BIBLIOTECA DAVID DE UGARTE

Grupo para reunir, comentar e estudar a obra de David de Ugarte
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  • rafael ferreira de paula

    Alguns trechos pinçados em minha leitura:

    "Então, as redes distribuídas não têm formas políticas de organização? Não, o que ocorre é que estamos tão acostumados a viver em redes de poder descentralizadas, que confundimos a organização da representação com a organização da ação coletiva. A perversão da descentralização chegou a tal ponto que ―democracia transformou-se em sinônimo de eleição de representantes, isto é, de nodos filtro."

    "Não faltam exemplos, nos últimos anos, de governantes que imaginaram que bastaria controlar os filtros tradicionais, imprensa e TV, para condicionar os cidadãos, assegurando-se de que só chegaria a eles a informação conveniente. A informalidade das novas redes de informação distribuídas, no entanto, os coloca em confronto com milhares de cidadãos nas ruas. Em alguns casos (Filipinas, Espanha etc.), os levou a perder o poder. O importante, no entanto, não é o resultado, mas a base de tais sintomas."

    "E essa não-separação entre vida, trabalho e idéias é uma tradução direta da ética hacker, uma negação prática da divisão do trabalho, própria das redes hierárquicas descentralizadas."

    "Assim como o software livre representa um novo tipo de bem público não-estatal, a blogosfera é um meio de comunicação distribuído, público, gratuito e transnacional, a primeira esfera pública democrática real e praticamente universal.
    Se a mídia, e sobre tudo a televisão, havia privatizado a vida pública e o debate político, reduzindo o imaginário a um espetáculo totalitário, produzido industrialmente segundo os mesmos padrões da produção das coisas, a blogosfera representa o começo de uma verdadeira reconquista da informação e do imaginário como criações coletivas e desmercantilizadas."

    "Se, na prática, a blogosfera enfraquece a representação midiática, de que maneira poderia permanecer incólume a representação dos mediadores políticos profissionais?"

    "Substituindo as graves assembléias por blogs, agregadores e links, mudando as reuniões e as bandeiras por concertos de rock e cartazes de impressão caseira, com frases provocativas, a revolução é vivenciada na primeira pessoa, como algo alegre, criativo, divertido e pleno, prefigurando o modo de vida pelo qual se luta, e a liberdade que se almeja, no estilo de vida que se descreve. As pessoas aderem a uma forma de viver, a uma aposta pela vida."

    ¨A lírica convida a se somar sem se diluir, procura a conversação, não a adesão. Trata-se de uma opção ética frente à dimensão excludente, sacrificial e de confrontação que irremediavelmente é colocada pela épica.¨

    ¨A partir dela tanto cabe a inclusão como um irônico distanciamento, mas nunca a excomunhão.¨

    ¨Não somos indivíduos, somos pessoas definidas não só por um ser, mas também por um conjunto de relações, de conversações e expectativas que configuram uma existência.¨

  • rafael ferreira de paula

    ¨Já a lírica nos diz que nossa identidade não reside no que somos, mas no que acreditamos poder alcançar, na felicidade da mudança seguinte, da próxima melhora possível. Convida-nos, pois, a definir-nos sobre o passo seguinte, a cada um levar a bandeira do seu próprio percurso. Convida-nos a fazer caminhos, cada um o seu, e a não a aceitar um único destino.¨

    ¨...se tentarmos centralizar o distribuído, se pretendermos ficar como os tutores do processo de debate que iniciamos, conseguiremos unicamente inibi-lo e, ao final, não teremos propostas claras às quais as pessoas possam aderir.¨

    " Se uma mensagem for bem articulada, poderá alarmar o suficiente para que as pessoas se envolvam. E se, por exemplo, formos contra um projeto de lei que, apesar da nossa luta, é aprovado? É provável que não vivamos, de forma evidente, um 1984 orwelliano no dia seguinte à sua aplicação, mas, seguramente, as coisas serão mais difíceis para os objetivos que perseguimos, e nos fará mais falta do que nunca formar opinião e mobilizar as pessoas. Se tivermos vendido a idéia de que as alternativas eram ou a retirada do projeto, ou o fim do mundo, definitivamente teremos perdido os bens mais valiosos: o ânimo dos que participam e sua confiança nas perspectivas abertas pelas suas próprias ações.¨

    ¨Se, de verdade, queremos propagar uma idéia, não devemos contrariar, em absoluto, que isto venha a ocorrer. Pelo contrário, não há
    melhor sintoma de que uma campanha distribuída está indo bem.¨

    ¨...o poder dos blogs nasce de gerar relatos concretos de um estilo de vida, nos quais, como dizíamos no capítulo anterior, o projeto é vivido na primeira pessoa como algo prazeroso, criativo, divertido e pleno, prefigurando o modo de vida pelo qual se luta e a liberdade que se almeja no estilo de vida que se descreve. As pessoas aderem a uma forma de viver, a uma aposta pela vida.¨

    ¨..a diversidade existe e sempre estará aí para lembrar-nos de que nunca existirão, nem como limites, os universais platônicos.¨

    "...razão, a perda da ilusão proprietária, excludente, também nos faz sentir próximos da vertigem inerente ao questionamento mais íntimo: aparece o caos, a mistura, a perda de uma origem clara, o fim de um mundo ordenado por objetivos."

  • rafael ferreira de paula

    Esclarecendo: do livro O poder das redes.