Escola de Redes

MINHAS VIAGENS PELAS REDES

Fernando Viana (2009)

No final de dezembro de 1995 estava tranquilamente sentado na minha sala de trabalho na Petrobras/Aracaju, SE quando recebi um folheto falando de um curso de criatividade. No mesmo momento pensei: "Ah, mais um daqueles que fala de paz e amor, felicidade e coisas assim".

Passados alguns dias, outro folheto chegou à minha mão. "De novo", pensei eu. Passados alguns dias cheguei em casa e minha mulher me disse: "Olha fui à livraria e pensei em comprar um livro para você, na mesma hora, da maneira mais estranha possível o livro literalmente caiu na minha mão e o comprei para você. Eu ri da sua afirmação e peguei o embrulho de presente para abrir.

Literalmente, perdi a fala. Os motivos eram vários. Depois do segundo folder do curso de criatividade, recebi um terceiro. Achei que era um desafio e resolvi fazer o tal curso. Lá conheci um colega que tornou-se um grande amigo até hoje: Gilberto Almeida. E Gilberto, neste mesmo dia, ao final do curso me disse que estava lendo um livro genial e que eu deveria lê-lo também. Perguntei o nome, e o Gilberto disse "Conspiração Aquariana" e eu pensei calado: "Credo, como vou ler um livro desses?"

Muito bem, o livro que estaria ganhando no mesmo dia era o "Conspiração Aquariana" da jornalista americana Marylin Fergunson e que se tornara um best-seller mundial justamente por prever as grandes transformações sociais que afetariam o mundo.

Voltando ao que estava contando. Nessa noite não dormi, o livro me fascinou e o pior que eu estava num momento da minha vida que queria mudar a minha carreira na empresa. Era um profissional de sucesso, mas sentia que precisava mudar totalmente de área. Complicado para uma pessoa que anos a fio havia sido preparada para uma carreira essencialmente técnica.

Mas, mais uma vez o universo conspira e alguns dias depois recebi o convite para trabalhar na área de Planejamento Estratégico. Aceitei na hora e poucos dias depois estava numa reunião de planejamento estratégico levantando as forças e fraquezas da nossa Unidade. Quando terminou a reunião o nosso Gerente Geral perguntou se eu estava gostando da nova área de trabalho. Eu respondi que sim e que também tinha uma idéia para resolver uma das nossas fraquezas relativas às pessoas.

Ai, ele me pergunta: "Isto está em forma de projeto?" Eu respondi: "Sim." Ele retruca: "Então deixa com a minha secretária." Eu penso: "Esse cara nunca vai ler isto." Passados alguns dias deixo o projeto com a secretária dele.

Uma semana depois a secretária me liga e diz. "Fernando, hoje à tarde na Reunião do Comitê de Gestão você está agendado para apresentar o seu projeto." Fiquei literalmente gelado. Morria de medo de apresentar projetos técnicos, imagine o projeto que tinha na minha cabeça: falar de criatividade para engenheiro e geólogos em 1995...

Entrei às 15 horas na sala de reunião. Presentes 40 gestores. Comecei a falar das 15h:30 até às 19h:00 e foi uma batalha de guerra mesmo. Saio da reunião: transferido para a área de Recursos Humanos e com a missão de dentro de 6 meses realizar um projeto piloto com 20 empregados da Unidade escolhidos pelos gestores. Caso o piloto fosse validado teríamos verba paa continuar o projeto.

Bem, no dia 20/05/1996 iniciamos o projeto Piloto "Criatividade não é dom!" Um projeto com 50 horas de duração, cinco dias, totalmente experiencial, fundamentado na metodologia "Resolução Criativa de Problemas (CPS) e que termina com aprovação total de continuidade por todos os 20 avaliadores. Sucesso absoluto!

Setembro de 1996. Inicia-se formalmente na Unidade Sergipe/Alagoas a caminhada do Projeto Criatividade. Neste ano realizamos apenas 6 turmas, as pessoas não queriam ir, era uma dificuldade.

Pedimos autorização à Companhia para criar a rede do projeto que foi batizada pelos participanetes como "Angel-Net" e foi a primeira rede de empregados do sistema Petrobras, pois até aquela data não era permitida a criação de redes. A "Angel-Net" tornou-se uma poderosa ferramenta de mobilização, pois a cada turma realizada os participantes pediam para serem inseridos à rede. As ajudas eram muitas, desde apoio até troca de experências e conhecimento.

Bem o projeto "Criatividade não é dom1" continuava sua caminhada de sucesso. Um turma por mês e ao final de cada turma, centenas de partipantes iam para a sessão de encerramento.

A rede pipocava nesses dias! Em 1998 duas coisas maravilhosas aconteceram: 1 - O projeto é agraciado com o Prêmio Ser Humano Osvaldo Chechia, 1998, concedido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos, Nacional, SP; e 2 - A Creative Education Foundation, Buffalo, NY, USA, nos convida para apresentar o projeto no então maior evento do mundo sobre o tema Criatividade e Inovação. Este evento reunia em média 1000 pessoas de 30 países do mundo.

O projeto ganha visibilidade na Companhia. E no perído de 1998-1999 o grupo de voluntários e parceiros era grande. Os eventos beneficentes estavam acontecendo para captar recursos para instituições e muita coisa acontecia.

1999 - Ano fundamental, pois realizamos o I Fórum de Inovação e Criatividade do Nordeste que reunião quase 800 pessoas por 3 dias. Sucesso absoluto. A rede se expande.

2000 - inciamos a disseminação desse projeto da Petrobras/Unidade do Espirito Santo e as duas redes começam a se comunicar. Genial.

Julho a Setembro/2000 - vota-se pelas duas redes o nome da instituição que seria criada para receber o projeto Criatividade. E definido pelos participantes: "Fundação Brasil Criativo", uma fundaçao de direito privado que teria como objetivos disseminar o conhecimento sobre criatividade e inovação no Brasil e manter as redes vivas.

Setembro/2009 - Será realizada a décima edição do Fórum Internacional de Inovaçao e Criatividade. E, continuamos na jornada! A rede continua.

A luta tem sido dura!

Fundação Brasil Criativo : www.fbcriativo.org.br

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