Escola de Redes

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Comentário de Aureo Magno Gaspar Pinto em 26 julho 2012 às 5:21

Augusto, se entendi, o reconhecer-se enquanto humano é fruto da relação entre humanos. Mas o que eu quis dizer é que, neste exato momento, estou interagindo com o computador, na expectativa de interagir de forma assíncrona contigo e outros humanos da Escola. Muito do nosso tempo se passa sem um contato humano caloroso e direto - ou porque estamos dormindo, ou porque somos mediados no contato. Na mesma linha, alguns têm uma infância com intensas relações humanas e depois reduzem drasticamente este contato, por exemplo, vivendo como eremita ou interagindo principalmente com não-humanos (outros animais etc.). Mesmo que sejam casos à margem e exceções, não vejo como negar sua condição humana, como "nós temporários no fluxo".

Comentário de Augusto de Franco em 26 julho 2012 às 4:38

'O próprio ser'... o que seria isto, Aureo? "O próprio ser quando não está na relação com outros humanos" não é um ser humano. Ser humano é estar em relação. Como dizia Norbert Wiener (1950), "Não passamos de remoinhos num rio de água sempre a correr".

 

Comentário de Aureo Magno Gaspar Pinto em 25 julho 2012 às 19:18

Augusto, gostaria de entender melhor. Neste contexto, como se enquadrariam os momento de solidão ou não-relação, e a influência das idiossincrasias no campo social? Ou seja, há um fluir relacional, mas também um devir do próprio ser quando não está na relação com outros humanos?

Comentário de Augusto de Franco em 25 julho 2012 às 17:53

Espiar de fora para dentro do abismo nada-revela (e esse, por incrível que não-pareça, é um dos sentidos daquele nada primordial: porque no princípio era a rede). Nada se pode ver a não ser que se mergulhe na fluição, como fez o sufi Mojud, “O homem cuja história era inexplicável”; quando perguntado de que maneira havia alcançado tanta sabedoria, ele não-explicou dizendo assim: “Eu me atirei num rio... [e] simplesmente deixei”.

Goethe (1821) terminou com o seguinte verso o poema Eins und Alles, “tudo deve cair no nada, se quiser persistir em ser”. Tem que pular dentro – se abismar – para ver.

Comentário de Marcelo Maceo em 25 julho 2012 às 17:04

Caraca Augusto, vou lhe mandar a conta do meu psicanalista, hauhauah.

Primeiro, já me contorci pra buscar entender um mundo que não funciona na base de hierarquia ou centralização. Depois, que não existe um super-homem-divino-mega-consciente que de alguma forma rege o caminhar da evolução através de alguma regra pré-determinada ou que exista um modelo de funcionamento da existência ou da vida a ser alcançado. Depois, não existe o indivíduo, todos somos redes, e só somos "pessoas através das outras pessoas". 

E agora, existem coisas que simplesmente ocorrem? Sem ter necessidade para nada? Sem ter uma razão ou origem para ter ocorrido? Sem ter algo ou alguma coisa que motive o surgimento disso?

Sigo pensando e sentindo pra entender esta visão...

Comentário de Augusto de Franco em 25 julho 2012 às 16:28

Acho que você está pensando que primeiro existem os nodos para depois, quando eles se conectam, formar a rede, certo? Mas penso que não é assim que acontece. O nodo é uma singularidade do campo social (que interpretamos estar estruturado como rede). O que existe é um fluxo interativo, que, quando se instala, as redes acontecem. O que chamamos de topologia da rede é uma interpretação desse fluir.

No entanto, acho que é uma questão para reflexão porque evoca a inevitável (e até certo ponto óbvia) pergunta: mas se é assim, como aparece a centralização? Como a rede social foi (é) verticalizada? Ou ainda: como surgiu (surge) a hierarquia?

Pode-se especular aqui à vontade: das racionalizações dos economistas (a hierarquia que emerge "naturalmente" da competição motivada pela escassez de recursos sobrevivenciais) até a hipótese de que "eram os deuses astronautas" (a hierarquia que sobrevém, chega pronta de algum outro lugar). Prefiro pensar que nos deparamos com uma bifurcação em algum momento (provavelmente entre o sexto e o quinto milênio): alguma configuração particularíssima se constelou e coalesceu, se congelou e passou a se replicar, uma vez formada, em outras regiões do espaço (se disseminou por contágio, como acontece quando se tem um Estado na presença de não-Estados: acaba tudo virando Estado) e em outras regiões do tempo (e isso é, precisamente, o que chamamos de tradição). Mas não era necessária para nada. Simplesmente ocorreu.

Ainda que o tema possa ser estimulante para entendermos como surgiram sistemas de dominação na sociedade humana, esta pergunta - ao contrário do que se imagina - não é necessária para entendermos o que é a hierarquia (ou a centralização). 

Outra maneira de abordar a questão é entendendo que o que chamamos de cultura é um programa que roda na rede...

Comentário de Marcelo Maceo em 25 julho 2012 às 14:41

Augusto, agradeço sua paciência comigo, rs.

Tenho a dúvida então em como se originam estas diferentes topologias, uma vez que não é o nodo que influencia sua formação. É através da nuvem social? Ou seja, não é um nodo que determina uma topologia, mas um resultado "médio" (péssima palavra, não achei outra melhor) da nuvem social que formaria a topologia (ainda que ela seja dinâmica) de seu comportamento?

Comentário de Augusto de Franco em 25 julho 2012 às 14:14

Um nodo em si não faz nada independentemente de suas conexões. Selecionar fluxos é eliminar caminhos. Portanto, depende das conexões. No diagrama B de Paul Baran (abaixo), cada centro (da topologia descentralizada, quer dizer, multicentralizada) atua como um filtro, selecionando fluxos, justamente porque centraliza a rede, impedindo que cada nodo (que está no seu cluster) estabeleça uma conexão direta com outro nodo (de outro cluster). Mas não é ele que "faz" isso e sim a topologia da rede que "colocou-o" naquela posição.

Comentário de Maria Claudia Mibielli Kohler em 25 julho 2012 às 11:49

Muito boa essa analogia! Usarei! Parabéns, Abraço!   

Comentário de Marcelo Maceo em 25 julho 2012 às 10:56

Será que a gente consegue visualizar um exemplo prático de como a topologia da rede poderia impedir um nodo de selecionar fluxos?

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