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Página de Geraldo Maia

A POESIA COMO ARMA FUNDAMENTAL NO COMBATE À VIOLÊNCIA

A POESIA COMO ARMA FUNDAMENTAL NO COMBATE À VIOLÊNCIA

Quando alguém escreve um poema, nesse momento está entrando em contato com o seu potencial afetivo e emocional, com as múltiplas possibilidades de sua sensibilidade, de seus sentidos, realizando um vigoroso exercício de toda a musculatura sensitiva. Ao mesmo tempo a pessoa é levada a refletir sobre o que está sentindo, a dor, a ira, a alegria, a indignação, a paz, a raiva, enfim, qualquer sentimento que esteja experimentando em sua relação consigo, com o outro e com o mundo.

Aí temos o exercício do potencial reflexivo, de análise, que questiona, que duvida, que pesquisa, que busca a consciência emocional plena do que está sendo experimentado. Ao criar o poema, colocá-lo no papel, dar-lhe forma e conteúdo, tem-se um contato imediato com a instância Divina de cada ser humano, o potencial “criador”, de dar vida a algo que não seja um mero produto de consumo, mas a sua própria descoberta, o próprio parto, a sua própria nudez, a própria criação de si mesmo autopoderoso. É tudo muito simples e divino, porque é poesia, mas tem passado despercebido pela maioria das pessoas, pelos próprios poetas, cientistas literários, leitores de poesia, educadores, mestres, doutores, etc.

A maioria das linguagens artísticas, inclusive a literatura, tem como resultado final do seu exercício, um produto para consumo. No teatro, temos montagem da peça, na dança, a montagem coreográfica, no cinema, o filme, na música, o disco, na literatura, o livro, mas na poesia o produto final é o próprio ser humano revelado no poema, desnudado no poema, objeto divinizado, matéria prima e artesão de sua própria mutação incessante.

Ao escrever um poema, a pessoa está se utilizando como combustível, e é ao mesmo tempo o produto final do processo criativo. Uma nova pessoa mais próxima de si, mais conectada consigo, e a partir daí com o próximo, com o universo. E esse conectar-se além de levar a pessoa a tomar conhecimento de si a leva a conectar-se com sua potência Divina, de filha, herdeira, de parte integrante e ao mesmo tempo a própria Divindade Criadora, e o campo de exercício desse potencial é a alma, o coração, a mente e o corpo da pessoa.

Agora vamos nos debruçar um pouco sobre as causas muitas da violência, e reparamos que a principal delas, o foco mesmo, é a carência, afetiva e material, provocada pelo desajuste sexual entre os casais e pelo consumismo excessivo de uma minoria gananciosa. A carência de afeto é instalada antes mesmo da fecundação, entre os pais, o que irá promover um ambiente embrionário de péssima qualidade, uma gestação traumática, onde a violência passa a alimentar a demanda de carinho por parte do novo ser que se está formando.

Então vem um parto cesário em sim só violento, invasivo, ou quando normal (natural?), muitas vezes realizado num ambiente inóspito, agressivo, desumano, como são os hospitais de um modo geral (exceção para as Casas de Parto inventadas pelo médico David Capistrano), e o recém-chegado vai para casa (na maioria, barraco) e passa a ser mal alimentado, maltratado, mal conseguindo sobreviver aos primeiros anos de agressões constantes, vindas principalmente dos próprios pais e parentes, que recebem e reproduzem esse mecanismo de repressão e aniquilamento da potência individual biopsicofisioespiritual.

Sem um referencial sadio de carinho e afeto, o pequeno ser vai responder aos estímulos da sociedade, ao longo do seu crescimento, com os instrumentos patológicos que lhe foram oferecidos: racismo, indiferença, abandono, ignorância, medo, crueldade, perversão, mentira, corrupção, desonestidade, prostituição, violência física, sexual e mental de toda ordem, tortura, castigos, pancadas, mutilação, assassinato frio e fútil.

Então, mais tarde, ao agredir algo ou alguém está apenas pondo em prática o que aprendeu na sua relação com a realidade. A violência é o único canal a que tem acesso para tentar se comunicar e angariar alguma simpatia, respeito, reconhecimento, estima, identidade, enfim, carinho, afeto, ternura, um tipo de alimento do qual sente uma enorme carência, mesmo ser nunca tê-lo experimentado mas que faz parte da necessidade básica de quem precisa sobreviver da melhor maneira. E o carinho é um requisito fundamental, ao longo de toda a existência, para o desenvolvimento adequado de uma vida humana.

Mas onde encontrar carinho? Em algum lugar aí fora? Então a pessoa vai à luta com as armas que possue, o arsenal de violência que vai se acumulando dentro de si no dia-a-dia, cujo único alvo, na realidade, é a própria pessoa, porque ao se agredir está apenas dando continuidade ao aprendizado de como se relacionar “carinhosamente” com o outro. Como não sabe se cuidar carinhosamente, se amar, se valorizar, porque nunca lhe ensinaram essas coisas, também não sabe como amar, como valorizar, como cuidar do que está diante de si lá no espelho, a outra pessoa, o mundo à sua frente, ela mesma. Portanto, agredir e destruir o outro, é apenas uma outra forma de suicídio, e se matar é reproduzir o mandato autodestrutivo que adquiriu desde antes de nascer.

Aí é que a poesia chega e toca pela primeira vez a pessoa naquele ponto da existência altamente doloroso, em “carne viva”, com as mãos da alma, do coração, do juízo, da imaginação, da memória, do sonho, da invenção, do encantamento, da magia e da realização (o poema) através de si, de suas próprias mãos pela primeira vez empoderadas. E de repente são as próprias mãos da pessoa que a tocam, mas parecem de outrem, ou são de outrem, de outra pessoa na mesma, agora se tocando, se acarinhando, se reconectando, se curando, se reevolucionando, se reconciliando com sua natureza humana, com seu potencial afetivo, com sua auto-estima, sua consciência, sua potência divina de SER humano, sua relação direta com NhanderúZambiDeusaDeus Natureza através da poesia.

Para combater a violência em todos os sentidos, interna e externamente, USE POESIA EM ALTAS DOSES. Você só tem a evoluir. Consuma poesia sem moderação, leia poesia, compre poesia e, principalmente, faça poesia, com você mesmo, em cada gesto, atitude, comportamento, dê o exemplo, contamine o outro com o vírus indestrutível da poesia, faça com que a poesia se alastre por dentro de si e de outros, de cada cidadão do planeta, faça com que o poder da poesia combata o egoísta, o ganancioso, o agressor, o odioso, o corrupto, o assassino, o fascista, o canalha, o prostituto, o tirano, o sectário, o idiota, o babaca, o rancoroso, o raivoso, o militarista, o diabólico, o indiferente, o racista, o mesquinho, o “capitão do mato”, o excludente, o rígido, o impotente, o covarde, o feitor, o otário, o pateta, o cadáver que existe em você e faça cada vez mais exercitar o solidário, o bondoso, o corajoso, o leal, o amoroso, o carinhoso, o consciente, o criterioso, o solidário, o flexível, o plural, o includente, o digno, o caráter, o indomável, o potente, o poeta vivo, a divindade que também existe em você e é você, você que está completamente desvalorizado por essa sociedade cruel e hipócrita serviçal do dinheiro que você ainda carrega com certo orgulho dentro de si (melhor se fosse com vergonha) como se fosse a única forma de se conduzir a existência.

Mas existem outras formas, e essa, a vigente, estabelecida como “normal”, “legal”, “oficial”, “direita”, tem dado provas constantes ao logo dos tempos que é a menos adequada ao SER humano. É só ver o estado calamitoso em que se encontra a vida humana e o planeta terra e que vai se agravando a cada segundo. Luís Inácio Lula da Silva tem razão quando diz que o maior desafio da humanidade é humanizar-se. Só não explicou direito como fazê-lo. Combater a fome é bacana, mas não basta. Muitos dos piores seres do planeta são não-famintos. Os famintos, muitas vezes, são bem melhores, mais revolucionários e solidários. Os não-famintos são, muitas vezes, mais reacionários e avarentos. É a tal história do “louro de olho azul”, o maior responsável (não o único) de verdade pelos mais sangrentos, bárbaros e inúteis massacres contra a vida humana e a vida como um todo no planeta

A poesia é uma possibilidade real de mudança evolutiva para famintos e não famintos, brancos e amarelos, negros e vermelhos e todas as possibilidades de colorido inventadas pela arte poética. Basta querer praticá-la aqui e agora ampliando cada vez mais a prática dessa campanha de utilização da poesia em altas doses para combater a violência em qualquer lugar da pessoa e do planeta. Nesse sentido vamos criar um Comitê Mundial das Nações Unidas no Combate à Violência Através do Uso da Poesia em Altas Doses (COVIL). Assim podemos todos evoluir de verdade. Em corpo, mente, coração e alma. UTILIZANDO TODOS OS DIAS A POESIA COMO ARMA FUNDAMENTAL NO COMBATE À VIOLÊNCIA E EVOLUÇÃO REVOLUCIONÁRIA DO SER HUMANO..

Como? Lendo poemas, escrevendo poemas, reescrevendo, relendo, organizando recitais, saraus, rodas de leitura, festivais de poesia, encontro de poetas, concursos de poesia, mostras de videopoemas, recitais em praças, bares, escolas, universidades, fábricas, lojas, repartições públicas, igrejas, praias, dentro de ônibus, dentro de metrôs, aviões, navios, barcas, hospitais, prisões, hospícios, delegacias, quartéis, câmaras de vereadores, assembléias legislativas, câmara de deputados, senado, ministérios, na ONU, na UNESCO, todo dia realizar a prática da poesia, praticar a poesia no gesto, na atitude, no comportamento, no procedimento para construir aqui agora a civilização divinamente humana que o poeta maior em cada um de nós sabe que é possível e que só nos cabe como poetas transformar em poesia viva.

Geraldo Maia
Poeta, viciado em poesia e traficante de liberdade.
71 8219-5934




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Às 19:14 em 28 abril 2010, Sílvia Araújo Motta disse...
Poeta Geraldo Maia,
Agradeço-lhe pela oportuna mensagem . Tenho a certeza de que a POESIA VIVA CABE EM TODO ESPAÇO e é através dela que procuro levar exemplos positivos de vivência. Já escrevi mais de cinco mil poemas sobre os diversos temas didáticos, históricos, sociológicos, filosóficos, geográficos, científicos, e outros...
Aplico o HUMANISMO em todas as oportunidades.
SAUDAÇÕES POÉTICAS IMORTAIS,
SÍLVIA ARAÚJO MOTTA/BH/MG/BRASIL.
 
 
 

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