Escola de Redes

Hoje cedo tive um problema com a plataforma Ning da Escola-de-Redes. Deu um pau lá no sistema deles. Foi o primeiro sério em 5 anos. Vários amigos se dispuseram a ajudar prontamente, como o Nilton Lessa, o Conrado De Biasi, o Raciel Gonçalves Junior e o Alex Almeida. Felizmente consegui contornar a situação sem a ajuda do Help Ning (lembrei que tinha feito um fake com atribuições de administrador, entrei e resolvi, pelo menos temporariamente). 

O melhor, porém, foi a conversação gerada. Que ensejou a oportunidade do presente post.

O QUE APRENDEMOS SOBRE NETWEAVING EM 5 ANOS DA ESCOLA-DE-REDES

Quando a Escola-de-Redes foi pré-fundada, em abril de 2008, no Grande Hotel em Campos do Jordão e depois fundada em junho de 2008 nos arredores de Curitiba, não tínhamos plataforma interativa e sim um blog WordPress. Só em dezembro do mesmo ano adotamos a plataforma Ning. Não sabíamos nada de plataformas, mas estávamos estudando redes sociais sem parar. Depois passamos a investigar para valer a Nova Ciência das Redes e com a pesquisa compartilhada aprendemos muita coisa e produzimos (se a palavra se aplica) algum conhecimento realmente novo sobre o assunto, sobretudo sobre netweaving.

Aplicamos logo alguns desses conhecimento para fazer o netweaving por meio da plataforma http://escoladeredes.net/ Um dos primeiros textos sobre isso foi o Articule você também uma escola de redes. Este e vários outros estão disponíveis na página http://goo.gl/j8iuSJ

Bem... a primeira compreensão foi a de que O SITE DA REDE NÃO É A REDE, quer dizer, não é a mídia interativa que cria a rede, redes sociais (pessoas-interagindo) não são a mesma coisa que mídias sociais (ferramentas, tecnologias).

A segunda compreensão foi a de que não estávamos fazendo uma comunidade, no sentido em que essa palavra é empregada por usuários e desenvolvedores de mídias sociais. Já desde o início descobrimos que a plataforma (uma ou várias) pode ser apenas um ambiente virtual para que se formem (ou não) miríades de comunidades. E que uma comunidade se desmanchar é tão importante quanto se conformar.

A terceira compreensão - que tivemos somente bem mais tarde - é a de que não adianta ter a plataforma (aquela, a única, a boa, a que a gente vai cuidar com esmero). Hoje a Escola-de-Redes - que é uma rede distribuída mesmo, stricto sensu - lança mão, por meio de seus membros, de várias plataformas (inclusive o Facebook) e de outros meios que não são digitais (como telefonemas, encontros presenciais etc.).

Na mesma época também chegamos à conclusão de que administradores da plataforma não devem ter qualquer poder regulatório aumentativo em relação aos demais no que tange ao netweaving da rede social (não da mídia, mas da rede mesmo). E que - muita atenção aqui! - é incomparavelmente melhor ter apenas um administrador do que um grupo (que acabará conformando uma oligarquia participativa) ou do que conferir atribuições de administrador a todo mundo (o que é um despropósito se se quiser ter uma plataforma como ferramente de netweaving da rede). Para tanto, porém, algumas coisas devem ser observadas.

Estava conversando hoje cedo com o Alex Almeida exatamente sobre isso. E dizia então o seguinte:

"Não mexa, não faça, não interfira, não queira direcionar, não queira limpar, não queira, sobretudo, organizar, classificar, fazer algum tipo de gestão do conhecimento".

Faça o que você quiser e puder fazer. Mas faça o que você quiser e puder fazer sem obrigar os outros a seguirem o que você fez. Simplesmente faça. Quem aderir, ótimo. Quem não aderir, ótimo também.

Para tanto, não pode haver representação, delegação ou qualquer processo de decisão. No caso de estar sendo usado uma plataforma como ferramenta de netweaving, fique ciente de que é apenas uma plataforma. Está dentro quem se conecta e interage (enquanto está interagindo). Se quiser sair, pode sair. Se quiser entrar de novo, pode entrar. Não é preciso se conectar à plataforma para estar na Escola-de-Redes: está na E=R quem interage com outras pessoas que estão na E=R. Ninguém é obrigado a assumir qualquer identidade para dizer que pertence à Escola-de-Redes. E ninguém, se não quiser, não precisa dizer que faz parte da Escola-de-Redes. As regras da plataforma são apenas acordos de convivência já estabelecidos (no passado) e regidos pela lógica da abundância. Nunca se decide nada (até porque não há instância e mecanismos válidos de decisão). Quem não concordar com essas regras, faça a sua própria plataforma e adote suas próprias regras. Não é um ambiente participativo! É interativo (o que é outra coisa, quase o oposto neste caso).

Tudo isso que parece tão evidente para os que interagiram desde o início nessa experiência particular, ainda não é tão pacífico assim para muitas das 9.730 pessoas que chegaram depois e que continuam chegando (numa média de 4 a 5 por dia). Não é pacífico, por exemplo, para os que tiveram uma apreensão das redes sociais por meio das mídias sociais.

Curioso, mas formou-se uma cultura de desenvolvedor e de usuário das mídias sociais que dificulta enormemente a compreensão das redes. Então o cara que sabe muito sobre mídias sociais acha que também sabe sobre redes sociais. Em geral vem cheio de ideias tortas na cabeça, não sabe distinguir distribuição de descentralização, não sabe distinguir interação de participação, enfim, não sabe quase nada de netweaving. 

Tal acontece, por exemplo, com os desenvolvedores do Facebook, do Google+, do Twitter, do WP-Buddy, do Elgg, do Grouply, do Grou.ps, do Yammer e de grande número de outras plataformas, que - a despeito de dominarem um jargão próprio e de possuírem conhecimentos técnicos sofisticados de engenharia da computação - não têm a menor noção dos fundamentos da nova ciência das redes (ou seja, não conhecem quase nada da fenomenologia da interação) e, assim, mexem demais, mexem onde não deviam, inventam um algoritmo atrás do outro para supostamente facilitar a articulação das redes (o que é difícil porquanto o que chamam de rede é outra coisa). Esta é a reclamação que pode ser feita, por exemplo, aos trancadores de códigos do Facebook. Acham que as pessoas devem ser docemente conduzidas, orientadas sem saber por que e sem conhecer os mecanismos que urdiram, para corresponderem, na sua ação como usuárias (ARGH! Mas é a palavra medonha que utilizam), ao modelo de "rede social" que trazem nas suas cabeças. 

Para resumir. A primeira (e a última) orientação para o netweaving é: NÃO FAÇA NADA! De preferência, CAIA FORA! Saia do meio do caminho. Não cave sulcos para fazer escorrer por eles as coisas que ainda virão. A melhor maneira de ajudar a articulação e a animação de redes é interagir e não ficar bolando tecnologias, metodologias, dispositivos para que os outros interajam da maneira como imaginamos que eles devem interagir.

É preciso dizer em alto e bom som para esse pessoal: as pessoas não são seus instrumentos de trabalho (podem, no máximo, enquanto pessoas, ser suas parceiras). Não as conduza, nem mesmo a bordo de suas pretensões tolas. 

Ah! Mas assim não dá para ganhar dinheiro com elas? Não dá porque você não encontrou o modelo de negócio compatível com a nova fenomenologia da interação (que é o caso do Facebook). Mas se você acha que não dá do jeito que você quer fazer - usando os outros para seus propósitos - então desista. Arrume uma ocupação honesta.

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Gosto disso. Um ganho inerente à interação é a reputação.

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