Escola de Redes

RESULTADOS DA COCRIAÇÃO NO PROGRAMA COMO SE TORNAR UM NETWEAVER



OS PRINCÍPIOS DO NETWEAVING

24 PESSOAS INTERAGINDO EM 25 DE MAIO DE 2013 NO LABE=R

Como os grupos foram escrevendo diretamente num Google Docs um podia ver o resultado do outro durante o processo e, assim, podia clonar!

- 1 -

Não há qualquer sistematização na lista abaixo. Apenas foram emendados os resultados de quatro grupos.

Mais Deixar Acontecer que Conduzir.

Mais Deixar Emergir que Impor.

Ambientes mais Livres que Estruturados.

Mais Acolhimento que Opressão (Medo).

Mais os Efeitos Colaterais que os Resultados Esperados.

Mais Conversação que Reunião.

Mais Co-criação que Planejamento.

Netweaver mais como um Interagente Comum que como Alguém Especial.

Mais Ecossistemas de Objetivos do que Objetivos Comuns: ao invés de tentar fazer as pessoas convergirem em um objetivo comum, procurar trançar os diversos objetivos existentes em um cluster de maneira a potencializar a complementaridade mútua.

Mais Dança do que Marcha.

Mais Desejo do que Interesse (cola).

Pensar mais pela Abundância que pela Escassez.

Mais “Abrir Portas” do que “Lutar”.

Mais Diversidade do que Homogeneidade.

Mais Micro-Lideranças Dinâmicas do que Líderes Permanentes.

Conectar Pessoas mais do que Instituições (cloning do grupo 2).

Mais Vivências, menos Teorias (outro cloning do grupo 2).

Ser mais como o Luiz de Campos Jr. do que como o Eike Batista.

- 2 -

Mais desejos do que sensibilização.

Menos reunião, mais encontros.

Mais questões, menos respostas.

Aprendizado mais que ensinamento.

Conectar pessoas mais que organizações.

Interação mais que participação.

Mais caminhos, menos obstáculos.

Mais exemplos, menos idéias.

Mais paisagens, menos retratos.

No formigueiro não existem netweavers.

- 3 -

Deixar acontecer, não impor necessidades que não existem. Se determinada rede acabar, acabou. Ela existirá enquanto os integrantes a movimentarem.

Entender que o resultado da rede é o processo.

Mais a experiência da rede do que os indivíduos.

Não conduzir. Conectar pessoas.

Forma X Conteúdo. Netweaver preocupa-se com a forma, como a rede se organiza.

Não deixar pessoas cristalizarem no papel de líder.

Tecer uma rede que permita a circularidade da liderança. Liderança emerge naturalmente, a partir do reconhecimento da rede e do individual do líder.

- 4 -

Não considerar-se proprietário do que é produzido na interação.

Reconhecer e valorizar a interdependência.

Entender a humanidade do outro: mais perguntas... para soluções conjuntas.

ATENÇÃO
Os programas de aprendizagem são pagos e os recursos arrecadados se destinam a manutenção do laboratório (conforme já havia sido previsto no texto de 07/11/2011 Uma nova proposta para a Escola-de-Redes).
 

NETWEAVER HOW-TO 

Como se tornar um articulador e animador de redes sociais

Programa de Aprendizagem com Augusto de Franco e seus convidados
,

Conteúdo do Programa

Netweavers são os “tecelões” (para aproveitar o que poderia ter sido uma feliz expressão de Platão, no diálogo O político, se ele não estivesse se referindo a um sujeito autocrático), e os animadores de redes voluntariamente construídas. Na verdade, eles constroem interfaces para conversar com a rede-mãe. Os netweavers não são necessariamente os estudiosos das redes, os especialistas em Social Network Analysis ou os que pesquisam ou constroem conhecimento organizado sobre a morfologia e a dinâmica da sociedade-rede. 

Todas as pessoas têm uma porção-netweaver. Se não fosse assim, não poderiam ser seres políticos (e a democracia jamais poderia ter sido inventada e reinventada).

Mas em sentido estrito, chamamos de netweavers aqueles que se dedicam a tecer redes. Esse talvez seja o papel social mais relevante em mundos altamente conectados. O que significa que, em um mundo hierárquico, o netweaver é necessariamente um hacker(embora não seja apenas isso).

Todo netweaver é um hacker no sentido ampliado do termo (para além do “hacker-de-software”). Mas nem todo hacker é netweaver. O netweaver é um hacker-fluzz. Para se tornar um netweaver, não é necessário seguir o caminho (mesmo porque não existe ocaminho), mas jogar-se no não-caminho: naquele sentido poético do “perder-se também é caminho” como escreveu Clarice Lispector (1969) em O livro dos prazeres; nem, muito menos, é o caso de olhar o mestre, seguir o mestre, andar com o mestre, ver através do mestre e tornar-se o mestre, como sugere um poema Zen reproduzido por Eric Raymond (1996-2001) em Como se tornar um hacker; senão de fazer exatamente o contrário: matar o mestre!

netweaver não é um indivíduo excepcional, destacando-se dos demais no velho mundo único por seu espírito criativo e por sua dedicação concentrada em inovar: ele é uma função social dos mundos altamente conectados. Nos Highly Connected Worlds não se trata mais de constituir uma tribo dos diferentes (diferentes dos outros, dos que não-são) ou uma comunidade dos iguais (que se reconheçam mutuamente: como disse Raymond, no texto citado, “você não é hacker até que outros hackers lhe chamem assim”). Não há uma atitude geral fundante, um conjunto de habilidades certas, uma cultura adequada comum e uma mentalidade distinta baseada em um sistema de crenças. São muitas comunidades, muitas tribos, com as mais variadas atitudes e habilidades, miscigenando suas culturas enquanto seus agentes nômades viajam pelos interworlds. E pouco importa as crenças de cada uma das pessoas ou aglomerados de pessoas que se dedicam ao netweaving. Para orientar e multiplicar os hackers, de certo modo, Eric Raymond quis fazer uma escola (ainda que baseada na autoaprendizagem e no reconhecimento mútuo). Para ensejar o florescimento do novo papel social do netweaver, trata-se, pelo contrário, de apostar que sua livre interação enxameie não-escolas.

Não pode haver, portanto, um receituário procedimental elencando habilidades técnicas para alguém se tornar netweaver. Você não precisa saber programar. Você não precisa só usar o Linux (nem entrar na igreja do software livre, que – convenhamos – em alguns países da América Latina está mais para partido). Você não precisa saber escrever em HTML5. Para fazer hacking (no sentido ampliado do termo) – como uma das dimensões do netweaving – você precisa estar disposto a desprogramar hierarquias (hackeando aquelas instituições erigidas no contra-fluzz, como, por exemplo, escolas, igrejas, partidos, Estados e empresas-hierárquicas). E para fazer netweaving não há nenhum conteúdo substantivo (filosófico, científico ou técnico) que você tenha que adquirir: basta desobedecer, inovar e tecer redes. Isto sim, você vai ter que aprender: a tecer redes – da única maneira possível de se aprender isso: interagindo com outras pessoas sem erigir hierarquias (sem mandar nos outros e sem obedecer a alguém). Isto é netweaving!

Não é algum conteúdo que determina seu comportamento. Para se tornar netweaver não se trata de saber, mas de ser. Se você é um hacker – tão convicto e habilidoso como o próprio Raymond, ou Torvalds, ou Stallman, ou Cox, ou Tanenbaum – mas constrói suas patotas e igrejinhas, ou monta empresas-hierárquicas, ou, ainda, erige quaisquer outras organizações centralizadas e nelas convive com as outras pessoas o tempo todo, então você não poderá ser um netweaver, mas não por motivos éticos ou morais, por estar sendo incoerente com suas crenças e sim porque, nestas condições, você dificilmente conseguirá aprender a articular e animar redes (distribuídas).

Enfatizando, não é porque você violou princípios ou não observou valores. Não é porque você não compartilhou o que sabe, nem porque transgrediu a “cultura da doação” para ganhar mais dinheiro. Esse não é o ponto. O que um netweaver não pode é não ser umnetweaver; ou seja, o que faz o netweaver não é um conjunto de conhecimentos adquiridos (ou de opiniões proferidas, habilidades técnicas exercitadas, capacidades cognitivas desenvolvidas) ou valores abraçados e sim o que o netweaver faz. Se não faz rede, não énetweaver (ainda que, pelo visto, possa ser hacker).

A parte hacking do netweaving é aquela que desprograma, que corta (to hack) ou quebra (to crack) as cadeias de scripts dos programas verticalizadores que perturbam o campo social centralizando a rede-mãe e gerando aglomeramentos no contra-fluzz (que aparecem então como instituições hierárquicas). Hackeando tais instituições pode-se introduzir funcionalidades diferentes das originais como, por exemplo: a experimentação da livre aprendizagem em vez da transmissão do ensinamento (essa é uma espécie de “antivírus” não-escola, poderíamos chamar assim tais experiências, em termos metafóricos); o compartilhamento da espiritualidade espontânea em vez do seu enquadramento e cerceamento por meio das práticas religiosas e dos rituais das igrejas (“antivírus” não-igreja); o exercício voluntário e cooperativo da política pública e da democracia comunitária em vez da disciplina e da fidelidade partidárias (“antivírus” não-partido); a vivência do localismo cosmopolíta em vez do refúgio no nacionalismo e no patriotismo insuflados pelo Estado (“antivírus” não-Estado-nação); a associação de empreendedores para polinizarem mutuamente seus sonhos em vez da montagem de estruturas para arrebanhar trabalhadores e subjugá-los em prol da realização do sonho único de alguém (“antivírus” não-empresa-hierárquica).

Todo resto pode ser abandonado. Nada de religião: para o netweaving você pode fazer todas essas coisas usando o Linux, mas também o Microsoft Windows ou o Mac OS ou o Chrome OS; ou, mesmo, não usar nada disso. Você pode empregar uma das dezenas de plataformas p-based disponíveis, como o Elgg e também o Ning, o Grouply, o Grou.ps (ou, melhor ainda, pode ajudar a desenvolver uma plataforma i-based) ou pode tentar se virar com sites de relacionamento como o Facebook. Ou então você pode sair do mundo virtual ou digital e promover atividades presenciais de netweaving, como rodas de conversação, desconferências ou Open SpacesWorld Cafés e configurar ambientes de cocriação interativa. Para os “netweavers-de-software” (por assim dizer) o principal desafio é desenvolver tecnologias interativas (i-based) de netweaving: ferramentas digitais adequadas à articulação e animação de redes sociais. E há muitos outros desafios tecnológico-sociais que estão colocados para todos os netweavers (e não apenas os que mexem comsoftwares) para intensificar a interatividade. Mas nenhuma ferramenta, nenhuma técnica ou metodologia e nenhuma dinâmica é realmente essencial. O essencial é articular e animar redes distribuídas de pessoas. Ou seja, o grande desafio é social mesmo.

Enfatizando, mais uma vez: de nada adianta você só usar free software e as mais avançadas técnicas dialógicas de conversação se você continua se organizando hierarquicamente, se sua organização é centralizada ou fechada (e, portanto não-free) e se você privatiza o conhecimento que poderia ser comum, vedando o acesso público (e, dessarte, seu conteúdo também será não-free).

Desprogramar sociosferas – a parte hacker do netweaver – não basta: é necessário reprogramá-las, construindo seus próprios mundos. Eis porque, por meio do netweaving, mundos-bebês estão agora em gestação.

 

Programa

Redes sociais distribuídas: o que são, como articulá-las e animá-las

Militância, ativismo, hacking e netweaving

Netweaving na família, na escola, na igreja, na universidade, nas organizações da sociedade e do Estado e nos locais de trabalho

O netweaving e a transição organizacional de hierarquia para rede

 

Programação

09h00-10h40 | Exposição provocativa inicial

10h40-11h00 | Café com pão de queijo e bate-papo

11h00-12h00 | Experiência de cocriação

12h00-12h50 | Apresentação das ideias cocriadas

12h50-13h00 | Encerramento do Programa

13h00 em diante | Conversação livre (e gratuita) para quem quiser ficar

 

Bibliografia Recomendada

FRANCO, Augusto (2011): Netweaver Howto | PDF

FRANCO, Augusto (2012): Hierarquia: explorações na Matrix realmente existente | PDF

FRANCO, Augusto (2012): Small Bangs: instruções para construir uma bomba criativa | PDF

FRANCO, Augusto (2010): Desobedeça: uma inspiração para o netweaving | Slideshare

RAYMOND, Eric (1996-2001): How To Become A Hacker | HTML

HIMANEN, Pekka (2011): La ética del hacker y el espiritu de la era de la información | PDF

 


 PROGRAMA REALIZADO!

Exibições: 1144

Anexos

Respostas a este tópico

Augusto,

É a primeira vez que tenho contato com essa ideias. Fiquei bastante impressionado, pois joga luz sobre muitas inquietações que tenho quanto à inovação, conhecimento, aprendizado, hierarquias, comando-e-controle, redes, emergência e complexidade.

Quando terminei de ler, pensei logo: "puxa, alguém conceituou o que eu realmente quero fazer na vida!"

Obrigado por partilhar.

Um abraço,

Fábio 

gostei do formato! :)

E certamente do café com pão de queijo, não?

Luiz de Campos Jr disse:

gostei do formato! :)

falava [ principalmente ] sobre isso! (:

Augusto de Franco disse:

E certamente do café com pão de queijo, não?

Luiz de Campos Jr disse:

gostei do formato! :)

ESMIUÇANDO O PROGRAMA 'COMO SE TORNAR UM NETWEAVER'

1 - Redes sociais distribuídas: o que são, como articulá-las e animá-las | Aqui é aquele básico que todo mundo tem que saber

2 - Militância, ativismo, hacking e netweaving | Aqui vão ser tratadas distinções importantes entre participação e interação, entre ativismo e interativismo, entre militância e articulação e animação de redes

3 - Netweaving na família, na escola, na igreja, na universidade, nas organizações da sociedade e do Estado e nos locais de trabalho | Aqui é aquele choque para quem separa sua vida "normal" de sua vida ideal (por meio da qual imagina que vai transformar o mundo)

4 - O netweaving e a transição organizacional de hierarquia para rede | Aqui vão ser tratadas as questões da transição (de pirâmide para rede) nas organizações em geral (estatais, empresariais e sociais)

INSCRIÇÕES https://www.sympla.com.br/como-se-tornar-um-netweaver-articulador-e...

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