Escola de Redes

Minha contribuição é este glossário contextual que escrevi no início de 2012 para o Small Bangs.

Glossário contextual

Como não estou construindo um sistema teórico, as referências seguem em ordem alfabética, à maneira de um glossário, com a diferença, porém, de que alguns verbetes aparecerão agrupados por similaridade, sinergia ou contraposição, uma vez que não se trata aqui de defini-los estritamente e sim de esclarecer seu significado descrevendo o contexto em que surgiram. Incluem-se apenas os termos que designam conceitos cunhados ou ressignificados por mim e não todos os termos, mesmo os não-usuais, usados no texto (como Small-World, graus de separação et coetera).

 

Aprendizagem-criação x Ensino-reprodução

A partir de 2009, a conversação na Escola-de-Redes – com Nilton Lessa, Luiz de Campos Jr e vários outros – foi revelando que a aprendizagem envolve sempre criação (você só aprende verdadeiramente o que inventa, uma sentença talvez inspirada no poeta Manoel de Barros: “Tudo que não invento é falso”). Ao contrário do ensino, que envolve sempre reprodução de um conteúdo, transmissão ou inculcação de um ensinamento. Descobriu-se que – ao contrário do que se propaga – o ensino não é o antecedente lógico da aprendizagem e que o ensino se constituiu não a favor, senão contra a livre-aprendizagem (toda livre-aprendizagem é desensino). Essa compreensão está registrada em vários textos, especialmente em dois: Buscadores & Polinizadores (nas suas quatro versões, a última de meados de 2010) (1) e Multiversidade (2012) (2). Posteriormente, no processo de elaboração do texto Cocriação: Reinventando o conceito (2012) (3) ficou claro que essa contraposição (Aprendizagem-criação x Ensino-reprodução) vai além do âmbito, por assim dizer, educacional, para se referir aos ambientes sociais, empresariais e governamentais de maneira geral. A escola como burocracia do ensinamento não é o único exemplo. Também são campos de reprodução as igrejas, as corporações, os partidos, os Estados e as empresas hierárquicas. Na verdade todas as organizações hierárquicas são campos de reprodução e, em um sentido amplo do conceito, são escolas (campos de reprodução da Matrix, foi uma metáfora muito utilizada). Em contraposição, todos os ambientes conformados por redes distribuídas (ou mais distribuídas do que centralizadas) seriam campos de criação. Em Fluzz (2011) (4) essas concepções já haviam sido expostas ou esboçadas (nas cinco primeiras seções do Capítulo 7 e nas duas primeiras do Capítulo 8).

 

Big Bang e Small Bangs

Big Bang, como se sabe, é uma teoria atualmente aceita segundo a qual o universo em expansão teve início cerca de 15 bilhões de anos atrás, a partir de um estado de energia, densidade e compressão enormes (5). O Big Bang teria sido um buraco branco, uma fonte da qual jorrou toda matéria e energia (ao contrário dos buracos negros, nos quais a criação se abisma em virtude do seu imenso campo gravitacional). Até bem pouco se acreditava que este (o Big Bang) seria o único buraco branco, mas foi levantada recentemente (2011) a hipótese de que pode haver outros buracos brancos – como Small Bangs – associados a certas explosões atípicas de raios gama (que se comportam como o reverso dos buracos negros). Quando uma grande quantidade de massa (e energia) é ejetada por um buraco branco ele “decai” virando um buraco negro (6). Bem... a despeito da hipótese ser instigante (ensejando a visão de que o universo não foi criado em um único momento, mas continuaria sendo criado, intermitentemente), o que nos interessa aqui é a metáfora. Quando imaginei – numa conversa com Nilton Lessa pelo GTalk, no início de 2012 – que a maneira de criar mundos mais distribuídos do que centralizados seria a partir de pequenas explosões (small bangs) não tinha conhecimento dessa hipótese de Alon Retter e Heller Shlomo (7). Mas é incrível a coincidência, inclusive com a ideia dos mundos-bebês, aventada em 2010 e comentada em Fluzz (2011) (8).

 

Bomba e Bolha

Como já foi dito nos Comentários, a metáfora da bomba e da bolha foi um recurso empregado para mostrar que o mundo é uma totalidade de fatos, não de coisas (a subproposição 1.1. do Tractatus Logico-Philosophicus de Ludwig Wittgenstein (1918): “O mundo é a totalidade dos fatos, não das coisas”). Assim, o mundo é determinado pelos eventos (Idem, 1.11: “O mundo é determinado pelos fatos, e por serem todos os fatos”) (9). A bomba-fluzz é uma bomba de eventos que ocorrerão em uma bolha. A bolha fornece a imagem de uma coisa fugaz, temporária, delicada e frágil, que pode desaparecer a qualquer momento. Foi uma maneira de dizer que não se deve ter a expectativa de duração indeterminada, de continuidade, de construção que se aperfeiçoa com o tempo, de evolução ou de transformação conduzida por vontade do sujeito ou por algum fator imanente à história. Os mundos têm, por outro lado, certa autonomia: abrem e fecham em função de vários fatores. Podem ressurgir, mas não como desdobramento e sim como reflorescimento, em outras regiões do tempo, quando uma configuração particularíssima (não necessariamente semelhante, mas com algum fator com poder de evocá-los – ou de invocá-los) torna a se constelar.

 

Campo social

A ideia de campo social – à semelhança de um campo de forças (meio pelo qual uma força comunica sua influência) – foi aventada em 2007 e publicada no livro Novas Visões (2008) (10) para descrever o efeito da topologia da rede social sobre as pessoas (assim como num campo físico pode-se determinar a intensidade e a direção da força a cada ponto). Em uma topologia distribuída o campo social manteria as mesmas propriedades em todas as direções. Uma topologia centralizada introduz uma anisotropia (privilegiando certas direções ou condicionando o fluxo a passar por elas em detrimento de outras direções possíveis). Essa anisotropia – introduzida pela hierarquia (ou seja, pela centralização) – é encarada então como uma deformação no campo social. Em geral isso é descrito como uma verticalização do campo (privilegiando-se a direção vertical ou os caminhos de subida e de descida). Na presença de organizações hierárquicas o campo social se deforma, não apenas no seu interior, mas também em seu entorno. O conceito (ou a imagem) não tem propósitos analíticos e sim demonstrativos (ou ilustrativos): pessoas situadas num campo social deformado tendem a se comportar de maneira condizente com os caminhos disponíveis independentemente de suas características individuais: por exemplo, num campo verticalizado tenderá a privilegiar a direção vertical, disputará com outras pessoas os caminhos de subida (competição) em vez de estabelecer relações horizontais com elas (colaboração). Esta visão é congruente com a hipótese de que a colaboração é um atributo da maneira como os seres humanos se organizam e não uma função de suas características individuais distintivas (como seus princípios, visões e valores). As bolhas abertas por Small Bangs seriam campos sociais não deformados pela hierarquia, que conseguem permanecer, durante breves períodos, nessa condição.

 

Cocriação

Cocriação (co-creation) é o processo pelo qual várias pessoas criam (ou desenvolvem) ideias conjuntamente. Toda criação é uma cocriação na medida em que nenhuma ideia nasce do nada. Nenhuma pessoa concebe uma idéia a partir do zero. Uma ideia é sempre um clone de outras ideias (um clone sempre diferente porque sujeito a um processo variacional). O conceito de cocriação interativa (ou i-based co-creation como open distributed innovation) foi apresentado no texto Cocriação: Reinventando o conceito (2012) (11). Segundo essa visão todas as ideias são frutos da interação (envolvendo cloning, uma fenomenologia da interação). A cocriação interativa (ou em rede) seria imprevisível, intermitente, aberta, distribuída e, obviamente, interativa (quer dizer, o que já não é tão óbvio, não-participativa). O sentido mais profundo dessa elaboração talvez possa ser resumido na frase seguinte: “Em uma espécie de invocação de entidades ainda desconhecidas e que não controlamos, ensaiamos na i-based co-creation um novo modo de convivência capaz de dar vida ao simbionte social que prefiguramos quando nos abrimos à interação com o outro-imprevisível(12). Como já foi dito nos Comentários, a cocriação é o “segredo” do Small Bangs: se ambientes hierárquicos são campos de reprodução (no melhor dos casos, de criação dirigida), então só a livre criação coletiva pode constituir ambientes distribuídos dando à luz a outro mundo (a bolha).

 

Ética hacker e Ética netweaver

A ética hacker seria aquele conjunto de valores que emergem das primeiras comunidades cooperativas de programadores, que logo se materializaria nas expressões comunitárias na Internet e nas comunidades de desenvolvedores de software livre. Tais valores compreenderiam: uma revalorização do trabalho (uma nova motivação baseada no desejo de conhecimento e no prazer do seu compartilhamento, para além da expectativa de remuneração monetária) com a consequente não aceitação da separação entre vida e trabalho e a valorização da liberdade como valor fundamental (materialização da autonomia pessoal e comunitária do hacker) (13). A expressão ‘ética hacker’ ficou conhecida depois de Eric Raymond (1996-2001) ter concluído seu esboço de critérios axiológico-normativos para os hackers (que ficou conhecido em alguns meios como Hacker Howto) (14) e após a publicação do livro de Pekka Himanen (2001): A ética hacker e o espírito da era da informação (15). A ética netweaver foi aventada (sem usar essa denominação) em um capítulo crítico de Fluzz (2011), intitulado Netweaver Howto e poderia ser resumida na frase seguinte: “Se você quiser se dedicar ao netweaving, comece esquecendo toda essa bullshit sobre ética como conjunto de normas sobre o que fazer ou não-fazer válidas para qualquer interação e estabelecidas antes da interação. O que caracteriza o netweaver é o que ele faz e não um conjunto de crenças ou valores, por mais excelsos, solidários ou do-bem que possam ser estimados(16).

 

Fluzz

A palavra ‘fluzz’ nasceu de uma conversa informal do autor, no início de 2010, com Marcelo Estraviz, sobre o Buzz do Google. O autor observava que Buzz não captava adequadamente o fluxo da conversação, argumentando que era necessário criar outro tipo de plataforma (i-based e não p-based, quer dizer, baseada em interação, não em participação). Marcelo Estraviz respondeu com a interjeição ‘fluzz’, na ocasião mais como uma brincadeira, para tentar traduzir a idéia de Buzz+fluxo. Ulteriormente a idéia foi desenvolvida no livro-mãe Fluzz: vida humana e convivência social nos novos mundos altamente conectados do terceiro milênio (2011) (17) e passou a não ter muito a ver com o programa malsucedido do Google. Fluzz (o fluxo interativo) é um conceito complexo, sintético, que talvez possa ser captado pela seguinte passagem: “Tudo que flui é fluzz. Tudo que fluzz flui. Fluzz é o fluxo, que não pode ser aprisionado por qualquer mainframe. Porque fluzz é do metabolismo da rede. Ah!, sim, redes são fluições. Fluzz evoca o curso constante que não se expressa e que não pode ser sondado, nem sequer pronunciado do “lado de fora” do abismo: onde habitamos. No “lado de dentro” do abismo não há espaço nem tempo, ou melhor, há apenas o espaço-tempo dos fluxos. É de lá que aquilo (aquele) que flui sem cessar faz brotar todos os mundos... Em outras palavras, não existe uma mesma realidade para todos: são muitos os mundos. Tudo depende das fluições em que cada um se move, dos emaranhamentos que se tramam, das configurações de interação que se constelam e se desfazem, intermitentemente(18). Diz-se que bomba de eventos do Small Bangs é uma bomba-fluzz porque ela enseja a criação de novos mundos.

 

Glocal

Glocal significa local em interação com outros locais. Uma realidade glocal se constitui quando a globalização do local encontra a localização do global, o que é apenas uma maneira de falar da conexão local-global, ou seja, da interação entre diversos locais. Glocal significa que o local conectado é o mundo todo, uma ideia surgida em 2001, numa conversação na rede de criação da Agência de Educação para o Desenvolvimento. Em Fluzz (2011) a idéia foi retomada: “Em mundos altamente conectados todo pensar será glocal (e não global) e toda ação também será glocal (e não local). Não pode haver um pensar global porque isso pressupõe uma apreensão por cima ou por fora da interação. A aldeia global de McLuhan será local, mas nunca um único e mesmo local. Quem a perceber estará expressando a percepção do emaranhado de conexões no qual está envolvido. Como os emaranhados são diversos, cada percepção será também diversa. Teremos tantas aldeias globais quanto os mundos a partir dos quais elas são vistas como resultado de configurações particulares de interação. Ou seja, teremos miríades de aldeias locais(19). Todo mundo-bebê que vem à luz num Small Bang é sempre glocalizado.

 

Highly Connected Worlds

A expressão surgiu em 2009, no draft do livro de David Easley e Jon Kleinberg, Networks, Crowds and Markets: reasoning about a Highly Connected World (2010) (20). O autor (deste Glossário) acrescentou, no mesmo ano, um ‘s’ à palavra world para enfatizar que mundos altamente conectados são múltiplos: a ilusão do mundo único em termos sociais é um efeito do broadcasting (emissão centralizada um-muitos), ou seja, da hierarquia. Todas as novas possibilidades sociais que permitem a emergência de Highly Connected Worlds estão ligadas à fenomenologia das redes sociais distribuídas. Em Fluzz (2011) se diz que “no mundo hierárquico não há interface para fluzz. Mas quando fluzz for do regime dos múltiplos mundos interconectados, esses mundos serão os novos Highly Connected Worlds do terceiro milênio(21). E mais adiante: “Os Highly Connected Worlds tendem a ser organismos humanos coletivos... superorganismos humanos, não organismos super-humanos! Eles são campos para o nascimento do “indivíduo social”... que não pode se consumar como humanidade enquanto algo estava impedindo: a escassez de conexões, uma escassez artificialmente introduzida por modos de regulação não-pluriárquicos. Fluzz não podia passar. Mas fluzz é empowerfulness. Se fluzz não pode soprar o corpo não se vivifica(22). As bolhas que surgem de Small Bangs são Highly Connected Worlds.

 

Interativo

A diferença entre interação e participação, já havia sido notada por David de Ugarte em meados da década passada (23). Mas a explicação detalhada do por que redes são ambientes de interação e não de participação surgiu num blogpost na Escola-de-Redes em 24 de abril de 2010 (24). Participação designa uma noção construída por fora da interação. Participar é se tornar parte ou partícipe de algo que não foi inventado no instante mesmo em que uma configuração coletiva de interações se estabeleceu, mas algo que foi (já estava) dado ex ante. Em um ambiente interativo (não-participativo) cada pessoa atua nos seus próprios termos e não nos termos estabelecidos por outros (como ocorre na participação). Isso significa, entretanto, que estará mais aberta ou mais vulnerável ao outro-imprevisível. Quanto mais interativo é um ambiente menos anisotropias acarreta no espaço-tempo dos fluxos ou menos deformações produz no campo social. As bolhas abertas por Small Bangs são ambientes interativos.

 

Mundo centralizado x Mundo distribuído

Mundos (sociais) são redes (de pessoas). Mundo centralizado e mundo distribuído referem-se, respectivamente, às topologias de rede centralizadas e distribuídas segundo a distinção genialmente introduzida por Paul Baran (1964) no paperOn distributed communications: I. Introduction to distributed communications networks” (25). Cabe à Albert-László Barabási (2002) o mérito por ter reintroduzido os diagramas de Baran na discussão contemporânea sobre redes, no livro Linked (26). Em 2008 construí, para efeitos demonstrativos, um Índice de Distribuição de Rede baseado nos Diagramas de Baran (27). Em 2009, houve uma discussão na Escola-de-Redes sobre o Diagrama B de Baran (28) – depois consolidada na segunda versão do texto O Poder nas Redes Sociais (29) – que mostrava que redes extensas são sempre descentralizadas e que, portanto, para efeitos práticos, o que importa é o grau de distribuição (ou, inversamente, de centralização). A partir daí adotou-se a convenção de chamar de redes distribuídas aquelas cuja topologia apresenta graus de distribuição maiores do que de centralização. É neste sentido que se afirma que as bolhas surgidas de Small Bangs são mundos mais distribuídos do que centralizados.

 

Mundos-bebês

A ideia de mundo-bebê surgiu pela primeira vez em 2010, em uma conversação com a equipe de coordenação do programa Redes de Desenvolvimento Local (30), no contexto da discussão sobre a criação de instâncias glocais em bairros e municípios - locais conectados (para fora) e altamente tramados (por dentro). O objetivo era construir mundos tão pequenos em termos sociais (small-worlds com 1 grau de separação) que gerassem um campo com grande capacidade de empoderamento. Small is powerful e empowerful foram noções aventadas em 2003, no livro O poder do local: globalização, glocalização, localização (31) e retomadas no texto O Misterioso 1% (2009) (32). Posteriormente a ideia foi desenvolvida – já com a denominação “mundos-bebês” – no Capítulo 10 de Fluzz (2011) (33) intitulado “Mundos-bebês em gestação”. Os mundos-bebês seriam resultados de glocal swarmings que estariam gestando, na escuridão, novos padrões societários: “uma formidável orgia fúngica sob seus pés (uma espécie de sexo grupal que está acontecendo agora em Zion, i. e., nos subterrâneos, com hifas surgindo por toda parte)(34). A bomba-fluzz é uma maneira de provocar um glocal swarming e as bolhas abertas por Small Bangs são espécies de incubadoras de mundos-bebês.

 

Não-caminho x Caminho

Bem... a idéia de não-caminho surgiu durante a elaboração de Fluzz (2011), um livro que brotou de uma única frase, usada como epígrafe no texto Desobedeça (2010): “A força (Te) não é (um querer) induzir alguém (ou alguma coisa) a seguir um caminho prefigurado e sim (um deixar) fluir com o curso (Tao)(35). Uma passagem de Fluzz (2011) explica: “Desobedecer é sempre abrir um caminho. Mas cada ato ou gesto de desobediência abre um novo caminho. Manter-se no mesmo caminho, à revelia da direção do vento, acreditando que ele é o seu caminho para vida toda ou o único caminho, e tentar impingi-lo a outras pessoas... aí já é obedecer(36). A expressão ‘não-caminho’ já havia sido usada pelo físico David Bohm (1970-1992) quando tentava, no ocaso da vida, compreender e promover a interação que chamava de diálogo, ao dizer que percebendo “o significado de todos os caminhos... chegamos ao ‘não-caminho’. No fundo, todos os caminhos são os mesmos...(37). O caminho-fluzz é o caminho-não-caminho; ou seja, em mundos altamente conectados não há caminho porque tudo é caminho. Assim, na bolha não há caminho.

 

Netweaving

Não se sabe bem onde surgiu pela primeira vez o termo ‘netweaving’ para designar genericamente articulação e animação de redes sociais. David de Ugarte alega que foi ele que inventou a palavra em 1999: “La palabra netweaving fue creada en 1999 por David de Ugarte para definir el objetivo de Piensa en Red. El término ni siquiera existía en los buscadores en aquella época, pero fue pronto consagrado por Juan Urrutia en La lógica de la abundancia, un largo artículo publicado en la revista Ekonomiaz en el que se planteaba por primera vez la lógica de la abundancia como principio ordenador de las redes distribuidas” (38). Mas essa alegação parece não ser verdadeira, de vez que ela – a palavra ‘netweaving’ – pode ser encontrada em um artigo de março de 1998: “Netweaving alternative futures – Information technocracy or communicative community?” de Tony Stevenson (39). O termo foi desenvolvido e largamente empregado por mim, a partir de 2008, com outro sentido, afinal consolidado em Fluzz (2011), sobretudo no tópico final do Capítulo 7, intitulado “Reprogramando sociosferas” e no tópico “Netweaver howto” do Capítulo 9. Neste último, em especial, esclarece-se o sentido com que a palavra é utilizada aqui: “Para fazer netweaving não há nenhum conteúdo substantivo (filosófico, científico ou técnico) que você tenha que adquirir: basta desobedecer, inovar e tecer redes. Isto sim, você vai ter que aprender: a tecer redes – da única maneira possível de se aprender isso: interagindo com outras pessoas sem erigir hierarquias (sem mandar nos outros e sem obedecer a alguém). Isto é netweaving!(40). No contexto do presente escrito, construir bombas-fluzz é atividade precípua do netweaver.

 

Pessoa comum

Este talvez seja o conceito de mais difícil apreensão em virtude de sua (complexíssima) simplicidade. Ele surgiu a partir da constatação de que, em estruturas hierárquicas, não somos pessoas comuns na medida em que lutamos para ser pessoas incomuns, para nos destacar dos semelhantes (em vez de nos aproximar deles). O termo ‘comum’ tem aqui o sentido de commons, de bem comum, de algo compartilhável por uma comunidade (e não de ordinário, normal ou não notável, nem de medíocre, como em geral se atribui pejorativamente). Assim, pessoa comum é aquela que mantém as mesmas condições de compartilhamento das outras pessoas do seu emaranhado, embora cada uma seja, nas suas particularidades, totalmente diferenciada, sempre unique. A pessoa comum é a que compartilha (“você é o que você compartilha”, ao se deixar varrer pelo sopro, ao ser permeável ao fluxo interativo) e não aquela que alcançou o sucesso em virtude de suas características herdadas (do “sangue” ou do “berço”) ou adquiridas pelos esforços que fez para subir na vida ou para progredir ou evoluir em seu caminho espiritual. Ela é alguém que logrou viver a sua convivência, que conseguiu antecipar a plenitude do com-viver ou do viver em rede prefigurando o simbionte social (“o objetivo supremo”). Em Fluzz (2011) afirma-se que o não-caminho é aquele da pessoa comum... “do livre-interagente (não exatamente do participante) com o outro-imprevisível (e, portanto, aberto ao compartilhamento fortuito e não fechado no cluster dos que professam a mesma fé)(41). Santos e heróis são pessoas incomuns, resultados de escapadas da humanidade, tentativas de transformação individual por fora do fluxo interativo e são, nesse sentido, seres humanos fugidos da interação (e não o contrário, como tentou inculcar a cultura hierárquica, segundo a qual pessoas comuns não são boas o bastante, como se fossem santos ou heróis fracassados). O mesmo se pode dizer das chamadas celebridades que, de um ponto de vista coletivo ou da rede, são sintomas de uma patologia da interação. Outra passagem de Fluzz (2011) esclarece que “não é fácil ser uma pessoa comum, ao contrário do que parece. No mundo único fomos induzidos a conquistar algum diferencial para nos destacarmos das pessoas comuns. Quando interagimos com alguém em qualquer ambiente hierárquico somos avaliados por esses diferenciais e começamos então a cultivá-los. Como reflexo dos fluxos verticais que passamos a valorizar, nossa vida também se verticaliza. É como se importássemos a anisotropia gerada na rede-mãe pela hierarquia. Nessa ânsia de subir, começamos a imitar os de cima e a desprezar os de baixo(42). A bolha é apenas uma rede de pessoas comuns.

 

Propaganda

Propaganda é sempre tentativa de manipulação, de instrumentalização de pessoas para obtenção de determinados fins que em geral lhes são estranhos, por fora da interação. Não é a toa que seu sentido original – de disseminação, espalhamento de sementes – seja o mesmo de broadcasting (a transmissão um para muitos que denota uma operação centralizadora da rede social). Também não é por acaso que a palavra tenha se difundido a partir da Congregatio de Propaganda Fide, uma organização de hierarcas eclesiásticos estabelecida no século 17 por Gregório XV para inocular culturas estrangeiras com memes (programas) maliciosos capazes de torná-las replicantes de configurações sacerdotais, hierárquicas e autocráticas então conduzidas pela religião (igreja) católica. Em geral a propaganda ou a publicidade (propaganda paga) é uma tentação sempre presente em qualquer iniciativa ou projeto coletivo realizado em ambientes hierárquicos. Caindo nessa tentação as pessoas começam a abandonar o que se propuseram a fazer, trocando sua ação concreta pelo proselitismo, pela divulgação (“evangelização”) do que deveria ser feito. O exemplo clássico é o da catequese feita por sacerdotes de qualquer religião, que propagam a mensagem do fundador em vez de vivê-la. A transmissão P2P (peer-to-peer) que percorre – de modo imprevisível e não-manipulável – os múltiplos caminhos das redes distribuídas, não é propaganda e sim comunicação, no sentido vareliano do termo (43). Por isso se diz que na bolha não há propaganda.

 

Rede-mãe

Esta ideia surgiu em 2006 como um clarão, quando estava em uma oficina sobre desenvolvimento local em um hotel fazenda no interior de São Paulo. Tentava explicar na ocasião porque, para articular redes, não é necessário fazer muita coisa, mas, ao contrário, deixar de fazer algumas coisas. O argumento era simples: abandonadas a si mesmas as pessoas farão redes distribuídas (interagindo sem restrições umas com as outras) nas localidades onde vivem e convivem. Veio então a ideia (como modelo explicativo) de uma rede-mãe: aquela que já existiria independentemente de nossos esforços organizativos (ou conectivos) voluntários. Essa idéia seminal gerou uma carta (enviada por e-mail para cerca de 10 mil pessoas em 26/10/2006), intitulada A “rede-mãe”: “À rede social que existe de fato vamos chamar de ‘rede-mãe’... As redes que voluntariamente articulamos, tentando copiar a topologia, a morfologia ou a dinâmica da ‘rede-mãe’, são interfaces que estabelecemos para tentar uma comunicação direta com essa matriz. São feitas para dialogar, pois a ‘rede-mãe’ não reconhece bem outras formas organizativas, não entende a sua linguagem. A rigor deveríamos dizer o seguinte: quanto menos distribuídas forem as redes que articulamos para construir essa interface com a matriz, mais difícil será a comunicação com ela. Esse esquema explicativo funciona relativamente bem. Dá conta de explicar por que, por exemplo, organizações hierárquicas (ou com alto grau de centralização) têm imensas dificuldades de provocar mudanças sociais no ambiente onde estão imersas. A rede social que existe de fato – a ‘rede-mãe’ – não recebe bem a influência dessas organizações e continua funcionando mais ou menos como se nada tivesse acontecido(44). O mesmo artigo tentava contornar uma dificuldade do modelo explicativo proposto, que pode ser resumida na pergunta: se a rede-mãe é uma rede distribuída como se explica o surgimento do poder (ou da hierarquia)? A solução apresentada na ocasião foi a seguinte: “A matriz é a rede, não o programa que roda na rede. É possível instalar programas nessa chamada ‘rede-mãe’ que alteram sua topologia... O genótipo da ‘rede-mãe’ é o da distribuição máxima, mas o fenótipo acaba sendo o da distribuição combinada com centralização(45) em virtude de terem sido nela instalados programas centralizadores, materializados por padrões de organização hierárquicos e modos de regulação autocráticos. Nos anos seguintes o conceito foi desenvolvido, manteve aproximações com uma explicação conexa de Maturana (a hipótese da sociedade matríztica que teria existido na época pré-patriarcal europeia) e deu origem a uma visão com mais completude sobre a origem do poder no que chamamos de sociedade humana (que infelizmente não cabe neste Glossário). As bolhas abertas por Small Bangs foram tomadas como ambientes capazes de permitir a manifestação da rede-mãe (pelo menos do seu bios distribuído, quando não invadida por programas centralizadores) e comparadas aos “esporos” da árvore das almas conectadas à rede neural biobotânica de Pandora (do filme Avatar).

 

Simbionte

A ideia de simbionte surgiu em 1996, quando escrevia O Complexo Darth Vader (1998), como complexo comportamental oposto ao do predador ecossocial (46). Especulava naquela época sobre a possível existência de um simbionte primitivo, que poderia ter se desenvolvido se tivéssemos tomado o outro ramo da bifurcação que tomamos e que nos levou à civilização patriarcal e guerreira: “Na civilização patriarcal e guerreira viramos seres cindidos interiormente. O predador é um produto dessa quebra da unidade sinérgica do simbionte (que poderemos ser no futuro, se anteciparmos esse futuro). Preda porque quer recuperar, devorando, suas contrapartes, em um ritual antropofágico em busca da unidade perdida (aquela origem que é o alvo, para usar a expressão de Karl Kraus). É por isso que nos apegamos tanto à guerra do bem contra o mal. Mas o problema, como disse Schmookler, é que “o recurso da guerra é em si o mal” (47). O tema foi retomado em 2011, em Fluzz, com outro sentido, a partir da interpretação do fenômeno humano como resultado de um encontro fortuito da vida, como simbionte natural em evolução, com um simbionte social que se prefigura com a convivência social orgânica: “Um superorganismo coletivo está nascendo, sim, mas trata-se de um superorganismo humano – um simbionte social –, não de um organismo super-humano. Sua inteligência se compõe por emergência, a partir da interação e não pode ser instalada em qualquer mainframe. É uma inteligência tipicamente humana e não extra-humana, de um deus, de um alienígena, de uma máquina ou da Matrix(48). Esse simbionte social permanece em estado latente na humanidade (na verdade ele é o que chamamos de humanidade, uma realidade que ainda não se consumou) e pode ser antevisto toda vez que algumas janelas são abertas em sistemas hierárquicos. Em 2007 já havia roçado essa visão no livro Alfabetização Democrática: “Na verdade as pessoas que inventaram a democracia não tinham a menor consciência das implicações e consequências do que estavam fazendo. Talvez tivessem motivos estéticos. Ou talvez quisessem, simplesmente, abrir uma janela para poder respirar melhor. Em consequência, abriram uma janela para o simbionte social poder respirar, sufocado que estava, há milênios, em sociedades de predadores (e de senhores)... Não é por acaso que no primeiro escrito onde aparece a democracia (dos atenienses) – em Os Persas, de Ésquilo (427 a. E. C.) – ela tenha sido apresentada como uma realidade oposta à daqueles povos que têm um senhor(49). No contexto do presente escrito essas janelas são bolhas.

 

Transformacionismo

Chamamos de transformacionismo à ideologia perversa segundo a qual os seres humanos vêm com defeitos que devem ser consertados por alguma instituição hierárquica (seja uma escola, uma igreja, uma organização militar, uma corporação, um partido, um Estado ou algum tipo de ordem espiritual, seita, sociedade ou fraternidade). Essas instituições seriam, por um lado, espécies de reformatórios para educar as pessoas, quer dizer, ensiná-las, adestrá-las, domá-las; ou, por outro, ambientes para ensejar o seu desenvolvimento interior, colocando-as no caminho da sua evolução mental ou espiritual. A perversão transformacionista adquiriu na modernidade outras formas, mais explicitamente políticas, a partir da crença de que a transformação das pessoas (no que elas não são) viria com a transformação da sociedade (no que ela não é, por meio da realização de alguma utopia autoritária que afinal “colocaria ordem na casa”). Essa transformação seria promovida pela intervenção consciente de uma militância política, social ou ambiental – sempre aglomerada em organizações hierárquicas – à qual caberia transfundir sua consciência para as massas ignorantes conduzindo-as em direção a um porvir radiante. Esta ideologia é desconstituída com a aceitação de que devemos ser o que somos e não o que não somos (não há nada de errado conosco), de que não há nenhum lugar para ir a não ser aquele para o qual iremos (e que não pode ser conhecido de antemão por alguma organização de sábios, de seres mais conscientes ou mais evoluídos, possuidores de algum conhecimento superior dos mecanismos imanentes ou transcendentes à história) e de que as redes sociais distribuídas (as pessoas interagindo livremente) não são um instrumento para fazer a mudança mas já são própria mudança. Diz-se que não há transformação nas bolhas abertas por Small Bangs porque elas não são nada mais do que redes distribuídas de pessoas que tentam, pelo menos por um breve período, viver sua convivência.

 

Notas e referências 

(1) FRANCO, Augusto (com a colaboração de LESSA, Nilton) (2010). Buscadores & Polinizadores.

http://www.slideshare.net/augustodefranco/buscadores-polinizadores-...

(2) FRANCO, Augusto (com a colaboração de LESSA, Nilton) (2012). Multiversidade: da Universidade dos anos 1000 à Multiversidade nos anos 2000.

http://www.slideshare.net/augustodefranco/multiversidade-10753463

(3) FRANCO, Augusto (2012). Cocriação: Reinventando o conceito.

http://www.slideshare.net/augustodefranco/cocriao-reinventando-o-co...

(4) FRANCO, Augusto (2011). Fluzz: vida humana e convivência social nos novos mundos altamente conectados do terceiro milênio. São Paulo: Escola de Redes, 2011. Versão preliminar digital:

http://www.slideshare.net/augustodefranco/fluzz-book-ebook

(5) Cf. GREENE, Brian (1999). O universo elegante: supercordas, dimensões ocultas e a busca da teoria definitiva. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

(6) RETTER, Alon & HELLER, Shlomo (2011). The Revival of White Holes as Small Bangs.

http://arxiv.org/ftp/arxiv/papers/1105/1105.2776.pdf

(7) Idem.

(8) FRANCO, Augusto (2011). Fluzz: ed. cit.

(9) WITTGENSTEIN, Ludwig (1918). Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: Edusp, 2010.

(10) FRANCO, Augusto (2008). Escola de Redes: Nova visões sobre a sociedade, o desenvolvimento, a internet, a política e o mundo glocalizado. Curitiba: Escola-de-Redes, 2008.

(11) FRANCO, Augusto (2012). Cocriação: ed. cit.

(12) Idem.

(13) UGARTE, David (s. d.). Indianopedia: Etica hacker

http://lasindias.net/indianopedia/Etica_hacker

(14) RAYMOND, Eric (2001). How to become a hacker.

http://www.catb.org/~esr/faqs/hacker-howto.html

(15) HIMANEN, Pekka (2001). La ética del hacker y el espíritu de la era de la información.

http://www.tallerh.com.ar/sitio/textos/hack.pdf

(16) FRANCO, Augusto (2011). Fluzz: ed. cit.

(17) Idem.

(18) Idem-idem.

(19) Idem-ibidem.

(20) EASLEY, David & KLEINBERG, Jon (2010). Networks, Crowds and Markets: reasoning about a Highly Connected World.

http://www.mediafire.com/download.php?agwv6h2ix37ma7v

(21) FRANCO, Augusto (2011). Fluzz: ed. cit.

(22) Idem.

(23) UGARTE, David (s. d.). Indianopedia: Participación / Interacción.

Participación http://lasindias.net/indianopedia/Participaci%C3%B3n

Interacción http://lasindias.net/indianopedia/Interacci%C3%B3n

(24) FRANCO, Augusto (2010). Redes são ambientes de interação, não de participação.

http://escoladeredes.net/profiles/blogs/redes-sao-ambientes-de

(25) BARAN, Paul (1964). “On distributed communications: I. Introduction to distributed communications networks” (Memorandum RM-3420-PR August 1964). Santa Monica: The Rand Corporation, 1964.

http://www.mediafire.com/download.php?ohlybjqbts6c7mo

(26) BARABÁSI, Albert-László (2002). Linked. São Paulo: Leopardo, 2009.

http://www.mediafire.com/download.php?ohlybjqbts6c7mo

(27) Cf. FRANCO, Augusto (2008). Novas visões: ed. cit.

(28) Cf. FRANCO, Augusto (2009). Breves considerações sobre o Diagrama B de Paul Baran.

http://escoladeredes.net/profiles/blogs/breves-consideracoes-sobre-o

(29) FRANCO, Augusto (2009). O poder nas redes sociais.

http://www.slideshare.net/augustodefranco/o-poder-nas-redes-sociais...

(30) Cf. http://participacaopolitica.ning.com/

(31) FRANCO, Augusto (2003). A revolução do local: globalização, glocalização, localização. Brasília/São Paulo: AED/Cultura, 2003.

http://www.mediafire.com/download.php?sat72h7htm31u7w

(32) FRANCO, Augusto (2009). O Misterioso 1%.

http://www.slideshare.net/augustodefranco/o-misterioso-1

(33) FRANCO, Augusto (2011). Fluzz: ed. cit.

(34) Idem.

(35) FRANCO, Augusto (2010). Desobedeça: uma inspiração para o netweaving (2ª Versão).

http://www.slideshare.net/augustodefranco/desobedea

(36) FRANCO, Augusto (2011). Fluzz: ed. cit.

(37) Idem.

(38) UGARTE, David (s. d.). Indianopedia: Netweaving

http://lasindias.net/indianopedia/Netweaving

Referência original em PDF no link abaixo:

http://www.4shared.com/get/124781398/3d620603/lasindias_net_indiano...

(39) STEVENSON, Tony (1998). Netweaving alternative futures: Information technocracy or communicative community?

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0016328798000263

Há também outros usos da palavra, mais ou menos sérios, quer como Network Weaving ou como NetWeaving:

http://www.networkweaver.blogspot.com.br/

http://www.netweaving.com/

(40) FRANCO, Augusto (2011). Fluzz: ed. cit.

(41) Idem.

(42) Idem-idem.

(43) Em um box do livro A Árvore do Conhecimento (1984) intitulado “A metáfora do tubo para a comunicação”, Francisco Varela escreveu: “Nossa discussão nos levou a concluir que, biologicamente, não há informação transmitida na comunicação. A comunicação ocorre toda vez em que há coordenação comportamental em um domínio de acoplamento estrutural. Tal conclusão só é chocante se continuarmos adotando a metáfora mais corrente para a comunicação, popularizada pelos meios de comunicação. É a metáfora do tubo, segundo a qual a comunicação é algo gerado em um ponto, levado por um condutor (ou tubo) e entregue ao outro extremo receptor. Portanto, há algo que é comunicado e transmitido integralmente pelo veículo. Daí estarmos acostumados a falar da informação contida em uma imagem, objeto ou na palavra impressa. Segundo nossa análise, essa metáfora é fundamentalmente falsa, porque supõe uma unidade não determinada estruturalmente, em que as interações são instrutivas, como se o que ocorre com um organismo em uma interação fosse determinado pelo agente perturbador e não por sua dinâmica estrutural. No entanto, é evidente no próprio dia-a-dia que a comunicação não ocorre assim: cada pessoa diz o que diz e ouve o que ouve segundo sua própria determinação estrutural. Da perspectiva de um observador, sempre há ambigüidade em uma interação comunicativa. O fenômeno da comunicação não depende do que se fornece, e sim do que acontece com o receptor. E isso é muito diferente de ‘transmitir informação’.” Cf. MATURANA, Humberto e VARELA, Francisco (1984). A Árvore do Conhecimento. Campinas: Psy II, 1995.

https://docs.google.com/folder/d/0B-YLV8egGwSuWE8tc3N1R1BjUW8/edit

(44) Cf. FRANCO, Augusto (2006). A rede-mãe

http://augustodefranco.locaweb.com.br/cartas_comments.php?id=48_0_2...

(45) Idem.

(46) FRANCO, Augusto (1998). O Complexo Darth Vader.

http://www.slideshare.net/augustodefranco/o-complexo-darth-vader

(47) Idem. Cf. também SCHMOOKLER, Andrew (1991): “O reconhecimento de nossa cisão interior” in ZWEIG, Connie e ABRAMS, Jeremiah (orgs.). Ao Encontro da Sombra: o potencial oculto do lado escuro da natureza humana. São Paulo: Cultrix, 1994.

(48) FRANCO, Augusto (2011). Fluzz: ed. cit.

(49) FRANCO, Augusto (2007-2010). Democracia: um programa autodidático de aprendizagem.

http://www.slideshare.net/augustodefranco/democracia-um-programa-au...

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ia procurar poe ele, não precisa mais... (:

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