Escola de Redes

Ciência da Complexidade: o reencontro das Ciências Exatas com as Naturais

Ciência da Complexidade: o reencontro das Ciências Exatas com as Naturais - Exemplos: Fisica Quântica + Ciências da Vida + Neurociência. Um caminho para atender às necessidades de transdisciplinaridade.

Ver:

A Religação dos Saberes de Edgar Morin


A Filosofia da Complexidade, por Chris Lucas
Postado por Claudio Estevam Próspero em 11 março 2009 às 13:30
http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/a-filosofia-da-complex...

Ciência da Complexidade - iniciativas no Brasil
Postado por Claudio Estevam Próspero em 5 março 2009 às 17:03
http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/ciencia-da-complexidade-1

Sobrevivência Organizacional no Novo Mundo: O Sistema Adaptativo Complexo Inteligente de Alex e David Bennet (Elsevier, 2004)
Postado por Claudio Estevam Próspero em 28 fevereiro 2009 às 13:04
http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/sobrevivencia-organiza...

Coopetição: qual o grau certo entre Competição <=> Cooperação?
Adicionado por Claudio Estevam Próspero em 20 fevereiro 2009 às 13:22
http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/coopeticao-qual-o-grau...

Liberdade além do controle - Chris Lucas
Postado por Claudio Estevam Próspero em 19 fevereiro 2009 às 13:14
http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/liberdade-alem-do-cont...

Novo livro de Fritjof Capra: A Ciência de Leonardo
Postado por Claudio Estevam Próspero em 9 março 2009 às 17:30
http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/novo-livro-de-fritjof-...

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Respostas a este tópico

CALResCO COMPLEXITY WRITINGS
• Postado por Augusto de Franco em 10 março 2009 às 10:30

A partir de uma dica da Clara Alvarez: um roteiro de exploração da biblioteca do site www.calresco.org, organizada entre 1996 e 2007.


Por questões organizacionais, visando facilitar a recuperação de informações para estudo e recombinação, colocarei sob este tópico as traduções que estou fazendo dos textos do site acima (Calresco).

Ao ler algo novamente, ou em conjunto com outras idëias, já não somos os mesmos da primeira leitura ou da leitura isolada, logo sempre é uma nova experiência de aprendizado. Como o único modo comprovado pela experiência de Mudar o Mundo é Mudar a Si Próprio, experiências de aprendizado, individual ou coletivo, parecem-me ações da mais alta importância para os objetivos desta Escola.

Recomendo ler, ou reler:

Uma escola de autodidatismo
Postado por Augusto de Franco em 27 dezembro 2008 às 20:00

http://escoladeredes.ning.com/profiles/blog/show?id=2384710%3ABlogP...

Se queremos constituir uma escola de redes, não temos saída. Temos que investigar o assunto. Não inventaram ainda outro modo de aprender a não ser estudando e experimentando. É certo que, como diz o lema adotado aqui, "A escola é a rede". Isso significa que, para pertencer à "escola" - que é uma não-escola - não temos que alisar bancos escolares ou entrar em confrarias acadêmicas. Não temos que nos matricular em cursos ou nos inscrever em programas de capacitação. Mas não significa que não seja necessário estudar, ler os textos que foram escritos pelos que investigam o tema (e sobretudo interpretá-los de forma inovadora), fazer explorações nesse universo temático, investigar as características e aspectos - a fenomenologia e a topologia das redes sociais - e experimentar o viver-em-rede no dia-a-dia, em projetos concretos setoriais ou locais. Se você está conectado aqui e não faz pelo menos algumas dessas coisas, então está no lugar errado!

Não tem jeito. Não basta ficar assistindo um ou outro vídeo e mandando bilhetinhos para os amigos. Tem que estudar. Tem que ler. Tem que interpretar. Tem que explorar. Tem que investigar. Tem que experimentar. É apenas a minha opinião, mas vou repetí-la: se você está conectado aqui e não faz pelo menos algumas dessas coisas, então está no lugar errado!
.....

Abraços.
Claudio
CAPRA, FRITJOF - Leituras recomendadas

CIENCIA DE LEONARDO DA VINCI, A (em Portugues) (2008)
CAPRA, FRITJOF
CULTRIX
CIENCIAS/FILOSOFIA E HISTORIA

Em 'A ciência de Leonardo da Vinci', Fritjof Capra mostra como Leonardo da Vinci trouxe ao universo científico uma perspectiva única ao abordá-lo com seu olhar de artista. Com base no exame das mais de seis mil páginas e 100 mil desenhos que restam dos cadernos de anotações do gênio renascentista, Capra revela que ele foi, sob muitos aspectos, o verdadeiro pai da ciência moderna. Ao escrever a obra, Capra teve como objetivo apresentar uma visão coerente do método científico e das realizações do mestre do Renascimento e avaliá-las da perspectiva do pensamento atual.

ALFABETIZAÇAO ECOLOGICA (em Portugues) (2007)
CAPRA, FRITJOF / VARIOS AUTORES
CULTRIX
CIENCIAS BIOLOGICAS-ECOLOGIA

Segundo os pensadores e educadores que escreveram este livro, reorientar o modo como os seres humanos vivem e educar as crianças para que atinjam seus potenciais mais elevados são tarefas com aspectos bem semelhantes. Ambas têm de ser vistas e abordadas no contexto dos sistemas - familiar, geográfico ecológico e político. Nosso empenho para criar comunidades sustentáveis será em vão caso as futuras gerações não aprendam a estabelecer uma parceria com os sistemas naturais, em benefício de ambas as partes. Em outras palavras, elas terão que ser 'ecologicamente alfabetizadas'. O conceito de 'alfabetização ecológica', inspirado nas teorias de Fritjof Capra e de outros líderes do Centro de Eco-Alfabetização, localizado em Berkeley, na Califórnia, vai além de educação ambiental como disciplina escolar. Os artigos e ensaios reunidos nesse livro - publicação em língua portuguesa do Centro de Eco-Alfabetização - revelam o trabalho que está sendo realizado pela vasta rede de parcerias desse Centro. Numa escola de nível médio, por exemplo, Alice Waters criou um programa que não apenas oferece aos estudantes alimentos saudáveis, mas também os ensina a cultivar uma horta - e nela estudar os ciclos da vida e os fluxos de energia - como parte do currículo. Entre os projetos estudantis apoiados pelo Centro de Eco-Alfabetização e descritos nesse livro, estão a recuperação e exploração de baias hidrográficas, parcerias entre fazendas e escolas, e programas de educação ecológica voltados para a justiça ambiental. 'Alfabetização ecológica' reúne teoria e prática com base no que existe de mais avançado em termos de pensamento sistêmico, ecologia e educação.

PERTENCENDO AO UNIVERSO (em Portugues) (2003)
CAPRA, FRITJOF
CULTRIX
CIENCIAS/FILOSOFIA E HISTORIA

Nesta obra, Capra e David SteindlRast, monge beneditino comparado por muitos a Thomas Merton, investigam os paralelismos entre o pensamento do 'novo paradigma' na ciência e na religião, que, juntas, oferecem uma visão notavelmente compatível do universo - um modelo holístico e profundo baseado numa percepção da complexa natureza da verdade e do mito da objetividade. Estes diálogos cheios de vigor e de vida projetam novas luzes sobre as surpreendentes e inéditas conexões entre a ciência e a experiência de Deus. Como peritos reconhecidos em seus campos - Capra em física teórica e em teoria sistêmica, e Steindl-Rast em espiritualidade contemporânea e em ecumenismo ambos se deslocaram para alem de suas especializações, em direção a uma criativa busca de significados, num nível ao mesmo tempo interdisciplinar e de cruzamento cultural. O resultado é este livro admirável no qual eles descobrem uma compatibilidade profunda nas fronteiras do pensamento científico e da experiência religiosa, onde as descobertas da ciência e a sabedoria da espiritualidade produzem introvisões paralelas a respeito da natureza ultima da realidade.

CONEXOES OCULTAS, AS (em Portugues) (2002)
CAPRA, FRITJOF
CULTRIX
CIENCIAS/FILOSOFIA E HISTORIA

As últimas descobertas científicas mostram que todas as formas de vida - desde as células mais primitivas até as sociedades humanas, suas empresas e Estados nacionais, até mesmo sua economia global - organizam-se segundo o mesmo padrão e os mesmos princípios básicos - o padrão em rede. Neste livro, Fritjof Capra desenvolveu uma compreensão sistêmica e unificada que integra as dimensões biológica, cognitiva e social da vida e demonstra que a vida, em todos os seus níveis, é interligada por redes complexas.

TEIA DA VIDA, A (em Portugues) (1997)
CAPRA, FRITJOF
CULTRIX
CIENCIAS/FILOSOFIA E HISTORIA

Neste livro Capra propicia uma síntese de descobertas científicas recentes como a teoria da compelxidade, a teoria Gaia, a teoria do caos e outras explicações das propriedades de organismos, sistemas sociais e ecossistemas. As descobertas surpreendentes de Capra confrontam os paradigmas mecanicistas e darwinistas aceitos e proporcionam uma extraordinária nova base para políticas ecológicas que nos permitam construir e sustentar comunidades sem colocar em risco as oportunidades para futuras gerações. Baseado em dez anos de pesquisas e discussões com cientistas de vanguarda em todo o mundo, 'A teia da vida' apresenta novas e estimulantes perspectivas sobre a natureza da vida e abre caminho para a autêntica interdisciplinaridade.

SABEDORIA INCOMUM (em Portugues) (1995)
CAPRA, FRITJOF
CULTRIX
CIENCIAS/FILOSOFIA E HISTORIA

Em 'Sabedoria Incomum', Capra registra sua própria odisséia intelectual e a revolução de uma nova consciência através de discussões vivas com muitas das mentes mais influentes deste século. Aqui estão Werner Heisenberg R.D.Laing, Gregory Basteson, Geoffrey Che, Hazel Henderson, Alan Watts, Krishnamurti, Indira Gandhi, e outros lideres dinâmicos de áreas tão diversas quanto terapia familiar, psiquiatria, futurologia, medicina, antropologia e oncologia. Todos se expressam através da posição de destaque conquistada graças ao que realizam em suas respectivas áreas, fornecendo perspectivas, multidisciplinares fascinantes, demonstrando o estado atual da consciência humana e definido um caminho para o progresso futuro

Abraços.
Boa leitura ou releitura.
Feliz aprendizado a todos nós.

Claudio
PENSAMENTO SISTÊMICO – A TEIA DA VIDA

Isabel Ribeiro – Coordenadora da Unidade de Apoio à Rede de Atendimento do Sebrae Bahia. Mestre em Gerenciamento e Tecnologias Ambientais - ênfase em produção limpa (Ufba – Escola Politécnica) Professora das Faculdades Ibes, Facsal, Facceba e Isaac Newton

http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/0f5e363a16336c5e032...$FILE/PENSAMENTO%20SIST%C3%8AMICO_A%20TEIA%20DA%20VIDA.pdf

“Todos os seres vivos são membros de comunidades ecológicas ligadas umas às outras numa rede de interdependência.”(Capra, 1999)

Com a aproximação do fim do século as preocupações com o meio ambiente adquiriram suprema importância, expressados por uma série de problemas globais que se encontram danificando a biosfera e a vida humana de uma maneira alarmante. Alguns cientistas perceberam que os principais problemas de nossa época não poderiam ser entendidos isoladamente, pois tinham um caráter sistêmico: interligados e interdependentes.

As soluções para os principais problemas de nossa época demandavam mudanças radicais em nossas percepções e nos nossos valores, porém essa compreensão ainda não havia despontado entre a maioria de nossos líderes políticos, não atingia a maioria dos líderes das nossas corporações, nem os administradores e os professores das nossas grandes universidades. Tais líderes não apenas deixavam de reconhecer como os diferentes problemas eram interligados, como também se recusavam a reconhecer que as suas soluções afetavam gerações futuras. Sob o ponto de vista sistêmico, as únicas soluções viáveis seriam as soluções sustentáveis. Assim, o conceito de sustentabilidade de Lester Brow do Worldwatch Institute, adquiriu importância-chave para o movimento ecológico: “uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras”(Brow apud Capra,1981), sendo o grande desafio de nossos tempos criar comunidades sustentáveis.

Os valores dominantes que modelaram a nossa cultura por várias centenas de anos, referenciavam-se na “visão do universo como um sistema mecânico, composto de blocos de construção elementares; na visão do corpo humano como uma máquina; na visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência; na crença no progresso material ilimitado, obtido por intermédio de crescimento tecnológico; na crença na sociedade na qual a mulher era classificada em uma posição inferior à do homem. (Capra, 1999).

O novo paradigma concebeu uma visão de mundo holística – um mundo como um todo integrado, também podendo ser entendida como uma visão ecológica. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos: ela vê o universo não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de todos os

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seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular da teia da vida. (Capra, 1999)

“Reconectar-se com a teia da vida significa construir, nutrir e educar comunidades sustentáveis, nas quais podemos satisfazer nossas aspirações e nossas necessidades sem diminuir as chances das gerações futuras. Para realizar esta tarefa precisamos compreender estudos de ecossistemas, compreender os princípios básicos da ecologia, ser ecologicamente alfabetizado ou “eco-alfabetizado”( Orr apud Capra, 1999).

Aprender com os ecossistemas significa aprender como viver de maneira sustentável: durante mais de três bilhões de anos de evolução, os ecossistemas do planeta têm se organizado de maneiras sutis e complexas, a fim de maximizar a sustentabilidade, essa sabedoria da natureza é a essência da eco-alfabetização.

Os princípios básicos da ecologia passaram a ser aplicados como diretrizes para construir comunidades humanas sustentáveis, sendo o primeiro deles o da interdependência: todos os membros de uma comunidade ecológica estão interligados numa vasta e intricada rede de relações, a teia da vida. A interdependência é a natureza das relações ecológicas. O sucesso da comunidade toda depende de cada um de seus membros, enquanto que o sucesso de cada membro depende do sucesso da comunidade como um todo.

Entender a interdependência ecológica significa entender relações, nutrir a comunidade significa nutrir essas relações. As relações entre os membros de uma comunidade ecológica são não lineares, envolvendo múltiplos laços de realimentação. Uma perturbação no ecossistema não está limitada a um único efeito, mas tem possibilidades de se espalhar em padrões cada vez mais amplos, podendo até mesmo ser amplificado por laços de realimentação interdependentes. Nos ecossistemas, os resíduos produzidos de uma espécie é alimento para outras, de modo que o ecossistema todo permanece livre de resíduos.

Os sistemas industriais são lineares, enquanto as atividades comerciais extraem recursos, transformam-nos em produtos e em resíduos, e vendem aos consumidores que descartam mais ainda resíduos. Os lucros privados são obtidos com os custos públicos (bens gratuitos: ar, água e solo), em detrimento do meio ambiente e da qualidade geral da vida, às expensas das gerações futuras. A alfabetização ecológica ensina que esse sistema não é sustentável.

A economia enfatiza a competição, a expansão e a dominação; a ecologia enfatiza cooperação, a conservação e a parceria. A interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade e diversidade são princípios básicos da ecologia, em conseqüência, princípios da sustentabilidade. “A sobrevivência da humanidade dependerá de nossa alfabetização ecológica, da nossa capacidade para entender os princípios da ecologia e viver em conformidade com eles”.

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REFERÊNCIAS

CAPRA, A Teia da Vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Tradução Newton Roberval Eichemberg. São Paulo: Cultrix, 1996. 256 p. Título Original: the web of life: a new scientific understanding of living systems.

CALLENBACH, E; CAPRA, F; GOLDMAN, L. et al. Gerenciamento ecológico. Tradução Carmen Youssef. São Paulo: Cultrix, 1993. 203 p. Título Original: Ecomanagament.
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Teia da Vida - Prefácio à Edição Brasileira
Oscar Motomura~*~

No início dos anos 90, convidamos Fritjof Capra a vir ao Brasil. O objetivo era provocar um diálogo entre ele e os executivos de empresas clientes sobre sua visão de mundo.

Desde meados dos anos 80, organizávamos diálogos semelhantes com renomados "futuristas" internacionais buscando fazer as conexões possíveis entre estratégia empresarial e a forma como o mundo estava "caminhando". Mais do que isso, a forma como a vida no planeta tenderia a evoluir, uma vez que procurávamos ir muito alêm das previsões econômicas, que ainda estavam muito associadas ao planejamento estratégico tradicional.

Capra, para nós, representava uma fase importante dessa nossa abordagem à estratégia e à gestão empresarial. Ele nos ajudaria a associar a busca de novas estratégias e o processo de criação do futuro com o processo de pensar e, conseqüentemente, de perceber o mundo em que vivemos - o todo, esse grande contexto em que a vida acontece.

Na realidade, descobrimos que a coisa ia até mais além, na medida em que constatávamos que não se tratava só de ver e perceber as coisas a partir de nossas premissas e teorias (paradigmas...), mas também de como nos colocávamos no mundo...

Ficamos muito surpresos com a quantidade de executivos e executivas que vieram ao evento com Capra. Acostumados a grupos menores - pois que estávamos sempre buscando os pensadores mais inovadores do mundo, os pioneiros, em sua maioria, pessoas desconhecidas do grande público - ficamos impressionados com a receptividade a Capra.

No auditório superlotado, Capra compartilhou suas idéias mais recentes. ínteressante foi a reação do público presente.

De um lado, víamos pessoas maravilhadas pela possibilidade de conectar o que faziam em gestão/liderança com os conceitos trazidos à luz pela "Nova Ciência". De outro, víamos pessoas perplexas, imaginando se teriam vindo ao evento errado ou se Capra teria "errado de tema"...

A expectativa dessas pessoas, ao que parece, era de ouvir coisas mais diretamente ligadas à administração e, de preferência, muito práticas que pudessem ser aplicadas imediatamente ao trabalho atual.

Uma parte desse grupo era constituída de pessoas capazes tão-somente de trabalhar o concreto, o já manifesto em seus aspectos mais externos e, portanto, não preparadas para um pensar mais sutil. Outra parte, porém, era de pessoas perfeitamente capazes de pensar mais abstratamente, uma vez que isso é exigido no trabalho de qualquer executivo. Neste grupo, o problema era outro.

O problema era de percepção. Exatamente a questão central trabalhada por Capra.

Os executivos em questão - por mais boa vontade que pudessem ter e por mais esforço que viessem a fazer - não estavam com seus respectivos "modelos mentais" adequadamente preparados para enxergar as conexões entre a vida empresarial e os conceitos da "Nova Cíêncía".

Estamos, na realídade, ainda muito presos ao arcabouço de pensamento criado pela ciência do início do século. A equação que temos de resolver, não só nas empresas mas também na sociedade como um todo, parece simples: "como podemos atualizar nossa forma de pensar e enxergar o mundo em que vivemos com base em novos arcabouços, em linha com o que a ciência (no sentido lato) do limiar do século XXí está trazendo à tona?" Em outras palavras, se quisermos considerar a administração como ciência (ou seria arte?) e buscamos praticar a chamada "administração científica", não deveríamos pelo menos atualizar nossos referenciais, alinhando-nos às descobertas da ciência deste final de século (ao invés de continuarmos presos aos princípios científicos do começo do século)?

Em conversas recentes com Capra, uma de suas colocações que mais me impactou foi sobre como nossas percepções são interrompidas pelo "reconhecimento". Muitas vezes, quando estamos tentando perceber algo à nossa frente, o processo é interrompido por um "enquadramento" daquilo em relação a alguma coisa que já está armazenada em nosso atual arcabouço mental. Nesse momento, nosso processo "neutro" de percepção é ínterrompido e "rotulamos" a coísa como algo já conhecido, poupando-nos o trabalho de desvendar o inédito...

E se esse algo que observamos não se encaixar? ínterrompemos também o processo através de julgamentos rápidos? "Estranho... , "Esquisito... , "Não faz sentido... , "Fora da realidade... .

Neste exato momento em que escrevo este prefácio, o que me vem com mais força à mente é esse intrigante fenômeno de julgar o que vemos ao nosso redor... Em nosso curso de pós-graduação "lato sensu" (o APG), trabalhamos essa questão com uma simples reflexão:

"Nas várias formas de avaliação que fazemos na empresa - e obviamente na sociedade - quem está avaliando o avaliador?" Com que "réguas" o avaliador está julgando? Quais os seus referenciais, suas "verdades"? Podemos sempre presumir que o avaliador será invariavelmente neutro, imparcial? Quanta perfeição isso exigiria? Não teríamos que ser conhecedores das verdades absolutas para podermos julgar?

Em nossa vida diária, vemos uma enorme quantidade de avaliações que poderíamos, no mínimo, classificar de "paradoxais". É o caso do "conservador" avaliando uma proposta "liberal". É o crítico literário agnóstico criticando, agressiva e impiedosamente, um romance escrito por um autor espiritualista. É o executivo cínico classificando toda proposta que visa ao bem comum como "romántica" e "fora da realidade".

Fora da realidade? A que realidade estamos nos referindo? À realidade percebida pelos nossos cinco sentidos? Não é verdade que um mesmo fato testemunhado por um grupo de pessoas pode ser percebido de forma diferente por diferentes pessoas?

E a realidade invisível, ínaudível, intocável, não passível de percepção pelos nossos sentidos normais? E o íntangível que não conseguimos demonstrar em nossos "balanços" e relatórios, quer se trate do país, da empresa ou mesmo de nossa vida pessoal?

Não sería a realidade visível um instantâneo do processo da vida? O que está ocorrendo neste exato momento não seria conseqüência de algo que já está em processo? E esse processo não irá continuar gerando ainda outras conseqüências, ou seja, uma sucessão de outros instantes, encadeados e conectados entre si?

Como nos referirmos à realidade do momento sem entender ou perceber o processo maior do qual aquele instante faz parte? De que "realidade" estamos falando quando julgamos a proposta ou ato de outrem como algo "fora da realidade"?

E se levarmos em conta a infinidade de processos que se interconectam na realidade maior? Não seria esse conjunto uma realidade "sistêmica", altamente complexa, que está fora da esfera de compreensão da maior parte de nós, humanos?

Onde situar o potencial do que nós, seres humanos, podemos criar, gerando um futuro que, pelo menos em parte, seja reflexo do que criamos em nossas mentes a partir de um número infinito de possibilidades existentes no universo?

De que realidade estamos falando em nosso dia-a-dia? A realidade do que já está acontecendo? A realidade de um processo do qual o que já vemos no plano concreto é parte? A realidade dos inúmeros processos que formam um todo sistemicamente interdependente? A realidade do que ainda está latente, do que ainda é possível, do que ainda podemos criar se quisermos?

Como executivos, profissionais das mais diferentes áreas, líderes governamentais, servidores públicos, artesãos, trabalhadores, donas de casa, mães, pais, todos nós nos posicionamos em relação à realidade à nossa volta. Na verdade, em relação à própria vida.

Na medida em que nossa vida é vívida a partir de uma perspectíva "especíalízada"/ fragmentada (como os executivos que ouviram as idéias de Capra pela perspectiva do "mundo empresarial tradicional", não conseguindo conectá-las com seu dia-a-dia) nos fechamos num mundo próprio como num grande "videogame". Só que a diferença é que todos os nossos atos gerados a partir dessa visão fragmentada têm conseqüências na realidade maíor. Conseqüências que poderão afetar a vida de todo o planeta e até de futuras gerações. ..

Neste sentido, quais devem ser nossas prioridades não só como profissionais, mas também como seres humanos?

Será que existe outra prioridade que não seja a busca persistente de uma compreensão maior da realidade, em seu sentído mais amplo? Em outras palavras, o que superaría como prioridade a compreensão mais abrangente, refinada, da própria vida?

Como descobrir o sentido de nossas vidas sem compreender como a própria vida funciona?

Este livro de Capra, que é - em sua visão - a continuação de O Ponto de Mutação, sua obra mais conhecida, trata do todo. É uma grande reflexão sobre a vída usando os conhecimentos não só da chamada "Nova Ciência" mas ainda de outros campos - sempre numa tentativa de não sermos limitados por "muros artificiais" que impeçam nossa percepção do todo maior.

Capra considera A Teia da Vida seu principal trabalho. Suas futuras obras visarão a atualízar seu conteúdo, à medída que suas pesquisas conseguírem desvendar outros aspectos da vida.

A Teia da Vida é um livro de excepcional relevância para todos nós - independentemente de nossa atual atividade. Sua maior contribuição está no desafio que ele nos coloca na busca de uma compreensão maior da realidade em que vivemos. É um livro provocatívo que nos desancora do fragmentário e do "mecânico". É um livro que nos impele adiante, em busca de novos níveis de consciência, e assim nos ajuda a enxergar, com mais clareza, o extraordinário potencial e o propósito da vida. E também a admitir a inexorabilidade de certos processos da vida, convivendo lado a lado com as infinitas possibilidades disponíveis, as quais encontram-se sempre à mercê de nossa competência em acessâ-las.

Minha própria experiência ê que quanto mais entendemos a grande realidade na qual vivemos, mais humildes nos tornamos. Adquirimos um respeito excepcional por todos os seres vívos - sem qualquer exclusão.

Passamos a ter um relacionamento melhor com todos.

Desenvolvemos uma nova ética, não nos deixando levar por falsos valores. Conseguimos viver sem ansiedades, com mais flexíbilidade e tolerância.

Quanto melhor entendemos essa realidade, mais claramente enxergamos as formas de dar significado às nossas vidas, principalmente através do nosso dia-a-dia. Cada ato nosso, por mais simples que seja, passa a ser vivencíado com uma forte conscíência de que ele está afetando a existência do todo em seus planos mais sutis.

Esta obra de Capra representa também um outro tipo de desafio para todos nós. Ela exige uma grande abertura de nossa parte. Uma abertura que só é possível quando abrimos mão de nossos arcabouços atuais de pensamento, nossas premissas, nossas teorias, nossa forma de ver a própria realidade, e nos dispomos a considerar uma outra forma de entender o mundo e a própria vida. O desafio maior está em mudar a nossa maneira de pensar...

Não é uma tarefa fácil. Não será algo rápido para muitos de nós. Mas se pensarmos bem, existe desafio maior do que entender como funcionamos e como a vida funciona?

Na verdade, Capra está numa longa jornada em busca das grandes verdades da vida.

Ele humildemente se coloca "em transição", num estado permanente de busca, de descoberta,
sempre procurando aprender, desaprender e reaprender.

Este livro é um grande convite para fazermos, juntos, essa jornada.

Uma jornada de vida.

(*) Oscar Motomura é diretor geral do Grupo Amana-Key, um centro de excelência sediado em São Paulo, cujo propósito é formar, desenvolver, atualizar líderes de organizações públicas e privadas - em linha com os novos paradigmas e valores e com formas inéditas de pensar e fazer acontecer estrategicamente.

Prefácio

Em 1944, o físico austríaco Erwin Schrõdinger escreveu um livrinho intitulado What ís Life?, onde apresentou hipóteses lúcidas e irresistivelmente atraentes a respeito da estrutura molecular dos genes. Esse livro estimulou biólogos a pensar de uma nova maneira a respeito da genética, e, assim fazendo, abriu uma nova fronteira da ciência: a biologia molecular.

Nas décadas seguintes, esse novo campo gerou uma série de descobertas triunfantes, que culminaram na elucidação do código genético. Entretanto, esses avanços espetaculares não fizeram com que os biólogos estivessem mais perto de responder à pergunta formulada no título do livro de Schrõdinger. Nem foram capazes de responder às muitas questões associadas que confundiram cientistas e filósofos durante centenas de anos: Como as estruturas complexas evoluem a partir de um conjunto aleatório de moléculas? Qual é a relação entre mente e cérebro? O que é consciência?

Os biólogos moleculares descobriram os blocos de construção fundamentais da vida, mas isso não os ajudou a entender as ações integrativas vitais dos organismos vivos. Há 25 anos, um dos principais biólogos moleculares, Sidney Brenner, fez os seguintes comentários reflexivos:

Num certo sentido, vocês poderiam dizer que todos os trabalhos em engenharia genética e molecular dos últimos sessenta anos poderiam ser considerados um longo interlúdio. ... Agora que o programa foi completado, demos uma volta completa - retornando aos problemas que foram deixados para trás sem solução. Como um organismo machucado se regenera até readquirir exatamente a mesma estrutura que tinha antes? Como o ovo forma o organismo? ... Penso que, nos vinte e cinco anos seguintes, teremos de ensinar aos biólogos uma outra linguagem. ... Ainda não sei como ela é chamada, ninguém sabe... Pode ser errado acreditar que toda a lógica está no nível molecular. É possível que precisemos ir além dos mecanismos de relojoaria.~

Realmente, desde a época em que Brenner fez esses comentários, tem emergido uma nova linguagem voltada para o entendimento dos complexos e altamente integrativos sistemas da vida. Cada cientista deu a ela um nome diferente - "teoria dos sistemas dinâmicos", "teoria da complexidade", "dinâmica não-linear", "dinâmica de rede", e assim por diante. Atratores caóticos, fractais, estruturas dissipativas, auto-organização e redes autopoiéticas são algumas de suas concepções-chave.

Essa abordagem da compreensão da vida é seguida de perto por notáveis pesquisadores e por suas equipes ao redor do mundo - ílya Prigogine, na Universidade de Bruxelas; Humberto Maturana, na Universidade do Chile, em Santiago; Francisco Varela, na Êcole Polytechnique, em Paris; Lynn Margulis, na Universidade de Massachusetts; Beno?t Mandelbrot, na Universidade de Yale; e Stuart Kauffman, no Santa Fe ínstitute, para citar apenas alguns nomes. Várias descobertas-chave desses cientistas, publicadas em livros e em artigos técnicos, foram saudadas como revolucionárias.

Entretanto, até hoje ninguém propôs uma síntese global que integre as novas descobertas num único contexto e, desse modo, permita aos leitores leigos compreendê-las de uma maneira coerente. É este o desafio e a promessa de A Teia da Vida.

A nova compreensão da vida pode ser vista como a linha de frente científica da mudança de paradigma de uma visão de mundo mecanicista para uma visão de mundo ecológica, que discuti no meu livro anterior, O Ponto de Mutação. O presente livro, num certo sentido, é uma continuação e uma expansão do capítulo "A Concepção Sistêmica da Vida", de O Ponto de Mutação.

A tradição intelectual do pensamento sistêmico, e os modelos e teorias sobre os sistemas vivos desenvolvidos nas primeiras décadas deste século, formam as raízes conceituais e históricas do arcabouço científico discutido neste livro. De fato, a síntese das teorias e dos modelos atuais que proponho aqui pode ser vista como um esboço de uma teoria emergente sobre os sistemas vivos, que oferece uma visão unificada de mente, matéria e vida.

O livro é destinado ao leitor em geral. Mantive uma linguagem que fosse a menos técnica possível, e defini todos os termos técnicos onde apareciam pela primeira vez.

Entretanto, as idéias, os modelos e as teorias que discuti são complexos e, às vezes, senti que seria necessário entrar em alguns detalhes técnicos para transmitir sua substância.

ísto se aplica particularmente a algumas passagens dos Capítulos 5 e 6, e à primeira parte do Capítulo 9. Os leitores que não estiverem interessados nos detalhes técnicos poderão simplesmente correr os olhos por essas passagens, e devem sentir-se livres para saltá-las sem medo de perder o fio principal do meu argumento.

O leitor também notará que o texto inclui não apenas numerosas referências à literatura, mas também uma profusão de referências cruzadas a outras páginas deste livro.

Na minha luta para comunicar uma complexa rede de concepções e de idéias no âmbito das restrições lineares da linguagem escrita, senti que seria uma ajuda interligar o texto por meio de uma rede de notas de rodapé. Minha esperança é que o leitor descubra que, assim como a teia da vida, o próprio livro constitui um todo que é mais do que a soma de suas partes.

Berkeley, agosto de 1995 FRíTJOF CAPRA
Teia da Vida - Sumário

Prefácio à Edição Brasileira 13

Prefácio 19

PARTE UM / O CONTEXTO CULTURAL
CAPÍTULO 1 Ecologia Profunda - Um Novo Paradigma 23

PARTE DOIS / A ASCENSÃO DO PENSAMENTO SíSTÊMíCO
CAPÍTULO 2 Das Partes para o Todo 33
CAPÍTULO 3 Teorias Sistêmicas 46
CAPÍTULO 4 A Lógica da Mente 56

PARTE TRÊS / AS PEÇAS DO QUEBRA-CABEÇA
CAPÍTULO 5 Modelos de Auto-Organização 73
CAPÍTULO 6 A Matemática da Complexidade 99

PARTE QUATRO / A NATUREZA DA VíDA
CAPÍTULO 7 Uma Nova Síntese 133
CAPÍTULO 8 Estruturas Dissipativas 147
CAPÍTULO 9 Autocriação 159
CAPÍTULO 10 O Desdobramento da Vida 179
CAPÍTULO 11 Criando um Mundo 209
CAPÍTULO 12 Saber que Sabemos 224

Epílogo: Alfabetização Ecológica 231

Apêndice: Bateson Revisitado 236

Notas 239

Bibliografia 251

ísto sabemos.
Todas as coisas estão ligadas como o sangue
que une uma famlia....
Tudo o que acontece com a Terra,
acontece com os filhos e filhas da Terra.
O homem não tece a teia da vida;
ele é apenas um fio.
Tudo o que faz à teia,
ele faz a si mesmo.


TED PERRY, inspirado no Chefe Seattle
Emergência - característica dos Sistemas Adaptativos Complexos

Emergência. A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares.

Steven Johnson
Jorge Zahar Editor, 2003.

Por Patrícia Mariuzzo

A gigante do comércio eletrônico Amazon.com envia mensagens automáticas para os usuários avisando sobre novos lançamentos que combinam com o perfil do usuário. O sistema consegue “acertar” nas dicas pois usa informações de compras anteriores, que funcionam para traçar um perfil do usuário e gerar um tipo de propaganda personalizada. Sistemas como o usado pela Amazon são baseados em inteligência emergente. Emergência explica os fenômenos emergentes, como surgiram e como podem transformar a televisão, a propaganda, o trabalho, a política e, antes de tudo isso, a tecnologia. O autor mistura biologia, história, literatura e matemática para explicar o que são esses sistemas. Uma passada de olhos pela bibliografia do livro já é suficiente para despertar a curiosidade do leitor: Charles Dickens; Marshall Mcluhan; James Joyce; Fernand Braudel; e Charles Darvin são algumas das referências usadas por Johnson, cuja formação é em semiótica e literatura inglesa. Provavelmente graças a isso, e à abundância de analogias e bom exemplos, a leitura é agradável e simples, mesmo quando o objetivo é entender questões específicas do mundo da programação de computadores.

O título é provocativo: o que poderiam ter com comum colônias de formigas, o cérebro humano, grandes cidades e softwares? Todos usam, em menor ou maior grau, de sistemas auto-organizados, nos quais é dispensada a presença de controle centralizado. Nos sistemas emergentes, também chamados bottom-up (de baixo para cima), agentes que residem em uma escala começam a produzir um comportamento cujo padrão reside em uma escala acima deles: formigas criam colônias, cidadãos criam comunidades, um software simples de reconhecimento de padrões aprende como recomendar novos livros. O movimento das regras de nível baixo para a sofisticação do nível mais alto é o que o autor chama de emergência. O sistema só é emergente quando todas as interações locais resultam em algum tipo de macrocomportamento observável. Deve ainda ter os seguintes componentes: interação entre vizinhos, reconhecimento de padrões, feedback e controle indireto.

A resenha completa pode ser lida em:

http://www.comciencia.br/resenhas/2005/10/resenha1.htm

Mais informações sobre o assunto em:

Cidades, formigas e internet são semelhantes
Novo livro de Steven Johnson explica a emergência, quando um sistema interconectado de elementos relativamente simples se auto-organiza para formar um comportamento mais inteligente e adaptável.

Texto completo em:
http://webinsider.uol.com.br/vernoticia.php/id/1129

O texto acima foi postado originalmente em:

Sociedade Brasileira de Gestâo do Conhecimento
Todos os Fóruns >> [Fóruns de GC em áreas de aplicação] >> GC na área de TI >> Emergência. A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares.
http://www.portalsbgc.org.br/sbgc/foruns/tm.asp?m=3754&forumid=35
Por: claudioprospero Em:15/9/2006 12:56 AM


Na mensagem acima estou criando uma Sinapse Virtual para este tópico (Ciência da Complexidade: o reencontro das Ciências Exatas com as Naturais).
Alvin Tofler / Daniel Quinn / Fritjof Capra

Hoje senti a necessidade de comparar as idéias destes três autores. Como dos dois últimos tenho falado neste grupo, Ecoloucos, segue um artigo sobre A Terceira Onda, de Toffler.

A reflexão que proponho aos pares desta Escola é que Toffler nos fala de Três Grandes Ondas (Sociedades: Agrícola, Industrial e de Informações. Creio que Quinn observaria que este é um autor típico de Nossa Cultura, a que tem prevalecido nos últimos 10.000 anos). Em minha percepção, Quinn e Capra nos conduzem a entender os Oceanos e as Forças que levam estes Oceanos a produzir estas Ondas: os milhôes de anos de evolução inter-relacionada do Planeta e das Espécies que o habitam, dentre as quais está a nossa).

As constelações de Alvin Toffler
http://vocesa.abril.com.br/aberto/colunistas/pgart_0701_12122003_56...

No passado, lidávamos com um problema de cada vez. Hoje, a complexidade entre as relações tornou impossível determinar onde exatamente termina uma coisa e começa outra

Por Marcos Hashimoto

O meu vizinho está escolhendo a cor com que pintará sua casa. Começou com um azulão bem forte, mudou para amarelo, em seguida para mostarda e agora está no palha, mas ainda não está muito convencido. Queria algo mais próximo a um ‘ocre com tons de creme’. Não duvido que mude novamente e dê continuidade à alegria dos pintores e das casas de tinta. Há vinte anos, ele não estaria vivendo este dilema. As ofertas presentes nas prateleiras não passavam de 30, devidamente demonstradas em um catálogo de cores simples, de uma só folha.

A tecnologia permitiu que os clientes possam escolher entre mais de 2000 cores. O que deveria ser uma virtude acabou se tornando uma dificuldade. Tantas opções acabam contribuindo para a confusão que consumidores e clientes são obrigados a enfrentar pelo excesso de oferta. Não é só neste setor que temos tantas opções. É raro encontrar alguma área que não tenha vivenciado nos últimos anos um ‘boom’ de desenvolvimento, proporcionado pela tecnologia que nos inunda de informações, variedades, opções, soluções, personalizações e ofertas.

Este novo mundo, mais complexo e dinâmico caracteriza a terceira grande onda de mudanças que o mundo está passando. Essa visão foi defendida pelo futurista Alvin Toffler na abertura da terceira edição da ExpoManagement, em novembro, em São Paulo. Toffler, mundialmente famoso por suas previsões em obras como ‘O choque do futuro’, exemplifica esta terceira onda com três fenômenos. Um deles é este aumento da complexidade que permeia os mercados, as relações, as organizações, as habilidades, a informação, a tecnologia e a economia.

Para Toffler, o mundo em que vivemos hoje sofre de uma constante dessincronia em massa. Os elementos que compõem os processos organizacionais estão tão interligados com outros processos que é virtualmente impossível haver qualquer tipo de sincronia entre eles. Avançar em um processo significa atrasar em outro(s) e vice-versa. Mas para ele, a dessincronia é normal, pois as mudanças também são constantes. Isso caracteriza o dinamismo que nos leva a crer que nada é definitivo. A busca constante pela homeostase e equilíbrio leva as organizações a promoverem mudanças que, por sua vez, gera mais necessidade de mudanças e conseqüentemente aumenta a necessidade do equilíbrio, num círculo vicioso e interminável.

O último elemento da terceira onda de mudanças é o que ele chama de ‘Efeito Constelação’. No passado, sempre lidamos com um problema de cada vez, o raciocínio era mais linear e cartesiano. Você podia pensar em fazer uma coisa após a outra. Hoje, a complexidade entre as relações tornou impossível determinar onde exatamente termina uma coisa e começa outra. As paredes e barreiras entre os compartimentos estão caindo rapidamente, não só entre organizações mas internamente também, entre os departamentos e setores. As burocracias não estão preparadas para lidar com um relacionamento de natureza orgânica, natural, espontânea. Este fenômeno nos leva a pensar além das estratégias normais, pois freqüentemente nos vemos em questionamentos como ‘O que é o negócio? O que está fora do negócio?’

.A conectividade que a tecnologia proporciona não aumenta só os contatos entre indivíduos e organizações entre si. Proporciona um aumento nas relações com a sociedade civil de uma forma geral.É um poder respeitável que tem que ser incorporado nas organizações.. Cada negócio está inserido numa constelação maior, ou em várias constelações. Várias unidades fazem parte do mapa da constelação de uma empresa.

Eu estou com alguma dificuldade para concluir este artigo. Estou em minha casa, em frente ao computador enquanto as crianças brincam no jardim. Já interrompi várias vezes o artigo para encher pneu de bicicleta, ensinar a ajustar uma cotoveleira, tirar fotos do bebê e dar algumas risadas com meu menino aprendendo a andar de skate. Minha vida está assim (des)organizada: o papel de pai se confunde com o de professor que toma exemplos da sua vida privada em seus artigos. Uma só pessoa fazendo parte de várias constelações que normalmente são vistas de forma independente umas das outras. Somente quem experimenta ‘misturar as estações’ é que percebe a riqueza que surge da interdisciplinaridade. As constelações não são novas, a novidade está nas suas inter-relações.

*Marcos Hashimoto é mestre em administração pela FGV, professor universitário de empreendedorismo na Faculdade IBMEC e consultor de empresas
[MORIN] Sete competências essenciais para o século XXI

Os Sete Saberes Necessários À Educação Do Futuro.
(Edgar MORIN)

http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_2295.html



Edgar Morin devido à sua excepcional visão integradora da totalidade, pensou os saberes na perspectiva da complexidade contemporânea, explorando novos ângulos, muitos dos quais ignorados pela pedagogia atual , para servirem de eixos norteadores à educação do próximo milênio


Os saberes propostos por Morin que, como ele mesmo afirma, antecede qualquer guia ou compêndio do ensino, inserem-se na idéia de uma identidade terrena onde o destino de cada pessoa joga-se e decide-se em escala internacional, cabendo à educação a missão ética de buscar e trabalhar uma solidariedade renovadora que seja capaz de dar novo alento à luta por um desenvolvimento humano sustentável.


Morin considera que há sete saberes fundamentais com os quais toda cultura e toda sociedade deveriam trabalhar, segundo suas especificidades. Esses saberes são respectivamente as Cegueiras Paradigmáticas, o Conhecimento Pertinente, o Ensino da Condição Humana, o Ensino das Incertezas, a Identidade Terrena, o Ensino da Compreensão Humana e a Ética do Gênero Humano.


Esses saberes são indispensáveis frente à racionalidade dos paradigmas dominantes que deixam de lado questões importantes para uma visão abrangente da realidade. Para Morin, é impressionante como a educação, que visa transmitir conhecimentos, seja cega em relação ao conhecimento humano. Ao invés de promover o conhecimento para a compreensão da totalidade, fragmenta-o, impedindo que o todo e as partes se comuniquem numa visão de conjunto.


Por outro lado, como diz Morin, o destino planetário do gênero humano é ignorado pela educação. A educação precisa ao mesmo tempo trabalhar a unidade da espécie humana de forma integrada com a idéia de diversidade. O princípio da unidade/diversidade deve estar presente em todas as esferas.
Para tanto, torna-se necessário educar para os obstáculos à compreensão humana, combatendo o egocentrismo, o etnocentrismo e o sociocentrismo, que procuram colocar em posição secundária aspectos importantes para a vida das pessoas e das sociedades.

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Edgar Morin
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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Edgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum, nasceu em Paris em 8 de Julho 1921, é um sociólogo e filósofo francês de origem Judaico-Espanhola (sefardita).

Pesquisador emérito do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique). Formado em Direito, História e Geografia, realizou estudos em Filosofia, Sociologia e Epistemologia. É considerado um dos principais pensadores sobre a complexidade. Autor de mais de trinta livros, entre eles: O método (6 volumes), Introdução ao pensamento complexo, Ciência com consciência e Os sete saberes necessários para a educação do futuro. Durante a Segunda Guerra Mundial, participou da Resistência Francesa. É considerado um dos pensadores mais importantes do século XX e XXI.

Índice
1 Outra obra de destaque
2 Questionamentos
3 Os 7 saberes necessários
3.1 1º Saber: Erro e ilusão
3.2 2º Saber: O conhecimento pertinente
3.3 3º Saber: Ensinar a condição humana
3.4 4º Saber: Identidade terrena
3.5 5º Saber: Enfrentar as incertezas
3.6 6º Saber: Ensinar a compreensão
3.7 7º Saber: Ética do gênero humano
4 O pensamento complexo
5 Tetragrama organizacional
6 Ver também
7 Obras
8 Ligações externas


Outra obra de destaque
A principal obra de Edgar Morin é a constituída por seis volumes, "La Méthode" (em português, O Método). Foi escrita durante três décadas e meia. Trata-se de uma das maiores obras de epistemologia disponível. Morin inicia os primeiros escritos de "La Méthode" em 1973, com a publicação do livro "O Paradigma Perdido: a Natureza Humana", uma transformação epistemológica por questionar o fechamendo ideológico e paradigmático das ciências, além de apresentar uma alternativa à concepção de "paradigma" encontrada em Thomas Kuhn. Seu primeiro livro traduzido para o português é O cinema ou o homem imaginário, em 1958.

Questionamentos
Morin afirma que diante dos problemas complexos que as sociedades contemporâneas hoje enfrentam, apenas estudos de caráter inter-poli-transdisciplinar poderiam resultar em análises satisfatórias de tais complexidades:

"Afinal, de que serviriam todos os saberes parciais senão para formar uma configuração que responda a nossas expectativas, nossos desejos, nossas interrogações cognitivas?.” MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 116.

Os 7 saberes necessários
Morin escreve o livro Os sete saberes necessários à educação do futuro, apresentando o que ele mesmo chama de inspirações para o educador e que é comumente chamado de " Os 7 saberes", onde se refere aos saberes necessários para uma boa prática educacional.

1º Saber: Erro e ilusão
Não afastar o erro do processo de aprendizagem, íntegrar o erro ao processo, para que o conhecimento avance.

- A educação deve demonstrar que não há conhecimento sem erro ou ilusão.

- Todas as percepções são ao mesmo tempo traduções e reconstruções cerebrais a partir de estímulos ou signos, captados e codificados pelos sentidos.

- O conhecimento em forma de palavra, idéia ou teoria, é fruto de uma tradução/reconstrução mediada pela linguagem e pelo pensamento, assim conhece o risco de erro.

- O conhecimento enquanto tradução e reconstrução, admite interpretação pelo indivíduo, assim terá a forma de cada um, e conforme cada um vê o mundo.

- Não se pode e não se deve separar os sentidos humanos do conhecimento visto que a afectividade pode asfixiar o conhecimento, mas também fortalecê-lo.

- Não há um estado superior da razão que domina a emoção, mas um circuito intelecto ó afecto que assim contribui para o estabelecimento de comportamentos racionais.

- Existe um mundo psíquico independente, onde fermentam necessidades, sonhos, desejos, idéias, imagens, fantasias e este mundo influencia a nossa visão e concepção do mundo.

- A racionalidade é o melhor guarda-costas da razão. Com ela é-nos permitido distinguir o real do irreal, o objectivo do subjectivo, etc. Mas também a racionalidade para ser racional deve estar aberta a todas as possibilidades de erro, caso contrário passa a ser uma racionalização dos nossos conhecimentos ou seja, o que pensamos estar correcto e ser racional, como não o pomos à prova de erro, esse conhecimento torna-se a racionalização desse pensamento, ideia ou teoria. Fecha-se em si mesmo. A racionalidade é aberta, ao contrário da racionalização, que se fecha em si mesma.

2º Saber: O conhecimento pertinente
Juntar as mais variadas áreas de conhecimento, contra a fragmentação

Para que o conhecimento seja pertinente, a educação deverá tornar evidentes:

- O contexto – é preciso situar informações e dados no seu contexto para que tenham sentido.

- O global – o global é mais que um contexto, é o conjunto contendo as partes diversas que lhe estão ligadas de forma inter-retroactiva ou organizacional (a sociedade é mais que um contexto: é um todo organizador do qual fazemos parte)

- O multidimensional – o ser humano é multidimensional, é ao mesmo tempo biológico, psíquico, social e afectivo, a sociedade contém dimensões históricas, econômicas, sociológicas, religiosas.

- O complexo – ligação entre a unidade e a multiplicidade. A educação deve promover uma inteligência geral apta a referir-se ao complexo, ao contexto, de forma multidimensional e numa concepção global. O desenvolvimento das aptidões gerais da mente permite um melhor desenvolvimento das competências particulares ou especializadas. Quanto mais poderosa for a inteligência geral, maior é a sua faculdade de tratar problemas específicos.

- A antinomia – os progressos do conhecimento estão dispersos, desunidos, devido à especialização que quebra os contextos, as globalidades e as complexidades. Os problemas fundamentais e os problemas globais são eliminados das ciências disciplinares, perdem as suas aptidões naturais para contextualizar os saberes bem como para integrá-los nos seus conjuntos naturais. A debilitação da percepção do global conduz à debilitação da responsabilidade (cada um só se responsabiliza pela sua tarefa especializada) e à debilitação da solidariedade. (já ninguém sente vínculos com os concidadãos).

- A disjunção e especialização fechada – a hiperespecialização – impede ver tanto o global como o essencial, impede tratar correctamente os problemas particulares, que só podem ser apresentados e pensados num contexto. - A cultura geral incita à busca da contextualização de qualquer idéia, já a cultura científica e técnica, disciplinar, parcela, desune e compartimenta os saberes, tornando cada vez mais difícil a sua contextualização. A divisão das disciplinas impossibilita colher o que está tecido em conjunto, o mesmo que dizer – o complexo.

- A redução e disjunção – o princípio da redução conduz a uma diminuição do conhecimento do todo, limitado ao conhecimento das suas partes. Como se a organização de um todo não produzisse qualidades ou propriedades novas, emergências, em relação às partes, consideradas separadamente. Conduz à redução do complexo ao simples, à eliminação de tudo aquilo que não seja quantificável, nem mensurável. A redução, quando obedece estritamente ao postulado determinista, oculta o risco, a novidade, a intenção.

- A falsa racionalidade – o séc. XX viveu sob o reino de uma pseudo-racionalidade, que se presumiu ser a única, mas que atrofiou a compreensão, a reflexão e a visão a longo prazo. A sua insuficiência para tratar os problemas mais graves constituiu um dos problemas mais graves para a humanidade.

3º Saber: Ensinar a condição humana
Não somos um algo só. Somos indivíduos mais que culturais, somos psíquicos, físicos, míticos, biológicos, etc.

A educação do futuro deverá ser um ensino primário e universal centrado na condição humana. O humano permanece cruelmente dividido, fragmentado. Enuncia-se um problema epistemológico e é impossível conceber a unidade complexa do humano por intermédio do pensamento disjuntivo, que concebe a nossa humanidade de maneira insular, isolada do cosmos que a rodeia, da matéria física e do espírito, do qual estamos constituídos. Nem tão pouco por intermédio do pensamento redutor que reduz a unidade humana a um substrato bio-anatômico.

- Enraizamento – desenraizamento - embora enraizados no cosmos e na esfera viva, os humanos desenraizaram-se pela evolução.

- Condição cósmica / condição física / condição terrestre / condição humana. Somos ao mesmo tempo seres cósmicos e terrestres. Somos resultado do cosmos, da natureza, da vida, mas devido à nossa própria humanidade, à nossa cultura, à nossa mente, à nossa consciência, tornamo-nos estranhos a este cosmos do qual fazemos parte. Evoluímos para além do mundo físico e vivo. È neste mais alem que se opera o pleno desdobramento da humanidade.

- A unidualidade – o homem é um ser plenamente biológico, mas se não dispusesse plenamente da cultura seria um primata do mais baixo nível. O homem só se completa em ser plenamente humano pela e na cultura. Não existe cultura sem cérebro humano, mas não há mente ou seja, capacidade de consciência e de pensamento sem cultura. A mente é uma emergência do cérebro, que suscita cultura, a qual não existiria sem cérebro.Uma outra face da complexidade humana é a que integra a animalidade na humanidade e a humanidade na animalidade. As relações entre a razão / afecto / impulso não são só complementares, mas também antagonicas, admitindo os conflitos entre a impulsividade, o coração e a razão. A racionalidade não dispõe do poder supremo

- Individuo / sociedade / espécie – o desenvolvimento verdadeiramente humano significa desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentido de pertencer à espécie humana. A educação do futuro deverá velar para que a idéia de unidade da espécie humana não apague a diversidade, e que a diversidade não apague a unidade. Todo o ser humano traz genéticamente em si a espécie humana e implica geneticamente a sua própria singularidade anatómica, fisiológica. Todo o ser humano traz em si, subjectivamente, características fundamentalmente comuns, cerebrais, mentais, psicológicas, afectivas, intelectuais. E, ao mesmo tempo, tem as suas singularidades cerebrais, mentais, psicológicas, afectivas, intelectuais, subjectivas. A cultura mantém a identidade humana, no que ela tem de específico: as culturas mantêm as identidades sociais no que elas têm de específico. O ser humano é complexo e traz em si, de forma bipolarizada, as características antagónicas: racional e delirante; trabalhador e jogador; empírico e imaginário; econômico e dilapidador; prosaico e poético. Da mesma maneira a educação deveria mostrar e ilustrar o destino de múltiplas faces do humano: o destino social, o destino histórico, todos os destinos entrelaçados e inseparáveis. Uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana.

4º Saber: Identidade terrena
Saber que a Terra é um pequeno planeta, que precisa ser sustentado a qualquer custo. Idéia da sustentabilidade terra-pátria. O tesouro da humanidade está na sua diversidade criadora, mas a fonte da sua criatividade está na sua unidade geradora.

Com as novas tecnologias o mundo cada vez mais é um todo. Mas um todo desunificado e desenraizado. O crescimento econômico de uns gera a miséria noutros: o mundo é um todo e esse todo não respeita nem vê cada um, seja ele Estado ou individuo.

O desenvolvimento das ciências trazem-nos progresso mas também regressões, ajuda uns e mata outros. Os grandes desenvolvimentos desenvolveram tudo e esqueceram-se de desenvolver o conceito de cidadania terrestre.

Mas há esperança, tem que haver esperança. Acreditamos, com esperança nas várias contribuições das contracorrentes que vão aparecendo por reacção às correntes dominantes:

- a contracorrente ecológica, que defende a preservação do planeta que é nosso e por isso mesmo não temos o direito de o destruir e simultaneamente de nos destruirmos com ele;

- a contracorrente qualitativa – que rejeita a filosofia de “ quanto mais melhor “ e defende a de “ quanto melhor melhor “;

- a contracorrente à vida utilitária, sem cor;

- a contracorrente ao consumismo desenfreado;

- a contracorrente da escravidão ao lucro;

- a contracorrente pacifista que se opõe à solução armada para resolução dos conflitos.

5º Saber: Enfrentar as incertezas
Princípio da incerteza. Ensinar que a ciência deve trabalhar com a ideia de que existem coisas incertas.

Por mais que o progresso se tenha desenvolvido não nos é possível, nem com as melhores tecnologias, prever o futuro. O futuro continua aberto e imprevisível. O futuro chama-se incerteza. Nada é um dado adquirido, completo e simples, tudo se transforma para a melhor e pior maneira, por isso o homem enfrenta um novo desafio, uma nova aventura que é enfrentar as incertezas, e a educação do futuro deve voltar-se para as incertezas ligadas ao conhecimento.

6º Saber: Ensinar a compreensão
A comunicação humana deve ser voltada para a compreensão. Introduzir a compreensão; compreensão entre departamentos de uma escola, entre alunos e professores, etc.

A comunicação do planeta, no séc. XXI, é completa, entre faxes, telefone e Internet todos se comunicam, mas os progressos para compreender a compreensão são mínimos. Não há nenhuma técnica de comunicação que traga por si mesma a compreensão.

Educar para compreender uma dada matéria de uma disciplina é uma coisa, educar para a compreensão humana é outra, esta é a missão espiritual da educação: ensinar a compreensão entre as pessoas como condição garantidora da solidariedade intelectual e moral da humanidade; humanidade como um todo, um todo como pólo individual.

Para uma compreensão da humanidade temos que ensinar e aprender com os obstáculos que existem para a compreensão. O egocentrismo e o sociocentrismo, a redução do intelecto humano, a introspecção, o respeito e abertura ao próximo, a tolerância são caminhos que podem afectar positiva e negativamente a compreensão.

7º Saber: Ética do gênero humano
É a antropo-ética. Não desejar para os outros, aquilo que não quer para você. A antropo-ética está ancorada em três elementos:

Indivíduo
Sociedade
Espécie

Morin defende a interligação destes três elementos desde O paradigma perdido: a natureza humana.

Na questão prática de aplicar os 7 saberes, a questão fundamental é que o objetivo não é transformá-los em disciplinas, mas sim em diretrizes para ação e para elaboração de propostas e intervenções educacionais.

A concepção complexa do género humano comporta a tríade individuo <=> sociedade <=> espécie. Significa desenvolvimento, em conjunto, das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana. No seio desta tríade complexa emerge a consciência, logo, uma ética propriamente humana, ou seja, uma antropo-ética que supõe a decisão consciente e esclarecida de assumir a condição humana de individuo <=> sociedade <=> espécie na complexidade do nosso ser. De realizar a humanidade em nós próprios, na nossa consciência pessoal. De assumir o destino humano nas suas antinomias e na sua plenitude.

É-nos proposto um desafio; trabalhar para a humanização da humanidade; efectuar a dupla condição do planeta – obedecer à vida, guiar a vida; realizar a unidade planetária na diversidade; respeitar ao mesmo tempo no próximo, a diferença e a identidade consigo próprio; desenvolver a ética da solidariedade; da compreensão; ensinar a ética do género humano. A antropo-ética tem assim a esperança na realização da humanidade como consciência e cidadania planetária.

Ensinar a democracia – a democracia permite a relação rica e complexa individuo <=> sociedade, onde os indivíduos e a sociedade podem e devem se inter-ajudar, inter-desenvolver, inter-regular e inter-controlar. A soberania do povo cidadão contem, ao mesmo tempo, a auto-limitação desta soberania pela obediência às leis e a transferência de soberania para os eleitores. A democracia contém ao mesmo tempo a auto-limitação da empresa do Estado, pela separação dos poderes, a garantia dos direitos individuais e a protecção da vida privada. A democracia supõe e alimenta a diversidade dos interesses, assim como a diversidade das idéias. O respeito da diversidade significa que a democracia não pode ser identificada com a ditadura das maiorias sobre as minorias. A democracia tem ao mesmo tempo necessidade de conflitos de idéias e de opiniões que lhe dão a vitalidade e a produtividade.

Assim, exigindo ao mesmo tempo consenso, diversidade e conflitualidade, a democracia é um sistema complexo de organização e de civilização políticas que alimenta e se alimenta da autonomia do espírito dos indivíduos, da sua liberdade de opinião e de expressão, do seu civismo, que alimenta e se alimenta do ideal Liberdade – Igualdade – Fraternidade que comporta uma conflitualidade criadora entre os seus três termos inseparáveis.

As democracias serão cada vez mais confrontadas com um problema, nascido do desenvolvimento das ciências, técnicas e burocracias. Esta enorme máquina não produz apenas conhecimento e elucidação, produz também ignorância e cegueira. Os desenvolvimentos disciplinares das ciências não só trouxeram as vantagens da divisão do trabalho, trouxeram também os inconvenientes da super-especialização, do fechamento e do parcelamento do saber. Assim, o cidadão perde o direito ao conhecimento que está acessível só aos peritos de cada uma das áreas.

O pensamento complexo
Como poderá ser entendido o verdadeiro significado do chamado: “Pensamento complexo” de Edgar Morin? Antes de termos uma resposta a essa pergunta, precisamos primeiramente responder outra. O que quer dizer complexo? Complexo vem do Latim complexus, que quer dizer “Aquilo que é tecido em conjunto”.

Segundo o próprio Morin, nós somos:

Homo (gênero) Homo sapiens sapiens

Edgar Morin diz que é sistemático demais possuirmos um sapiens ou dois, em nossa autodenominação, é preciso acrescentar um demens, ficando: Homo sapiens sapiens demens, que mostra o quanto somos descomedidos, loucos, etc. Todo homem é duplo, ao mesmo tempo que é racional apresenta certa demência.

Na busca do verdadeiro pensamento complexo de Morin, esbarramos no entendimento de outros conceitos, entre eles, o de operadores de complexidade:

Operador dialógico que é diferente de operador dialético
Operador recursivo
Operador hologramático

O operador dialógico envolve o entrelaçar coisas que aparentemente estão separadas: Exemplos:

Razão e emoção
Sensível e inteligível
O real e o imaginário
A razão e os mitos
A ciência e a arte
Trata-se da não existência de uma síntese, tudo isto consiste no chamado dialogizar.

O operador recursivo, trata principalmente do fato de que sempre aprendemos que uma causa A produz um efeito B. Na recursividade a causa produz um efeito, que por sua vez produz uma causa.

Exemplo: Somos produto de uma união biológica, entre um homem e uma mulher e por nossa vez seremos geradores de outras uniões.

O operador hologramático, trata de situações em que você não consiga separar a parte do todo. A parte está no todo, assim como o todo está na parte.

Esses três operadores são as bases do pensamento complexo. Em resumo temos:

Juntar coisas que estavam separadas
Fazer circular o efeito sobre a causa
Idéia de totalidade: Não dissociar a parte do todo. O todo está na parte assim como a parte está no todo.

Com esses três operadores, você criará a noção de totalidade, mas ao mesmo tempo, criará uma concepção de que a simples soma das partes não leva a esse total. A totalidade (no pensamento complexo), é mais do que a soma das partes e simultaneamente menos que a soma das partes.

- Nós somos considerados seres que:

Falam;
Fabricam seus próprios instrumentos;
Simbólicos, pois criamos nossos símbolos, nossos mitos e nossas mentiras.

O pensamento complexo afirma também que, além disso, somos complexos. Isto porque estamos inscritos numa longa ordem biológica e porque somos produtores de cultura. Logo, somos 100% natureza e 100% cultura. O conhecimento complexo não está limitado à ciência, pois há na literatura, na poesia, nas artes, um profundo conhecimento. Todas as grandes obras de arte possuem um profundo pensamento sobre a vida. Segundo o próprio Morin, devemos romper com a noção de que devemos ter as artes de um lado e o pensamento científico do outro.

Tetragrama organizacional
Qualquer atividade de seres vivos é guiada por uma tetralogia. Envolve relações de:

Ordem;
Desordem;
Interação;
(re)Organização.

Isto é o tetragrama organizacional.

Unindo este tetragrama aos operadores de complexidade, temos as bases do pensamento complexo.

Diz Marx: “Qualquer reforma do ensino e da educação começa com a reforma dos educadores.” Isto constituiu uma das citações mais utilizadas por Morin quando trata da questão do pensamento complexo, e da reforma dos educadores no processo de criação de uma nova educação. A razão cartesiana impôs um paradigma. Ela nos ensinou a separar a razão do dês-razão. Temos que religar tudo, que a ciência cartesiana separou, segundo Morin.

Ver também
Ecologizar
Filosofia da ciência
Teoria semiótica da complexidade
Sociologia
Antropologia
Transdisciplinaridade


Obras
O método 1: a natureza da natureza
O método 2: vida da vida
O método 3: o conhecimento do conhecimento
O método 4: as idéias
O método 5: a humanidade da humanidade
(2005) O método 6: Ética
(2005) Introdução ao Pensamento Complexo
(1999) A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento
(2000) Os Sete saberes necessários a educação do futuro
(1994) Ciência com Consciência
(1973) O Paradigma Perdido: A Natureza Humana
(????) A Inteligência da Complexidade
(????) A Religação dos Saberes
(1956) O cinema ou o homem imaginário
Morin, E. et. all (2004) Educar para a era planetária.

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Ligações externas
www.edgarmorin.org a web site about Edgar Morin in Spanish
Article "Edgar Morin: A partial introduction" by A. Montuori, California Institute of Integral Studies
The Persecution of Edgar Morin by Doug Ireland
An interview and short biography on Unesco's web site
An interview and biography on France foreign ministry's web site

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Morin"

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Observação: O conteúdo acima foi modificado, em relação ao obtido na Wikipédia em Português, para, espero, facilitar a compreensão das idéias propostas por Edgar Morin. Não fiz a modificação na própria Wikipédia, por ter perdido a paciência com a falta de respeito, em minha opinião, dos editores dos conteúdos da versão em Português , com os principíos do Wiki. Básicamente os princípios:

· de que uma construção coletiva auto-regula sua qualidade melhor do que a regulação da qualidade feita por um grupo, por mais competentes e inteligentes que sejam, ou se julguem, os componentes deste grupo;

· respeito pelo esforço dos voluntários que dedicam tempo e esforço a produzir ou editar conteúdos para a versão em Português. Exemplo pessoal: após ter traduzido do termo em Inglês um tópico sobre a Técnica dos Seis Chapéus, do De Bono, tive o artigo vandalizado e, ao contrário do esperado, que seria a reversão do artigo para o original, este foi sumariamente excluído por um dos editores.

Este é um dos motivos, reforço, em minha opinião, da versão em Português não atingir mais de 500.000 verbetes, enquanto a versão em Inglês tem alguns milhões de tópicos. O que não significa que problemas similares não afetem toda a Wikipédia. Para uma outra análise do problema com o conceito Wikipédia, que entendo como um progresso em relação a situação anterior, ver:

Contextopédias - Página 67 de:

O PODER DAS REDES
Manual ilustrado para pessoas, organizações
e empresas chamadas a praticar o ciberativismo


David de Ugarte

Está disponível em www.deugarte.com/manual-ilustrado-para-ciberactivistas/).

E na Biblioteca da Escola de Redes (http://escoladeredes.ning.com/)


Recomendo a leitura e conversas virtuais / presenciais sobre os seguintes livros de Edgar Morin

• (1999) A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento


• (2000) Os Sete saberes necessários a educação do futuro



Também em:


http://www.conteudoescola.com.br/site/content/view/89/27/1/2/

Dica 1: clique aqui para participar do Fórum de Discussão. Lá você esclarece dúvidas e interage com outros educadores.


Dica 2 : para aumentar o tamanho da tela, tecle F11.


Resenha: Os Sete Saberes Necessários À Educação Do Futuro (Edgar Morin)


Por Conteúdoescola
23 de julho de 2004
Página 3 de 10

E, lógicamente, neste fórum:

Todos os Fóruns >> [Fóruns de GC em áreas de aplicação] >> GC em educação
http://www.portalsbgc.org.br/sbgc/foruns/tt.asp?forumid=64&p=1&...


--
Atenciosamente.
Claudio Estevam Próspero

http://www.linkedin.com/in/claudioprospero
http://pt.wikipedia.org/wiki/Usuário:ProsperoClaudio (Apresentação pessoal)
http://escoladeredes.ning.com/ (Escola de Redes [E = R])
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aliança_para_uma_Nova_Humanidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecocidade
http://www.wikifuturos.com.br/prosperoclaudio (Wiki Futuros - CrieFuturos)
http://www.holos.org.br/cursosetreinamentos/ (HOLOS - Coaching e Mentoring)
http://www.nef.org.br (Núcleo de Estudos do Futuro)
http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/
http://www.portalsbgc.org.br/sbgc/portal/ (Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento)

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Uma iniciativa educacional louvável apresenta com "mãos na massa" possibilidades de pesquisa em sistemas complexos para estudantes e profissionais da área de exatas:

http://www.handsonresearch.org

e ainda por cima com baixo custo!

Já houve duas edições: na Índia e no Brasil. A próxima é em Camarões.

Uma iniciativa educacional louvável apresenta com "mãos na massa" possibilidades de pesquisa em sistemas complexos para estudantes e profissionais da área de exatas:

http://www.handsonresearch.org

e ainda por cima com baixo custo!

Já houve duas edições: na Índia e no Brasil. A próxima é em Camarões.

Trabalhos apresentados no Brasil:

http://www.handsonresearch.org/brazil_2009.html
[USP] Nova: Pós-graduação de modelagem de sistemas complexos

EACH abre inscrições para sua primeira pós-graduação
http://www.usp.br/agen/?p=15713

Por Da Redação - agenusp@usp.br

Publicado em 13/janeiro/2010 | Editoria : Educação
Laura Lopes, especial para o USP Online

Como saber se o trânsito vai estar um caos ou se é possível chegar ao trabalho em poucos minutos? Uma pessoa comum não tem como prever todas as variáveis que podem levar a um congestionamento (carros quebrados, acidentes, decisão de ir de carro ou transporte coletivo, sincronia de semáforos, ruas interditadas etc), mas um especialista em sistemas complexos pode fazê-lo. Sistemas complexos? Sim. “São todos os sistemas que envolvem múltiplos agentes e variáveis, como moléculas e pessoas, que tenham interação entre si e com outras variáveis no meio em que estão localizados”, explica a professora Flávia Mori, vice-coordenadora do curso de pós-graduação de modelagem de sistemas complexos da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP – o primeiro da unidade, que fica na Zona Leste de São Paulo, e também o primeiro do Brasil no gênero. As inscrições abrem no dia 18 e o curso tem duração de dois a cinco anos.

Primeiro curso de pós-graduação da EACH é, também, primeiro do gênero no País
A nova pós-graduação reflete a estrutura e o pensamento vigentes na EACH desde a criação da unidade – a única de ensino e pesquisa da USP a não ser organizada em departamentos separados entre si. De acordo com a professora Bernadette Franco, pró-reitora pro tempore de Pós-Graduação da USP, “a EACH está bem agitada com relação a essa nova forma de fazer pós, interdisciplinar”. Para ela, o fato de a unidade não ter departamentos independentes contribui para a interação entre áreas diferentes.

Boa notícia para a EACH, que tem mais cinco programas de pós interdisciplinares tramitando na Pró-Reitoria e na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para serem aprovados, e cujo início pode ocorrer já em 2011. São eles: estudos culturais, sistema de informação, movimentos sociais de transformação do meio ambiente, têxtil e moda e desenvolvimento humano.

Complexidade
De acordo com o professor Carlos de Brito Pereira, os físicos foram os criadores dos sistemas complexos: uma vez modelados no computador, interagem com outras áreas. “As cadeias alimentares, por exemplo, são complexas. Se você retira uma espécie da natureza, o que acontece? Modelos preveem isso”, explica, referindo-se aos fenômenos que ninguém espera que aconteça, mas têm grande impacto no sistema. O físico faz um modelo no computador e precisa de informações sobre o comportamento dos agentes daquele sistema. É aí que entram os dados fornecidos por um especialista de outra área. A intenção é modelar essa estrutura matematicamente e fazer a simulação no computador. Trata-se, portanto, de um programa de pós-graduação interdisciplinar, que busca misturar físicos com engenheiros, economistas, biólogos, sociólogos, historiados, administradores, entre outros.

Para estudar sistemas complexos, o aluno não pode ter barreiras ou preconceitos com estatística ou modelos matemáticos. A idéia é formar profissionais treinados para pensarem de forma flexível. A pessoa deve ter interesse em investigar áreas sem medo de usar métodos estatísticos e de computadores avançados, ou seja, não pode fugir dos números e tem de ser curiosa por natureza. Estudos cruzados entre várias áreas podem resultar em pesquisas sobre moda e inovação, sobrevivência de candidatos na política, relação entre epidemias e economia, grupos sociais e disseminação de doenças (como a obesidade) e um sem fim de possibilidades.

Saindo de lá, o profissional estará apto para atuar tanto na área acadêmica, como pesquisador, quanto no mercado. Os instrumentos usados na pesquisa em sistemas complexos são aplicáveis em gestão pública, gestão ambiental, modelos políticos e epistemiológicos, e até no mercado financeiro e na moda.

“Como é uma aplicação de métodos, as áreas em que se pode trabalhar são bastante amplas. Depende da escolha da área da pesquisa”, diz André Martins, presidente da Comissão de Pós-Graduação e Pesquisa da EACH. O importante, para ele, é que o pesquisador de outras áreas saiba usar as ferramentas para modelar.

Com isso, pode entender o que poderia acontecer em determinado mercado, ambiente, momento político, grupo de opiniões etc. No entanto, o resultado desses estudos ainda são poucos usados na prática. “É algo que está começando. Essa aplicação de métodos matemáticos em problemas biológicos e sociais começa a ter um pouco mais de sucesso agora, no sentido de explicar o fenômeno e não só de medir”, explica Marins. Segundo ele, a criação de modelos tem se intensificado no mundo inteiro e a tendência é que os especialistas sejam capazes de lidar com problemas reais. Quem sabe, no futuro próximo, o trânsito seja algo mais previsível.

As inscrições estarão abertas de 18 de janeiro a 26 de fevereiro. A prova de seleção será em 6 de março. A divulgação do resultado da prova será em 12 de março, e o período de matrícula será de 15 a 19 de março. O início das aulas será no dia 22 de março.

Mais informações: (11) 3091-1037, email grife@usp.br, site http://each.uspnet.usp.br/sistemascomplexos/


Palavras chave
EACH, estatística, métodos matemáticos, pós-graduação de modelagem de sistemas complexos, sistemas complexos

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ESCOLA DA COMPLEXIDADE - (construíndo uma "sinapse virtual". Postei lá um link para cá).

"É preciso substituir um pensamento disjuntivo e redutor por um pensamento do complexo, no sentido originário do termo complexus: o que é tecido junto. ..."

MORIN, Edgar

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