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DUNA

Para conversar sobre a série DUNA de Frank Herbert

Membros: 13
Última atividade: 11 Maio, 2015

POR QUE UM GRUPO SOBRE A SÉRIE DUNA NA ESCOLA-DE-REDES

Você pode ler a saga inteira de Frank Herbert clicando nos links abaixo:

Frank Herbert (1965): Duna

Frank Herbert (1969): O Messias de Duna

Frank Herbert (1976): Os Filhos de Duna

Frank Herbert (1981): O Imperador-Deus de Duna

Frank Herbert (1984): Os Hereges de Duna

Frank Herbert (1985): As Herdeiras de Duna

Por que abri mais este grupo na E=R? Será que tem a ver com nosso assunto? Abaixo a justificativa tirada do blogpost TRIBUTO A FRANK HERBERT.

Conheci o famoso "Duna" (1965) de Frank Herbert apenas em 1987. De lá para cá, não parei de ler - repetidamente - todos os seis livros da série, que foi interrompida em 1985 com a morte do autor (+1986).

Cada vez que leio Herbert, descubro mais e mais coisas interessantes. Em parte, minha compreensão das redes sociais, devo-a a ele. Sobretudo a uma frase - uma pérola do segundo livro da série, "O messias de Duna" (1969) - que não me canso de citar: "Não reunir é a derradeira ordenação".

Agora, relendo, pela terceira ou quarta vez, "Os filhos de Duna" (1976) - o terceiro da série - me deparo com um diálogo em que Leto (filho de Paul Atreides que se transmutaria no Imperador-Deus de Duna) diz: "Nós seremos um ecossistema em miniatura... Seja qual for o sistema que um animal escolha para sobreviver, deve basear-se num padrão de comunidades interligadas, interdependentes, trabalhando juntas para o objetivo comum que é o sistema". Ora, o que é isso senão uma poderosa antevisão do que agora chamamos de sustentabilidade (de um ponto de vista sistêmico)? E o que é isso senão um entendimento profundo da dinâmica de rede que nos permite afirmar, como fiz em 2008, sem ter consciência dessa passagem (que, por certo, já havia lido) que "tudo que é sustentável tem o padrão de rede"?

Herbert escreveu uma série ecológica. Mas ele sabia - ao contrário dos ambientalistas atuais, que pensam em salvar o planeta fazendo proselitismo e emprenhando as pessoas pelo ouvido - que nada disso depende do que se chama de consciência. Como epígrafe de um dos capítulos de "Os filhos de Duna", ele colocou na boca de Harq al-Ada, cronista do Jihad Butleriano (a guerra ludista contra as máquinas inteligentes):

"O pressuposto de que todo um sistema pode ser levado a funcionar melhor através da abordagem de seus elementos conscientes revela uma perigosa ignorância. Essa tem sido freqüentemente a abordagem ignorante daqueles que chamam a si mesmos de cientistas e tecnólogos".

Aprendi mais política com Frank Herbert do que na minha longa incursão pelos clássicos. No livro Alfabetização Democrática (2007) indiquei a leitura da série Duna como parte de um programa de aprendizagem em democracia. Reproduzo a passagem:

"Existem também algumas obras de ficção que ajudam a compreender a natureza e perceber as manifestações – explícitas ou implícitas – do poder vertical. Pouca gente se dá conta de que é possível aprender mais sobre política democrática lendo atentamente esses livros do que estudando volumosos tratados teóricos sobre política. Para quem está interessado na "arte" da política democrática é importantíssimo ler, por exemplo, a série de livros de Frank Herbert, que se inicia com o clássico "Duna". Um curso prático de política democrática deveria recomendar a leitura dos seis volumes que compõem essa série: Dune (1965), Dune Messiah (1969), Children of Dune (1976), God Emperor of Dune (1981), Heretics of Dune (1984) e Chapterhouse: Dune (1985). Herbert faleceu em 1986, quando estava trabalhando no sétimo volume da série. Seus livros foram publicados no Brasil pela Nova Fronteira, com os respectivos títulos: Duna, O Messias de Duna, Os Filhos de Duna, O Imperador-Deus de Duna, Os Hereges de Duna e As Herdeiras de Duna. Um bom - e além de tudo prazeroso – exercício de formação política seria tentar desvendar Duna, do ponto de vista daquelas manifestações do poder vertical que se contrapõem à prática da democracia - quer dizer, das atitudes míticas diante da história, sacerdotais diante do saber, hierárquicas diante do poder e autocráticas diante da política – realizando explorações nesse maravilhoso universo ficcional de Frank Herbert".

Herbert parecia saber que a chave para a formação da pessoa como ser singular - e não como mais um indivíduo de um rebanho, mera reprodução de um sistema de dominação - está na desobediência. Um ghola (ao contrário de um clone) só poderia ser despertado dessa forma. Mas um diálogo entre um ghola Duncan Idaho e o bashar Miles Teg, em "Os hereges de Duna" (1984) dá uma pista de que a desobediência deve ser aprendida, não pode ser ensinada:

" - E o que vocês esperam que eu faça?

- Você já sabe.

- Não, não sei. Por favor, ensine-me!

- Você fez muitas coisas sem precisar que o ensinassem a fazê-las. Será que lhe ensinamos a desobediência?"


Ao escrever o Desobedeça (2010) talvez tenha sido inconscientemente influenciado por essa passagem de Herbert. E agora, que estou trabalhando no meu novo livro "Fluzz: vida humana e convivência social nos novos mundos altamente conectados do terceiro milênio", ainda estou sob tal influência. Reproduzo um trecho já rascunhado da introdução do novo livro:

"Nos novos mundos altamente conectados do terceiro milênio, vida humana e convivência social se aproximarão a ponto de revelar os “tanques axlotl” onde somos gerados como seres propriamente humanos. Todos compreenderemos a nossa natureza de “gholas sociais”.

Os tanques onde somos formados como pessoas são clusters, regiões da rede social a que estamos mais imediatamente conectados.

Um tipo especial de ghola: não um clone de um indivíduo, mas um “clone” de uma configuração de pessoas. Toda pessoa, já dizia Novalis em 1798, é uma pequena sociedade; quer dizer, pessoa já é rede! Pessoa é um ente cultural que replica uma configuração. É um ghola social".


No universo ficcional de Duna, os tanques axlotl são mulheres tleilaxu que sofreram um coma cerebral químico induzido, a par de outras intervenções genéticas, para servir como usina de gholas. Os Tleilaxu (ou Bene Tleilax) são uma sociedade fechada de religiosos altamente avançados tecnologicamente, em especial em engenharia genética. Meio assustador, por certo. Mas para entender esse universo de Herbert é preciso ler as camadas da sua escritura: literal, alegórica ou metafórica, simbólica ou até, quem sabe, um pouco mais do que isso.

Como qualquer pessoa que consegue realmente libertar a imaginação, Frank Herbert acaba roçando nos padrões ocultos que estão, por assim dizer, por trás das manifestações visíveis. Sobre isso, aliás, já havia escolhido, para epígrafe do livro que ainda não consegui terminar - "A Rede: Explorações no multiverso das conexões ocultas que configuram o que chamamos de social" - uma outra passagem de Herbert, também de "Os filhos de Duna" (1976):

"E naquele instante ele viu o planeta inteiro: cada vila, cada cidade, cada metrópole, os lugares desertos e os lugares plantados. Todas as formas que se chocavam em sua visão traziam relacionamentos específicos de elementos interiores e exteriores. Ele via as estruturas da sociedade imperial refletidas nas estruturas físicas de seus planetas e de suas comunidades. Como um gigantesco desdobramento dentro dele, ele via nessa revelação o que ela devia ser: uma janela para as partes invisíveis da sociedade. Percebendo isso, notou que todo sistema devia possuir tal janela. Mesmo o sistema representado por ele mesmo e o universo. Começou a perscrutar as janelas, como um voyeur cósmico."

Bem, este tributo é apenas uma nota introdutória à aventura, muito prazerosa para mim, de explorar o universo ficcional de Frank Herbert.

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TODOS OS LIVROS DA SAGA DUNA

Retirado de Danienlared.Aqui teneis un listado actualizado de todo lo publicado (o que proximamente lo sera) dentro de la saga creada por Frank…Continuar

Iniciado por Augusto de Franco 22 Maio, 2010.

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Comentário de Alex Almeida em 8 julho 2013 às 12:45

O filme é, como sempre, infinitamente inferior ao livro.

A Série é mais completa pois tem mais tempo para mostrar a chegada de Paul e familia em Duna.

De qualquer forma, os livros são imperdíveis.

Comentário de Antonio Carlos P. de Siqueira em 7 julho 2013 às 10:56

Assisti ao primeiro filme da série há cerca de 20 anos. Cada vez que assisto a esse filme aprendo algo novo. Realmente é um universo muito bem elaborado.

Vou ler os outros livros da série.

Comentário de Alex Almeida em 5 julho 2013 às 23:26

Duna é uma aula de sociologia imaginativa do autor !

A série foi fundamental para minha formação quando jovem. 
Lendo seu post me fez considerar a possibilidade de relê-los.

Comentário de Claudio Estevam Próspero em 26 julho 2010 às 19:32
Olhem o que achei (na minha opinião é o Augusto, sem tirar nem por):

Pai da Pátria ou da Nação é um termo usado por vários países para descrever a um líder político ou simbólico visto como uns pai fundador da nação. Costuma ser uma figura finque na história nacional cujo percebido heroísmo e autoridade moral fazem dele uma fonte de inspiração patriótica digna de respeito e veneração. Sua imagem é com freqüência elevada à categoria de símbolo nacional]] e é muito provável que se mostre em artigos tais como bilhetes e selos. Em alguns países estabelece-se também um culto à personalidade.

O antigo Senado Romano confería os títulos oficiais da antiga República de Roma, entre eles a honra do título de Pater Patriae (termo latino para designar ao Pai da Pátria), que entregava a seus cidadãos mais veteranos.
Os mais famosos poseedores desse título foram os imperadores romanos, ainda que o primeiro em contar com este título foi o grande orador e senador Marco Tulio Cicerón por evitar a conspiração de Catilina durante seu consulado no 63 AC. Também foi entregue a Julio César ainda que um imperador chegou a recusar este título, como Tiberio, este último acontecimento não evitou que muitos imperadores contassem com esse título como um entre os muitos concedidos a (e/ou adoptados por) suas pessoas.

Poucos países têm em sua história "pais fundadores da nação" aos que se tenha outorgado oficialmente o título de "pai da nação"; por outro lado, as investigações históricas ou as diversas etapas históricas de um país contradizem com freqüência a crença geral. Durante seu período de comando na União Soviética, por exemplo, Iósif Stalin apresentou-se como uma figura paternal e fundamental no desenvolvimento do país simultaneamente de Vladimir Lenin. A estima na qual o sustentaram era tal que a notícia de sua morte provocou uma onda de suicídios. Passados somente em alguns anos, no entanto, escala-a de sua repressão começou a ser evidente, conduzindo a ser denunciada por seu sucessor Nikita Jrushchov e ao retiro de seu corpo do mausoleo em onde tinha sido posta junto a Lenin, seu precursor e fundador da União Soviética.

Outro exemplo é Éamon de Valera, três vezes chefe de governo na República da Irlanda. Muitos irlandeses viram-no como «Pai da Nação», mas uma reevaluación de sua reputação desde os anos 1980 tem posto o foco de atenção em outro líder como Michael Collins.

Por sua vez, Simón Bolívar, ao libertar a seis nações americanas (Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru e Panamá) é muitas vezes visto por estes países como o Pai da Pátria

REDIRECT Plantilla:Cita requerida, especialmente por parte dos dois primeiros, onde o sentimento bolivariano está mais presente e a figura do Libertador é mais venerada e respeitada.

Pai da Nação é o título oficial dado a Mahatma Gandhi na Índia]] (राष्ट्रपिता) e a Sun Yat-sen em República da China|Taiwán]] (國父).

O rascunho da constituição do Afeganistão em 2003, elaborada baixo presidência de Hamid Karzai, concedeu explicitamente o título de pai da nação» ao rei deposto do Afeganistão, Mohammed Zahir Shah.

Listagem por nações

http://pt.wikilingue.com/es/Pai_da_P%C3%A1tria

Augusto: apelo para seu bom humoe e espírito esportivo - não me mande "catar coquinhos" por esta ....

Abraços.

Claudio
Comentário de Claudio Estevam Próspero em 26 julho 2010 às 19:20
Car@s, boa noite.

Postei uma pesquisa, Wikipédia, sobre o universo de Duna, de Frank Herbert, em:

Duna - Ficção que explora as complexas interações entre política, r...

http://mitologiasdegaia.blogspot.com/2010/07/duna-ficcao-que-explor...

[com o devido link para cá]

Uma homenagem aos 5.000 na E=R, através deste universo ficcional tão caro ao Augusto, o Pai Fundador (rs rs rs) deste nosso multiverso de conexões.

Parabéns a todos nós.

Um abraço.

Claudio
 

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