Escola de Redes

Este tópico destina-se a responder/questionar/discutir as perguntas fundamentais da Maria Thereza:

"Talvez as perguntas mais pertinentes sejam: "para que serve uma wiki ?", "ele deve ser usada junto com algo ou se basta?", "como usar uma wiki?"."

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Respostas a este tópico

Thereza
Uma wiki serve para que n pessoas possam colaborar numa base n com n, editando páginas.
Cada página passa a ser um produto coletivo.
Por exemplo, ninguém conseguirá editar este meu comentário, que está por ora bastante incompleto. Quem quiser agregar terá que escrever mais comentários, quando o preferível seria termos uma página respondendo de forma plena a todas essas questões. Essa página iria enriquecendo com a contribuição de cada um, que condensaria o que outros já tivessem escrito, eliminaria redundâncias, e faria da página uma peça de boa qualidade para quem chegasse depois.
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Deve ser usada com algo ou ela se basta?
Depende da finalidade. Hoje conversei com uma cliente que quer usar wikis para relatórios de viagem que contêm muitas informações valiosas. Mas há um formulário que os viajantes precisam preencher com os dados estruturados da viagem. Nesse caso a wiki somente não basta. O ideal é que fosse integrada com a ferramenta em que é feito esse formulário. Porém, em muitas aplicações, wikis são suficientes. Exemplo: enciclopédias corporativas.
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Como usar uma wiki?
Acho que respostas a essa pergunta virão deste grupo. Depende da aplicação que se tem em vista. São respostas que vão se ramificando em possibilidades e subpossibilidades, e uma wiki facilita exatamente isso, ao contrário de um fórum, como é este onde estamos discutindo. Na wiki vamos criando páginas. Aqui eu fiz algo parecido: a sua pergunta me levou a criar um tópico novo, para não congestionar (e não prejudicar) o fluxo do que estávamos discutindo. Mas aqui a criação de novos tópicos, acima de um certo volume, cria caos. Na wiki pode não criar, dependendo de como é organizada.

Wikis dão mais, mas também pedem mais, porisso são mais difíceis de pegar. É preciso organização.

Sugiro você estudar a wiki Anotações criada pelo Régis, para ter uma ideia mais clara de como funciona. Será mais fácil de aprender, pois está bem dentro do nosso contexto.

Um abraço
Sérgio Storch
Tenho alguma dificuldade em trocar ideias falando (escrevendo) em abstracto sobre os wikis. Uma vez que, no dizer do Sérgio, «Depende da aplicação que se tem em vista», penso que seria interessante fazer a discussão baseada em casos ou questões concretas e de uma forma que seja a busca a organizar o conhecimento, também neste tópico.

Por exemplo, gostaria muito que a Carla Lam trouxesse aqui uma ideia da ordem pela qual foram criadas e utilizadas as várias ferramentas dos Românticos Conspiradores e qual dimensão aproximada do grupo/rede em cada uma dessas fases.

Também tenho curiosidade em saber que opinião a Carla tem sobre a eficácia de cada instrumento para o grupo/rede, ou, dito de outro modo, o que suscitou de cada vez a busca de nova ferramenta (assumindo que nenhuma foi inteiramente satisfatória) e quais se mantiveram funcionais e porquê.

Obrigado pela vossa partilha.
Car@s olá.

Venho pesquisando o tema já faz algum tempo. Exemplos de minhas experiências na Wikipédia podem ser vistos em:

QUARTA-FEIRA, 17 DE MARÇO DE 2010

Temas acompanhados na Wikipédia


http://sinapsesgaia.blogspot.com/search/label/Wikipedia


Após participar de um wikishop, conduzido pelo Storch, em 16/03/2010 e em processo na Wiki do evento, fiz uma pesquisa sobre o uso de Wiki em Organizações cujo resultado pode ser visto em:


QUINTA-FEIRA, 18 DE MARÇO DE 2010

Wiki corporativo: porque e como ter um Wiki na sua Organização?


http://sinapsesgaia.blogspot.com/search/label/Wiki

Recomendo ainda os seguintes verbetes da wikipédia:

Crowdsourcing
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre


O crowdsourcing é um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Crowdsourcing

Wikinomics
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Wikinomics é um neologismo criado por Don Tapscott e Anthony D. Williams, que deu origem ao livro Wikinomics: How Mass Collaboration Changes Everything, publicado em 2006 nos EUA e, no ano seguinte, lançado no Brasil.

Para cunhar o termo Wikinomics, os autores basearam-se na ferramenta wiki, que, segundo eles, "mais que um programa que permite que múltiplas pessoas editem sites, é uma metáfora para uma nova era de colaboração e participação”.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikinomics
O que em concreto se pode fazer numa plataforma wiki? Ou, para simplificar:
O que se pode fazer no Ning que não se pode fazer num wiki?
O que se pode fazer num wiki que não se pode fazer no Ning?
As principais diferenças que vejo, Pedro, são as seguintes:
1. granularidade: os wikis permitem granularizar o conteúdo ad infinitum, através da criação de novas páginas. O ning e outros ambientes de relacionamento não são "content-centric", e sim "interaction-centric". No ning a possibilidade de granularização de conteúdo consiste em apenas 2 níveis: grupo e tópico de discussão.

2. coedição. No wiki posso coeditar uma página com você. No ning não, só posso responder. Com isso a informação fica redundante e fragmentada. A vantagem é que fica associada a seu autor, o que na wiki em geral não acontece: o conteúdo é de autoria coletiva (embora a wiki comporte a possibilidade de ter páginas de autoria também, dependendo do contrato social.

3. interatividade. No ning os mecanismos de atração são mais desenvolvidos: você pode convidar alguém simplesmente para fazer parte da rede. Já no wiki, se você não tiver de início uma página específica de interesse para essa pessoa, nao há motivo para convidá-la.

4. plasticidade. Se o conteúdo se mostrar deficiente, na wiki você pode sempre editá-lo, colocando novos links, novas hierarquias de navegação, consolidando vários textos num só, eliminando redundâncias etc. No ning o que foi escrito fica lá para sempre, competindo com conteúdos mais consolidados e exigindo mais tempo para chegar aonde se deseja.


Tese a ser demonstrada: um wiki bem construído é mais acessível e induz a maior participação do que um ning.

Faz sentido?

Pedro Ferrão disse:
O que em concreto se pode fazer numa plataforma wiki? Ou, para simplificar:
O que se pode fazer no Ning que não se pode fazer num wiki?
O que se pode fazer num wiki que não se pode fazer no Ning?
Sergio, bacana essas colocações das diferenças. Clareou bastante! (mas permaneço preocupado com a ideia do wiki como enciclopedia e não como contextopedia...)

Sobre sua tese:
"Tese a ser demonstrada: um wiki bem construído é mais acessível e induz a maior participação do que um ning."

Faço uma aposta:
Não chegaremos a 46 pessoas com alta participação no wiki (equivamentes a 1% dos bastante ativos daqui no ning). Não necessariamente as mesmas 46 pessoas, mas aproximadamente os mesmos 1%. Isso não é ruim, pelo contrário, é ótimo. São sempre esses 1% da população que estão moldando nossa sociedade de forma irrever.... Dito isso, queria só dizer que não acho que ning ou wiki são um mais acessível e induz a maior participação do que o outro.

Eu tenho dois enormes receios quanto à wikidificação (e entendam que não estou nunca defendendo o ning contra o wiki, ok?) e vou usar suas proprias definições: coedição e plasticidade. Mas isso amanhã, que está tarde e estou com sono. :)
Lo que creo que es lo mas fuerte del concepto wiki es la posibilidad de crear "lo común". En ning podemos convivir eternamente (o no), con el solo hecho de pasar, ver, comentar. La wiki necesita de la colaboración común a la construcción.
Claro esto si estamos de acuerdo en "construir" algo en común. Si el objetivo es solo intercambiar ideas la síntesis la hace cada uno. La wiki es mas colectivista, ning puede ser altamente individualista. En la EdR convivimos ambos dos.
.
Sérgio:

Colocações interessantes.

Opino sobre sua "tese a ser demonstrada: um wiki bem construído é mais acessível e induz a maior participação do que um ning."
Eu acho que com uma WIKI vamos organizar melhor o conteúdo do NING Escola de Redes e disponibilizá-lo para mais pessoas. Concordo que conteúdo fica disperso demais e é um conteúdo único e valioso.

Mas se sua tese vai ser provada, ou não, depende do que você entende por maior participação, porque eu concordo com o Marcelo quanto ao 1% de "construtores".
.
Opinei aqui. A abertura de vários tópicos sobre o mesmo tema nos deixou sem lugar para opinar sobre o problema substantivo implicado no chamado Wiki Way.
Coeçando com a sutileza paquidérmica da frase do Augusto : "Coletivo é o caralho" (hehehe) da qual concordo, que conste, eu queria puxar dois dos 4 temas que o Sergio nos trouxe na muito boa explanação logo aí acima. Separo duas onde acho que tem sim problema:

Sergio disse:
2. coedição. No wiki posso coeditar uma página com você. No ning não, só posso responder. Com isso a informação fica redundante e fragmentada....

Tens falado muito de redundância, Sergio. Mas isso é abundância. Quem define o que é redundante é o leitor, que passa pra frente se não interessa. E tem as nuances dessas redundâncias. O tempero pessoal de cada um. Eu juro que mato um se na experiência wiki criarmos uma página definindo (coletivamente ou o esambau) o que é rede, ou o que é grafo. Se cada um que quiser, fizer sua página wiki sobre rede, o que aparentemente parece redundante acaba crescendo nas nuances. E os links para as respectivas páginas nos mostrarão o que parece estar gerando consenso. mas veja, a posteriori, e não a priori. Uma única página com o conceito rede, mesmo que coeditada por vários, é sempre mais pobre do que duas páginas, o que diremos de 40. Ou seja, sou defensor do wiki, mas com esse contrato social estabelecido.


Falaste também de:
4. plasticidade. Se o conteúdo se mostrar deficiente, na wiki você pode sempre editá-lo, colocando novos links, novas hierarquias de navegação, consolidando vários textos num só, eliminando redundâncias etc. No ning o que foi escrito fica lá para sempre, competindo com conteúdos mais consolidados e exigindo mais tempo para chegar aonde se deseja.
Pois se mexeres na minha página contendo o conceito de rede, levas cacete. Essa é a diferença primordial que estou colocando. Os wikis modelo enciclopedia tem um contrato social para chegar-se a um só conceito universal. Eu vou defender até a morte infinitos conceitos multiversais.
E trazes de novo essa ideia de redundância... aiai. Tô sentindo que você tá a fim de faxinar aqui, é isso? hehe. O ning tem mesmo um search ruim (falta indexação, falei disso láááá atras) mas não sinto uma "competição de conteúdos", colo colocas. Eles convivem, só isso. Tua ideia de plasticidade combina com a minha se eu tivesse um repositório para colocar conceitos onde não precisamos nos repetir individualmente. Mas isso está longe da sua ideia de redundância. Eu não quero ME repetir, mas concordo plenamente que quem quiser possa repetir o que eu estou dizendo, com seu tempero. Isso é abundãncia e não redundância.

eu juro, mas juro mesmo, que isto é meu ultimo comentário até que se crie o repositório, para continuarmos a discussão enquanto praticamos.
Sérgio, a plataforma Ning confere poderes exagerados aos administradores, já vimos isso. Fiz ontem um post sobre o tema, discutindo o comentário do Pietro R. Não depende da vontade "do Augusto". Do jeito que você falou dá a impressão de que centralizo por decisão individual, o que não é verdade. Aliás, o link para o wiki aberto pelo Regis foi para a homepage desde o primeiro momento. Não era (como não foi) necessário fazer “lobby com o Augusto”.

Mas... voltando à sua questão das vantagens do wiki do ponto de vista da distribuição. E se estivéssemos em uma plataforma wiki, o mesmo não ocorreria? Todos teriam login e senha? Todos teriam as mesmas permissões? Ou seja, todos teriam as mesmas liberdades para uso do software? Me mostre um software que você utiliza onde isso é praticado!

Entenda bem: apóio qualquer iniciativa de experimentar diferentes plataformas. Faça isso, Sérgio! Proponha, inaugure. Ainda que eu ache que ambientes desintegrados criarão mais problemas do que soluções. Vamos acabar trocando seis por meia dúzia. E algumas pessoas vão interagir em um ambiente, outras em outros e a gente vai acabar separando clusters. Aí sim vamos introduzir o tal do poder que, do ponto de vista das redes é sempre exclusão de nodos ou obstrução de fluxos ou desatalhamento de clusters. Por isso o nosso grande desafio é o de achar ou construir uma plataforma adequada de netweaving. Ou, se for possível, introduzir modificações neste Ning de sorte que ele possa, por exemplo, aceitar wikis e outros mecanismos de organização do conhecimento mais adequados à dinâmica da interação.

As deficiências e insuficiências do Ning do ponto de vista da articulação e animação de redes não dependem do Augusto. Eu não inventei o Ning. Quando procuramos uma plataforma para a E=R não havia outro software que fosse web, gratuito, tão amigável e interativo. A meu ver, ainda não existe. Por isso me pareceu que este seu comentário não foi muito correto ao ficar passando, de modo oblíquo, a interpretação solerte de que o Augusto centraliza porque só ele pode mandar mensagens a todos os membros, porque só ele pode publicar nas caixas de texto da homepage.

Dada a arquitetura do Ning só não haveria algum tipo de centralização se todos os 4 mil e tantos conectados fossem administradores. Podemos fazer isso, mas... nesse caso, a plataforma poderia ser inviabilizada em poucas horas. Porque qualquer pessoa que entrasse poderia excluir as demais, colocar uma propaganda de pornografia infantil na home e fazer outras coisas piores. Isso acontece porque somos uma rede aberta, que não faz mediação para a adesão de ninguém. Sabemos dos riscos de manter uma plataforma aberta, onde qualquer ser humano possa se conectar. Até agora, pelo menos, a experiência mostrou que vale a pena correr os riscos inerentes a tal abertura. Parece muito melhor do que colocar filtros, pré-selecionar as pessoas e introduzir outros procedimentos e mecanismos centralizadores.

Mas observo que os mais fervorosos adeptos do wiki, em geral, não articulam e animam redes. É, esse é o ponto, Sérgio. Esse pessoal não tem experiência de articulação e animação de redes distribuídas (quer dizer, mais distribuídas do centralizadas). Não concorda? Então me mostre as redes que eles articulam e animam. Heim?

E, reafirmo minha impressão: os wikis não foram pensados numa lógica de rede (distribuída). Toda organização do conhecimento ex ante à interação está imbricada numa seleção de caminhos (quero dizer que, sob a justificativa de organizar o conhecimento para os outros, via de regra vai embutido no pacote um mecanismo que introduz escassez). O desafio para a turma que quer organizar o conhecimento para os outros e quer, simultaneamente, “fazer redes”, é encontrar um modo de fazer isso sem querer organizar demais a auto-organização, hehe.

Você pode organizar o conhecimento para você, Sérgio. Do jeito que você quiser. E pode propor procedimentos e mecanismos para ajudar a resolver os problemas do Ning no que tange a facilitar a indexação ou a busca de conteúdos (uma deficiência da plataforma já amplamente detectada e comentada por nós).

O que não acho correto é usar esse pretexto para discutir a suposta verdade da inevitabilidade das hierarquias e outras crenças análogas. Sim, você pode discutir isso também. Mas então assuma corajosamente que você está discutindo isso.

É a minha opinião, não é uma censura, não é repressão. É apenas uma opinião baseada na observação. Você nem sabia que o Ning possui um motor de busca. Quando não sabia disso, você já reclamava que no Ning não era possível encontrar um conteúdo, para evidenciar que a plataforma não era adequada para organizar o conhecimento do jeito que você concebe que deva ser feita tal organização.

Esta Escola-de-Redes foi pensada como uma escola-não-escola. Isso está nas suas declarações fundantes. Não queremos e não vamos montar uma oligarquia participativa para organizar o conhecimento para os outros. Se quiséssemos fazer isso fundaríamos uma escola. Mas todos são livres para fazer o que bem-entenderem. Por isso escrevi, ainda em 2008, o texto Articule você também uma escola de redes.


Sergio Storch disse:
Vivi, suas considerações sobre os motivos do projeto Anotações não ter pegado são preciosas. Em boa parte, eu concordo, mas não totalmente.
Por que mais não pegou?
Propaganda é a alma do negócio, e é um recurso escasso. Aí não há abundância. Ao contrário, estamos no campo da economia da atenção, e ATENÇÃO É ESCASSA!. O projeto Anotações foi pouco divulgado. Os recursos para chamar a atenção das pessoas são limitados: a home, as mensagens a todos, e estão centralizados na pessoa do Augusto, a quem todos os demais podem ter acesso no que depende do Augusto, mas não no que depende de cada um, pois cada um se comporta de acordo com o histórico da relação que tem com cada um dos demais. Talvez 100 pessoas vencessem essa barreira, talvez 150 (para coincidir com o número de Dunbar, pois tem algo a ver). Os demais 4850 da E=R não venceriam. Na governança da Wikipedia as proporções são bem diferentes, e em parte porque a granularidade da Wikipedia permite distribuir poder de forma mais ampla. Repare que eu usei o termo granularidade, não por acaso. É uma propriedade dos wikis.

Outro motivo: liderança. Temos claramente na E=R, como em qualquer outra organização humana, pessoas que têm maior influência. Claro. Isso está nas teorias mais variadas sobre distribuições assimétricas: Pareto, 90-9-1 etc. Se uma meia dúzia de pessoas tivesse comprado a ideia, acreditado e trocado telefonemas num fim de semana, o projeto talvez tivesse pegado e talvez tivesse envolvido algumas dezenas. Ou seja, wiki não pegou porque não contou com essa massa crítica inicial. O que não significa que não pegarã em outros momentos. Dependendo de meia dúzia, ele pegará ou não.

Mais um motivo, relacionado ao anterior: a topologia de nossa rede de pessoas (talvez esse termo facilite mais do que o termo asséptico "rede social". O Régis, que foi o idealizador e empreendedor do projeto Anotações, não tinha ainda proximidade com o Augusto, que o levasse a fazer lobby para o Augusto colocar em destaque na home page e em outros lugares bem visíveis.

Nossas distâncias sociais são muito variadas, dependendo de como e onde nos conhecemos, sobre o que já conversamos etc. Não somos formigas nem gaivotas. Veja que esse tipo de consciência, e uma visão de nossa rede que uma ARS poderia proporcionar, seriam vitais para empoderamento das pessoas na rede, ou seja, para a rede se tornar mais distribuída do que centralizada.

Aí vem uma outra pergunta, que considero fundamental: COMO EMPODERAR A REDE?

E já me permito um início de resposta, com um conceito que me veio à memória de leituras que fiz há quase 30 anos: a teoria do poder de soma não-zero. O poder de um sistema humano depende dos poderes individuais, o que confronta a noção vulgar de poder de soma zero (noção segundo a qual o seu poder aumenta na medida em que o meu diminui, pois o bolo de poder não aumenta). É uma noção amplamente aceita no imaginário coletivo, e em geral falsa. Lembro do nome de dois dos autores que me fizeram enxergar isso, quando estudei auto-gestão nos kibbutzim israelenses: Tannenbaum e Eric Abrahamsson.

Achei agora: Tannenbaum, A., and R.L. Kahn, “Organizational Control Structure,” Human Relations, 10, 1957, 127-140.

Trata-se, se queremos uma rede social forte, de termos um projeto de criação de poder.

Se essas reflexões estão confusas, é porque são 01:15 e eu estou escrevendo compulsivamente (já vou parar).

Para concluir: de forma análoga, numa empresa em rede como o Google, o "projeto Anotações da CIRS" talvez tivesse poucas chances de atravessar a barreira da mortalidade infantil, se o seu propositor tivesse distância social grande daqueles que decidem a alocação de recursos. E um maravilhoso produto da Google não teria nascido.
Pessoal,

Posto aqui uma apresentação que elaborei para falar sobre algumas aplicações práticas wiki.
A apresentação é assinada com minha empresa, portanto tem um caráter comercial de certo modo.

Embora o objetivo aqui seja discutir com vocês onde se aplicam esta ferramenta.

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