Se você tem necessidade de re-unir é porque não estava conectado... [ ]

Manter uma rede aberta, sem mediação e sem mecanismos de aceitação de registros, ainda que com propósitos explícitos, acordos de convivência e regras de funcionamento, mas sem a exigência de profissão de fé em torno de um mesmo ideário, de uma mitologia urdida ou de uma ideologia inventada para dar sentido e identidade a um grupo, vale a pena. Sim, vale a pena, com todos os problemas que isso pode acarretar.

Por que? Porque a seleção ex ante acaba, mais cedo ou mais tarde, criando novas exigências iniciatórias para acolher o outro no nosso próprio espaço de convivência. Ela não valida o outro pelo que é e sim apenas pelo que ele será quando se tornar "um dos nossos", quer dizer, quando for ordenado (i. e., quando avaliarmos que ele está habilitado para reproduzir a ordem particular que criamos).

Durante o simpósio da Escola-de-Redes que terminou ontem, tive oportunidade de refletir um pouco sobre isso com o Luiz Algarra. Em uma dinâmica conversacional que foi utilizada para cada um tentar explicitar os seus valores e convicções sobre redes, quando ele me perguntou quais eram as minhas observações a respeito, declarei que poderia resumir meu aprendizado sobre o tema em uma frase: fazer redes é, de certo modo, abrir mão de ter sua própria turma, sua patota, sua igrejinha. Ou seja, novamente, a frase de Frank Herbert: nas redes distribuidas, "não reunir é a derradeira ordenação".

Comentamos então sobre como isso é difícil. Todos querem ter o seu próprio grupo, a sua própria organização, o seu próprio quadrado. De certo modo todas as organizações hierárquicas - desde uma seita até uma empresa - estão fundeadas sobre a idéia de separar umas pessoas das outras por critérios que pressupõem a sua não-aceitação como simplesmente-outros. Todos os mecanismos de recrutamento são baseados em pós-aceitações, quer dizer, são processos nos quais a validação do outro como um de nós só se dará quando o outro virar algo que, a nós, interessa. Há um contrato - explícito ou tácito - aqui. E ele é perverso.

Mas como gerar identidade se não for assim? Ou melhor, como se pode gerar realmente uma nova identidade em rede (de modo distribuído)?

Tenho encarado a experiência de construção desta Escola-de-Redes como uma oportunidade para descobrir uma resposta coerente para essa questão.

Se você participou do Simpósio da Escola-de-Redes (Campos do Jordão, 26-28 de junho de 2009) pode deixar aqui suas visões, impressões, anotações. Veja também as primeira fotos do simpósio postadas pelo Luiz Algarra.

Exibições: 124

Comentar

Você precisa ser um membro de Escola de Redes para adicionar comentários!

Entrar em Escola de Redes

Comentário de Cynthia Fior em 2 julho 2009 às 11:16
Augusto, quando você diz: "O problema é saber quando - mesmo não re-unidos - estamos realmente conectados", não seria "quando realmente nos sentimos conectados"? Sei que isso pode não parecer científico, mas tem a ver com o "outro mundo" que você fala e talvez um pouco com o que trata a física quântica. Com quem eu realmente me sinto conectada? Vários escrevem suas opiniões na nossa Rede, mas porque alguns me tocam e eu reflito e até respondo e outros não me dizem nada? Qual a energia que faz com que eu me sinta conectada com algumas pessoas, mesmo quando não tenho nem essa forma de comunicação em Rede? Eu realmente me sinto conectada com alguns temas e com algumas pessoas. A Rede me permite expressar e tomar conhecimento, mas a conexão nao vem dela.
Comunicação, aliás, é outro tema que temos que aprofundar melhor na nossa Escola. Recebi um texto hoje da “Nádia Rebouças", que trata o tema dessa forma: "emissor - receptor não faz hoje qualquer sentido (em comunicação). A comunicação circula, conversa, troca. A conversa gira em círculos, não mata, não aliena”. Me fez refletir que em termos de Rede: Será que podemos identificar quem é o emissor e o receptor do que circula na rede? de acordo com essa forma clássica de pensar Comunicação?



abs,
Comentário de Augusto de Franco em 2 julho 2009 às 6:30
Bom depoimento, Cynthia. O problema é saber quando - mesmo não re-unidos - estamos realmente conectados. Não basta estar registrado num site de relacionamento ou numa plataforma interativa como o Ning (e foi sobre isso a minha carta e o meu post acima). Mas o que é isso que chamamos de conexão? Não é aquela aresta (caminho) traçada num grafo, unindo dois pontos (nodos). Aquilo, já sabemos, é uma representação estática da rede. Aquele é o rastro de algo que passou por ali. Mas quando chegou já não existia mais... Será que a conexão é necessariamente transitiva (ou seja, só se realiza quando há volta)? E no mundo físico, o que será isso? Aglomeramentos e espalhamentos de bósons? Sim, porque nenhuma mensagem pode transitar sem uma alteração em um dos quatro campos de forças. Ou será que a rede se realiza em outro mundo, no que estamos chamando de espaço-tempo dos fluxos? Ela é uma representação? Mas uma representação de que fenômeno?

Bem, são questões para pensar. Quanto ao outro ponto do seu comentário, gostei também da exemplificação. Como articular e animar uma rede - cumprindo o papel de netweaver - sem controlar e comandar uma organização? Nesse plano creio que a rede só existe se houver agenda compartilhada. A rede (distribuída) - a partir de certo número de nodos - é uma rede de redes (comunidades) que se aglomeram a partir de agendas compartilhadas.
Comentário de Cynthia Fior em 1 julho 2009 às 21:51
Augusto, tem carta que chega na hora certa. Assim foi a sua hoje. Estava no meio de um embate em nossa rede do Pacto, justamente por ela ser centralizada em mim e desde que começamos a Escola de Rede isso tem me incomodado muito.
No Pacto nós não temos hierarquia (ou não devíamos ter), como Escola de Rede, mas sempre que alguém está coordenando, que também é um pouco do seu papel, essa coisas caem como uma espada em nossa cabeça: hierarquia, poder, autoridade....
Li seu texto com muita atenção e até angústia, esperando alguma resposta definitiva , que no fundo sabia que não seria dada. Mas, as novas dúvidas que você trouxe, pelo menos me fez sair das angústias antigas e a pensar em outras: "Se você tem necessidade de re-unir é porque não estava conectado..." Esse foi o ponto que mais me tocou e que me trouxe as perguntas mais importantes. Sou sempre cobrada no Pacto por não nos reunirmos; Querem sempre que eu convoque uma reunião, como se isso fosse dar cabo de todas as questões que rolam em nossa rede do Pacto. Se já não estamos conectados, para que reunir?
Eu quero conhecer as pessoas pessoalmente, o contato físico é muito bom, mas a conexão não depende do contato físico. Conexão também não é entrar na Rede apenas para constar. Pensando assim, achei que o encontro de Campos de Jordão deve ter sido bem melhor do que eu supunha, já que eu me imaginava conectada e não esperava resultados muito ambiciosos dele, além do que podemos obter na nossa Escola de Rede em termos de conhecimento teórico. Mas sem essa expectativa e pensando apenas na oportunidade de conhecer vários de vocês, me fez achar que esse encontro foi uma oportunidade bem mais interessante... abs a todos
Comentário de Daniel Amadei em 1 julho 2009 às 0:12
Caros, me perdõem se as minhas palavras parecerem simplistas de mais diante desse debate complexo. Acho que o grau de autonomia necessária para sacrificar (sacro-ofício) o tempo que dedicamos à patota ou igrejinhas (SIC) é proporcional à compreensão que cada um tem sobre o que aqui se chama de Escola de Redes. Por outro lado, me parece que nada pode acontecer por meio de qualquer forma (hierarquizada ou não) de controle, apropriação ou discriminação do tipo: esse fulano alimenta bastante "A Rede", logo aquele não serve.
Quando a água ferve, não são todas as moléculas que estão agitando com a mesma intensidade. Mas aquelas mais carregadas viram vapor quando batem em uma que estava mais "devagar", e que passa também a se comportar de outra maneira afetando todo o conjunto.
Enquanto as estrelinhas ficam no Orkut, e seus derivados, muita coisa pode acontecer entre nossos elétrons. Ou não... Bzzz...
Comentário de Sérgio Luis Langer em 30 junho 2009 às 13:56
As redes sociais, como a própria temática proposta (e abordada) permite determinar o seu dimensionamento, não fundamentam-se em mecanismos diferenciados de pessoalidade, que garantam a promoção de egocentrismos ou individualidades pertinentes. Muito pelo contrário. Ao debatermos ou depararmo-nos com realidades existenciais diferenciadas, segundo o comparilhamento íntegro e consciente em uma responsabilização direta pelos valores implicados à dignidade humana (como unidade vital associada ao comportamento coletivo do desenvolvimento), promovemos o aprimoramento complexo sobre compreensão, instrução e complementareidade das realidades nas quais estamos inseridos. Ainda assim, a realidade contextualizada mediante mecanismos dinâmicos de transformações sequenciais (sendo estes, passíveis de convergência ou divergência), contínuas e relacionadas às proposições de idéias, para que se possa confrontá-las com a forma de organização compatível aos anseios de sustentabilidade, deve ser priorizada na sua fundamentação como projeção analítica da sociedade, instituida mediante impactos (paralelos, diretos ou não) e rumos a serem determinados e estrategicamente amenizados.
Comentário de Carlos Afonso de Santis Teixeira em 30 junho 2009 às 13:46
Abrir mão de ter sua própria turma e ir na contra mão do sistema imposto a nós até mesmo pelas necessidades básicas de Maslow, onde em algum andar da sua piramide há a necessidade do ser humano de "fazer parte". Mas não seriam as redes, de alguma forma, uma maneira mais inteligente de "fazer parte", de se ter a própria turma? Como diz um comercial da TV Futura....O mundo é feito de perguntas...
Comentário de Marcelo Estraviz em 30 junho 2009 às 11:19
Eu queria aqui puxar um outro fio da discussão, a partir da frase do Augusto:

"...Mas como gerar identidade se não for assim? Ou melhor, como se pode gerar realmente uma nova identidade em rede (de modo distribuído)?..."

Cada vez mais venho me fascinando pela ética hacker... E se eu fosse ao simpósio (não pude ir e foi uma pena) eu iria falar sobre isso. Porque no fundo, parte da problematização de falar sobre constituição de redes distribuídas está na manutenção da rede, ou mesmo na criação desta. E um termo que amplia a visão de liderança ou poder é o que os hackers chamam de reputação. E ela se conquista pela sua insistente colaboração ao grupo. Aquilo que o Ugarte comentou uma vez, os mumis é o arquétipo do ser em rede. Doar, doar-se.

Sendo assim, acho que as redes (sejam elas reais, sejam virtuais, que como o augusto bem descreve, nem deveriam ter esse nome) se constituem e se mantem por um mote que as une. Esse mote gera encontro, gera liga (ia dizer linkania, mas é muito merchã, hehe) e com isso podemos participar de quantas redes quisermos, já que nosso envolvimento e doação é o que significará para e com a rede.

(ix... acho que confundi mais do que contribui... enfim, é começo de conversa, né?)

:)
Comentário de Augusto de Franco em 30 junho 2009 às 6:27
Ah! A frase genial de Herbert - "Não reunir é a derradeira ordenação" - é como um daqueles epigramas Zen, uma sentença heraclítica, um aforismo cínico, um juízo sintético que não se entende pela análise mas pela apreensão do seu conteúdo como um todo.

Se você tem necessidade de re-unir é porque não estava conectado...
Comentário de Augusto de Franco em 30 junho 2009 às 6:21
Sim, Boyle. Mas acho que o problema está na palavra Hierarquia (Hieros = sagrado + Arché = ordem). Essa hierarquia surgiu no mundo primitivo do simbionte (vamos dizer assim, hehe), em um processo de reconfiguração da rede-mãe que permitiu o surgimento do mundo do predador. Quando surge nas aldeias agrícolas neolíticas ela já é sacerdotal e militar. Sagrado queria dizer exatamente separado, ou seja, intermediado, filtrado, centralizado (daí o sacerdotal).

Nesse sentido estrito do termo não há hierarquia entre mãe e filho. Há ascendência, precedência, autoridade, mas não poder (naquele sentido também estrito que abordei no meu post O poder nas redes sociais).

De qualquer modo, esta discussão está rolando aqui e rolou no Simpósio. Há uma zona cinzenta em que liderança (autoridade) se confunde com poder (hierarquia). O papel da liderança é necessário. Mas nas redes a liderança é sempre multiliderança (na medida, é claro, dos graus de distribuição-conectividade da rede em questão). O problema não é a liderança e sim a monopolização da liderança.
Comentário de Carlos Boyle em 29 junho 2009 às 19:34
Augusto no llegué a entender la frase "não reunir é a derradeira ordenação".
Con respecto a mi entrada de arriba hoy postié en Artepolítica un análisis de las elecciones en Argentina que es pertinente. http://artepolitica.com/comunidad/la-insoportable-levedad-del-polti...

© 2019   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço