Escola de Redes

A Sociedade em rede. A expansão da internet. Fase de transição. Economia da informação. Mão de obra programável.

Todas as citações neste texto referem-se ao livro "A Sociedade em Rede" de Manuel Castells.

A sociedade em rede é um termo que foi usado pelo sociólogo espanhol Manuel Castells em seu livro que o batizou com esse nome, “A Sociedade em Rede”. É um estudo da que avalia os impactos das tecnologias emergente pós era industrial em todas as esferas do convívio do ser humano:

"As redes de computadores, os softwares de código aberto (inclusive protocolos de internet) e o rápido desenvolvimento da capacidade de comutação e transmissão digital nas redes de telecomunicação acarretaram a expansão da internet após sua privatização na década de 1990 e a grande generalização do seu uso em todos os campos da atividade. Na verdade, a internet é uma tecnologia antiga, foi usada pela primeira vez em 1969, mas se difundiu em larga escala vinte anos mais tarde por causa de vários fatores: mudança regulatórias, maior largura de banda nas telecomunicações, difusão dos computadores pessoais, softwares simples, acesso e comunicação de conteúdo (começando com o servidor e o navegador World Wide Web projetados por Tim Bernes-Lee em 1990) e a demanda em rápido crescimento da organização em rede de qualquer coisa, suscitado tanto pelas necessidades do mundo empresarial quando pelo desejo do publico de criar suas próprias redes de comunicação. Consequentemente, o numero de usuários de internet no planeta passou de menos de quarenta milhões em 1995 para cerca de 1,5 bilhão em 2009” (pag. IX).

Outro ponto destacado pelo pensador Castells é que a partir da década de noventa surgiu a difusão ampliada da comunicação sem fio “com uma capacidade crescente de conectividade e largura de banda em gerações sucessivas de telecomunicação.” Devido as novas tecnologias da informação e comunicação, vive-se numa sociedade de transição, marcada pelas relações em rede enquanto ainda funciona modos de organização centralizados e até mesmo descentralizado. Segundo Castells a era industrial foi perdendo gradualmente a sua capacidade de “controlar e regular os fluxos de riqueza e informação”. Nesta economia da informação, houve um crescimento de ocupações que exigem alto nível educacional. Castells denomina estes trabalhadores como “mão de obra programável” e os outros que executam tarefas normais, as quais não foram substituídas pela automação, como “mão de obra genérica”. É uma estrutura dual como cita o sociólogo: “muitos trabalhadores, especialmente jovens, mulheres e imigrantes, estão dispostos a aceitar qualquer condição para a obtenção de um emprego. Essa estrutura dual do mercado de trabalho está relacionada às condições estruturais de uma economia do conhecimento que cresce no contexto de uma grande economia de serviços de baixa qualificação e é a origem da crescente desigualdade observada na maioria das sociedades.” (pg. VIII – Prefacio). No entanto, apesar destes dois tipos de trabalho tão díspares, ocorre a economia informal. Cita o pensador que: “o empreendedorismo e a inovação continuam a prosperar nas margens dos setores empresariais da economia, aumentando o numero de trabalhadores autônomos à medida que a tecnologia possibilita o controle dos meios de produção de serviços baseados no conhecimento”.
Infere-se desse arcabouço teórico do pensador espanhol que o teletrabalho é a figura da “mão de obra programável” nesta era da economia da informação. E sendo o foco desta reflexão o teletrabalho subordinado, pode-se afirmar que a etiqueta mão de obra programável terá existência no mundo laboral de forma subordinada e em conformidade com os ditames da Consolidação das Leis do Trabalho.

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