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Comentário de Augusto de Franco em 29 agosto 2012 às 6:29

Se você acha isso, Janos, você não deve mesmo se interessar pela nova ciência das redes. Eu não acho o que você acha. Por isso me interesso. 

Comentário de Aureo Magno Gaspar Pinto em 5 agosto 2012 às 21:56

Olá! De volta após bons dias de viagem, sem Internet. Augusto, tenho a mesma percepção que descreveu  sobre os 'cupins', no sentido de olhar as dinâmicas e relações do todo, e não indivíduos. Uso há alguns anos diversas metodologias de análise de redes. Sabemos todos que as ferramentas no geral são limitadas (fotos esparsas daquilo que é um filme multidimensional), mas úteis. Da mesma forma, as principais métricas têm embasamento e advém do método científico, e a cada dia melhoramos nossa capacidade de explicação dos fenômenos, ao pesquisar. O que espero é podermos refinar as análises, à medida não só que consigamos captar a dinâmica de forma mais próxima, mas também identificando novos atributos aos agentes, que ajudem a explicar a dita dinâmica relacional. Hipóteses geradoras a partir da imersão social, capital social ou padronização estrutural da vida social continuam úteis, e Janos pode encontrar aqui mesmo na E=R farto material (em que pese a 'atitude amistosa' do 4Shared).

Comentário de Gabriel Barbosa Lima em 30 julho 2012 às 21:41

Incrível diálogo! Como é bom aprender conversando... Pensar que ao escolher interagir aqui me aproximo de um mergulho abismal no fluxo desse rio, liberdade que da frio na barriga e pode mudar para sempre o padrão dos redemoinhos que se seguirão. Interação que pode criar novos átomos, que podem criar novos padrões de interação...  

Comentário de Augusto de Franco em 30 julho 2012 às 19:07

Morte da abstração chamada individuo e afirmação da pessoa. Não acho que as redes são um fenômeno típico da sociedade moderna. Típico dos últimos 15 ou 20 anos foi o surgimento de uma ciência das redes. Não é bem uma teoria: são várias, conexas. De fato é uma nova ciência. Podemos conversar, sim, sobre o processo de desenvolvimento das ideias que levou a essas teorias.

Comentário de Maria Thereza do Amaral em 30 julho 2012 às 15:44

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"Para deixar bem clara minha posição, me considero como um crítico das abordagens que tem a pretensão de serem "científicas" mas não expõem claramente seus fundamentos."

 

Janos, então você critica a todas, já que quem faz isso são os historiadores da ciência, os filósofos da ciência e os sociólogos da ciência, todos campos que tratam de meta análises, a posteriori.

Cientistas não fazem estudos retrospectivos de/sobre ciência, eles a produzem.

Estudos epistemológicos sobre teorias, modelos e cia são da competência de historiadores da ciência, filósofos da ciência e sociólogos da ciência pelo mesmo motivo.

Então aqui há um problema lógico: você está falando da ciência das redes já produzida (passado) ou da que está sendo produzida (presente) ?

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Comentário de Augusto de Franco em 30 julho 2012 às 6:08

Mas o que são "propriedades das partes"? Depende de onde se situa o observador. Assim como dizemos que os átomos de carbono são iguais (e a metáfora só funciona porque eles são iguais e, mesmo assim, geram "entes" diferentes, com propriedades diferentes, a depender de como se conectam), também podemos dizer que os cupins são iguais. Para outro observador, entretanto, situado lá no mundo dos cupins, todos os cupins são diferentes. E um japonês não acha (como em geral se diz na brincadeira) que todos os japoneses são iguais.

Isto é para dizer que, a rigor - como tudo depende da posição do observador - é mais razoável achar que todas as coisas são diferentes do que achar que todas são iguais. Isso significa que os átomos de carbono também são diferentes uns dos outros. Só mantêm as mesmas propriedades em certos mundos cognitivos ou escalas de observação. Assim como os cupins. Assim como os japoneses, quer dizer, como os humanos.

Para o universo descritivo que adotamos ao formular hipóteses da nova ciência das redes, as redes sociais são pessoas que se comportam segundo certos padrões quando interagem. Mesmo que as pessoas sejam todas diferentes umas das outras (na verdade, cada uma é unique), mesmo assim, suas propriedades de parte são as mesmas no que tange às suas interações. Possivelmente não seria a mesma coisa se quiséssemos observar as interações entre um indivíduo biológico da espécie homo e os trilhões de bactérias que estão compondo a maior parte sólida do seu corpo físico.

Mas não é porque os seres humanos são diferentes entre si (do ponto de vista de um observador humano) que a fenomenologia da interação entre pessoas não possa ser estudada pela ciência das redes (que toma as pessoas como nodos iguais e não diferentes para explicar o que ocorre com o conjunto quando esses nodos interagem de uma maneira determinada). Como se tal descrição ficasse incompleta porque os humanos são diferentes. É claro que toda descrição científica é incompleta. Mas não é particularmente incompleta a descrição do comportamento coletivo humano porque os seres humanos são diferentes (não apenas entre si, mas diferentes dos outros seres não-humanos). Como se o que valesse para explicar as interações entre átomos ou entre cupins não valesse para explicar as interações entre japoneses (humanos) porque estes últimos são especialmente diferentes entre si. Posto que, a rigor, dependendo de onde se situa o observador, os átomos de um mesmo elemento químico e os cupins também são diferentes entre si.

O mais interessante é que a mesma fenomenologia da interação pode ser observada em entes que interagem (e, especialmente, em entidades self-propelled que interagem). Por exemplo, tudo que interage, clusteriza (clustering); tudo que interage pode enxamear (swarming); tudo que interage se aproxima (crunching). Isso pode ser observado em mega-clusters galáticos, nos filamentos que formam uma rede cósmica e nos vendedores de seda de Florença.

Claro que podemos tentar explicar o comportamento coletivo humano sem lançar mão das hipóteses da nova ciência das redes, a partir dos atributos dos agentes, das suas escolhas individuais (como faz, por exemplo, aquela ideologia verossimilhante em termos científicos que se convencionou chamar de Economics). Mas não para esclarecer o entendimento da relação em rede.

Comentário de Aureo Magno Gaspar Pinto em 28 julho 2012 às 21:50

Eu sei que isto (atributos dos nós x fluxo) remete um pouco também ao questionamento do Marcelo Maceo em um post de alguns dias atrás. Vocês conhecem alguma pesquisa científica recente que aborde ambos os lados (tipologias humanas e estruturalismo, ou fluxo em rede)?

Comentário de Aureo Magno Gaspar Pinto em 28 julho 2012 às 21:44

Olá. Fico a pensar sobre o que acontece quando as propriedades das partes são diferentes. A questão que ainda me vem à mente, e que visualizo, até certo ponto, na argumentação do Janos, é a idiossincrasia na rede. Na metáfora, o diamante é diamante porque os átomos de carbono se organizam em um arranjo tridimensional tetraédrico. São diamantes porque em geral se organizam em cristais, mas também porque são átomos de carbono. Se, na estrutura, houvessem átomos de outros elementos, o resultado seria outro, pois suas capacidades de ligação iriam divergir. Em outras palavras: qual seria o papel da filogenia e da ontogenia na rede? Na metáfora, mesmo estando estruturalmente condicionados, será que os relacionamentos em rede também poderiam ser estudados, ao mesmo tempo, pelo ponto de vista dos atributos dos agentes, agregando MTBI, Human Dynamics, Eneagrama ou outras tipologias humanas ao entendimento da relação em rede?

Comentário de Augusto de Franco em 26 julho 2012 às 17:51

As redes (sociais) acontecem quando pessoas interagem. Existem, portanto, desde que existe pessoa. Quem provoca o agrupamento em um determinado padrão (no caso dos átomos da metáfora do diamante) é um campo (de interação), não os atributos de cada átomo de C. Eles podem se agrupar, no caso do Carbono, em vários padrões diferentes. Quando se agrupam de determinada modo, eis que surge o diamante. De outro modo, surgiria o grafite (que não brilha, ainda que se fizermos uma pressão muito grande sobre o grafite, surgirá o diamante). Se só se agrupasse como grafite e diamante não estaríamos aqui conversando (nós, cuja biologia é baseada no Carbono). A metáfora tem seus limites e não podemos fazer um ab uso dela. A meu ver foi empregada apenas para evidenciar que as propriedades do conjunto não são a soma das propriedades das partes.

Comentário de Maria Thereza do Amaral em 26 julho 2012 às 13:52

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Só vou comentar algo que não necessariamente será para você, Janus. Quando eu falo trans, é trans mesmo. Entram aí visões biológicas, históricas, sociais e culturais. E várias teorias de física e muitos aspectos de semiótica. E ciência da informação. E etc,etc e etc.

Quem mais alavanca atualmente esta "visão de mundo que coloca o foco nas redes" é a biologia, por que a fisiologia, por exemplo, funciona em rede. Ou melhor colocando, atualmente é o modelo que melhor a explica.

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