Escola de Redes

As Características do Pensamento Sistêmico

Além da função de ajudar no adequado emprego do termo “sistêmico”, a
identificação das características do Pensamento Sistêmico tem também a
função de deixar claro um conjunto de idéias que o suportam.
Essas idéias foram sendo constituídas ao longo de uma história, e
consolidam-se na medida que resultados de experimentos dão mais
credibilidade às próprias idéias, na ciência e na vida prática.

A história construída é a história da contextualização do pensamento
mecanicista. Como você viu anteriormente, o pensamento mecanicista
encontrou seus limites no início do Séc. XX. Uma nova forma de pensar era
necessária, e ela necessitava ter características especiais para compreender os
novos fenômenos complexos diante dos olhos dos cientistas e das pessoas em
geral na vida prática.

As características que o Pensamento Sistêmico incorporou ao longo
desses anos de estudo nos levaram a perceber o mundo de uma maneira
específica, e a tentar resolver os problemas desta maneira. Houve uma
mudança gradual de ênfases, afastando a nova forma de pensar das
características do pensamento mecanicista. A partir de um novo conjunto de
ênfases, foi-se caracterizando o novo paradigma.

Perceber a realidade desta nova maneira é percebê-la de uma maneira
sistêmica, e resolver problemas com base nesta percepção, leva a um tipo de
ação sistêmica. Mas, afinal, o que vem a ser sistêmico?
De acordo com o conjunto de vertentes sistêmicas que embasam este
livro, as características do Pensamento Sistêmico são as que vêm abaixo.
Trata-se da mudança de ênfase:

1) Das Partes para o Todo

No pensamento mecanicista, o processo analítico tem função primordial.
Busca-se a compreensão dos objetos delimitando claramente sua fronteira e
decompondo-os em partes menores de mais simples compreensão. A
decomposição visa a busca de elementos de maior simplicidade, mais 

compreensíveis e de características mais essenciais que o próprio todo. Esse

movimento é chamado de reducionismo.

Essa busca pelo essencial parte do pressuposto de que haverá uma parte
muito pequena indivisível, cujas propriedades desmistificariam a
complexidade inerente ao todo. Este movimento é denominado atomismo.
Este processo tanto trouxe progresso quanto dificuldades. As principais
dificuldades dizem respeito a três aspectos. O primeiro é derivado da perda
dos relacionamentos do todo com o ambiente apartado pelo processo de
delimitação de fronteiras. O todo é isolado do seu ambiente para que possa
ser mais bem controlado no processo de conhecimento. Como decorrência
desse princípio, a segunda dificuldade ocorre, pois também as partes
componentes são isoladas, apartando assim os relacionamentos com as
demais partes e com o todo maior. E terceiro, o reducionismo e o atomismo
passam a permear o pensamento científico e tecnológico, e mesmo o
raciocínio diário, fazendo com que as pessoas acreditem que aquilo que não
for detalhado não é sistemático, e por isso não é conhecimento verdadeiro.
Esse reducionismo e atomismo exagerados levam as pessoas a “afogarem-se”
em um oceano de dados, dos quais é difícil extrair uma visão estratégica,
sistêmica.

O Pensamento Sistêmico busca reequilibrar as coisas passando a olhar no
sentido contrário do reducionismo e do atomismo, dando maior ênfase ao
todo que à parte. Inicialmente, estabelece também uma fronteira de sistema,
mas ela é “fraca” e mais ou menos arbitrária, para que os sucessivos
entendimentos posteriores possam restabelecer exatamente de que escopo
está-se falando. Isto permite a inclusão durante o processo de aspectos
importantes, como relacionamentos com o ambiente e com outros sistemas.
Há aqui também um perigo: o entendimento abstrato de que tudo está
conectado a tudo, e assim só parar o processo de inclusão ao chegar ao
sistema maior: o Universo. Para que o “detalhismo” não ocorra também na
direção oposta, o Pensamento Sistêmico adota duas posturas: o processo de
inclusão é delimitado por um interesse declarado dos atores pensantes, por
um lado, e por outro sintetiza e agrega variáveis, toda vez que o mapa do
sistema torna-se cognitivamente confuso.

Logo, o Pensamento Sistêmico está interessado nas características
essenciais do todo integrado e dinâmico, características essas que não estão
em absoluto em partes, mas em relacionamentos dinâmicos entre partes e
partes, partes e todo, e entre todo e outros todos. Ao invés de se concentrar
em elementos ou substâncias básicos, propõe a atenção a princípios básicos
de organização e a adoção de equilíbrio entre tendências opostas, como
reducionismo e holismo, e análise e síntese.


2) De Objetos para Relacionamentos

A ênfase em objetos tem parte de sua subsistência na constituição
lingüística ocidental. As línguas ocidentais, a maioria delas derivadas do
proto-indo-europeu, dão uma ênfase especial à leitura do mundo através de
objetos, pela sua ênfase estrutural em sujeitos e objetos, ao invés dos verbos.

Conhecer o mundo, dentro da tradição ocidental e mecanicista, significa
conhecer os objetos que o compõem.

Não nos deteremos nas vantagens deste processo, pois não serve aos
nossos propósitos neste ponto. Analogamente ao discutido na mudança de
ênfase de partes para todo, o “pensamento por objetos” está pouco atento aos
relacionamentos entre os objetos. Como são os relacionamentos que
promovem a dinâmica, o “pensamento por objetos” não considera a
codificação de atividades, de operações e, em última instância, do processo
que ocorre a partir dos relacionamentos.

Uma vez reconhecida a importância dos relacionamentos para o
entendimento do todo, faz mais sentido buscar um entendimento da realidade
não através de coleções de objetos, mas através de redes de relacionamentos
incorporadas em redes maiores. A busca da generalização no Pensamento
Sistêmico não se dá por classificação de objetos isolados com as mesmas
características, mas através do estudo dos padrões de organização. Neste
processo, observam-se repetidamente os mesmos padrões – configurações de
relacionamentos – em diferentes sistemas. Há uma mudança de foco, do que
o sistema é composto (conteúdo), para padrões de relacionamentos.
Aquilo que é denominado objeto, ou parte de objeto, é apenas um padrão
abstrato arbitrado dentro de uma teia inseparável de relações. Em última
análise, não há objetos ou partes em absoluto, mas padrões de
relacionamentos mais ou menos estáveis. Este padrão de organização, o que
denominamos sistema, está em permanente co-evolução através de
interações.


3) De Hierarquias para Redes

No pensamento analítico, objetos são decompostos hierarquicamente em
partes, que por sua vez são novamente decompostos em parte menores,
inferiores dentro da hierarquia. O conceito de hierarquia permeia todo o
processo analítico, conferindo aos níveis abaixo graus decrescentes de
importância na medida do avanço do processo analítico. Transferido aos
sistemas sociais, o pensamento hierárquico impregna a compreensão e a
intervenção na realidade com uma degradação da importância na medida em
que se desce na hierarquia, que é nociva à complexidade da realidade social.

Além disso, o processo analítico confere um caráter de cerceamento das
partes ao interior do objeto em análise, o que nem sempre é o caso, pois
sistemas complexos aninhados dentro de sistemas complexos nem sempre se
limitam às fronteiras do sistema maior. Indivíduos dentro de organizações
são muito mais que partes confinadas dentro de uma empresa, mas sistemas
complexos em interações com vários sistemas em vários níveis. Por isso, as
fronteiras entre sistemas, separando os organismos vivos de seu ambiente,
são freqüentemente de difícil distinção. A interdependência e coordenação de
coletividades de seres vivos geram um contato tão estreito, que o sistema
acaba por se parecer com um grande organismo.

Assim, a capacidade de entendimento da realidade reside em deslocar a
atenção de um lado para outro entre níveis sistêmicos, através da ampla rede 

de relações do mundo vivo. Perceber essa ampla teia traduz-se em utilizar
um pensamento em rede, outra das características essenciais do Pensamento
Sistêmico. Uma série de descrições interconectadas de fenômenos é
construída através da descrição do funcionamento da rede, na medida em que
percebemos a realidade como relacionamentos. Nosso próprio processo de
conhecimento vai também tecendo uma teia de descrições construída em
rede, de forma que a metáfora do conhecimento como edifício vai sendo
substituída pela rede. Em última análise, do ponto de vista da construção do
conhecimento, nossas descrições do mundo acabam por formar uma rede
interconectada de concepções e de modelos.


4) De Causalidade linear para Circularidade

Pelo pensamento mecanicista, o entendimento da realidade científica
passa do levantamento dos dados para o reconhecimento de padrões, e daí
para explicações causais dos fenômenos. Porém, a tradição de estudos de
causalidade sempre esteve limitada ao reconhecimento dos padrões lineares
de conexão. Por, implicitamente, considerar as relações tautológicas (de
causalidade circular) anômalas ou de exceção, relegou-as ao segundo plano.
Porém, a partir da nova ciência, que tem origem na cibernética e
engenharia de controle, essa relação acabou por inverter-se. Essas novas
ciências reconhecem a importância e essencialidade das relações circulares.
Em função da inclusão do ambiente contextual na compreensão dos sistemas
complexos, a cibernética começou a notar a participação cada vez maior das
relações circulares de causa e efeito na explicação do comportamento e
sustentação dos sistemas complexos. Tais relações são também chamadas de
feedback loops ou enlaces de retroalimentação. Sem o entendimento de tais
relações circulares, a compreensão do todo fica limitada. Por isso o
Pensamento Sistêmico tende a buscar um entendimento integral da realidade
através dos fluxos circulares, em vez de apenas por relações lineares de causa
e efeito.

Tome por exemplo um sistema como o rio. Ele só existe e se sustenta pela
relação circular maior do ciclo das águas. Ou um animal. Só se mantém e
tem tais características por inúmeras circularidades: controle da temperatura
corporal, pressão sangüínea, cadeia alimentar, respiração. Assim também são
os fenômenos organizacionais: a mudança sustentada que é nutrida pelos
enlaces de reforço, a manutenção dos problemas que se dá através dos
enlaces equilibradores.


5) De Estrutura para Processo

Outra mudança que se configura através do Pensamento Sistêmico é
oriunda de um duplo reconhecimento. O primeiro é de que a estrutura de um
sistema complexo é o influenciador fundamental do funcionamento dos seus
processos. Mas o segundo é o principal. São os processos fundamentais que
estabelecem padrões de organização, e que acabam por se materializar em
uma estrutura. Dentro do Pensamento Sistêmico, principalmente por
influência da teoria da autopoiese, de Maturana e Varela, e da teoria das 

estruturas dissipativas de Prigogine, a busca essencial é o do entendimento
dos processos subjacentes que organizam um padrão, e que por fim dão
origem a uma estrutura materializada.

Este movimento encontra adeptos tanto nas ciências naturais como nas
ciências sociais. Teóricos como Giddens, Habermas e Luhmann trabalharam
para a busca de uma teoria integradora entre estruturalismo e funcionalismo,
ganhando força cada vez maior este processo de transcendência da dicotomia
nas ênfases estrutura-comportamento.

Isto faz sentido na medida em que um sistema vivo ou social é mais do
que uma configuração estática de componentes. Mantém-se em constante
fluxo através de processos metabólicos e de desenvolvimento que
configuram e reconfiguram sua estrutura, fazendo com que sua forma se
mantenha e se desenvolva. Acaba que toda estrutura é vista como a
manifestação de processos subjacentes, fazendo com que o Pensamento
Sistêmico seja um “pensamento de processo”, que considera a natureza
intrinsecamente dinâmica da realidade. Nesse entendimento, a rede inteira de
relacionamentos é vista como intrinsecamente dinâmica, e a estrutura rígida
cede lugar a manifestações flexíveis de processos subjacentes.

6) De Metáfora Mecânica para Metáfora do Organismo Vivo e Outras Não-Mecânicas

O Pensamento Sistêmico dá especial ênfase ao uso da metáfora do
organismo vivo, em contraposição à dominante metáfora mecanicista. Os
sistemas vivos têm se mostrado uma metáfora útil na compreensão da nova
ciência, pois conceitos como contexto, ambiente, relações, mutualidade,
fluxos, fronteiras permeáveis, processos, desenvolvimento e evolução são
conceitos muito mais próximos dos objetos de estudo da biologia e ecologia
do que das máquinas. A metáfora mecanicista para compreensão e
construção de organizações começa a dar sinais de esgotamento quando
vivemos em um mundo cada vez mais interconectado, dinâmico e em
mudança.

Também a metáfora mecânica precisa dar cada vez mais espaço ao uso
das metáforas sociais para compreensão da realidade organizacional. Como o
mecanicismo coloca ênfase quase exclusiva na dimensão tecnológica,
freqüentemente ficam esquecidas as dimensões política e cultural das
organizações, em muito responsáveis por sucessos ou fracassos de iniciativas
de mudança.

Na medida em que a metáfora do organismo e as novas teorias dos
sistemas vivos vão sendo adotadas, um novo conjunto de aplicações
conceituais vai se incorporando à forma sistêmica de encarar o mundo.
É preciso lembrar, porém, que o Pensamento Sistêmico é simpático a
diversas outras metáforas, como a do cérebro, da holografia, do fluxo e
transformação, da cultura e da política. Todos esses fenômenos, de uma
forma ou de outra, têm acolhida numa forma sistêmica de pensar, que por
origem é uma forma inclusiva, e não excludente de pensar. O pensamento
metafórico, de uma forma geral, é sinérgico ao Pensamento Sistêmico, sendo 

útil dentro de uma nova forma de compreender a realidade mutante. Isso faz
sentido na medida em que a cognição e o controle de um sistema precisam
ter uma variedade no mínimo igual à variedade da situação a ser conhecida e
controlada. Significa que, para um mundo complexo, é necessária uma forma
de pensamento também complexa, o que implica um repertório quantitativa e
qualitativamente superior de metáforas, modelos e pontos de vista.


7) De Conhecimento Objetivo para Conhecimento Contextual e Epistêmico

Quando se está falando de conhecimento objetivo, está-se referindo ao
campo da experiência independente dos interesses e emoções do observador
individual. É um conhecimento obtido por métodos acordados por diversos
especialistas, em que as subjetividades são apartadas do processo, tornando-o
“neutro”. Porém, a arbitrariedade na seleção das teias de relacionamentos a
serem observadas, analisadas ou resolvidas está longe de ser um
procedimento “neutro”. Os cientistas e gerentes podem concordar sobre um
método para realizar uma investigação, mas a teia específica de
relacionamentos a ser investigada, bem como suas fronteiras, dependem
amplamente da subjetividade, dos interesses, crenças e paradigmas dos que a
selecionaram.

Principalmente em função desta dependência é que começa a ser
necessária uma contextualização dos pressupostos básicos de trabalho do
investigador científico ou do líder da mudança nas organizações. Se o ator é
um “mecanicista clássico”, abordará a organização como se fosse uma
máquina que necessita de controle, e implementará mecanismos para
controlá-la. Não há nenhum problema inerente nesta postura, desde que sua
ontologia organizacional e epistemologia sejam expressamente declaradas.

Ou seja, o ator da mudança ou investigador científico precisa declarar sua
visão de mundo sobre como a realidade é, e de como o conhecimento se
constrói. Isso se torna necessário para que ele possa receber apoio coerente
ao seu movimento, ou de modo a receber crítica bem embasada, impossível
sem uma declaração dos seus pressupostos a respeito da natureza da
organização, do ser humano e da realidade.

Além disso, como a “[...] natureza é vista como uma rede dinâmica e
interconexa de relações que inclui o observador humano como um
componente integrante”, o próprio entendimento desse observador sobre o
processo de conhecimento tem que ser incluído explicitamente na descrição
dos fenômenos. Como os pressupostos relacionados ao processo de
conhecimento, suas teorias, modelos e formas de mensuração dependem do
paradigma em uso, e como há diferentes paradigmas disponíveis, o
observador-participante precisa explicitamente declarar sua epistemologia
em uso. Nesse sentido, a epistemologia em uso é parte do processo de
observação e, ao mesmo tempo, o influencia. Por exemplo, isolar um padrão
numa rede complexa desenhando uma fronteira ao seu redor, chamando esse
padrão de “objeto”, é uma ação arbitrária, porém válida dentro de uma certa
ontologia e epistemologia, especificamente do pensamento mecanicista.

Já o Pensamento Sistêmico, em função da precariedade cognitiva humana,

também estabelece “fronteiras” ao redor de sistemas. No entanto, adota uma
postura diferenciada na medida em que imprime uma permeabilidade e
interconexão através desta “fronteira”. Logo, passa a haver cada vez mais a
necessidade de uma mudança de postura a respeito do processo de
observação e conhecimento, passando este de objetivo para contextual e
epistêmico.


8) Da Verdade para Descrições Aproximadas

Mas se todo isolamento de objetos torna-se arbitrário, e toda observação
implica participação, como ainda continuar a busca pelo conhecimento da
verdade e a libertação da caverna? O que torna esta busca ainda válida, e o
reconhecimento de que a abordagem sistêmica ainda seja uma forma
científica, é o entendimento de que há conhecimento aproximado, apesar da
impossibilidade de abarcar o todo em sua complexidade e infinita conexão. A
postura sistêmica é a do reconhecimento de que todas as concepções e todas
as teorias científicas são limitadas e aproximadas. Na ciência sempre lidamos
com descrições limitadas e aproximadas da realidade (modelos).
Assim, Pensamento Sistêmico é, em essência, pensamento de
modelagem, e este admite que todos os conceitos, teorias e modelos são
limitados e aproximados. Por isso, Pensamento Sistêmico implica um
deslocamento da busca da verdade para busca de descrições aproximadas
úteis dentro de um contexto.


9) De Quantidade para Qualidade

Como o Pensamento Sistêmico abandona a ênfase nos objetos para
concentrar-se nos padrões e nas formas, ele implica uma mudança de ênfase
da mensuração quantitativa dos objetos para uma postura de mapeamento e
visualização. Na medida em que objetos possuem propriedades intrínsecas
próprias, como pressupõe o pensamento analítico, distingui-los seria uma
tarefa de compará-los com padrões universais, ou seja, o processo de medir e
quantificar. Porém, diante do pressuposto do Pensamento Sistêmico de que
propriedades são dependentes de contextos, relações, formas e padrões, essas
mensurações necessitam contextualização na teia maior de relacionamentos.
Como relacionamentos, formas e padrões são difíceis de serem mensurados,
torna-se necessária uma atitude mais livre de visualização e mapeamento.
Assim, pensar em termos de padrões implica uma mudança de quantidade
para qualidade.


10) De Controle para Cooperação, Influenciação e Ação Não-violenta

Por fim, o reconhecimento dos padrões de comportamento da vida leva ao
entendimento de que a evolução depende de um equilíbrio dinâmico entre
competição e cooperação. A ecologia e o estudo da evolução dos sistemas
vivos complexos demonstram que os organismos no mundo natural têm 

grande tendência para associação, cooperação e simbiose, equilibrando
competição e mútua dependência. Este equilíbrio gera organismos e coletivos
de organismos em ordens estratificadas que, na medida em que há tanto
competição quanto cooperação, não existe razão para controle unilateral.

Nesse entendimento, a importância da ordem estratificada advém da
organização da complexidade, não da transferência do controle, como na
organização humana dos últimos 10.000 anos. A hipótese dos estudiosos
ligados à ecologia é que os sistemas humanos hierárquicos que trabalham sob
controle unilateral são insustentáveis e que a imitação da natureza, na
complementaridade de tendências auto-afirmativas e integrativas, torna-se
necessária à permanência da condição humana sobre a Terra.

Logo, a atitude postulada por Bacon, de dominação e tortura da natureza
com vistas ao seu domínio e controle, também pode ser encarada como uma
atitude não sustentável na relação com a comunidade da vida. Essas
percepções implicam a necessidade de uma mudança da atitude de
dominação e controle da natureza, incluindo os seres humanos, para um
comportamento cooperativo e de não-violência, tanto na ciência quanto na
tecnologia, organização e sociedade.

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