Escola de Redes

FAQ | 10 PERGUNTAS FREQUENTES

1. O que é a Escola-de-Redes?

2. O que não-é a Escola-de-Redes?

3. Como a Escola-de-Redes se organiza?

4. Mas, afinal, o que faz a Escola-de-Redes?

5. Quem financia a Escola-de-Redes?

6. Quais são as ferramentas de interação utilizadas pela Escola-de-Redes?

7. Quem pode participar da Escola-de-Redes?

8. Quem dirige a Escola-de-Redes?

9. Como são tomadas as decisões na Escola-de-Redes?

10. A Escola-de-Redes quer se expandir? Para que? E como?

Eis a minha proposta - Augusto de Franco - para a construção de uma possível FAQ da Escola-de-Redes. É evidente que outras perguntas e outras respostas podem ser acrescentadas por qualquer pessoa conectada.

1. O que é a Escola-de-Redes?

Escola-de-Redes é uma rede de pessoas dedicadas à investigação teórica e à disseminação de conhecimentos sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving.

A Escola-de-Redes é um misto de escola (ambiente favorável à realização de processos educativos) e think tank, ambos organizados em rede. Ela é uma coligação de pessoas e grupos que integram comunidades de aprendizagem: de projeto, de prática e de pesquisa.

Em um sentido amplo, trata-se de uma não-escola. Como mostra a logo escolhida para a escola: E = R, quer dizer: a escola é a rede. Em palavras: se a escola já é a rede, para que escola? Se a própria rede é uma escola…



2. O que não-é a Escola-de-Redes?

A Escola-de-Redes não é uma organização hierárquica nem uma articulação centralizada ou descentralizada de instituições ou organizações formais. Em última instância, são “apenas” pessoas, conectadas em rede, que cooperam entre si para desenvolver os temas relacionados às redes sociais, compartilham voluntariamente seus conhecimentos, divulgam e aplicam os produtos que desenvolveram.

3. Como a Escola-de-Redes se organiza?

A Escola-de-Redes se estrutura como uma rede distribuída de pessoas, que se conectam diretamente à escola e/ou a nodos locais constituídos igualmente como redes distribuídas.

A Escola-de-Redes é uma rede distribuída: não tem centro, não tem diretoria, coordenação e não tem, nem mesmo, uma equipe de animação ou facilitação, o mesmo valendo para todos os seus nodos.

Para saber a diferença entre uma rede distribuída e uma rede centralizada (ou descentralizada, quer dizer, multicentralizada) dê uma olhada nos diagramas de Paul Baran (1964):



Pessoas | Pessoas são todos os conectados à escola, seja participando de algum nodo, seja individualmente.

Nodos | Os nodos da Escola-de-Redes são os grupos locais ou temáticos de pessoas conectadas que constituem a escola e que se aglomeram para compartilhar agendas. A escola é cada nodo e todos os nodos.

Cada grupo de pessoas que, em uma determinada localidade ou em torno de um determinado tema ou atividade, resolve constituir um nodo da Escola-de-Redes, tem total autonomia para estabelecer sua própria agenda de atividades, sua estrutura e seu regime de funcionamento, desde que assuma os objetivos da escola e não se organize segundo padrões hierárquicos.

Regras | Desde o início, os promotores da Escola-de-Redes evitaram estabelecer qualquer tipo de regimento. No entanto, o crescimento exponencial do número de conectados parece exigir algumas (poucas) regras de funcionamento. Eis abaixo um exemplo que pode ser refinado e melhorado com o tempo:

1 – A Escola-de-Redes é apartidária e não poderá ser usada como meio ou alvo de campanhas partidárias ou eleitorais.

2 – A Escola-de-Redes defende e valoriza a liberdade de opinião, respeita a divergência de pontos de vista e promove o debate democrático travado com urbanidade e gentileza.

3 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes (inclusive este site no NING) para difundir idéias que firam os direitos humanos ou que promovam exclusão, deslegitimação, intolerância, preconceito ou discriminação baseados em diferenças de etnia, raça ou cor, gênero, orientação sexual, idade, nacionalidade, naturalidade, língua, costumes, credo, convicção religiosa ou filosófica, cultura, situação econômica ou funcional, posição hierárquica, grau de instrução ou condição física ou psíquica.

4 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes para fazer qualquer tipo de propaganda (de produtos comerciais, de instituições privadas - sejam empresariais ou sociais - e de pessoas).

A Escola-de-Redes não tem qualquer tipo de formalização jurídica: não tem estatutos, além das regras acima e do seu documento fundante; não tem diplomas legais, atas (registradas ou não em cartório), documentos com assinaturas, CGC ou quaisquer outros cadastros, títulos, registros e assemelhados.

A Escola-de-Redes não tem endereço físico, patrimônio e conta bancária; não tem empregados formais ou informais, nem pode firmar contratos de qualquer natureza ou celebrar convênios.

4. Mas, afinal, o que faz a Escola-de-Redes?

Na Escola-de-Redes quem faz as coisas são sempre as pessoas, jamais as “instâncias”. As pessoas conectadas na Escola-de-Redes nos dedicamos a cinco tipos de atividades:

a) conectamos pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais (seja pelo estudo, pela investigação teórica, pela experimentação ou, inclusive, pela vivência-em-rede) e em compartilhar tal conhecimento com outras pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais;

b) facilitamos a livre interação horizontal entre as pessoas e estimulamos a criação de nodos (clusters territoriais ou temáticos) voltados aos objetivos da escola, os quais – em virtude do compartilhamento de agendas – podem vir a se tornar verdadeiras comunidades de aprendizagem (de vez que a rede geral composta por todos os seus conectados não conseguirá ter a densidade de interações suficiente para gerar comunidade);

c) organizamos uma biblioteca on line que contém textos e vídeos de estudiosos das redes, itinerários pessoais ou coletivos de leitura e histórias de vida com depoimentos de nossas relações pessoais com as redes;

d) Promovemos cursos (inclusive on line) e atividades presenciais como encontros, simpósios e conferências sobre redes sociais e temas diretamente relacionados; e, por último,

e) estimulamos a conexão de uma pequena multidão de pessoas de sorte a criar uma efervescência capaz de ensejar a eclosão de certos fenômenos próprios de redes altamente distribuídas (um desses fenômenos, por certo, é o clustering, mas há outros, como o swarming, o crunch, a autoregulação emergente e, quem sabe, a capacidade de multiplicação em cadeia de hubs, inovadores e netweavers) e, ainda, a criação de uma base potencial de crowdsourcing que consiga intensificar a criação de novas tecnologias de netweaving.

5. Quem financia a Escola-de-Redes?

Não há patrocinadores, apoiadores ou parceiros institucionais da Escola-de-Redes. A Escola-de-Redes é financiada pela atividade pro bono de seus membros, não havendo qualquer pagamento de taxas, mensalidades, anuidades, matrículas ou recebimento (em dinheiro ou em outros bens) por venda de serviços, nem mesmo a título de contribuição ou retribuição espontânea ou voluntária.

A Escola-de-Redes não tem clientes institucionais ou pessoais, não presta serviços remunerados a terceiros, nem vende qualquer tipo de produto, não faz fund raising, nem aceita doações.

A Escola-de-Redes não faz qualquer tipo de parceria a não ser aquelas que se estabelecem na interação com e entre as pessoas conectadas.

6. Quais são as ferramentas de interação utilizadas pela Escola-de-Redes?

A Escola-de-Redes não é um site de relacionamento ou um espaço genérico de convivência virtual onde cabe qualquer coisa e sim uma coligação de pessoas que se articulam horizontalmente para conhecer mais sobre redes sociais por meio da investigação e da experimentação compartilhadas.

O site http://escoladeredes.ning.com e seus grupos e o blog www.redes.org.br são as ferramentas de interação utilizadas (até agora) pela Escola-de-Redes. No entanto, não se deve confundir essas ferramentas com a Escola-de-Redes, que é uma rede social distribuída, pois redes sociais são constituídas por pessoas conectadas interagindo, não por ferramentas.

Assim como o site http://escoladeredes.ning.com não deve ser confundido com a Escola-de-Redes, os Grupos abertos nesse site também não devem ser confundidos com os Nodos da escola.

A Escola-de-Redes só existe na medida em que existem os seus nodos e, obviamente, as pessoas conectadas (que primeiramente são nodos da rede). No modelo fractal adotado, a escola são os nodos. E os nodos só existirão de fato se as pessoas que os compõem compartilharem agendas.

7. Quem pode participar da Escola-de-Redes?

Apenas pessoas, quaisquer pessoas que concordem com seus objetivos e suas idéias fundamentais (constantes do seu documento fundante). Mas não podem participar da Escola-de-Redes coletivos e organizações hierárquicas de qualquer natureza.

Quem quer participar de uma rede social qualquer não precisa se conectar à Escola-de-Redes. Pode se conectar a uma rede social voltada para outros objetivos. Só devem se conectar à Escola-de-Redes aquelas pessoas que estão interessados no seu objetivo: a investigação e a experimentação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving.

8. Quem dirige a Escola-de-Redes?

Ninguém em particular, quer dizer, todos os participantes, por autoregulação emergente. Os instrumentos de interação usados pela Escola-de-Redes (o site http://escoladeredes.ning.com e seus Grupos e o blog www.redes.org.br) são administrados por seus administradores formais. Mas o papel desses administradores das ferramentas de netweaving usadas pela Escola-de-Redes não é o de chefes, presidentes, diretores, nem mesmo o de líderes. Eles podem ser, no máximo, netweavers – não coordenadores.

Muitas vezes os administradores de sites e grupos em uma plataforma interativa (como o Ning, utilizado pela Escola-de-Redes) não cumprem nem mesmo o papel de netweavers. São apenas pessoas que tomaram a iniciativa de abrir um site, formar um grupo, colocar um tema em discussão em um fórum ou marcar um evento. Deve aderir a essas iniciativas apenas quem quiser.

Quem não quiser aderir, por motivo de discordância, pode sempre dizer isso para as pessoas que tomaram a iniciativa. E também para todas as outras pessoas conectadas.

Ademais, quem não está totalmente satisfeito ou confortável com o que foi proposto, pode propor outra coisa. Ou – a permanecer tal descontentamento ou desconforto – pode abrir um novo grupo ou um novo site (coisas que podem sempre ser feitas por qualquer pessoa conectada, mesmo na ausência de descontentamento ou desconforto). Nesse caso as pessoas conectadas à Escola-de-Redes podem simultaneamente participar dessa outra ferramenta de interação que foi criada (por qualquer motivo).

A liberdade na Escola-de-Redes não é apenas a liberdade (positiva) de adesão ou a liberdade (negativa) de segregação (abandono), mas, fundamentalmente, a liberdade (inclusivamente co-operativa) de pertencer a várias comunidades simultaneamente e de comparecer em seus respectivos instrumentos de interação.

9. Como são tomadas as decisões na Escola-de-Redes?

Não há, a rigor, tomada de decisão na Escola-de-Redes. Assim, também não há um método (ou procedimento) para regular qualquer dilema da ação coletiva. Quando há discordâncias de opiniões sobre determinado assunto, a Escola-de-Redes simplesmente não faz nada.

Nunca há qualquer processo de votação, sorteio, rodízio ou construção administrada de consenso na Escola-de-Redes: nem para incluir membros, nem para excluí-los, nem mesmo para aprovar ou rejeitar seja o que for. Todos os membros da Escola-de-Rede são livres para submeter aos demais qualquer proposta relacionada ao propósito e aos temas da escola, devendo aderir à proposta os que concordarem com ela e não podendo haver qualquer tipo de reprovação ou censura ou lamentação dirigidas aos que – em qualquer número – dela discordarem.

10. A Escola-de-Redes quer se expandir? Para que? E como?

A Escola-de-Redes não é uma organização se expandindo e sim uma idéia se disseminando. Como a vida – na bela imagem de Lynn Margulis – ela “não se apossa do globo pelo combate e sim pela formação de redes”. No plural. O modelo de organização da Escola-de-Redes é fractal. Cada comunidade de aprendizagem que se forma é um nodo da escola e, ao mesmo tempo, a escola toda. Coerentemente com tal modelo de organização, a expansão da Escola-de-Redes se dá pela multiplicação dessas comunidades.

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Comentário de José Sérgio Matrigani em 14 julho 2011 às 20:19
Enfim o corpo social é formado de células"as pessoas", que precisam ser alimentadas, mas elas próprias tem que saber a que orgão pertencem e como agir, ninguém ou nada tem o direito de pontuar sua atuação, nem mesmo com o pretexto de alimentá-las, "nodos" orgãos onde se aglutinam com a diferença nessa analogia que cada célula está ligada a todos os nodos e ela própria se contitui em nodo.
Comentário de Ricardo Barbosa Bitencourt em 16 março 2011 às 13:01
Quais nodos existem na escola de redes? Alguém da Bahia ou Pernambuco está interessado em ampliar as atividades nesses territórios?
Comentário de Josival Moreira em 4 janeiro 2010 às 12:29
Por considerar uma oportunidade impar de absorver conhecimento, compartilhar experiências e ideias, colaborar com a evolução e estar inserido nesse contexto é que me uno a esse grupo confesso aqui o entusiasmo de poder participar.
Comentário de Irineu Cruzeiro Neto em 27 dezembro 2009 às 0:16
Fiquei maravilhado ao ver tantas possibilidades de diálogo e interação. Quero participar, mas quero saber exatamente como funciona para ser um membro que some, subtraia, multiplique e divida. Quero participar de muitas discussões inteligentes e esta é uma grande chance. Comecei hoje a ler os documentos para aproveitar bem esse recurso muito acadêmico. Abraços a todos os membros.
Comentário de MARCO ANTONIO PIRES DE OLIVEIRA em 15 março 2009 às 17:07
"O social é a rede a rede é o social" David de Ugarte. "O reconhecimento do outro como um legítimo outro; o reconhecimento de cada um como insuficiente" Ricardo Teixeira. "Um produto de nosso emocionar uma maneira de vicer de acordo com o desejo de uma coexistência dignificada na estética do respeito mútuo" H. Maturana. É um pouco com estes e outros pensadores que vou me inserindo nesta rede. Espero potencializarmos e constituírmos nossos fluxos de humanização juntos.
Comentário de regiane macuch em 15 março 2009 às 14:21
Eu tenho estudado Sociometria e realizo pesquisas sobre este tema já há algum tempo. Faço parte de uma escola de formação em "psicodrama e sociodrama", por isso, a idéia da "escola de redes" me interessou. Espero poder aprender e também contribuir nesta "teia"!
Comentário de marilda m braga em 28 fevereiro 2009 às 17:57
Marilda M. Braga, mestranda em Educação-Currículo , linha Novas Tecnologias. desejo estudar o tema rede sociais com pessoas também interessadas no assunto. Quero ser parte do grupo!
abç.
Comentário de Lilian Langer em 25 fevereiro 2009 às 11:56
Lilian Langer, consultora organizacional. Me sinto desafiada (quase fascinada) pela idéia, pela imagem, pelo movimento auto-organizativo e pela complexidade das redes sociais. Quero fazer parte de. Um abraço.
Comentário de Antonio Carlos Dmasceno Lima em 25 fevereiro 2009 às 8:38
Antonio Carlos Damasceno Lima,Brasileiro,casado,e moro em Porto Alegre,acabo de adicionar minha inclusão na ESCOLA-DE-REDES,entendo que este espaço criado e já constituido,e muito importante para sociedade Mundial,precisamos de referências que possam fazer a diferença na sociedade,o capital humano deve ser melhor aproveitado,devemos,sim, trocarmos ideias e tentar oferecer o que de melhor temos .apartir do capital Humano.
Espero poder contrubuir com a rede,e ajudar o nodo Porto Alegre na promoção de debates,pois este é um dos objetivos da ESCOLA-DE-REDES,Um Fraterno Abraço, Antonio Carlos Damasceno Lima

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