Escola de Redes

Fonte: http://mpel-ple.wikispaces.com/Home


Autores: Paulo Simões & Luís Rodrigues

MPEL 03 | Universidade Aberta 2009

Os PLE (Personal Learning Environment - Ambiente Pessoal de Aprendizagem) são recursos que pretendem ajudar o aprendente a ter o controlo e a gerir a sua aprendizagem. Para se compreender este conceito é necessário fazer referência a dois outros conceitos essenciais que constituem a essência e, à volta dos quais, gira a necessidade da criação de um espaço de aprendizagem controlado pelo utilizador: Aprendizagem ao longo da vida e Aprendizagem Informal.

swl_ple2.gif

Para que a aprendizagem seja possível, os aprendentes podem definir os seus objectivos de aprendizagem; realizar a gestão da aprendizagem, através da gestão de conteúdos e de processos; e comunicar com outros participantes no processo de aprendizagem. Por isso, de acordo com a literatura disponível, o conceito de PLE representa, no dizer de José Mota, o mais recente passo evolutivo para uma aprendizagem centrada, não na instituição, mas no aluno.
Segundo este autor, José Mota, “representa, de certa forma, o convergir de muitos dos aspectos que temos vindo a referir no que toca às mudanças sociais e culturais provocadas pelo desenvolvimento tecnológico, nomeadamente com a Web 2.0, e que acabam por ter, inevitavelmente, um forte impacto na educação e na concepção da aprendizagem. Os PLEs representam, se quisermos, uma busca para operacionalizar nestas áreas os princípios do e-Learning 2.0, do poder e autonomia do utilizador / aprendente, da abertura, da colaboração e da partilha, da aprendizagem permanente e ao longo da vida, da importância e valor da aprendizagem informal, das potencialidades do software social, da rede como espaço de socialização, de conhecimento e de aprendizagem”http://orfeu.org/weblearning20].


A evolução deste conceito compreende-se a partir dos conceitos de Aprendizagem ao longo da vida e Aprendizagem Informal. Mas foi em grande parte devido à dificuldade do indivíduo se organizar na rede que surge a necessidade a designação de PLE.

PLE_7a.jpg



Longe de estar organizada, a Internet tornou-se complexa. Os utilizadores saltam de serviço em serviço, criando e descartando novas identidades. Um utilizador típico da web pode ter várias páginas pessoais - o blog pessoal, a sua página de fotos, a conta no Google Reader, documentos partilhados, os vídeos no YouTube, a sua conta no Twitter, os seus perfis nas redes sociais, as suas contas de email ou o seu “login” no LMS da universidade (Downes, 2009).
McCall afirma que devemos considerar os aprendentes não são como sujeitos da aprendizagem, entidades a quem entregamos conteúdo, mas também como fontes da aprendizagem, (como citado em Downes, 2009). Segundo Attwell (2007a) o PLE reconhece que a aprendizagem é um acto contínuo e que procura encontrar ferramentas que a suportem. Reconhece o papel do indivíduo na aprendizagem e toma como garantido que ela acontece em diferentes contextos e situações.
ple_15.jpg

Por outro lado, o PLE serve a aprendizagem informal, na medida em que possibilita o acesso à tecnologia educativa a todos os que pretendam organizar o seu próprio espaço pessoal de aprendizagem.

The idea of the PLE purports to include and bring together all learning, including informal learning, workplace learning, learning from the home, learning driven by problem solving and learning motivated by personal interest as well as learning through engagement in formal educational programmes. (Attwell, 2007b)

ple_5.jpg


PLE vs LMS

Sendo um termo recente, PLE tem sido, por um lado, confundido com termos já existentes há algum tempo, como por exemplo, LMS (Learning Management Systems), vulgo Sistemas de Gestão da Aprendizagem, como é o caso do MOODLE e, por outro, associado a novos termos que vão surgindo para tentar descrever conceitos muito parecidos.


Se em relação aos LMS é possível estabelecer diferenças evidentes dado que são sistemas que disponibilizam quer ferramentas de comunicação (essencialmente fóruns de discussão e salas de chat) quer conteúdos (Santos, 2009), baseados num porta de entrada institucional e que obrigam o aprendente a aceder por uma única entrada a um curso online, já um PLE é um ambiente cujo foco é dado ao controlo que os aprendentes têm sobre o que aprendem (Leslie, 2008).


Reconhecendo que se utiliza determinada terminologia em diferentes e ambíguas formas, o termo VLE (Virtual Learning Environment) é normalmente usado para referir os vários tipos de interacções online que têm lugar entre aprendentes e tutores (Clifford, 2009). Mas é no entanto Attwell (2008) que nos dá uma explicação bastante prática da relação entre PLE, PLN (Personal Learning Environment), VLE e e-Portfolios:


What distinguishes PLEs from VLEs, e-Portfolios, or from classroom and lecture based learning for that matter, is that it brings together informal and formal learning. It recognizes the primacy of the learner on driving and developing their learning. And - in terms of tools - it provides them the means to organize their own learning.


I don’t really mind what we call them. What is critical is that a PLE / PLN helps us in organizing our learning and helps us make the connections with those with whom we want to collaborate and share, whoever, wherever they are. (Attwell, 2008)

ple_13.jpg

Requisitos Técnicos (WEB 2.0)

O conceito de PLE surgiu um pouco como resposta aos constrangimentos dos LMS, vistos muitas vezes como limitadores da aprendizagem. Acresce ainda o facto de o acesso a outros recursos Web serem vistos, muitas das vezes, como uma ameaça às instituições, em vez de serem encarados como uma vantagem. Contudo, as reflexões sobre os PLEs surgiram também pela assumpção da existência de oportunidades reais de aprendizagem com muitos dos serviços da WEB 2.0.


Tendo em conta a diversidade de opiniões, reflexo em grande medida da novidade conceito (LTC - Learning Technologies Center, 2008), também as definições de PLE variam nessa proporção. Algumas sugerem que os princípios dos PLEs podem ser apresentados através de um software, enquanto outras sugerem que um PLE deve ser entendido enquanto conceito e não como uma ferramenta específica.


Sendo um PLE composto por todas as diferentes ferramentas que usamos diariamente para aprender (Attwell, 2007a), a pedagogia que lhe está subjacente possibilita traduzir o PLE num portal aberto por onde os aprendentes podem explorar e criar, tendo em conta os seus interesses pessoais, interagindo com quem quiserem, nomeadamente amigos ou com a comunidade de aprendizagem. Anteriormente, Lubensky (2006) já se tinha referido ao PLE como uma possibilidade que o individuo possui para aceder, agregar, configurar e manipular artefactos digitais durante as suas experiências de aprendizagem.


Por outro lado, do ponto de vista de institucional, por exemplo, aplicado a uma universidade, um PLE designa uma abordagem das tecnologias de comunicação e informação, com influências da Web2.0, aplicada ao ensino que permite aos aprendentes, controlar a sua área de aprendizagem pela personalização dos objectos de aprendizagem que são disponibilizados em repositórios centrais de informação (Casanova, 2009).


Quando Ron Lubensky [http://www.deliberations.com.au/2006/12/present-and-future-of-perso...], em 2006, ensaia uma definição diz que "um Ambiente Pessoal de Aprendizagem é uma iniciativa para que um indivíduo aceda, agregue, configure e manipule artefactos digitais das suas experiências de aprendizagem".
Na sua definição, Ron Lubensky procura congregar alguns aspectos aglutinadores da identidade dos PLEs. Refere[[#_ftn1|[1]]], e passo a transcrever, que:

  1. Os PLEs são controlados pelo indivíduo e depois separados de portais institucionais como Ambientes de Aprendizagem Virtuais (VLE) universitários ou Plataformas de Ensino (LMS) profissionais, para os quais os objectivos de construção correspondem às exigências institucionais. Os artefactos geridos através dos PLEs incluem os recursos digitais e referências com as quais os indivíduos preferem interagir de momento e talvez recordar no futuro. Os recursos incluem não só texto estático e multi-média mas também serviços dinâmicos e seus artefactos, tais como mensagens instantâneas, fóruns on-line e entradas de blogues. Embora um ePortfolio contenha observações actuais sobre o objectivo da reflexão, avaliação e auto-promoção, o PLE inclui um repositório maior que também inclui ligações e comentários para os três propósitos.
  2. O principal objectivo de um PLE para um indivíduo é o de reunir todos os diferentes artefactos de interesse para a aprendizagem. O pressuposto é que existem muitos artefactos, organizá-los é demorado e é fácil esquecê-los. O objectivo dos PLEs é simplificar a gestão destes artefactos, criar sentido através da agregação, ligação e etiquetagem através de meta-dados (p. ex: comentários, palavras-chave).
  3. Um PLE integra-se com serviços digitais que o indivíduo subscreve. Podem ser os LMSs universitários, os CMSs do trabalho ou uma colecção de serviços da denominada Web 2.0, como o bookmarking social ou partilha de fotografias.
  4. Um PLE engloba as várias experiências de aprendizagem que um indivíduo subscreve durante a sua vida. Os estudantes do liceu operam o seu , ligando-o ao Ambiente de Ensino Virtual (Virtual Learning Environments) da escola. Quando entram na universidade, pode ser ligado ao da universidade. Entrando numa actividade profissional, o indivíduo pode então ligar o PLE à aprendizagem empresarial e a funcionalidades de desenvolvimento profissional. Ao mesmo tempo, o indivíduo pode escolher ligar-se individualmente a uma crescente vaga de serviços da Web 2.0 que possam ser úteis para fomentar o crescimento e aprendizagem pessoal.


Graficamente, podemos ver como os PLE’s se situam na intersecção da VLEs, Web 2.0 e uma vista expandida da ePortfolios.

Quando o aprendente pretende construir o seu PLE, e estamos a seguir muito de perto José Mota [http://orfeu.org/weblearning20/5_4_operacionalizacoes] espera-se que utilize um conjunto de serviços unificado, que ele personaliza de acordo com os seus objectivos e necessidades. Com isso, consegue-se que o aprendente tenha um grande controlo e liberdade para colaborar com outros aprendentes, na utilização de recursos.


Porque esta realidade ainda é muito nova, e porque não há uma ferramenta por nós conhecida que se possa chamar a ferramenta de apoio por excelência, vamos propor um modelo referência que adoptámos, de Milligan et al.[[#_ftn1|[1]]]. Procura definir o conjunto de serviços e ferramentas que o aprendente precisa para interagir com os serviços de um PLE.


Depois de uma vasta pesquisa, os autores identificaram um conjunto de serviços que deverão estar presentes num PLE: 

  • Gestão da Actividade (Activity Management) – este serviço fornece uma função de coordenação para grupos, gerindo a interacção com uma actividade. Facilita a adesão a grupos e a sua desanexação, bem como contribuir e aceder a recursos.
  • Fluxo de Trabalho (Workflow) – um serviço deste tipo coordena o estado de um recurso como, por exemplo, uma actividade de aprendizagem, processando os eventos relativos aos utilizadores e reportando informação relativa às modificações desse recurso.
  • Sindicância (Syndication) – facilita a descoberta e a contextualização de recursos.
  • Publicação (Posting) – permite a apresentação de recursos.
  • Grupo (Group) – fornece a informação sobre a composição dos grupos.
  • Classificação, Anotação e Recomendação (Rating, Annotating, and Recommending) – em conjunto, estes serviços suportam uma grande variedade de actividades, desde a simples classificação até ao fornecimento de informação de retorno, relativa a um conteúdo específico.
  • Presença (Presence) – permite indicar a disponibilidade de um utilizador e propagar este estado.
  • Perfil Pessoal (Personal Profile) – permite ao utilizador manter um perfil pessoal (ou vários) e partilhar esta informação com outros quando necessário ou desejado.
  • Exploração e Percursos (Exploration and Trails) – permite a partilha de percursos, através dos conteúdos.

O Modelo de Referência do PLE constitui um mínimo de serviços identificados, que se articulam e pressupõem uma série de padrões prévios, analisados pelos autores citados. Mas vejamos graficamente o Modelo

É possível enunciar, segundo Attwell e Costa (2008), uma lista de possíveis funções de um PLE, por exemplo: aceder/procurar informação e conhecimento; agregar combinando informação e conhecimento; manipular, rearranjar e reformatar artefactos tecnológicos; analisar informação para desenvolver conhecimento; reflectir, questionar, desafiar, procurar clarificar, formar e defender opiniões; apresentar ideias, aprender e conhecer de diferentes maneiras e para objectivos diversificados; ligar em rede criando um ambiente colaborativo de aprendizagem.


[[#_ftnref1|[1]]] Milligan, Colin; Beauvoir, Phil; Johnson, Mark; Sharples, Paul; Wilson, Scott; & Liber, Oleg. (2006). Developing a reference model to describe the personal learning environment. Disponível em http://www.box.net/public/nuc1azcray [Acedido em 12-07-2009].

Bibliografia

Exibições: 1970

Respostas a este tópico

LMS vs. PLE

http://mohamedaminechatti.blogspot.com.br/2010/03/lms-vs-ple.html

As illustrated in the table above, In contrast to Learning Management Systems (LMS), Personal Learning Environments (PLE) have the following characteristics:

  • Personalization: A LMS follows a one-size-fits-all approach to learning by offering a static system with predefined tools to a set of many learners around a course. A PLE, by contrast, is responsive and provides a personalized experience of learning. It considers the needs and preferences of the learner and places her at the center by providing her with a plethora of different tools and handing over control to her to select and use the tools the way she deems fit.
  • Informal learning and lifelong learning support: A LMS is not supportive of informal or lifelong learning. It can only be used in a formal learning setting, managed and controlled by the educational institution. And, in a LMS, learning has an end. It stops when a course terminates. A PLE, however, can connect formal, informal, and lifelong learning opportunities within a context that is centered upon the learner. A PLE allows the learner to capture her informal and lifelong learning accomplishment and develop her own e-portfolio. In a PLE learning is fluid. It continues after the end of a particular course.
  • Openness and decentralization: Unlike a LMS, which stores information on a centralized basis within a closed and bounded environment, a PLE goes beyond the boundaries of the organization and operates in a more decentralized, loosely coupled, and open context. A PLE offers an opportunity to learners to make effective use of diverse distributed knowledge sources to enrich their learning experiences.
  • Bottom-up approach: Within a LMS there is a clear distinction between the capabilities of learners and of teachers, resulting into a one-way flow of knowledge. In contrast to a hierarchical top-down LMS, shaped by command-and-control and asymmetric relationships, a PLE provides an emergent bottom-up solution, driven by the learner needs and based on sharing rather than controlling.
  • Knowledge-pull: A LMS adopts a knowledge-push model and is concerned with exposing learners to content and expecting that then learning will happen. A PLE, however, takes a knowledge-pull model. Learners can create their very own environments where they can pull knowledge that meets their particular needs from a wide array of high-value knowledge sources.
  • Ecological learning: A PLE-driven approach to learning is based on personal environments, loosely connected. A PLE is not only a personal space, which belongs to and is controlled by the learner, but is also a social landscape that offers means to connect with other personal spaces in order to leverage knowledge within open and emergent knowledge ecologies. Rather than belonging to hierarchical and organization-controlled groups, each learner has her own personal environment and network. Based on their needs and interests, different learners come together for a learning experience. They work together until the learning goal is achieved and thereby do not have a permanent relationship with a formal organization or institution. The distributed PLEs can be loosely connected to build a knowledge ecology. Unlike LMS- driven groups/communities, which are closed, bounded, structured, hierarchical, and organization-controlled, a PLE-driven knowledge ecology is open, distributed, diverse, emergent, self-organized, and learner-controlled.

Obrigado pela referência, Augusto.

Se a temática lhe interessa tenho algumas entradas acerca de PLE - http://www.pgsimoes.net/blog/?tag=ple-2 e reúno algumas referências também em http://www.scoop.it/t/the-ple

Posso adiantar-lhe que irei ao Brasil este ano para falar sobre PLE. Caso esteja interessado... ;)

Cumprimentos

Legal, Paulo Simões. Vou pendurar aqui sua nova referência também. Abraços.

Paulo Simões disse:

Obrigado pela referência, Augusto.

Se a temática lhe interessa tenho algumas entradas acerca de PLE - http://www.pgsimoes.net/blog/?tag=ple-2 e reúno algumas referências também em http://www.scoop.it/t/the-ple

Posso adiantar-lhe que irei ao Brasil este ano para falar sobre PLE. Caso esteja interessado... ;)

Cumprimentos

RSS

© 2017   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço