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Máquina em transe

Por que a sociedade em rede e, por extensão, a revolução digital é uma tendência? Este grupo pretende elaborar esta questão no sentido de relacionar a revolução digital às formas de subjetivação contemporâneas.

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Comentário de Benjamin L Franklin em 23 junho 2010 às 11:24
Oi Augusto,
Concordo com o ponto de vista no seu texto, ou seja, a escassez é criada por um sistema hieráquico. Não acredito que este sistema deva ser, necessariamente, autocrático. Por exemplo a moeda. Assim como a linguagem ela precisa de um sistema de soberania para ter sua validade geral. Com a globalização do sistema financeiro chegamos a uma validade universal, ou seja, todo mundo fala a linguagem do dinheiro - e o capital circula globalmente. Por outro lado, um sistema de equivalência universal, assim como a linguagem, produz equivalentes também universais e isso permite abstrair as coisas em seu valor de troca, quer dizer, tira escassez - uma vez que as coisas podem ser trocadas por um sistema de equivalências.

Sem um sistema hieráquico, imagino, que permita a abstração da experiência sensível, em objetos, em mercadorias, em significantes, se quiser, só existe a escassez, no sentido de tudo ser singular e ser operado pelo seu valor de uso e não o valor de troca. Então, fica, para mim, um estatuto paradoxal do dinheiro - e dos outrs sistemas de troca, a linguagem inclusive.
Comentário de Augusto de Franco em 23 junho 2010 às 6:29
Sugiro URRUTIA, Juan (2002): La lógica de la abundancia (HTML).

E também o meu brevíssimo homônimo A lógica da abundância.
Comentário de Benjamin L Franklin em 22 junho 2010 às 20:16
Caros,
A escassez é um assunto recorrente na e=r. Estou tentando entender como a escassez muda na cultura digital. O que está em jogo quando isso muda também. Bom ... to procurando um autor que fale sobre escassez, que conte a história do conceito e que possa situar a discussão.
Alguma sugestão?
abraços []s
Comentário de Benjamin L Franklin em 26 abril 2010 às 22:38
Comentário de Benjamin L Franklin em 26 abril 2010 às 22:33
Existe um certo consenso que diz que hoje vivemos o fim das grandes narrativas: a religião, a família, a nação. Acredito, no entanto, que seja exatamente o contrário, estamos vivendo no momento do êxito de uma grande narrativa, só que ela não ambiciona fazer sentido, como uma história, mas sim ser trocada, ser virtualizada ... ser reversível; é a narrativa da máquina virtual ...
Comentário de Luiz de Campos Jr em 26 abril 2010 às 20:09

Num brinca!
Bem, vou ficando por aqui prá ver no que dá...
Abs, Luiz CJr.

Comentário de Benjamin L Franklin em 26 abril 2010 às 14:03
Máquina universal e metanarrativa contemporânea


Este fórum pretende refletir sobre a atual crise nos modelos de negócios de mídia e comunicação, mais precisamente, gostaríamos de compreender quais forças operam esta crise no sentido de torna-la uma tendência contemporânea.. Nossa intenção é relacionar esta crise com um conceito de máquina que muda de uma sociedade disciplinar hierarquizada – conforme Foucault – para uma sociedade de controle, onde o fluxo desterritorializado de informações torna o estabelecimento de centros de poder mais difíceis de serem estabelecidos, conforme a prescrição deleuziana.

A ideia central está, em primeiro lugar, em relacionar o conceito de máquina com a invenção do universal, conforme a tradição ocidental que deriva do pensamento grego e se estabelece no judaísmo e no cristianismo. A invenção do universal no mundo ocidental estabelece um continuum de produção de estruturalidades, quer dizer, um aumento contínuo na capacidade de operação do mundo sensível, conforme padrões de representação independentes de estados subjetivos. A ideia do que venha a ser uma máquina está intimamente ligada a esta forma de operação.

No mundo grego era o embate persuasivo ocorrido na polis que estabelecia a ordem social, no judaísmo, a adesão a lei imemorial que se estabelecia com o povo eleito, no cristianismo, por sua vez, no estabelecimento de uma lei transcendental que tem uma origem misteriosa e inefável e que espera, não obstante, por um evento singular que ocorre por fora da lei (Badiou). Este evento singular que foi herdado nas forma de produção de universalidades, está presente também na modernidade sob a forma de uma princípio irracional – uma negatividade radical – que se estabelece concomitante ao esforço do ocidente em estabelecer um princípio de racionalidade.

Esta negatividade que foge dos modos universais de representação aparece, na modernidade, como princípios em várias disciplinas como a psicanálise – vide a pulsão de morte, em Freud ou o conceito de real, em Lacan – na cibernética de Wienner, com o conceito de entropia; entre outros. Este princípio irracional, de toda forma, é frequentemente percebido como uma força a ser controlada ou mesmo temida, como um destino inexorável vivido pelo homem ocidental.

As máquinas são uma forma de operar o mundo sensível, como se este fosse regido por categorias universais, ou como se o mundo funcionasse como as palavras. Não obstante as máquinas cobram um preço, elas exigem trabalho dos corpos, mesmo que pareçam funcionar de forma independente e que se estabeleçam em um mundo objetivo, independente do esforço dos corpos dos seres falantes. As máquinas, em outras palavras, são maneiras bastante eficientes de esconder a negatividade da operação de universais no mundo sensível, pois, ao mesmo tempo que parecem operar o mundo a partir de categorias transcendentais do espírito humano, elas escodem o trabalho dos corpos em leis objetivas do mundo real.

O estabelecimento de máquinas está, portanto, intimamente ligado com o estabelecimento do universal e, também, associa-se a constituição da subjetividade contemporânea que está, por sua vez, imbrincada com a subsunção da negatividade, uma espécie de luta constante para o apagamento da morte como negatividade radical. As máquinas são, desta forma ,uma maneira de subsumir a morte, ou, pelo menos, de produzir um mundo objetivo – uma realidade para se escapar dado um mundo que resiste em ser representado, pois espera o evento para além da lei, o milagre, o traumático, conforme a tradição cristã.

Para subsumir a negatividade radical, ou, talvez, para invoca-la de formas mais irresistíveis, as máquinas são direcionadas para uma virtualização radical, pois, desta forma, passam a ser resumidas em um único alfabeto, uma metanarrativa – o código binário – , que pode ser operado por um leitor universal: a máquina de Turing, ou os computadores modernos que, atualmente, se estendem à sua própria virtualização no ciberespaço.

A crise contemporânea de mídia e comunicação pode, nesta linha de pensamento, ser compreendida como um esforço na subjetivação contemporânea no sentido de subsumir a negatividade radical herdada pelo ocidente, e não um avanço tecnológico em si mesmo; onde a virtualização de todos os maquinismos, em direção a um puro fluxo de informações, corresponde justamente ao esforço radical em persistir em ser ocidental, mesmo que este movimento coloque em crise os laços sociais produzidos nos últimos trezentos anos.
 

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