Escola de Redes

SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA ESCOLA-DE-REDES



Eis um consolidado dos 4 textos fundamentais da fundação da Escola-de-Redes:


Este foi o documento fundante, quer dizer, o texto que deu origem à iniciativa.

Evidentemente os textos coligidos abaixo são uma espécie de histórico em construção e suas disposições foram sendo modificadas ao longo do tempo, desde a sua fundação em 20 de junho de 2008 e do lançamento de presente plataforma em 11 de outubro de 2008. Em 7 de novembro de 2011, surgiu Uma nova proposta para a Escola de-Redes

Escola-de-Redes é uma rede de pessoas dedicadas à investigação teórica e à disseminação de conhecimentos sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving.

A Escola-de-Redes é um misto de escola (ambiente favorável à realização de processos educativos, mas uma escola-não-escola, quer dizer, um ambiente de aprendizagem e não de ensinagem: este parêntese foi acrescentado em maio de 2010) e think tank, ambos organizados em rede. Ela é uma coligação de pessoas e grupos que integram comunidades de projeto e de prática, de aprendizagem e de pesquisa.

Em um sentido amplo, trata-se de uma não-escola. Como mostra a logo escolhida para a escola: E = R, quer dizer: a escola é a rede. Em palavras: se a escola já é a rede, para que escola? Se a própria rede é uma escola…

A Escola-de-Redes não é uma organização hierárquica nem uma articulação centralizada ou descentralizada de instituições ou organizações formais. Em última instância, são “apenas” pessoas, conectadas em rede, que cooperam entre si para desenvolver os temas acima, compartilham voluntariamente seus conhecimentos, divulgam e aplicam os produtos que desenvolveram.

Constituição

A escola de redes se estrutura como uma rede distribuída de pessoas, que se conectam diretamente à escola ou a nodos locais constituídos igualmente como redes distribuídas.

Pessoas | Pessoas são todos os conectados à escola, seja participando de algum nodo, seja individualmente.

Nodos | Os nodos da Escola-de-Redes são os grupos locais (territoriais, setoriais ou temáticos) de pessoas conectadas que constituem a escola. A escola é cada nodo e todos os nodos. [Nota de 31/01/2016: Ao longo do tempo, essa caracterização de nodos foi sendo abandonada: nodos são pessoas e só pessoas constituem a E=R]

Cada grupo de pessoas que, em uma determinada localidade ou em torno de um determinado tema ou atividade, resolver constituir um nodo da Escola-de-Redes, terá total autonomia para estabelecer sua própria agenda de atividades, sua estrutura e seu regime de funcionamento, desde que assuma os objetivos acima, não se organize segundo padrões hierárquicos e conte com a concordância dos que já estão conectados à Escola.

[A frase riscada acima foi abolida pela prática da E=R logo nos seus primeiros dias de funcionamento (ainda em 2008): não é necessário para nada a concordância dos que já estão conectados. Foi a primeira coisa que aprendemos quando a Escola-de-Redes começou a funcionar].

Atividades

A Escola-de-Redes promove estudos e pesquisas, cursos, encontros, conferências e publicações. Organiza bibliotecas físicas e virtuais e espaços de leitura individual (lectoria), de reflexão coletiva e de trabalho conjunto.

Histórico

No dia 20 de junho de 2008, após o encerramento formal do GFAL (Global Fórum América Latina), na Pós-Conferência Aberta Redes Sociais e Sustentabilidade, com a presença de Augusto de Franco, David de Ugarte e Rodrigo Loures, foi lançado, em Curitiba, o primeiro nodo no Brasil da Escola-de-Redes. Em 26 de setembro de 2008 foi constituído o Nodo-São-Paulo. Em 27 de outubro de 2008, foi a vez do Nodo-Porto-Alegre. No dia 5 de dezembro de 2008 foi lançado o Nodo-Brasília. No dia 17 de janeiro de 2009, o Nodo-Pará. Depois surgiram vários outros nodos setoriais ou temáticos. [Nota de 31/01/2016: Estes nodos não existem mais como partes da estrutura, na medida em que a E=R se constituiu como uma rede apenas de pessoas]

Publicações

Os nodos da Escola-de-Redes poderão editar publicações abordando diferentes aspectos das teorias das redes: análise de redes sociais, redes como sistemas dinâmicos e redes como estruturas que se desenvolvem. E também aplicando os conhecimentos e as técnicas de netweaving à gestão de redes de stakeholders de uma empresa, de pessoas dedicadas ao desenvolvimento comunitário, de atores sociais e de agentes políticos.

Publicações do Nodo-de-Curitiba

O nodo de Curitiba da Escola-de-Redes lançou, no final de setembro de 2008, dois livros (clique nos títulos para fazer o donwload em PDF):

Escola de Redes: novas visões sobre a sociedade, o desenvolvimento, a Internet, a política e o mundo glocalizado.

Uma nova escola (mesmo uma não-escola) – em sentido amplo ou estrito – só se justifica se apresentar novas visões e ensejar a sua discussão. Não por acaso, Novas Visões é o primeiro livro publicado pela Escola-de-Redes.

Escola de Redes: tudo que é sustentável tem o padrão de rede. Sustentabilidade empresarial e responsabilidade corporativa no século 21.

Este segundo volume da série Escola de Redes procura mostrar quais são os principais desafios colocados para as empresas que querem se manter na busca da sustentabilidade neste início do século 21. Para tanto, fundamenta-se em uma única constatação básica: tudo que é sustentável tem o padrão de rede.

Embora inaugurais, estes livros são textos autorais e não podem expressar as opiniões de outras pessoas conectadas à Escola-de-Redes.

DUAS VISÕES INAUGURAIS SOBRE A ESCOLA-DE-REDES

“Não reunir é a derradeira ordenação”

Augusto de Franco (17-20/06/08)

Não estou participando da fundação, para usar a feliz expressão de David de Ugarte, de uma “nova burocracia associacionista” (como a das ONGs). A Escola-de-Redes não é mais uma ONG e nem uma frente ou coligação de organizações hierárquicas da sociedade civil.

Ainda bem. Sim, pois boa parte dessas organizações que se dizem defensoras de uma democracia supostamente mais substantiva, mais social ou mais participativa, raramente pode praticar o que prega no seu interior. Por que? Ora, porque são, via de regra, organizações piramidais, quase sem rotatividade em suas direções: pequenos castelos, igrejinhas, feudos de algum cacique (muitas vezes de famílias), quando não ligadas ao sistema clientelista de governos populistas.

A Escola-de-Redes, no que depender de mim e dos meus parceiros iniciais, não terá financiamentos governamentais. Poderá, sim, sempre por meio de seus membros conectados, prestar serviços a governos, empresas e organizações da sociedade civil. Ainda por meio de seus membros conectados, poderá fazer trabalhos voluntários e trabalhos remunerados. Mas não viverá de verbas públicas conseguidas a partir do apadrinhamento político, do lobby, daquela intermediação profissional de recursos na qual se especializaram os agentes dessas verdadeiras “empresas de coligações” em que se transformaram vários partidos do nosso velho sistema representativo.

Desnecessário dizer que não poderá ser usada para fins partidários ou corporativos, nem mesmo poderá ser, de qualquer forma ou por qualquer meio, direto ou indireto, associada a esses fins.

Não imagino, igualmente, que devamos organizar qualquer novo tipo de “religião laica”, de instituição filosófica baseada em princípios ou valores, como parece estar em voga nos dias que correm. Nada de princípios e valores definidos top down, nem mesmo os chamados princípios de sustentabilidade (tão em moda na atualidade). Nada de divulgar princípios e valores para fazer a cabeça dos outros, para educar os semelhantes ou guiá-los por alguma senda. Nada de possuir a “proposta correta” ou a “ideologia verdadeira” para alcançar qualquer tipo de utopia, seja ela o império milenar dos seres superiores ou escolhidos, o reino da liberdade e da abundância para todos, para redimir a humanidade ou parte dela ou para salvar de algum modo a espécie humana ou o planeta. Quem quer afirmar princípios e valores deve vivê-los na prática da sua experiência social. Já foi o tempo dos proselitismos de qualquer natureza.

Se nos dedicamos à pesquisa e à experiência com redes sociais, temos que tentar nos organizar e trabalhar em rede. Para mim, isso basta.

Não é trivial assumir as conseqüências dessa opção pessoal. Significa banir da “wikipedia memética” aquele conjunto de programas verticalizadores (que fica lá arquivado no subsolo da nossa consciência gerando pulsões de morte: de obstruir, separar, excluir) que infundem virtudes autocráticas, ainda muito valorizadas em alguns meios, como ordem, hierarquia, disciplina, obediência, controle, vigilância (ou patrulha) e punição e fidelidade impostas de cima para baixo. Por incrível que pareça, algumas empresas inovadoras — que não têm vergonha de assumir que o lucro é uma obrigação (não um objetivo) — estão conseguindo se desvencilhar dessa herança cultural autoritária com mais facilidade do que as organizações sem fins lucrativos (ditas progressistas e democráticas) da sociedade civil.

Bom, é isso aí. Para participar da Escola-de-Redes ninguém é obrigado a concordar com meus pontos de vista. Mas cumpro aqui a obrigação de declará-los.

A Escola-de-Redes, no que depender de mim, nunca será um grupo com um propósito que não possa ser público e compartilhado por todos os que dela participam. Já faz muito tempo que não organizo nem me agrego a grupos, patotas, igrejinhas, conventículos que adotam dois programas — um para dentro e outro para fora — e, assim, pensam sua atuação no mundo de forma tática, procurando cativar pessoas ou captar sua confiança, “fazer amigos”, usar a diplomacia para atingir seus objetivos. Depois de muitos anos de batalhas infrutíferas e de algum sofrimento, cheguei à conclusão de que esse tipo de atuação não é, vamos dizer assim (e não apenas porque sustentabilidade seja o tema da hora), eticamente sustentável, pois que leva necessariamente à utilização das pessoas como instrumentos, manipulando-as em prol de desideratos que elas não tiveram a chance de compartilhar.

Não temos nem que ganhar as pessoas para a nossa causa, nem de usá-las como escadas para a realização de nossos objetivos. Para quê? Isso é uma ilusão egóica: não vamos mesmo a lugar nenhum sem os outros. Por isso, imagino que devamos sempre estimular a diversidade de opiniões, de visões, de pontos de vista. O objetivo coletivo deve ser a polinização mútua de idéias e comportamentos. Somente assim será possível permanecermos abertos à mudança das nossas próprias opiniões, visões e pontos de vista e atitudes.

Não-alinhar. Não-reunir (como dizia Frank Herbert, numa passagem do “Messias de Duna” que não me canso de citar: “Não reunir é a derradeira ordenação”). Não criar espaços internos mais-estratégicos do que os externos (ou seja, não-separar).

Não traçar caminhos para os outros. Não criar sulcos para fazer escorrer por eles as coisas que ainda virão. Não tentar administrar o futuro. O desafio do novo nomadismo que está emergindo – não o nomadismo de grupos, de pessoas reunidas, e sim o nomadismo de pessoas conectadas em rede – é saber aceitar ou suportar a incerteza e a imprevisibilidade.

Toda rede é um conjunto de caminhos. Todo caminho é uma caminhada para o futuro. E cada caminho é uma possibilidade diferente de futuro. Se alguém está conectado a duas pessoas, tem dois caminhos, duas possibilidades diferentes de futuro. Se estiver conectado a dez pessoas, são dez possibilidades de inovação, são dez oportunidades, são dez portas diferentes para o futuro. São dez pílulas de cores diversas que — para lembrar a excelente metáfora do filme The Matrix — Neo pode tomar.

Ainda que a Escola-de-Redes possa ter nodos formados por grupos locais de pessoas, penso que a conexão mais importante — o principal constituinte da escola — é aquela feita por pessoas dispersas que querem cooperar.

Cinco claves para trabajar en red fructíferamente

David de Ugarte (22/06/08)

Mi aporte a la inauguración del primer nodo de la Escuela de Redes, ayer en Curitiba:

1 - No hay que construir organización, no es necesario — ni positivo — fijar estructuras en una red distribuida. Es justo el modelo contrario al del activismo de los siglos XIX y XX, la organización preexiste y es la propia red distribuida.

2 - Cuando la comunidad emerge, no existe para ningún fin distinto del de la propia interacción de sus miembros. No tiene sentido por ejemplo hablar de lo que debería hacer u ofrecer la Escola de redes. Como dice nuestro amigo Augusto de Franco, la escuela es la red: no hay una institución que ofrezca o “haga” nada, no hay un sujeto colectivo, aunque se comparta una identidad, el proceso de aprendizaje emerge de la propia interacción, no de la participación en proyectos lanzados de arriba a abajo. Así que si queremos aprender o investigar sobre, pongo por caso, bibliotecas en red, lo mejor que podemos hacer es documentar por nuestra cuenta y abrir un debate en la red sobre ello.

3 - Las algaradas francesas del 2005 nos enseñaron que una red distribuida puede crecer extendiendo el conocimiento que ya ha alcanzado, sin tener que repetir una y otra vez su debate interno y el proceso de aprendizaje original. Para ello tan sólo es necesario que el crecimiento no sea una mera interconexión entre nodos sueltos o representantes de subredes por muy distribuidas que sean cada una de estas. Si la red crece de forma distruida, no conectando líderes, sino un número amplio de nodos entre si, las experiencias de cada red pasan a formar parte del conjunto de experiencias de cada una de ellas.

4 - En ningún caso este conocimiento es único, tiene una única posición. La plurarquía que mueve la capacidad adaptativa, innovadora, de las redes, se basa en la diversidad. Esa diversidad, esa divergencia de pareceres, es fundamental para la sostenibilidad de la red. ¿Por qué? Porque cuantas más alternativas sean exploradas más aumentarán las probabilidades de supervivencia ante cambios en el medio.

5 - Las redes que no celebran, no merecen tener nada que celebrar. La celebración, la fiesta, lo lúdico y lo lírico es fundamental para la generación de confianza… y la confianza es el capital de las redes sociales, la base del capital social de una red.

UMA NOTA INTRODUZIDA POSTERIORMENTE

(15/12/08)

Desde o início, os promotores da Escola-de-Redes evitaram estabelecer qualquer tipo de regimento. No entanto, o crescimento exponencial do número de conectados parece exigir algumas (poucas) regras de funcionamento. Eis abaixo um exemplo que pode ser refinado e melhorado com o tempo:

1 – A Escola-de-Redes é apartidária e não poderá ser usada como meio ou alvo de campanhas partidárias ou eleitorais.

2 – A Escola-de-Redes defende e valoriza a liberdade de opinião, respeita a divergência de pontos de vista e promove o debate democrático travado com urbanidade e gentileza.

3 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes (inclusive este site no NING) para difundir idéias que firam os direitos humanos ou que promovam exclusão, deslegitimação, intolerância, preconceito ou discriminação baseados em diferenças de etnia, raça ou cor, gênero, orientação sexual, idade, nacionalidade, naturalidade, língua, costumes, credo, convicção religiosa ou filosófica, cultura, situação econômica ou funcional, posição hierárquica, grau de instrução ou condição física ou psíquica.

4 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes para fazer qualquer tipo de propaganda (de produtos comerciais, de instituições privadas - sejam empresariais ou sociais - e de pessoas).

Esta é uma rede aberta. A entrada constante de gente nova é um prazer para os que já estão conectados. E é um sinal de "vida". Como nos ensina Lynn Margulis, "a vida é reconhecível por sua separação parcial do meio ambiente através de uma membrana translúcida e semipermeável" ao fluxo de energia e matéria... Enquanto esse fluxo permanece, a vida continua (e isso deveria ser um alerta para as organizações fechadas, hierárquicas, protegidas por membranas opacas e impemeáveis).


Este site não é a Escola-de-Redes e sim uma ferramenta de interação usada no netweaving na Escola-de-Redes. Redes sociais são pessoas conectadas interagindo, não ferramentas.

A ESCOLA-DE REDES É O CONJUNTO FRACTAL DE NODOS FORMADOS POR AGENDAS COMPARTILHADAS

Se é assim, o que é então a Escola-de-Redes? A Escola-de-Redes é uma escola mesmo, que se organiza segundo um padrão de rede distribuída. Não é uma organização hierárquica, nem uma articulação centralizada ou descentralizada de instituições ou organizações formais. Em última instância, são “apenas” pessoas, conectadas em rede, que cooperam entre si para estudar e desenvolver temas relacionados às redes sociais, compartilham voluntariamente seus conhecimentos, divulgam e aplicam os produtos que desenvolveram. Essas pessoas, por sua vez, se aglomeram em nodos para compartilhar agendas.

Sem compartilhamento de agendas não tem nodo. Sem nodos, não há escola. Esse é um dos motivos pelos quais, embora tenhamos mais de mil e trezentas pessoas conectadas aqui, não temos ainda uma Escola-de-Redes com esse "tamanho". O "tamanho" da escola é expressão das suas comunidades de aprendizagem. Essas comunidades são os nodos formados por meio do compartilhamento de agendas.

Qualquer pessoa pode entrar em um nodo existente ou propor a criação de um novo nodo. Estes nodos podem ser organizados por localidade ou em torno de um determinado tema ou atividade. A única condição é que esses nodos tenham a ver com os objetivos da escola e não se organizem segundo padrões hierárquicos.

A ÚNICA REGRA QUE NÃO PODE SER VIOLADA

Portanto, entre as pouquíssimas regras da Escola-de-Redes, uma é fundamental e não pode ser quebrada: a escola e seus nodos só podem se organizar segundo um padrão de rede distribuída. Não pode haver aqui nenhuma exceção, nenhuma transição. A Escola-de-Redes foi fundada a partir da idéia de que redes distribuídas são aquelas que conectam pessoas com pessoas por meio de múltiplos caminhos diretos entre elas: sem instâncias intermediárias, sem filtros, sem centros de qualquer natureza. Não há, portanto, a menor possibilidade de combinar centralização com distribuição ou de ensaiar redes mistas ou outras estruturas que, sob qualquer pretexto, queiram introduzir obstruções de fluxos ou orientar as fluições a partir de algum padrão não-distribuído de organização. Não vale aqui qualquer justificativa de natureza cultural, funcional ou, mesmo, pedagógica. Quebrado esse entendimento fundante estará desconstituída esta Escola-de-Redes.

Um padrão distribuído de organização implica não somente estrutura ("corpo", forma de organização), mas também tipo de funcionamento ("metabolismo", modo de regulação). Assim, as redes sociais distribuídas são reguladas pela chamada "lógica da abundância", segundo a qual se geramos artificialmente escassez em qualquer regulação, produzimos hierarquia (centralização). Portanto, faz parte do pacto fundante da Escola-de-Redes jamais lançar mão de procedimentos geradores de escassez, como a votação, o sorteio, o rodízio e a a construção administrada de consenso.

Além da óbvia concordância com os objetivos da escola, essa é a única regra que não pode ser violada. É claro que ninguém é obrigado a concordar com essa visão particular que deu origem a esta Escola-de-Redes particular. Quem não estiver de acordo pode fazer outra escola de redes, a partir de outras visões.

Isso é tão importante que não deveríamos permanecer um momento na Escola-de-Redes - nem continuar registrados nesta ferramenta de interação (o http://escoladeredes.ning.com) - sem ler com atenção seus documentos constitutivos. Há uma tentativa de resumo no texto FAQ | 10 PERGUNTAS FREQUENTES.

PERTENCER À ESCOLA-DE-REDES É REALIZAR AS SUAS ATIVIDADES

No texto linkado acima, há também uma descrição das atividades realizadas pela Escola-de-Redes, em uma seção intitulada "Mas, afinal, o que faz a Escola-de-Redes?". Ensaiou-se uma resposta em cinco itens:

a) conectamos pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais (seja pelo estudo, pela investigação teórica, pela experimentação ou, inclusive, pela vivência-em-rede) e em compartilhar tal conhecimento com outras pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais;

b) facilitamos a livre interação horizontal entre as pessoas e estimulamos a criação de nodos (clusters territoriais ou temáticos) voltados aos objetivos da escola, os quais – em virtude do compartilhamento de agendas – podem vir a se tornar verdadeiras comunidades de aprendizagem (de vez que a rede geral composta por todos os seus conectados não conseguirá ter a densidade de interações suficiente para gerar comunidade);

c) organizamos uma biblioteca on line que contém textos e vídeos de estudiosos das redes, itinerários pessoais ou coletivos de leitura e histórias de vida com depoimentos de nossas relações pessoais com as redes;

d) Promovemos cursos (inclusive on line) e atividades presenciais como encontros, simpósios e conferências sobre redes sociais e temas diretamente relacionados; e, por último,

e) estimulamos a conexão de uma pequena multidão de pessoas de sorte a criar uma efervescência capaz de ensejar a eclosão de certos fenômenos próprios de redes altamente distribuídas (um desses fenômenos, por certo, é o clustering, mas há outros, como o swarming, o crunch, a autoregulação emergente e, quem sabe, a capacidade de multiplicação em cadeia de hubs, inovadores e netweavers) e, ainda, a criação de uma base potencial de crowdsourcing que consiga intensificar a criação de novas tecnologias de netweaving.

Portanto, ninguém pode dizer que pertence à Escola-de-Redes apenas pelo fato de estar registrado neste site. É necessário realizar suas atividades.

Para ajudar essa inserção efetiva na escola, propusemos as 5 "TAREFAS" INICIAIS SUGERIDAS AOS MEMBROS DA ESCOLA DE REDES. Essas 5 "tarefas" são:

1 - Contar um pouco a HISTÓRIA de como você chegou até aqui, ou seja, de como começou a se interessar por redes sociais.

2 - Elaborar o seu próprio ITINERÁRIO DE LEITURAS, listando e eventualmente comentando as publicações que leu e os videos que assistiu sobre o assunto (redes sociais).

3 - Apresentar um resumo da sua BIOGRAFIA e, se for o caso, da sua BIBLIOGRAFIA sobre o tema.

4 - Disponibilizar para download (ou colocar um link para) TEXTOS ou VÍDEOS com resultados de suas investigações ou experiências ou vivências com o tema.

5 - Entrar em um dos NODOS existentes ou propor a criação de um novo.

A ESCOLA-DE-REDES AINDA ESTÁ EM CONSTRUÇÃO

Como se pode depreender analisando o exposto acima, a Escola-de-Redes ainda está em construção.

Assim como é fácil confundir a Escola-de-Redes com esta ferramenta interativa (este site), também se confunde facilmente um nodo com um grupo (uma das funcionalidades desse site). Os grupos aqui do Ning são ferramentas interativas para articular e animar nodos, mas não são os nodos. Os nodos são aglomerações de pessoas em função de agendas compartilhadas.

A entrada de novas pessoas e a atividade regular de pessoas já conectadas (o número dessas pessoas mais ativas, vamos dizer assim, já ultrapassou 1% dos conectados) são sinais de que a coisa está "viva". Imagina-se que, se conseguirmos atingir o patamar de 10% das pessoas interagindo regularmente (diariamente ou, no mínimo, semanalmente), talvez a dinâmica desencadeada seja irreversível.

UMA NOTA INTRODUZIDA POSTERIORMENTE (em 25/07/10)

Na Escola-de-Redes nunca se fala em nome da escola, nunca se promove nada pela escola e o seu "criador" (o "criador" - na linguagem do Ning - da plataforma interativa que serve de ferramenta de netweaving para a Escola-de-Redes) não pode empenhar, emprestar, parceirizar a sua marca para nada, nem mesmo para propor um simpósio ou uma conferência.

Ou seja, não há um ativo organizacional que possa ser apropriado (nem mesmo como patrimônio simbólico) por alguém porque as regras não permitem.

Dessarte, não há um "nós" organizacional que estabeleça uma fronteira entre os "de dentro" e os "de fora". Todos que estão fora podem entrar. Todos os que estão dentro podem sair (e podem voltar a qualquer momento; e sair de novo, quantas vezes quiserem). Entrar não significa pertencimento a algum corpo separado do meio por fronteiras impermeáveis, nem adesão (ou profissão de fé) a algum codex e sair não significa discordância, “racha”, deserção, traição, divórcio ou qualquer tipo de ruptura. E quem é da Escola-de-Redes afinal? Ora, quem quiser nela se conectar e interagir, aqui-e-agora. Quem saiu não é mais, mas não porque tenha se desligado e sim porque não está interagindo. Quem não entrou não é ainda, mas não porque não tenha sido aprovado e aceito e sim porque, igualmente, não está interagindo.

1. O que é a Escola-de-Redes?

2. O que não-é a Escola-de-Redes?

3. Como a Escola-de-Redes se organiza?

4. Mas, afinal, o que faz a Escola-de-Redes?

5. Quem financia a Escola-de-Redes?

6. Quais são as ferramentas de interação utilizadas pela Escola-de-Redes?

7. Quem pode participar da Escola-de-Redes?

8. Quem dirige a Escola-de-Redes?

9. Como são tomadas as decisões na Escola-de-Redes?

10. A Escola-de-Redes quer se expandir? Para que? E como?

Eis a minha proposta - Augusto de Franco - para a construção de uma possível FAQ da Escola-de-Redes. É evidente que outras perguntas e outras respostas podem ser acrescentadas por qualquer pessoa conectada.

1. O que é a Escola-de-Redes?

Escola-de-Redes é uma rede de pessoas dedicadas à investigação teórica e à disseminação de conhecimentos sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving.

A Escola-de-Redes é um misto de escola (ambiente favorável à realização de processos educativos) e think tank, ambos organizados em rede. Ela é uma coligação de pessoas e grupos que integram comunidades de aprendizagem: de projeto, de prática e de pesquisa.

Em um sentido amplo, trata-se de uma não-escola. Como mostra a logo escolhida para a escola: E = R, quer dizer: a escola é a rede. Em palavras: se a escola já é a rede, para que escola? Se a própria rede é uma escola…



2. O que não-é a Escola-de-Redes?

A Escola-de-Redes não é uma organização hierárquica nem uma articulação centralizada ou descentralizada de instituições ou organizações formais. Em última instância, são “apenas” pessoas, conectadas em rede, que cooperam entre si para desenvolver os temas relacionados às redes sociais, compartilham voluntariamente seus conhecimentos, divulgam e aplicam os produtos que desenvolveram.

3. Como a Escola-de-Redes se organiza?

A Escola-de-Redes se estrutura como uma rede distribuída de pessoas, que se conectam diretamente à escola e/ou a nodos locais constituídos igualmente como redes distribuídas.

A Escola-de-Redes é uma rede distribuída: não tem centro, não tem diretoria, coordenação e não tem, nem mesmo, uma equipe de animação ou facilitação, o mesmo valendo para todos os seus nodos.

Para saber a diferença entre uma rede distribuída e uma rede centralizada (ou descentralizada, quer dizer, multicentralizada) dê uma olhada nos diagramas de Paul Baran (1964):



Pessoas | Pessoas são todos os conectados à escola, seja participando de algum nodo, seja individualmente.

Nodos | Os nodos da Escola-de-Redes são os grupos locais ou temáticos de pessoas conectadas que constituem a escola e que se aglomeram para compartilhar agendas. A escola é cada nodo e todos os nodos.

Cada grupo de pessoas que, em uma determinada localidade ou em torno de um determinado tema ou atividade, resolve constituir um nodo da Escola-de-Redes, tem total autonomia para estabelecer sua própria agenda de atividades, sua estrutura e seu regime de funcionamento, desde que assuma os objetivos da escola e não se organize segundo padrões hierárquicos.

Regras | Desde o início, os promotores da Escola-de-Redes evitaram estabelecer qualquer tipo de regimento. No entanto, o crescimento exponencial do número de conectados parece exigir algumas (poucas) regras de funcionamento. Eis abaixo um exemplo que pode ser refinado e melhorado com o tempo:

1 – A Escola-de-Redes é apartidária e não poderá ser usada como meio ou alvo de campanhas partidárias ou eleitorais.

2 – A Escola-de-Redes defende e valoriza a liberdade de opinião, respeita a divergência de pontos de vista e promove o debate democrático travado com urbanidade e gentileza.

3 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes (inclusive este site no NING) para difundir idéias que firam os direitos humanos ou que promovam exclusão, deslegitimação, intolerância, preconceito ou discriminação baseados em diferenças de etnia, raça ou cor, gênero, orientação sexual, idade, nacionalidade, naturalidade, língua, costumes, credo, convicção religiosa ou filosófica, cultura, situação econômica ou funcional, posição hierárquica, grau de instrução ou condição física ou psíquica.

4 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes para fazer qualquer tipo de propaganda (de produtos comerciais, de instituições privadas - sejam empresariais ou sociais - e de pessoas).

A Escola-de-Redes não tem qualquer tipo de formalização jurídica: não tem estatutos, além das regras acima e do seu documento fundante; não tem diplomas legais, atas (registradas ou não em cartório), documentos com assinaturas, CGC ou quaisquer outros cadastros, títulos, registros e assemelhados.

A Escola-de-Redes não tem endereço físico, patrimônio e conta bancária; não tem empregados formais ou informais, nem pode firmar contratos de qualquer natureza ou celebrar convênios.

4. Mas, afinal, o que faz a Escola-de-Redes?

Na Escola-de-Redes quem faz as coisas são sempre as pessoas, jamais as “instâncias”. As pessoas conectadas na Escola-de-Redes nos dedicamos a cinco tipos de atividades:

a) conectamos pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais (seja pelo estudo, pela investigação teórica, pela experimentação ou, inclusive, pela vivência-em-rede) e em compartilhar tal conhecimento com outras pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais;

b) facilitamos a livre interação horizontal entre as pessoas e estimulamos a criação de nodos (clusters territoriais ou temáticos) voltados aos objetivos da escola, os quais – em virtude do compartilhamento de agendas – podem vir a se tornar verdadeiras comunidades de aprendizagem (de vez que a rede geral composta por todos os seus conectados não conseguirá ter a densidade de interações suficiente para gerar comunidade);

c) organizamos uma biblioteca on line que contém textos e vídeos de estudiosos das redes, itinerários pessoais ou coletivos de leitura e histórias de vida com depoimentos de nossas relações pessoais com as redes;

d) Promovemos cursos (inclusive on line) e atividades presenciais como encontros, simpósios e conferências sobre redes sociais e temas diretamente relacionados; e, por último,

e) estimulamos a conexão de uma pequena multidão de pessoas de sorte a criar uma efervescência capaz de ensejar a eclosão de certos fenômenos próprios de redes altamente distribuídas (um desses fenômenos, por certo, é o clustering, mas há outros, como o swarming, o crunch, a autoregulação emergente e, quem sabe, a capacidade de multiplicação em cadeia de hubs, inovadores e netweavers) e, ainda, a criação de uma base potencial de crowdsourcing que consiga intensificar a criação de novas tecnologias de netweaving.

5. Quem financia a Escola-de-Redes?

Não há patrocinadores, apoiadores ou parceiros institucionais da Escola-de-Redes. A Escola-de-Redes é financiada pela atividade pro bono de seus membros, não havendo qualquer pagamento de taxas, mensalidades, anuidades, matrículas ou recebimento (em dinheiro ou em outros bens) por venda de serviços, nem mesmo a título de contribuição ou retribuição espontânea ou voluntária.

A Escola-de-Redes não tem clientes institucionais ou pessoais, não presta serviços remunerados a terceiros, nem vende qualquer tipo de produto, não faz fund raising, nem aceita doações.

A Escola-de-Redes não faz qualquer tipo de parceria a não ser aquelas que se estabelecem na interação com e entre as pessoas conectadas.

6. Quais são as ferramentas de interação utilizadas pela Escola-de-Redes?

A Escola-de-Redes não é um site de relacionamento ou um espaço genérico de convivência virtual onde cabe qualquer coisa e sim uma coligação de pessoas que se articulam horizontalmente para conhecer mais sobre redes sociais por meio da investigação e da experimentação compartilhadas.

O site http://escoladeredes.ning.com e seus grupos são as ferramentas de interação utilizadas (até agora) pela Escola-de-Redes. No entanto, não se deve confundir essas ferramentas com a Escola-de-Redes, que é uma rede social distribuída, pois redes sociais são constituídas por pessoas conectadas interagindo, não por ferramentas.

Assim como o site http://escoladeredes.ning.com não deve ser confundido com a Escola-de-Redes, os Grupos abertos nesse site também não devem ser confundidos com os Nodos da escola.

A Escola-de-Redes só existe na medida em que existem os seus nodos e, obviamente, as pessoas conectadas (que primeiramente são nodos da rede). No modelo fractal adotado, a escola são os nodos. E os nodos só existirão de fato se as pessoas que os compõem compartilharem agendas.

7. Quem pode participar da Escola-de-Redes?

Apenas pessoas, quaisquer pessoas que concordem com seus objetivos e suas idéias fundamentais (constantes do seu documento fundante). Mas não podem participar da Escola-de-Redes coletivos e organizações hierárquicas de qualquer natureza.

Quem quer participar de uma rede social qualquer não precisa se conectar à Escola-de-Redes. Pode se conectar a uma rede social voltada para outros objetivos. Só devem se conectar à Escola-de-Redes aquelas pessoas que estão interessados no seu objetivo: a investigação e a experimentação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving.

8. Quem dirige a Escola-de-Redes?

Ninguém em particular, quer dizer, todos os participantes, por autoregulação emergente. Os instrumentos de interação usados pela Escola-de-Redes (o site http://escoladeredes.ning.com e seus Grupos) são administrados por seus administradores formais. Mas o papel desses administradores das ferramentas de netweaving usadas pela Escola-de-Redes não é o de chefes, presidentes, diretores, nem mesmo o de líderes. Eles podem ser, no máximo, netweavers – não coordenadores.

Muitas vezes os administradores de sites e grupos em uma plataforma interativa (como o Ning, utilizado pela Escola-de-Redes) não cumprem nem mesmo o papel de netweavers. São apenas pessoas que tomaram a iniciativa de abrir um site, formar um grupo, colocar um tema em discussão em um fórum ou marcar um evento. Deve aderir a essas iniciativas apenas quem quiser.

Quem não quiser aderir, por motivo de discordância, pode sempre dizer isso para as pessoas que tomaram a iniciativa. E também para todas as outras pessoas conectadas.

Ademais, quem não está totalmente satisfeito ou confortável com o que foi proposto, pode propor outra coisa. Ou – a permanecer tal descontentamento ou desconforto – pode abrir um novo grupo ou um novo site (coisas que podem sempre ser feitas por qualquer pessoa conectada, mesmo na ausência de descontentamento ou desconforto). Nesse caso as pessoas conectadas à Escola-de-Redes podem simultaneamente participar dessa outra ferramenta de interação que foi criada (por qualquer motivo).

A liberdade na Escola-de-Redes não é apenas a liberdade (positiva) de adesão ou a liberdade (negativa) de segregação (abandono), mas, fundamentalmente, a liberdade (inclusivamente co-operativa) de pertencer a várias comunidades simultaneamente e de comparecer em seus respectivos instrumentos de interação.

9. Como são tomadas as decisões na Escola-de-Redes?

Não há, a rigor, tomada de decisão na Escola-de-Redes. Assim, também não há um método (ou procedimento) para regular qualquer dilema da ação coletiva. Quando há discordâncias de opiniões sobre determinado assunto, a Escola-de-Redes simplesmente não faz nada.

Nunca há qualquer processo de votação, sorteio, rodízio ou construção administrada de consenso na Escola-de-Redes: nem para incluir membros, nem para excluí-los, nem mesmo para aprovar ou rejeitar seja o que for. Todos os membros da Escola-de-Rede são livres para submeter aos demais qualquer proposta relacionada ao propósito e aos temas da escola, devendo aderir à proposta os que concordarem com ela e não podendo haver qualquer tipo de reprovação ou censura ou lamentação dirigidas aos que – em qualquer número – dela discordarem.

10. A Escola-de-Redes quer se expandir? Para que? E como?

A Escola-de-Redes não é uma organização se expandindo e sim uma idéia se disseminando. Como a vida – na bela imagem de Lynn Margulis – ela “não se apossa do globo pelo combate e sim pela formação de redes”. No plural. O modelo de organização da Escola-de-Redes é fractal. Cada comunidade de aprendizagem que se forma é um nodo da escola e, ao mesmo tempo, a escola toda. Coerentemente com tal modelo de organização, a expansão da Escola-de-Redes se dá pela multiplicação dessas comunidades.


Isto é para você, que está entrando agora na Escola-de-Redes.

ESTAMOS TODOS APRENDENDO

Ainda estamos todos aprendendo a usar esta ferramenta de interação. Na verdade, estamos aprendendo a interagir em rede distribuída. Eis uma lista tentativa desses aprendizados:

1) Aprendendo a fazer um esforço coletivo de focalização no assunto que nos conecta. Não importa se um outro assunto é urgente ou relevante, se achamos que dele depende o futuro da humanidade ou a salvação da espécie humana. Se não tiver uma relação com o nosso tema – as redes sociais – não devemos publicá-lo aqui em uma mensagem de blog (muito menos abrir um fórum ou propor um grupo).

2) Aprendendo a dar a própria opinião em vez de querer pautar os outros. Sendo o assunto pertinente (relacionado às redes sociais), devemos preferir sempre publicar uma mensagem de blog a abrir um fórum. (Observa-se que algumas pessoas preferem sempre abrir fóruns, talvez porque percebam que mensagens de blog são logo deslocadas para o final da fila por outras mais recentes e acabam arquivadas. Mas o fato do fórum ficar em evidência o tempo todo não é motivo relevante para abri-los).

3) Aprendendo a confiar nos processos que ocorrem nas redes. Devemos evitar inaugurar grupos para juntar as pessoas que já conhecemos (muitas vezes apenas aquelas que nós mesmos convidamos). A clusterização nos nodos deve ser resultado de um fenômeno que ocorre espontaneamente na rede e não planejado por quem quer montar a sua turma.

4) Aprendendo a deixar fluir ao invés de planejar. Devemos desistir de ficar procurando um jeito de organizar melhor as coisas top down, de fazer um planejamento a partir da idéia de que nenhuma articulação na base do espontaneísmo pode funcionar. Sobretudo não devemos tentar introduzir, nem mesmo por motivos pedagógicos, qualquer tipo de centralização (seja qual for o eufemismo encontrado para designá-la, como, por exemplo, grupo de coordenação ou facilitação) ou de mecanismo de produção artificial de escassez (como a votação, o sorteio, o rodízio ou a construção administrada de consenso).

5) Aprendendo a deixar certos interesses particulares de lado. Não devemos usar os instrumentos de publicação do site para fazer propaganda da nossa organização hierárquica, do nosso site profissional, nem, muito menos, para vender nossos livros ou vídeos ou cursos ou serviços de consultorias ou divulgar nossos próprios eventos (a menos que eles tenham relação explícita com as atividades da Escola-de-Redes).

6) Aprendendo a interagir com as pessoas: uma-a-uma (peer-to-peer, P2P). Não devemos, jamais, replicar a mesma mensagem nas páginas pessoais dos conectados (como quem faz panfletagem). A panfletagem virtual em uma rede distribuída é uma tentativa de manipulação (que, além de tudo, é inócua).

7) Aprendendo a fazer as coisas de graça. Interagir pelo prazer de interagir, de ajudar, de cooperar, sem ter em mente a satisfação de um interesse específico, parece exigir um aprendizado. Compreender que fazer rede é fazer amigos – e que essa não é uma perspectiva romântica ou um ponto de vista ingênuo – confronta o aprendizado organizacional que obtemos nas organizações hierárquicas, mas parece ser fundamental no netweaving de redes distribuídas.

ÚLTIMA VERSÃO DAS CHAMADAS "REGRAS" DA ESCOLA-DE-REDES


Regras da Escola-de-Redes são orientações baseadas em acordos de convivência considerados automaticamente aceitos por quem se conecta aqui. Quem não aceitar não deve se conectar. Quem violar as regras será banido do site.



REGRAS

1 - Concordar com o propósito da escola (seu objetivo e escopo).

2 - Conectar pessoas ou redes de pessoas (nunca instituições hierárquicas) de modo distribuído – o que compreende estrutura (forma de organização distribuída) e dinâmica (modo de regulação pluriárquico). O modo de regulação pluriárquico, compatível com a topologia distribuída, não adota procedimentos e mecanismos que produzam artificialmente escassez, como a votação, o sorteio, o rodízio ou a construção administrada de consenso.

Para saber se você concorda com os objetivos e o escopo da Escola-de-Redes é necessário ler o texto Sobre a Constituição da Escola-de-Redes.

ACORDOS SUGERIDOS PELO "BOM-SENSO EM REDE"

A - Não fugir do assunto (publicando textos, fotos, vídeos ou eventos que não tenham a ver com o tema da escola).

B - Não fazer propaganda política, de produtos comerciais ou de instituições.

C - Não ficar abrindo indiscriminadamente fóruns (preferindo sempre usar o blog).

D - Não panfletar a rede (replicando a mesma mensagem para várias pessoas).

E - Não se comportar como troll e nem responder suas provocações:

Don't feed the trolls.

F - Não "pescar em aquário"



Veja ainda: Orientações para a abertura de fóruns e grupos.

PRINCÍPIOS UNIVERSAIS DE UM ESPAÇO DE ARTICULAÇÃO NÃO-AUTOCRÁTICO

I - Valorizar a liberdade de opinião e respeitar a divergência de pontos de vista.

II - Travar o debate com urbanidade e gentileza. Não devem ser admitidos ataques pessoais e mensagens grosseiras e ofensivas.

III - Não usar os instrumentos de conexão e interação da escola (como este site no Ning) para difundir idéias que firam os direitos humanos ou que promovam exclusão, deslegitimação, intolerância, preconceito ou discriminação.

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