Escola de Redes

E=R Blumenau (Módulo 2) - Introdução a E=R

Introdução a Escola de Redes [(A escola é a rede)(E=R)]
FLUZZ - Volume 4 - Não-escolas


Roteiro para entrar na E=R

15 idéias provocadoras:

 - Netweaving
 - Redes sociais são diferentes de mídias sociais

 - Redes mais distribuídas do que centralizadas são possíveis
 - Redes sociais não são redes de informação

 - Redes são ambientes de interação não de participação
 - Os fenômenos de rede não dependem das características do nodo

 - O conteúdo que flui pelas conexões não determina o comportamento da rede
 - O conhecimento nas redes não é objeto sujeito a hierarquia
 - Hierarquia não é o mesmo que liderança
 - Centralização não é clusterização
 - A escassez que gera hierarquia é introduzida artificialmente
 - Em redes distribuídas não se pode diferenciar papeis ex ante à interação
 - Não podem existir humanos sem redes sociais
 - Redes sociais SÃO a mudança
 - Não existe transição para distribuição com mais hierarquia


Sobre a constituição da E=R

4 textos fundamentais:

 - O que é a Escola-de-Redes:

UMA VISÃO INAUGURAL SOBRE A ESCOLA-DE-REDES

“Não reunir é a derradeira ordenação”

Augusto de Franco (17-20/06/08)

"Não estou participando da fundação, para usar a feliz expressão de David de Ugarte, de uma “nova burocracia associacionista” (como a das ONGs). A Escola-de-Redes não é mais uma ONG e nem uma frente ou coligação de organizações hierárquicas da sociedade civil.

Ainda bem. Sim, pois boa parte dessas organizações que se dizem defensoras de uma democracia supostamente mais substantiva, mais social ou mais participativa, raramente pode praticar o que prega no seu interior. Por que? Ora, porque são, via de regra, organizações piramidais, quase sem rotatividade em suas direções: pequenos castelos, igrejinhas, feudos de algum cacique (muitas vezes de famílias), quando não ligadas ao sistema clientelista de governos populistas.

A Escola-de-Redes, no que depender de mim e dos meus parceiros iniciais, não terá financiamentos governamentais. Poderá, sim, sempre por meio de seus membros conectados, prestar serviços a governos, empresas e organizações da sociedade civil. Ainda por meio de seus membros conectados, poderá fazer trabalhos voluntários e trabalhos remunerados. Mas não viverá de verbas públicas conseguidas a partir do apadrinhamento político, do lobby, daquela intermediação profissional de recursos na qual se especializaram os agentes dessas verdadeiras “empresas de coligações” em que se transformaram vários partidos do nosso velho sistema representativo.

Desnecessário dizer que não poderá ser usada para fins partidários ou corporativos, nem mesmo poderá ser, de qualquer forma ou por qualquer meio, direto ou indireto, associada a esses fins.

Não imagino, igualmente, que devamos organizar qualquer novo tipo de “religião laica”, de instituição filosófica baseada em princípios ou valores, como parece estar em voga nos dias que correm. Nada de princípios e valores definidos top down, nem mesmo os chamados princípios de sustentabilidade (tão em moda na atualidade). Nada de divulgar princípios e valores para fazer a cabeça dos outros, para educar os semelhantes ou guiá-los por alguma senda. Nada de possuir a “proposta correta” ou a “ideologia verdadeira” para alcançar qualquer tipo de utopia, seja ela o império milenar dos seres superiores ou escolhidos, o reino da liberdade e da abundância para todos, para redimir a humanidade ou parte dela ou para salvar de algum modo a espécie humana ou o planeta. Quem quer afirmar princípios e valores deve vivê-los na prática da sua experiência social. Já foi o tempo dos proselitismos de qualquer natureza.

Se nos dedicamos à pesquisa e à experiência com redes sociais, temos que tentar nos organizar e trabalhar em rede. Para mim, isso basta.

Não é trivial assumir as conseqüências dessa opção pessoal. Significa banir da “wikipedia memética” aquele conjunto de programas verticalizadores (que fica lá arquivado no subsolo da nossa consciência gerando pulsões de morte: de obstruir, separar, excluir) que infundem virtudes autocráticas, ainda muito valorizadas em alguns meios, como ordem, hierarquia, disciplina, obediência, controle, vigilância (ou patrulha) e punição e fidelidade impostas de cima para baixo. Por incrível que pareça, algumas empresas inovadoras — que não têm vergonha de assumir que o lucro é uma obrigação (não um objetivo) — estão conseguindo se desvencilhar dessa herança cultural autoritária com mais facilidade do que as organizações sem fins lucrativos (ditas progressistas e democráticas) da sociedade civil.

Bom, é isso aí. Para participar da Escola-de-Redes ninguém é obrigado a concordar com meus pontos de vista. Mas cumpro aqui a obrigação de declará-los."

 - O que significa pertencer a Escola-de-Redes:

PERTENCER À ESCOLA-DE-REDES É REALIZAR AS SUAS ATIVIDADES

No texto linkado acima, há também uma descrição das atividades realizadas pela Escola-de-Redes, em uma seção intitulada "Mas, afinal, o que faz a Escola-de-Redes?". Ensaiou-se uma resposta em cinco itens:

a) conectamos pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais (seja pelo estudo, pela investigação teórica, pela experimentação ou, inclusive, pela vivência-em-rede) e em compartilhar tal conhecimento com outras pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais;

b) facilitamos a livre interação horizontal entre as pessoas e estimulamos a criação de nodos (clusters territoriais ou temáticos) voltados aos objetivos da escola, os quais – em virtude do compartilhamento de agendas – podem vir a se tornar verdadeiras comunidades de aprendizagem (de vez que a rede geral composta por todos os seus conectados não conseguirá ter a densidade de interações suficiente para gerar comunidade);

c) organizamos uma biblioteca on line que contém textos e vídeos de estudiosos das redes, itinerários pessoais ou coletivos de leitura e histórias de vida com depoimentos de nossas relações pessoais com as redes;

d) Promovemos cursos (inclusive on line) e atividades presenciais como encontros, simpósios e conferências sobre redes sociais e temas diretamente relacionados; e, por último,

e) estimulamos a conexão de uma pequena multidão de pessoas de sorte a criar uma efervescência capaz de ensejar a eclosão de certos fenômenos próprios de redes altamente distribuídas (um desses fenômenos, por certo, é o clustering, mas há outros, como o swarming, o crunch, a autoregulação emergente e, quem sabe, a capacidade de multiplicação em cadeia dehubs, inovadores e netweavers) e, ainda, a criação de uma base potencial de crowdsourcing que consiga intensificar a criação de novas tecnologias de netweaving.


 - 10 perguntas frequentes sobre a Escola-de-Redes:

1. O que é a Escola-de-Redes?

2. O que não-é a Escola-de-Redes?

3. Como a Escola-de-Redes se organiza?

A Escola-de-Redes se estrutura como uma rede distribuída de pessoas, que se conectam diretamente à escola e/ou a nodos locais constituídos igualmente como redes distribuídas.

A Escola-de-Redes é uma rede distribuída: não tem centro, não tem diretoria, coordenação e não tem, nem mesmo, uma equipe de animação ou facilitação, o mesmo valendo para todos os seus nodos.

Para saber a diferença entre uma rede distribuída e uma rede centralizada (ou descentralizada, quer dizer, multicentralizada) dê uma olhada nos diagramas de Paul Baran (1964):



Pessoas | Pessoas são todos os conectados à escola, seja participando de algum nodo, seja individualmente.

Nodos | Os nodos da Escola-de-Redes são os grupos locais ou temáticos de pessoas conectadas que constituem a escola e que se aglomeram para compartilhar agendas. A escola é cada nodo e todos os nodos.

Cada grupo de pessoas que, em uma determinada localidade ou em torno de um determinado tema ou atividade, resolve constituir um nodo da Escola-de-Redes, tem total autonomia para estabelecer sua própria agenda de atividades, sua estrutura e seu regime de funcionamento, desde que assuma os objetivos da escola e não se organize segundo padrões hierárquicos.

Regras | Desde o início, os promotores da Escola-de-Redes evitaram estabelecer qualquer tipo de regimento. No entanto, o crescimento exponencial do número de conectados parece exigir algumas (poucas) regras de funcionamento. Eis abaixo um exemplo que pode ser refinado e melhorado com o tempo:

1 – A Escola-de-Redes é apartidária e não poderá ser usada como meio ou alvo de campanhas partidárias ou eleitorais.

2 – A Escola-de-Redes defende e valoriza a liberdade de opinião, respeita a divergência de pontos de vista e promove o debate democrático travado com urbanidade e gentileza.

3 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes (inclusive este site no NING) para difundir idéias que firam os direitos humanos ou que promovam exclusão, deslegitimação, intolerância, preconceito ou discriminação baseados em diferenças de etnia, raça ou cor, gênero, orientação sexual, idade, nacionalidade, naturalidade, língua, costumes, credo, convicção religiosa ou filosófica, cultura, situação econômica ou funcional, posição hierárquica, grau de instrução ou condição física ou psíquica.

4 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes para fazer qualquer tipo de propaganda (de produtos comerciais, de instituições privadas - sejam empresariais ou sociais - e de pessoas).

A Escola-de-Redes não tem qualquer tipo de formalização jurídica: não tem estatutos, além das regras acima e do seu documento fundante; não tem diplomas legais, atas (registradas ou não em cartório), documentos com assinaturas, CGC ou quaisquer outros cadastros, títulos, registros e assemelhados.

A Escola-de-Redes não tem endereço físico, patrimônio e conta bancária; não tem empregados formais ou informais, nem pode firmar contratos de qualquer natureza ou celebrar convênios.

4. Mas, afinal, o que faz a Escola-de-Redes?

5. Quem financia a Escola-de-Redes?

6. Quais são as ferramentas de interação utilizadas pela Escola-de-Redes?

7. Quem pode participar da Escola-de-Redes?

8. Quem dirige a Escola-de-Redes?

9. Como são tomadas as decisões na Escola-de-Redes?

10. A Escola-de-Redes quer se expandir? Para que? E como?

 

 - Mensagem aos chegantes

ESTAMOS TODOS APRENDENDO

Ainda estamos todos aprendendo a usar esta ferramenta de interação. Na verdade, estamos aprendendo a interagir em rede distribuída. Eis uma lista tentativa desses aprendizados:

1) Aprendendo a fazer um esforço coletivo de focalização no assunto que nos conecta. Não importa se um outro assunto é urgente ou relevante, se achamos que dele depende o futuro da humanidade ou a salvação da espécie humana. Se não tiver uma relação com o nosso tema – as redes sociais – não devemos publicá-lo aqui em uma mensagem de blog (muito menos abrir um fórum ou propor um grupo).

2) Aprendendo a dar a própria opinião em vez de querer pautar os outros. Sendo o assunto pertinente (relacionado às redes sociais), devemos preferir sempre publicar uma mensagem de blog a abrir um fórum. (Observa-se que algumas pessoas preferem sempre abrir fóruns, talvez porque percebam que mensagens de blog são logo deslocadas para o final da fila por outras mais recentes e acabam arquivadas. Mas o fato do fórum ficar em evidência o tempo todo não é motivo relevante para abri-los).

3) Aprendendo a confiar nos processos que ocorrem nas redes. Devemos evitar inaugurar grupos para juntar as pessoas que já conhecemos (muitas vezes apenas aquelas que nós mesmos convidamos). A clusterização nos nodos deve ser resultado de um fenômeno que ocorre espontaneamente na rede e não planejado por quem quer montar a sua turma.

4) Aprendendo a deixar fluir ao invés de planejar. Devemos desistir de ficar procurando um jeito de organizar melhor as coisas top down, de fazer um planejamento a partir da idéia de que nenhuma articulação na base do espontaneísmo pode funcionar. Sobretudo não devemos tentar introduzir, nem mesmo por motivos pedagógicos, qualquer tipo de centralização (seja qual for o eufemismo encontrado para designá-la, como, por exemplo, grupo de coordenação ou facilitação) ou de mecanismo de produção artificial de escassez (como a votação, o sorteio, o rodízio ou a construção administrada de consenso).

5) Aprendendo a deixar certos interesses particulares de lado. Não devemos usar os instrumentos de publicação do site para fazer propaganda da nossa organização hierárquica, do nosso site profissional, nem, muito menos, para vender nossos livros ou vídeos ou cursos ou serviços de consultorias ou divulgar nossos próprios eventos (a menos que eles tenham relação explícita com as atividades da Escola-de-Redes).

6) Aprendendo a interagir com as pessoas: uma-a-uma (peer-to-peer, P2P). Não devemos, jamais, replicar a mesma mensagem nas páginas pessoais dos conectados (como quem faz panfletagem). A panfletagem virtual em uma rede distribuída é uma tentativa de manipulação (que, além de tudo, é inócua).

7) Aprendendo a fazer as coisas de graça. Interagir pelo prazer de interagir, de ajudar, de cooperar, sem ter em mente a satisfação de um interesse específico, parece exigir um aprendizado. Compreender que fazer rede é fazer amigos – e que essa não é uma perspectiva romântica ou um ponto de vista ingênuo – confronta o aprendizado organizacional que obtemos nas organizações hierárquicas, mas parece ser fundamental no netweaving de redes distribuídas.


As 5 tarefas iniciais

1 - Contar um pouco a HISTÓRIA de como você chegou até aqui, ou seja, de como começou a se interessar por redes sociais.

Depoimento de Luiz de Campos Jr

Depoimento de Augusto de Franco

2 - Elaborar o seu próprio ITINERÁRIO DE LEITURAS, listando e eventualmente comentando as publicações que leu e os videos que assistiu sobre o assunto (redes sociais).


Itinerário de leitura Augusto de Franco

3 - Apresentar um resumo da sua BIOGRAFIA e, se for o caso, da sua BIBLIOGRAFIA sobre o tema.

4 - Disponibilizar para download (ou colocar um link para) TEXTOS ou VÍDEOS com resultados de suas investigações ou experiências ou vivências com o tema.

5 - A quinta tarefa caducou (era uma sugestão para entrar em nodos: mas descobrimos ao longo do caminho que as pessoas são os nodos e... que as pessoas são redes!)


Uma nova proposta para a E=R

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