Escola de Redes

Resolvi abrir mais este tópico motivado por uma pergunta do Dirceu Melo em uma conversa que mantivemos no tópico CARACTERÍSTICAS DE UMA PLATAFORMA INTERATIVA DE NETWEAVING.

Transcrevo abaixo parte de minha resposta como uma hipótese inicial para estimular as contribuições dos que quiserem pensar no assunto.

"Você pergunta: Quais indicadores podem representar o grau de interação de uma rede, a "efervescência"?

Respondo provisoriamente:

1 - O número médio de conectados a qualquer hora do dia (digamos, das 07h00 às 23h00). Neste momento em que escrevo temos 20 conectados (medido pelo chat do Ning, que é uma droga, como qualquer chat). É pouco. Se tomarmos aquele misterioso 1%, deveríamos ter aqui, em média, ao longo do período considerado acima, cerca de 50 pessoas conectadas (e não 20).

2 - O número médio de comentários em blogposts, fóruns, tópicos de discussão e vídeos com tréplica. Existem plataformas em que as pessoas publicam coisas mas não comentam nada do que as outras publicam (como se fossem "surdas" - e ia dizer "autistas", mas já me alertaram, sobretudo os que cuidam do assunto, que tal comparação não é politicamente correta ou respeitosa ao transformar uma condição humana especial em um pejorativo); ou, se comentam, não têm retorno do seu comentário (e aí não há responsividade). Então a tréplica pode ser um indicador.

3 - A diversidade dos comentários (blogposts, fóruns, tópicos de discussão e vídeos), ou seja, o número médio de pessoas diferentes que comentam. Não sei exatamente como colher esse dado, mas me parece relevante.

4 - O número de grupos que compartilham agendas (ações realizadas coletivamente) chegando a um resultado qualquer observável. Por exemplo, traduzir um texto, organizar um encontro, ministrar um curso, desenvolver um software etc. Este me parece ser o indicador mais relevante de rede. Onde isso não ocorre, não podemos dizer que exista realmente uma rede.

Mas nada disso está medindo propriamente a interatividade da rede e sim da plataforma utilizada como instrumento de articulação e animação da rede. Porque não há como, em uma rede extensa (como a nossa, por exemplo), saber sobre as conexões que estão sendo geradas e efetivadas. Uma pessoa que conheceu a outra aqui e ambas marcaram um almoço para conversar estão tecendo a rede e aumentando a sua tecitura e a sua interatividade. O Luiz Algarra, já faz tempo, havia alertado sobre isso. Como sabemos, a rede não é a plataforma (e sim as pessoas interagindo) e neste momento estão acontecendo milhares de conexões na E=R que não conhecemos, nem podemos conhecer".

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Respostas a este tópico

Augusto, pra mim, uma das formas de "medir" o nível de interatividade numa rede, site, blog etc é através de métricas disponibilizadas por ferramentas como o Google Analytics.

A interação não está apenas no digitar... está também no click e no olhar.

Creio que cada vez mais será necessário o uso de ferramentas web analytics, eye tracking e mouse tracking para termos uma visão mais adequada sobre o nível de interatividade dos usuários.
Oi André,

Não conheço o suficiente essas ferramentas, mas fico em dúvida se elas dão o recado quando pensamos em reverberações da rede.
Às vezes me sinto mais tentada a pensar que as métricas estão mais relacionadas com as relações de fato, com a efervescência, e acho que as ferramentas não podem medir isso.

O que seria essa efervescência?
Seriam encontros? Nodos? Projetos em Redes? Produtos (palavra péssima, talvez)?
E como seria mensurar essas atividades que estravasam a frequencia e as atividades que acontecem através da web?

Entendo que as ferramentas também seriam utilizadas de acordo com o que queremos medir (aí me refiro ao que o Augusto coloca: "Antes de mais nada é preciso saber o que queremos e devemos medir em termos de interação" ) mas será que mesmo assim elas dão conta?

Me diga se viajei no que vc falou...


André de Moraes disse:
Augusto, pra mim, uma das formas de "medir" o nível de interatividade numa rede, site, blog etc é através de métricas disponibilizadas por ferramentas como o Google Analytics.

A interação não está apenas no digitar... está também no click e no olhar.

Creio que cada vez mais será necessário o uso de ferramentas web analytics, eye tracking e mouse tracking para termos uma visão mais adequada sobre o nível de interatividade dos usuários.
Caros,

Estou tentando criar índices i-conométricos, quer dizer, criar indicadores para ativos intangíveis como o conhecimento na rede e - seria legal - criar um índice de efervecência (IE) ... ou algo assim.
Estou tentando criar uma plataforma para isso ...
http://wap.precog.com.br/

atualmente ... estou monitorando a bolsa de valores e- um ótimo problema computacional - e estou iniciando o monitoramento de variáveis ambientais. Acho que poderiamos usar essa tecnologia para criar um IE.

[]s
Bejamin,

Estou trabalhando no desenvolvimento de índices de econometria voltado para mensuração de conhecimento (explicíto e tácito). Visitei o site que você indicou a idéia é bacana. Um dos desafios das ações de educação permanete e de projetos sociais é a formulação de indicadores econométricos, os ativo intangíveis possuem variáveis complexas, por exemplo: a escala de tempo nas ações de conhecimento (ativo intangível) pode ser, inclusive, transgeracional.

Gostaria de participar desse esforço de construção, pois é um desafio bacana e que irá auxiliar e muito todas as pessoas que trabalham na área.

Alvíssaras...


Benjamin L Franklin disse:
Caros,

Estou tentando criar índices i-conométricos, quer dizer, criar indicadores para ativos intangíveis como o conhecimento na rede e - seria legal - criar um índice de efervecência (IE) ... ou algo assim.
Estou tentando criar uma plataforma para isso ...
http://wap.precog.com.br/

atualmente ... estou monitorando a bolsa de valores e- um ótimo problema computacional - e estou iniciando o monitoramento de variáveis ambientais. Acho que poderiamos usar essa tecnologia para criar um IE.

[]s
Olá Marco

Acho que a forma mais interessante de começar a inventar esses índices é fazendo. Comecei a criar uns índices para ver, por exemplo. o quanto a palavra "oil will up" aparecia no google a cada hora e, a partir dai, gerar um índice que irei contrastar com o preço do petróleo para ver se tem alguma correlação. Por enquanto estou coletando dados. Coloquei um sistema de aletas para este índice, para momentos extremos de alta e baixa, que podem ser encontrados em http://twitter.com/mymarx. O nome deste índice é GGOIL. Estou dizendo isso, pois podemos criar esses índices, de preferencia em tempo real, para alguma coisa que vc esteja investigando, e gerar alertas para momentos extremos. o q vc acha? já tem algo em mente?

abraços
Benjamin
Bejamin,

Mandei o seguite e-mail, para você, acredito;

"Através da Escola de Redes conheci o trabalho de vocês, sou coordenador de um Projeto de Educação Permante em Saúde, além de consultor na área de Engenharia Pedagógica, em parceria com o Luis, que nos lê em cópia. Nossa atenção está direcionada aos projetos econômicos com forte conteúdo de capital intelectual e Tecnologias Socias.

Gostaríamos de receber/conhecer detalhes do trabalho de inteligência artificial desenvolvidos por vocês.

A idéia do desenvolvimento de indicadores econométricos aplicados à mensuração de Capital Intangível, nos é cara."

Complemento, Os editais de fomento às Tecnologias Sociais exigem métricas de avaliações processuais e finalísticas, com o fulcro de medir o impacto das mesmas junto dos stakeholders, acontece que está métrica é realizada, quase sempre com parâmetro qualitativos, nada contra, mais o qualitativo pode evoluir para o subjetivo, aí prevalece o juízo de valor, em uma relação assimétrica; um fomenta e outro executa.

Visando mitigar este GAP, há algum tempo venho conversado com o pessoal da PUC do Rio que trabalham com inteligência artificial e modelagem de dados, não avançamos. Agora, com você, a expectativa de criarmos indicadores econométricos na área de Tecnologias Sociais, ressurge.

Consegui responder à pergunta?

Benjamin L Franklin disse:
Olá Marco

Acho que a forma mais interessante de começar a inventar esses índices é fazendo. Comecei a criar uns índices para ver, por exemplo. o quanto a palavra "oil will up" aparecia no google a cada hora e, a partir dai, gerar um índice que irei contrastar com o preço do petróleo para ver se tem alguma correlação. Por enquanto estou coletando dados. Coloquei um sistema de aletas para este índice, para momentos extremos de alta e baixa, que podem ser encontrados em http://twitter.com/mymarx. O nome deste índice é GGOIL. Estou dizendo isso, pois podemos criar esses índices, de preferencia em tempo real, para alguma coisa que vc esteja investigando, e gerar alertas para momentos extremos. o q vc acha? já tem algo em mente?

abraços
Benjamin
Caro Augusto

Ok,

Como vamos fazer para medir a interatividade da e=r sem usarmos os recursos castradores da estatística? Uma provocação ... . Quero dizer que nosso sistema de conhecimento já é autocrático, já existe a ditadura do significante. Um sistema i-based vai passar por um sistema h-based (hierarquia) para ser nomeavel. O mesmo ocorre com a democracia, quando vira estado; ou com os fluxos, quando viram códigos. Ao tentar criar um índice de interatividade acabamos sendo criadores de pirâmides - pois escolhemos o que vai estar dentro e o que estará fora do índice. Veja, nada errado com isso, ao meu ver; pois não creio muito que uma sociedade i-based pudesse inventar o fogo ou a escrita. Concorco com vc sobre os valores da democracia, mas é preciso dizer, como vc disse, que são absolutamente artificiais. São uma escolha política, não uma lei da natureza, nem um pensamento holístico. Aliás, nem há "natureza", senão nossa narrativa sobre a natureza - o que parece esquecido por caras como Maturana.

bom ... vamo em frente
abraços

[]s
Caros
Onde posso capturar esse dado (número de replys da e=r) de uma página web? Para começar a fazer um índice de efervecencia ...

Estou começando a trabalhar em um índice de medo - tentar medir o medo (i-fear) do mundo pelas projeções da bolsa de valores ... alguém quer ajudar?

[]s
Caros, considero que os indicadores sugeridos pelo Augusto são bem interessantes. O critério da tréplica é muito bom. A produção conjunta, identificada pelas agendas compartilhadas tb. Concordo com a observação: Mas nada disso está medindo propriamente a interatividade da rede e sim da plataforma utilizada como instrumento de articulação e animação da rede
Por conta das minhas inquietações e interesses pessoais no tema da produção conjunta em ambientes telemáticos, me dediquei a procurar indicadores para a interação e produção, respondendo a pergunta: estamos fazendo alguma coisa em conjunto? Fiz um experimento de aplicação dos indicadores definidos por Pichon-Rivière na comunicação de uma rede, que usa lista de discussão. Um esclarecimento: não considero redes=grupos, mas na efetivação das agendas compartilhadas, nos clusters, acontece processo de grupalização. Enfim, é um olhar sobre a interação e não sobre a interatividade, o que compartiho no texto anexo.
abraços
Anexos
Olá Marco

ok, vamos formalizar algo. Estou em trânsito ... depois conversamos

[]s

Marco Antonio Marinho dos Santos disse:
Bejamin,

Mandei o seguite e-mail, para você, acredito;

"Através da Escola de Redes conheci o trabalho de vocês, sou coordenador de um Projeto de Educação Permante em Saúde, além de consultor na área de Engenharia Pedagógica, em parceria com o Luis, que nos lê em cópia. Nossa atenção está direcionada aos projetos econômicos com forte conteúdo de capital intelectual e Tecnologias Socias.

Gostaríamos de receber/conhecer detalhes do trabalho de inteligência artificial desenvolvidos por vocês.

A idéia do desenvolvimento de indicadores econométricos aplicados à mensuração de Capital Intangível, nos é cara."

Complemento, Os editais de fomento às Tecnologias Sociais exigem métricas de avaliações processuais e finalísticas, com o fulcro de medir o impacto das mesmas junto dos stakeholders, acontece que está métrica é realizada, quase sempre com parâmetro qualitativos, nada contra, mais o qualitativo pode evoluir para o subjetivo, aí prevalece o juízo de valor, em uma relação assimétrica; um fomenta e outro executa.

Visando mitigar este GAP, há algum tempo venho conversado com o pessoal da PUC do Rio que trabalham com inteligência artificial e modelagem de dados, não avançamos. Agora, com você, a expectativa de criarmos indicadores econométricos na área de Tecnologias Sociais, ressurge.

Consegui responder à pergunta?

Benjamin L Franklin disse:
Olá Marco

Acho que a forma mais interessante de começar a inventar esses índices é fazendo. Comecei a criar uns índices para ver, por exemplo. o quanto a palavra "oil will up" aparecia no google a cada hora e, a partir dai, gerar um índice que irei contrastar com o preço do petróleo para ver se tem alguma correlação. Por enquanto estou coletando dados. Coloquei um sistema de aletas para este índice, para momentos extremos de alta e baixa, que podem ser encontrados em http://twitter.com/mymarx. O nome deste índice é GGOIL. Estou dizendo isso, pois podemos criar esses índices, de preferencia em tempo real, para alguma coisa que vc esteja investigando, e gerar alertas para momentos extremos. o q vc acha? já tem algo em mente?

abraços
Benjamin
Ok, lerei o material.

Fica, no entando a pergunta ... em q página posso encontrar os dados do ning?

[]s


Vivianne Amaral disse:
Caros, considero que os indicadores sugeridos pelo Augusto são bem interessantes. O critério da tréplica é muito bom. A produção conjunta, identificada pelas agendas compartilhadas tb. Concordo com a observação: Mas nada disso está medindo propriamente a interatividade da rede e sim da plataforma utilizada como instrumento de articulação e animação da rede
Por conta das minhas inquietações e interesses pessoais no tema da produção conjunta em ambientes telemáticos, me dediquei a procurar indicadores para a interação e produção, respondendo a pergunta: estamos fazendo alguma coisa em conjunto? Fiz um experimento de aplicação dos indicadores definidos por Pichon-Rivière na comunicação de uma rede, que usa lista de discussão. Um esclarecimento: não considero redes=grupos, mas na efetivação das agendas compartilhadas, nos clusters, acontece processo de grupalização. Enfim, é um olhar sobre a interação e não sobre a interatividade, o que compartiho no texto anexo.
abraços
Caro Benjamin, tendo a concordar com você. Sim, em uma sociedade i-based provavelmente seria descoberto o fogo, mas não teria sido inventada a escrita (não, pelo menos, a escrita enfileiradinha, linear, que obriga o pensamento a rastejar et coetera & tal). Talvez se inventasse uma escrita simbólica (como, por exemplo, aquela que, supõe-se, tiveram alguns povos pré-patriarcais, nas margens do Danúbio, há 7 mil anos). Não sei. O que sei é que, se as redes são i-based, precisamos de indicadores de interatividade (ou de fluição) e não de participação. E não temos. E penso que ainda estamos longe de tê-los. E antes de tê-los teremos provavelmente indicadores de interatividade em uma plataforma virtual (como a nossa, por exemplo, que não expõe os dados que seriam relevantes, como você solicita, a não ser aqueles fornecidos pelo Google Analytics, que não servem muito para o nosso propósito e que, aliás, vai acabar em breve em sua versão gratuita).

Gostei do Precog.

Benjamin L Franklin disse:
Caro Augusto

Ok,

Como vamos fazer para medir a interatividade da e=r sem usarmos os recursos castradores da estatística? Uma provocação ... . Quero dizer que nosso sistema de conhecimento já é autocrático, já existe a ditadura do significante. Um sistema i-based vai passar por um sistema h-based (hierarquia) para ser nomeavel. O mesmo ocorre com a democracia, quando vira estado; ou com os fluxos, quando viram códigos. Ao tentar criar um índice de interatividade acabamos sendo criadores de pirâmides - pois escolhemos o que vai estar dentro e o que estará fora do índice. Veja, nada errado com isso, ao meu ver; pois não creio muito que uma sociedade i-based pudesse inventar o fogo ou a escrita. Concorco com vc sobre os valores da democracia, mas é preciso dizer, como vc disse, que são absolutamente artificiais. São uma escolha política, não uma lei da natureza, nem um pensamento holístico. Aliás, nem há "natureza", senão nossa narrativa sobre a natureza - o que parece esquecido por caras como Maturana.

bom ... vamo em frente
abraços

[]s

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