Escola de Redes

Transcrevo aqui um comentário do Pedro Ferrão, e peço ao Pedro e à Thereza que avancem mais na sua reflexão.

"Um texto wiki (colectivo) bem construído pode e deve reflectir a diversidade de pontos de vista que possam existir. Basicamente, prefiro que um wiki comece como uma colecção de tijolos de vários tipos, dos quais vai emergindo aos poucos uma construção (sempre provisória). Se for esse o processo, pode haver tempo para partilhar e socializar diferentes visões sobre a construção.
Penso que o wiki, enquanto ferramenta, não impõe esta abordagem de baixo para cima e do particular para o geral, nem o inverso. Penso que a abordagem adoptada depende mais do 'contrato' social entre os participantes, o qual pode favorecer mais um modelo do que outro. Mas o facto de o wiki permitir essas alternativas "obriga" a uma negociação permanente de sentidos.
Qual a vossa opinião? "

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Respostas a este tópico

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Bom, de Maria Thereza:

"Passei agora pelo grupo TRANSIÇÃO ORGANIZACIONAL e fiquei pensando se o material que está lá não seria melhor aproveitado em uma wiki. Mas por outro lado fiquei em dúvida se não seria o caso de ter as suas coisas, o grupo e a Wiki. O modo de construção de cada uma delas me parece ser diferente, o grupo é mais 'brainstorm', a wiki é mais reflexão e construção mais consciente."
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E do Augusto:

"Hehe, "contrato social"? E "negociação de sentidos"? Você levantou boas questões, meu caro Pedro Ferrão.

Todas as possibilidades estão abertas para nós, exploradores que somos. Mas... estou ansioso para ver como uma plataforma wiki poderá se adaptar a uma emergente "negociação de sentidos" sem um contrato social não-substantivo e definido ex ante. Sim, porque a plataforma Ning, com todas as suas deficiências, já detectadas por nós, pode funcionar como ferramenta (imperfeita, por certo) de netweaving com um contrato social não-substantivo, quer dizer, baseado apenas em acordos de convivência e regras adjetivas. Porém, se, pelo contrário, exigem-se acordos de conteúdo que não são estabelecidos no momento mesmo da interação, então caímos em esquemas de gerenciamento de conhecimento que pressupõem a existência de um objeto a ser organizado (e, portanto, tomam o conhecimento como objeto e não como relação social).

Ah!... Ou muito me engano ou tocamos no ponto. Wikis são boas para organizar o conhecimento (o que o Ning não é) com base na participação (cada qual toma uma parte). Mas wikis seriam boas para construir conhecimento na interação? "
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a pedidos, republico aqui (infelizmente sem links...)

Confesso que entrei no grupo só pra debater este último comentário do Augusto logo abaixo. Mas já que estou aqui, prometo me comportar e ajudar. hehe.

Eu queria puxar o gancho da provocação dele: "...wikis seriam boas para construir conhecimento na interação?" E pergunto: o que seria construir conhecimento numa plataforma? Registrar palavras de tal forma que os tijolinhos-palavras gerem muros-enciclopédias? Puxo outra variante: O que seria conhecimento na interação, numa plataforma? O Registro de acordos entre partes demostrando um resultado após debates?

Eu até entendo o prazer de ter registros, ainda que gosto mais do show do que da partitura. Mas quando ainda se pensa em organizar os registros através de acordos de resultados de interação, começo a achar isso insano.

Bom, isso é o que queria dizer antes de entrar no grupo. Agora que estou no grupo, queria sugerir algo que já falei com o Augusto muitos meses atrás: uma wikipedia nossa (ou contextopedia, como diz o ugarte e gosto mais) só me pareceria interessante se albergasse as várias possibilidades de significados de termos.

Imaginem a situação: Quem ou quems vai definir o termo "rede" em nossa contextopedia? E se eu não concordar com esse termo, ou pior, só com um trecho dele? O que comentei com o Augusto é que seria bacana criarmos tantos conceitos quantos quiséssemos: "redes, segundo sergio", "redes segundo estraviz", "redes, segundo mariazinha". Isso privilegia o sentido de abundância, coisa que a wikipedia tende a se opor, com seu modelo de escassez através dos conceitos como verdades únicas.

Enfim, só uns toques, pra, logo no começo, não wicarmos, ops, micarmos! (curioso o que uma só letrinha de cabeça pra baixo causa. hehe)
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Vou falar primeiro do que o Augusto falou, depois comento o do Pedro.

O Augusto toca num ponto interessante que nós em um momento ou outro, vamos ter que lidar, mas de um jeito mais... leve? sem preconceito? com outros olhos? com outro tipo de abordagem?.. que é a editoração.

Nós tendemos a crer que "editoração" é só coisa de autor de livro, editor, livreiro, ou coisa que o valha, mas editoração também é o famoso "telefone sem fio", começa se falando em abóbora e se termina falando em cores de quarto.

Em resumo, é o fato de quem lê ou escuta algo, muda o que leu ou ouviu ou viu ao passar adiante.

Uma discussão do tipo "brainstorm" dispensa editoração, seria mais "real e fiel" ao que é dito por quem disse (ou escreve), bem mais "real e fiel" que uma wiki, que mesmo sendo colaborativa não pode deixar de ser "editada". E aí a coisa pode ser deturpada, ou não.

Coloco dois pontos que me chamam a atenção:

- Que uma discussão do tipo "brainstorm" dispensa editoração, seria mais "real e fiel" é uma meia verdade, porque quando o outro lê já está editorando, não existe uma "leitura absoluta".

- uma wiki, que mesmo sendo colaborativa, tem que ser "editada". E aí a coisa pode ser deturpada, ou não = a saída para isso é considerar a wiki uma outra obra, uma construção baseada no que os outros falam ou escrevem, não uma "reprodução fiel". Um repositório construído, não uma discussão.
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Marcelo:

"Imaginem a situação: Quem ou quems vai definir o termo "rede" em nossa contextopedia? E se eu não concordar com esse termo, ou pior, só com um trecho dele? O que comentei com o Augusto é que seria bacana criarmos tantos conceitos quantos quiséssemos: "redes, segundo sergio", "redes segundo estraviz", "redes, segundo mariazinha". Isso privilegia o sentido de abundância, coisa que a wikipedia tende a se opor, com seu modelo de escassez através dos conceitos como verdades únicas."


Concordo, imprescindível.

Mesmo porque uma definição pode não ser adequada ao contexto de alguém, mas uma outra ser.

E as duas definições (ou mais) poderiam estar corretas.
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Pedro,

Eu entendo sua metáfora do tijolo nas wikis como algo que vai até a construção de algo maior e que deve ser feito com "várias mãos" e não uma só.

Mas também ela pede a idéia de que deverá haver uma harmonização entre estas várias mãos e que por definição o todo irá se sobrepor às partes.

Ou seja, vai valer mais o coletivo do que o individual.

Acho isso muito interessante, e é o que me atraí nas wikis.

Mas por outro lado acho a plataforma NING muito mais que grupos, fóruns, eventos, páginas pessoais, etc,etc.

O que me atrai no NING em geral é a interação entre tudo isso e, de modo particular, a maneira que esta interação está sendo feita na Escola de Redes.

Isso que você fala sobre o NING me remete também a discussão sobre o twitter, porque assim como o NING é uma ferramenta (ou melhor dizendo, um conjunto de ferramentas colocadas em um mesmo ambiente), o twitter também é, mas no final das contas, o importante mesmo é o que se faz com eles, é o uso, é a interação com outras plataformas/ferramentas/mídias.

Uma wiki dentro do NING escola de Redes, para mim, seria outra ferramente a ser usada para aprender a fazer mais uma interação, e uma interação que como escrevi acima, exige que todos colaborem com todos.
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Interessante.
Penso que a questão que nos pode ser mais útil não é, por agora, a de saber se há alguma forma de definir o termo "rede" que não oculte os sentidos possíveis ou já expressos. Tanto mais que é provável que não haja forma possível e que preservar a abundância de sentido implique de facto renunciar a uma definição.
A questão mais útil é a de saber qual a melhor forma - quer conceptualmente quer em termos de plataforma - de indexar os sentidos já expressos. Por causa deste simples facto: o aumento da abundância de informação colide com a limitação humana de processar informação. E é óbvio que quem contribui para o já vasto acervo da E=R terá a expectativa de o tornar acessível aos vários interesses e níveis de exploração.
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"Por causa deste simples facto: o aumento da abundância de informação colide com a limitação humana de processar informação."

Verdade inquestionável.

Ando lendo pouco o meu twitter por conta disso.

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Indexar é interessante. Remete aos estudos que o Pierre Levy vem fazendo. Mas aí é muito mais programar uma "máquina-robozinho" que rastreie as coisas e consiga indexá-las do que "re-registrar" a construção do conhecimento da (e não na) interação. Resumindo, porque ficou confuso: indexar me parece o verdadeiro desafio que estamos precisando enfrentar neste ning, mais do que "re-registrar"
Sim, Marcelo, mas eu quis dizer mesmo 'na' (e não 'dá')...

Marcelo Estraviz disse:
Indexar é interessante. Remete aos estudos que o Pierre Levy vem fazendo. Mas aí é muito mais programar uma "máquina-robozinho" que rastreie as coisas e consiga indexá-las do que "re-registrar" a construção do conhecimento da (e não na) interação. Resumindo, porque ficou confuso: indexar me parece o verdadeiro desafio que estamos precisando enfrentar neste ning, mais do que "re-registrar"
Maria Thereza

Concordo com o que você diz: "o importante mesmo é o que se faz com eles [ferramentas]" e portanto que o que você vê na E=R, "de modo particular, a maneira que esta interação está sendo feita na Escola de Redes", é por causa das pessoas e da sua interacção, não do Ning. A plataforma se limita a servir de pombo correio. :)

Quanto ao wiki, nós tendemos a representar na nossa mente apenas um tipo de organização de conteúdo - o tipo enciclopédico. Mas o wiki não impõe isso. Nem é obrigatório que haja um discurso colectivo sequer. Se ele existe é porque decorre do contracto social do grupo, que pode ser mais ou menos explicito/implícito, mais ou menos negociado/imposto, mais ou menos pre-definido/evolutivo, mais ou menos criador de abundância/escassez. Basicamente a ausência de uma plataforma pode impedir um certo modo de interacção social mas a sua existência não determina, por si só, o modo de interacção.

Sou de opinião de que poderíamos indexar mais facilmente informação - e teríamos de discutir os respectivos critérios, negociando o sentido dessa indexação, problema de "pescadinha de rabo na boca" - do que na plataforma Ning, sendo o risco de ocultação de sentidos semelhante.
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Marcelo e Pedro,

Indexações são o final de um processo e não o começo e nem o meio.

Para indexar algo necessariamente precisamos conhecer este algo e seus processos. Conhecer a lógica deste algo e de seus processos. E seus contextos, inclusive.

Por isso que se fala, fala .. e fala, de web semântica, mas poucos entendem e poucos sabem o que fazer ('poucos' dentro de um universo que fala sobre isso).

E eu acho que construir wikis, o processo de contrução, pode ajudar inclusive na percepção de como indexar coisas no NING.
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