Escola de Redes

A transição da organização piramidal para a organização em rede ainda está imersa no nebuloso estágio das especulações. Mas essa será, daqui para frente, uma das principais aplicações da ciência das redes.

Na medida em que se afirma a evidência de que tudo que é sustentável tem o padrão de rede, cada vez mais organizações - inclusive empresariais - vão descobrir que a sustentabilidade não depende de seu ativismo social ou ambiental, nem do exercício de sua responsabilidade corporativa no campo econômico e sim da maneira como elas interagem com o "ecossistemas" (as redes - ou comunidades - de stakeholders) em que estão inseridas e da maneira como integram os estímulos provenientes do meio com seus esforços internos de preservar o seu padrão de organização ao mesmo tempo em que são capazes de mudar e conservar seus modos de adaptação.

As organizações hierárquicas não tardarão a descobrir que sua sustentabilidade depende dos graus de distribuição e conectividade das suas redes "interna" e "externa" (e que, na verdade, essas redes só são compreendidas como duas redes em razão dos padrão piramidal adotado).

Roteiros para implementar processos de transição de organizações-mainframes para net-orgs, quase não existem ainda; ou, se foram porventura aventados, não foram adequadamente justificados e suficientemente testados. Portanto, esse é um campo imenso de investigação, aberto à inovação.

A proposta seguinte, conquanto possa ser adaptada para qualquer tipo de organização hierárquica, foi pensada inicialmente para empresas.

ROTEIRO PARA A TRANSIÇÃO

Um roteiro para essa transição poderia ser dividido em alguns "passos" (etapas e fases). Vamos apresentar a seguir cada um desses passos, não sem deixar de alertar que eles constituem apenas sugestões que podem – e devem – ser adaptadas às características particulares de cada empresa e às circunstâncias que a cercam. Não há uma ciência aqui, nem mesmo uma tecnologia comprovada; apenas indicações inspiradas nos conhecimentos que já possuímos das redes distribuídas, em grande parte baseadas na experiência recente.

AÇÕES PRELIMINARES

1 | Sensibilização

1.1 - Palestras gerais sobre a Transição para o pessoal interno da organização e seus stakeholders

1.2 - Oficina específicas sobre a Transição com todos as unidades gerenciais da organização

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2 | Diagnóstico do Padrão Organizacional (Mapa da Organização e Mapa dos Stakeholders)

2.1 - Mapeamento: in company

2.2 - Análise (SNA - Social Network Analysis e DNA – Dinamics Network Analysis): in office

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3 | Decisão de iniciar a Transição

3.1 - Summit interno para apresentação do Diagnóstico aos decisores

3.2 - Decisão da organização

3.3 - Escolha da unidade de gestão inicial (piloto) que será induzida a fazer a transição

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INSTALAÇÃO DO PROGRAMA

4 | Constituição do Embrião da Rede

4.1 - Sensibilização de voluntários e recrutamento de candidatos

4.2 - Capacitação dos candidatos

4.3 - Avaliação e seleção dos voluntários

4.4 - Constituição do Embrião da Rede e pactuação do propósito inicial, dos objetivos do seu trabalho, de suas tarefas, de suas dinâmicas de relacionamento e de seus instrumentos conceituais e ferramentas tecnológicas

4.5 - Capacitação em netweaving do Embrião da Rede

4.6 - Comunicado dos decisores (do CEO, no caso de empresas) sobre os objetivos e o mandato do Embrião da Rede

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5 | Implantação do SMA - Sistema de Monitoramento e Avaliação

5.1 - Implantação do SMA online (real-time) incluindo indicadores já utilizados pela organização e novos indicadores do processo de transição

5.2 - Recrutamento, capacitação e engajamento no trabalho dos operadores do SMA

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EXECUÇÃO DO PROGRAMA PILOTO

6 | Constituição da Rede

6.1 - Articulação e animação da rede na unidade gerencial escolhida como piloto

6.2 - Exercício da responsabilidade corporativa por parte da rede

6.3 - Montagem da organização em rede (espelho), virtual paralela

6.4 - Desenvolvimento e experimentação de novos modelos de gestão e de governança

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7 | Avaliação do Piloto

7.1 - Reunião com os decisores da organização para fazer um balanço do processo

7.2 - Decisão da organização de continuar (ou descontinuar) o processo

7.3 - Decisão da organização sobre a expansão da transição para outras unidades gerenciais (áreas ou setores)

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EXPANSÃO

8 | Generalização da Transição

8.1 - Realização das "passos" 4 a 7 nas outras unidades gerenciais (áreas e setores) da organização (incluindo seus stakeholders) com a adaptação dos novos modelos de gestão e de governança que foram testados na etapa piloto e a descoberta de novos modelos e sistemas

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INTEGRAÇÃO

9 | Constituição da organização virtual (espelho) paralela

9.1 - Integração das organizações em rede que surgiram dos ensaios de transição (setoriais) em um mesmo sistema organizacional (orgânico)

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CONCLUSÃO

10 | Avaliação e decisão final

10.1 - Reunião com os decisores da organização para fazer um balanço final do processo

10.2 - Decisão da organização de gerar uma nova organização

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11 | Geração da nova organização

11.1 - Definição da causa da nova organização

11.2 - Redefinição da identidade da empresa (incluindo branding-em-rede)

11.3 - Substituição dos velhos modelos de gestão e sistemas de governança da organização hierárquica pelos novos modelos de gestão e sistemas de governança da organização-em-rede

Clique AQUI para trabalhar nesta parte 11.

QUAL O TRABALHO QUE FAREMOS AQUI?

A idéia é comentar os "passos" acima (e, evidentemente, o seu encadeamento), descrevendo-os em detalhes (como-fazer). Para cada "passo" foi aberta uma seção (chamada aqui no Ning de "Discussão").

Observações gerais sobre esta Proposta Inicial devem ser feitas aqui, como comentários a este post. Observações - e detalhamento - sobre cada um dos "passos" devem ser feitas nas seções respectivas.

Só devem participar deste Grupo as pessoas que concordarem em trabalhar sobre esta Proposta Inicial, mesmo que seja para modificá-la. Quem não concordar, pode abrir um outro grupo (se desejar).

Estamos fazendo uma experiência e estamos todos aprendendo com ela. Não podemos saber de antemão se funcionará (e nem se as funcionalidades desta plataforma serão adequadas para tal trabalho de elaboração coletiva).

Boa sorte para nós!

ACRÉSCIMOS DE 06 DE AGOSTO DE 2009

"Nós já temos as ferramentas conceituais e podemos criar as metodologias (sociais) e as tecnologias (interativas) para substituir processos de gestão organizacional baseados em comando-e-controle por processos emergentes articulados em rede".

Um "programa" para a transição organizacional não é nada mais do que está expresso na frase acima. Podemos ter vários programas para fazer isso porque os caminhos da transição são múltiplos. De certo modo, tudo que substitui processos de gestão organizacional baseados em comando-e-controle por processos emergentes articulados em rede, entra - quer dizer, coloca a organização - no processo da tal transição.

Não vamos perder muito tempo com controvérsias semânticas. Quando dizemos "fórmula" (entre áspas), isso significa que não há uma fórmula. Quando dizemos "programa" (entre áspas), isso significa que não há um programa. Os caminhos para a rede como padrão de organização são múltiplos, como são as redes (por definição = múltiplos caminhos).

A frase replicada acima contém vários elementos: sobre os meios e sobre o objetivo do processo (de transição). Mas nada fala sobre o processo de transição em si.

SOBRE OS MEIOS

Ferramentas conceituais | Já temos tais ferramentas? Sim. São as idéias sobre a topologia e a fenomenologia das redes que estão surgindo a partir da nova ciência das redes: o que é uma rede, o que é uma rede social, o que é uma rede social distribuída (a rigor, mais distribuída do que centralizada), o que é uma rede social centralizada (a rigor, mais centralizada do que distribuída ou hierarquia), como calcular o índice de distribuição de uma rede, como mapear uma rede organizacional formada pelas conexões entre o pessoal interno e, mais amplamente, pelas conexões com uma parte mais próxima de todos os stakeholders da organização, quais os fenômenos que se manifestam na rede em função dos seus graus de distributividade e conectividade (clustering, swarming, crunching, dentre outros) e qual a relação desses fenômenos com a auto-organização, com a auto-regulação emergente, com a produção de ordem bottom up a partir da interação et coetera. Parte desses conhecimentos - não há porque esconder isso, a pretexto de vender uma imagem de modéstia - foram desenvolvidos por pessoas conectadas à Escola-de-Redes.

Metodologias sociais | Já temos tais metodologias? Em parte, sim: por exemplo, as metodologias de diálogo. Tem gente na Escola-de-Redes que trabalha diariamente com isso (como o pessoal da Papagallis). E em parte ainda não. Pois não temos completamente desenvolvidas metodologias de netweaving. Podemos desenvolvê-las? Sim, podemos.

Tecnologias interativas | Bem, aqui entramos no terreno das ferramentas tecnológicas stricto sensu. Já temos plataformas interativas - como o próprio Ning, o Elgg, o Noosfero - que poderiam ser adaptadas para o propósito da transição organizacional. Não foram feitas para isso, mas podem ser desenvolvidas com tal propósito. Por exemplo, podemos organizar uma empresa no Ning, substituindo os departamentos por grupos, as reuniões por fóruns, os chefes por administradores e netweavers, a ligação com stakeholders por conexões à plataforma, as pautas gerais de serviço por avisos, mensagens de blog e novas páginas e assim por diante. Não temos ainda um software adequado e customizável para tanto. Mas já temos na Escola-de-Redes pessoas capazes de trabalhar nisso.

SOBRE O OBJETIVO DO PROCESSO DE TRANSIÇÃO

Substituir processos de gestão organizacional baseados em comando-e-controle por processos emergentes articulados em rede | Está claro o objetivo. O problema é mostrar as vantagens dessa substituição para os potenciais interessados na transição (dirigentes de organizações hierárquicas empresariais, sociais e governamentais). A razão principal é aumentar as chances de sustentabilidade (e já existem algumas argumentações estruturadas sobre isso, como, por exemplo, a que está no livro Tudo que é sustentável tem o padrão de rede). Mas há também outras razões que precisam ser estruturadas: aumentar a capacidade de inovar e aumentar a produtividade (ambas ligadas, cada qual de uma maneira ou a seu modo, à temática da sustentabilidade organizacional). Faltam também os famosos cases para apresentar. Bem, isso não temos, não pelo menos como casos bem-sucedidos de transição organizacional. As organizações em rede que conhecemos, na maior parte dos casos, já surgiram assim (lançando mão de padrões mais distribuídos do que centralizados de organização). Mas temos exemplos pontuais, envolvendo em geral a peer production e o crowdsourcing.

SOBRE O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO

Bem, este é o programa! O que chamamos de programa de Transição Organizacional nada mais é do que o conjunto de novos procedimentos que serão introduzidos para realizar a substituição de processos de gestão baseados em comando-e-controle por processos emergentes articulados em rede. Como será feita tal substituição? Quais as metodologias sociais e as tecnologias interativas que serão introduzidas e quando isso será feito? Qual a "passologia" (o passo-a-passo) customizável para cada organização, a partir do mapeamento da sua rede interna e da rede dos seus stakeholders? Essa substituição - necessariamente progressiva? - será feita na organização como um todo ou, para começar, apenas em algum(uns) departamento(s) escolhido(s)? Quem serão os agentes de tal processo? Como garantir que a organização que, mal ou bem, já está funcionando, não se desestruture completamente ao passar por essa experiência?

Mas essas são as questões que estão pautadas - desde o início de abril de 2009 - no grupo Transição Organizacional.

Parece tudo tão complexo... Mas, talvez não.

POR QUE PODEMOS AFIRMAR QUE NÓS JÁ DESCOBRIMOS A "FÓRMULA"

Uma resposta em 6 palavras: porque a mudança é a rede! Ou seja, a transição de um padrão hierárquico para um padrão em rede é a rede. É impossível atingir esse fim por quaisquer outros meios. Porque, aqui, o fim é o meio.

Para compreender o que vem abaixo é recomendável ler o post NÓS JÁ DESCOBRIMOS A "FÓRMULA", de 4 de julho de 2009, bem como todos os 102 comentários. Pelo menos até chegar na página 9 dos comentários, onde postei o seguinte:

De que transição se trata? Da transição da organização hierárquica para a organização em rede (entendendo-se por isso, a rigor, o aumento dos graus de distribuição-conectividade).

Transição evoca caminho. Mas não existe um caminho, em primeiro lugar, porque os caminhos são múltiplos (aliás, rede é, por definição, múltiplos caminhos).

Mas também não existe caminho para se chegar a um padrão de rede, em segundo lugar, porque a maneira de ter +rede é tendo +distribuição.

Em outras palavras: a rede é o caminho!

Não é possível chegar às redes a não ser pelas redes.

Mohandas Ghandi disse certa vez que "não existe caminho para a paz: a paz é o caminho". John Dewey, antes de Ghandi, já havia sugerido que não existe caminho para a democracia a não ser a própria democracia. Com as redes é a mesma coisa: 'não existe caminho para as redes: as redes são o caminho'. A paráfrase não é apenas literária. Há uma relação intrínseca entre essas realidades processuais - paz, democracia e redes: na verdade não há paz, senão +pazeamento; e não há democracia, senão +democratização; e não há redes, senão +enredamento ou +reticulação ou, ainda, +distribuição.

Entendida assim, processualmente, a problemática da transição deixa-se ver sob nova luz. Trata-se de aumentar os graus de distribuição-conectividade na rede social conformada pelas pessoas afetadas, de algum modo, pela vida orgânica: não só os empregados e os gestores, mas também os donos ou acionistas, os fornecedores, os clientes, usuários ou consumidores e todas as outras pessoas concernidas na atividade da organização (os chamados stakeholders, lato sensu).

Qual é a novidade aqui? E qual é o sentido deste post que gerou tantos comentários?

A novidade é a seguinte: isso tem que ser feito agora, não depois. Não pode haver uma transição para uma organização em rede mantendo-se intocado o padrão centralizado atual (+centralizado do que distribuído, entenda-se) em nome de um futuro padrão de rede (+distribuído do que centralizado). Essa é a desculpa para não mexer nos graus de centralização e é por isso que uma transição assim não costuma dar certo.

Na transição não existe o futuro a não ser na medida que o antecipamos. Se não anteciparmos padrões de rede, nunca teremos um futuro de rede.

Este é o sentido do post: se queremos chegar às redes, temos que começar, aqui-e-agora, a fazer redes; quer dizer: netweaving. A rede é o caminho!

Pois bem: sustento - pelas razões fartamente expostas no texto principal e nos comentários (e que podem ser resumidas na sentença 'só redes podem gerar redes') - que não conseguiremos fazer isso se, nós mesmos, que queremos ser agentes, indutores, facilitadores, promotores da mudança não nos organizarmos em rede (ou seja, de modo +distribuído do que centralizado).


Essa, para mim, é uma daquelas argumentações evidentes por si mesmas, das quais falava Wittgenstein (1931) em conversa com Friedrich Waismann (e narrada por este último em Ludwig Wittgenstein and the Vienna Circle: conversations recorded by Friedrich Waismann. Blackwell: 1979), que seriam capazes de provocar no interlocutor uma reação do tipo: "Ah, sim, isso é evidentemente óbvio".

CONCLUSÕES

Então, qual é a "fórmula", afinal?

1) Convencidos os decisores da organização hierárquica de que devem realizar a transição, eles devem constituir, convidar ou contratar um agente capaz de induzir, facilitar ou mediar o processo.

2) Tal agente provocador da mudança deve estar organizado, ele mesmo, em rede (a semente de rede é rede). Se for um grupo de pessoas da própria organização, elas devem ter a liberdade de se estruturar em rede para fazer tal trabalho e não podem ficar subordinadas aos mecanismos de comando-e-controle (ganhando uma espécie de carta-branca para fazer o que deve ser feito). Se for um grupo de pessoas de fora da organização, esse grupo - além de estar organizado em rede - deverá aceitar fazer parte da organização (em sentido ampliado) que resultará desse processo. Ou seja, esse grupo fará parte da rede de stakeholders da nova organização. Em outras palavras, esse trabalho não poderá ser conduzido como se fosse uma prestação desinteressada de serviços (ou interessada apenas no lucro): haverá, por parte do grupo externo, um compromisso de fazer parte da organização-do-futuro que surgirá do processo de transição. É uma interação vital: os destinos desse grupo e da organização estarão ligados daqui para frente.

3) Do que se trata em seguida é de antecipar o futuro desejado. Queremos +rede (amanhã)? Muito bem: então vamos fazer +rede (hoje). A tarefa é ir criando, onde for possível, zonas autônomas (autônomas em relação aos mecanismos de comando-e-controle) - estruturadas em rede - onde isso for possível. Isso pode ser feito em uma parte da organização ou em várias partes simultaneamente. Depende de como está estruturada a organização e do que ela faz. Cada caso é um caso. Não há um modelo único, uma receita geral. Isso pode valer para um departamento de delivery, de controle de qualidade, de informática, de inovação, de divulgação... Não importa. O que importa é que, inicialmente, aquela parte da organização envolvida na transição consiga fazer as mesmas coisas que fazia, porém agora reestruturada segundo um padrão de rede. Para tanto, pode-se seguir um roteiro como o que foi sugerido naquela Proposta Inicial do grupo Transição Organizacional. Ou não. Isso não é o mais importante. Possivelmente cada organização exigirá um roteiro diferente, uma nova sequência de passos e, ademais, novos passos metodológicos.

4) Um amplo processo de conversações - usando as metodologias sociais mencionadas acima - deverá ocorrer dentro da organização, mesmo naquelas áreas que ainda não estão sendo imediatamente afetadas pela experiência. Esse processo de conversações deverá atingir toda a organização (diretores, acionistas, conselheiros, funcionários) e o seu "ecossistema" (fornecedores, usuários, clientes e consumidores, parceiros etc., enfim, pessoas representativas - da futura rede - de seus stakeholders).

5) Para permitir, potencializar e agilizar o netweaving que substituirá os métodos e normas do velho sistema de gestão baseado em comando-e-controle, algumas ferramentas tecnológicas interativas deverão ser introduzidas aqui. Diferentes softwares de gestão em rede serão exigidos, de acordo com a natureza e as funções da parte da organização em processo de transição.

Mas de todas as tarefas listadas acima só há uma realmente decisiva e fundamental: "fazer" redes! Ou, dizendo de modo mais preciso, aumentar os graus de distribuição e conectividade das redes que já existem conectando as pessoas da organização (que são mais centralizadas do que distribuídas, do contrário não seria necessário fazer a transição).

Ora, se sabemos disso parece óbvio que nós já descobrimos a "fórmula". O que falta, é saber como reinventá-la em cada caso concreto (cada processo de transição é único). O que falta são os meios adequados para aplicá-la em cada caso concreto (desenvolvendo as metodologias sociais e as tecnologias interativas adequadas). O que falta é "vendê-la", "embrulhá-la" e "entregá-la".

Então vamos nos concentrar agora no que falta?

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Respostas a este tópico

Grande Augusto,

Veio em ótima hora, pois justamente estou envolvido no processo de horizontalizar o Fórum de Responsabilidade Social do RS. No próximo dia 17 apresentarei um idéia inicial para o grupo diretivo, com a proposta de criação do Comitê Gestor, que será o embrião da nova plataforma. E no dia 24, em seminário, para os demais participantes da entididade.

Forte abraço,

Silvio Belbute
Salve salve Augusto e amigos e amigas da escola de redes,

Li a proposta com sua metodologia e me coloco em disposição de aprender e somar com a mesma. Essa me veio num momento propicio, a qual fui convidado a fazer parte de um conselho comunitário que agrega mais de 40 prefeituras comunitárias e a algum tempo venho colocando aos lideres mais nfluentes a necessidade de mudarmos a linha de organização do conselho e esses vem sensibilizando com a idéia . Dessa forma vejo minha maior contribuição nesse momento, através da aplicação da metodologia nesse conselho e também em um sindicato que minha esposa trabalha e se interessou pela proposta e assim ver no que dará, visando dessa forma contribuir com as informações do que não deu certo e o que deu.

Não me vejo ainda em condições de somar efetivamente na linha mais "intelectual" das teorias, mas sim como dito, na aplicação das teorias já desenvolvidas aqui na escola . Porém isso não me impede de querer "cantar de galo" de vez enquando caso ache valido e tentar contribuir no campo "intelectual das teorias" a serem colocadas em praticas. Dessa forma tenho interesse em FAZER parte de todas etapas da TRANSIÇÃO.

Entre outras, enquanto não nos encontramos pessoalmente com freqüentemente, poder-se-ia, principalmente os estudiosos mais graduados da escola de redes, desenvolver uma linha de comunicação audiovisual sobre os pensamentos e teorias aqui articuladas (tipo filmar as apresentações realizadas nos nodos e publica-las ...) acredito que o audiovisual as vezes é uma forma de “semi-presencial” e assim pode facilita no entendimento.

Pegando um gancho dessa sugestão, publico aqui um vídeo linkado a mesma:

A facilidade de produção para 'novas mídias' pode conrtibuir na promoção do aprendizado?

Saudações fraternas,

João Paulo
Augusto, dúvidas:
- o ordenamento linear dos passos significa que devem ser realizados em sequência ou algumas atividades são simultâneas?
abraços
Vivianne
Oi Vivianne,
nós é que vamos dizer, pois esta é apenas uma proposta, uma hipótese de trabalho. Acho que muitos "passos" serão simultâneos. E a a ordem dos "passos" será também modificada de acordo com as circunstâncias. Grande abraço.


Vivianne Amaral disse:
Augusto, dúvidas:
- o ordenamento linear dos passos significa que devem ser realizados em sequência ou algumas atividades são simultâneas?
abraços
Vivianne
Ok
Augusto e demais amigos, parabéns pela iniciativa!!!
Sou profissional de comunicação, pós graduada em sustentabilidade e uero muito contribuir com este trabalho, mas confesso a minha dificuldade de me inscrever num único grupo de trabalho, pois vejo a comunicação permeando todos eles. Não sei se seria interessante (e para isso peço a colaboração dos meus colegas de profissão) criarmos uma área de trabalho focada em comunicação, que poderá integar todas as ações desde o início de todos os grupos.
De qualquer forma, enquanto isso, vou tentar me controlar ( rsrsrsrsrs) e escolher só um!! =]
Bjos para todos
Professor Augusto disse que iríamos começar a trabalhar, e não é que que vamos mesmo. Tô dentro.
Tenho muitas curiosidades sobre a e dúvidas sobre com o se dará a formação desta rede, e qual sua sustentabilidade. O que não deixa de ser imprescindivel para uma tarefa destas. Tenho experiencia com vendas de consultorias, inclusive vendi umas boas. Adoro palestrar. Acredito que esta transição seja de interesse global. Só quero deixar claro, que não sou um hacker, talvez nem um Internauta, mas os hábitos estão aí para serem mudados. Vou me dedicar mais aos estudos, OK?
Estou transferindo para cá uma postagem da Maria Edina Pereira Cavalcante em 19 de abril de 2009 às 11:56, intitulada "governança":

Maria Edina

GOVERNANÇA
Maravilha o seu artigo! Já participei de uma gestão democratica o resultado foi muito bom, os resultados são colhidos ao longo do tempo.
Hoje estou começando a viver essa experiência em uma cidade de 18.000 habitantes, e com grande esperança que essa experiencia se concretize. Já elaboramos um planejamento estrategico com o grupo de gestores municipais, e estamos com a data marcada para devolução de um documento escrito com o que foi discutido no planejamento para que o grupo valide, e então possamos começar a executá-lo. Acredito muitoque teremos um início muito proveitoso, pois o grupo está procurando um foco. Colocarei os encaminhamentos desse trabalho as disposição da rede como também o documento da Planejamento Estratégico assim que for validado pelo grupo.
Um grande abraço.
Edina
Vamos. Por onde começo? Eu queria sugerir algo aqui: Tenho vivenciado duas experiencias onde posso, sem medo, chamar de experiências "transicionadas". Em ambas me convidaram pra ser conselheiro. Uma é o descentro e a outra é o TheHub.

Descentro me parece transicionado na questão da não necessidade geográfica (somos pessoas de várias partes do país). Uma visão pré-transição diria que se trata de uma instituição guarda-chuva de projetos. Mas é muito mais do que isso, porque as deliberações se dão via lista de discussão. A mesma lista onde falamos de outras coisas. E se um projeto fica grande, cria-se outra lista, outro wiki e vamoquevamo.

No thehub, precisamos, como diz o Augusto, olhar com os óculos de ver redes. O espaço físico é bacana, mas um desavisado veria aquilo como uma empresa que aluga espaços para escritório. É, evidentemente, muito mais do que isso, e a experiência visceja nestes poucos meses. Não acho que é o caso estudar o hub em si, mas sim o composto orgânico que está se formando ali entre startups. Aquilo é uma incubadora? Não também. É, na minha opinião, o que há de mais moderno quanto ao que poderíamos chamar de "novas holdings pós-transição" (invencionice minha). Não é uma holding no modelo clássico, porque ninguem é dono de ninguem, mas é um conjunto de empresas e instituiçoes independentes, que se alimentam umas das outras em... oras, rede, né? :)

Coloco então estes dois cases, que poderiam servir de objeto de estudo. Não me proponho a estudá-las pois já estou enxarcado de vivência com elas. Mas recomendo a quem se interessar, que se apronchegue.
Ótimo. Podemos garimpar também exemplos de empresas (no sentido hard) que funcionam em rede. Vai ser difícil achar. Temos iniciativas em rede (+ ou -, hehe) de empresas hierárquicas. Temos peer production e crowdsourcing. Mas, nestes casos, o uso da rede é meio instrumental. Elas, no fundo, não estão querendo mudar os modelos de gestão (não, pelo menos, nos níveis decisórios) e os sistemas de governança (que em vez de conectarem os stakeholders, ampliam o âmbito da corporação - a tal da governança corporativa: muito, muito ruim).

Bem, mas a Transição Organizacional não é somente para empresas. É aquela discussão com o Marcelo: não são as empresas "mauzinhas" contra as ongs "boazinhas". As microempresas e as associações ou institutos da sociedade civil também estão estruturadas segundo padrões mais centralizados do que distribuídos. Então a transição vale para tudo que é hierárquico, não apenas para as organizações econômicas (ou com 'fins econômicos', como designa, tolamente, o "novo" código civil brasileiro: um mergulho no passado, três décadas atrás).

A chamada "sociedade civil organizada" (uma expressão horrível, pois exclui as pessoas - esse patrimônio, que desprezam, de 4 bilhões de anos de evolução em troca de organizações vagabundas que não conseguem perdurar nem por 30 anos - e as configurações emergentes das suas mútuas relações) está toda organizada hierarquicamente. O que é chamado de rede, em 99% dos casos (senão mais) são coligações ou frentes de instituições hierárquicas ("Ado - Aado - Cada um no seu quadrado").

Então seria interessante fazer também uma lista de organizações da sociedade civil que se autodenominam redes. Cássio andou fazendo uma lista há seis anos. Vivianne poderia contribuir muito aqui também. E o próprio Marcelo. E o Algarra. E vários que estão neste grupo.
Como provocação, e também como constatação:

existem empresas de uma só pesssoa que são hierárquicas.
.
Boa provocação Maria Thereza. Existem mesmo?

Maria Thereza Amaral disse:
Como provocação, e também como constatação:

existem empresas de uma só pesssoa que são hierárquicas.
.

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