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CONNECTED

Grupo para estudar e comentar o livro "Connected" de Nicholas Christakis e James Fowler (2009)

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Última atividade: 8 Abr

CONNECTED - O PODER DAS CONEXÕES


Eis a tradução brasileira do livro Connected de Nicholas Christakis e James Fowler (Little, Brown and Company: 2009).

CHRISTAKIS, Nicholas & FOWLER, James (2009): Connected: o poder das conexões

No Brasil o título ficou assim: O poder das conexões: a importância do networking e como ele molda nossas vidas (Rio de Janeiro: Elsevier, 2010). A tradução é de Edson Furmankiewicz.

CONNECTED

Nicholas Christakis & James Fowler (2009)

Prefácio

AS REDES SOCIAIS SÃO DE estranha beleza. Elas são tão elaboradas e complexas - na verdade, tão onipresentes - que devemos perguntar a qual objetivo servem. Por que estamos integrados a ela? Como se formam? Como funcionam? Como nos afetam?

Eu (Nicholas) me inspirei nessas questões por boa parte dos últimos dez anos. Comecei me interessando pela rede social mais simples de todas: um par de pessoas, uma díade. Inicialmente, as díades que estudei eram maridos e esposas. Como médico, atendendo doentes terminais e suas famílias, percebi os sérios danos que a morte de uma pessoa inflige ao cônjuge. Ao longo de tempo, me interessei em como uma doença em uma pessoa poderia causar doenças em outra. Parecia para mim que, se as pessoas estivessem interconectadas, sua saúde também deveria estar. Se uma esposa ficar doente ou morrer, o risco de morte de seu marido seguramente aumentará. Por fim, comecei a perceber que havia todo tipo de díade que eu poderia estudar, como pares de irmãos ou pares de amigos ou pares de vizinhos que estão conectados (não separados) pelo muro de um quintal.

Mas o cerne intelectual da questão não estava nessas estruturas simples. Em vez disso, a compreensão fundamental era a de que essas díades se agregavam para formar teias enormes de laços que iam muito mais longe. A esposa de um homem tem uma melhor amiga que tem um marido que tem um colega de trabalho que tem um irmão que tem um amigo e assim por diante. Essas cadeias se ramificam como raios, formando padrões intrincados por toda a sociedade humana. A situação, aparentemente, era muito mais complexa. Sempre que nos afastamos de um indivíduo em uma rede social, o número de laços com outros seres humanos e a complexidade da ramificação aumentam muito, muito rapidamente. À medida que refletia sobre esse problema, comecei a ler o trabalho de outros cientistas sociais, de solitários estudiosos alemães na virada do século XX a sociólogos visionários nos anos 1970, que tinham estudado redes sociais que variavam de 3 a 30 pessoas. Mas meu interesse eram redes sociais de 3 mil, 30 mil ou mesmo 3 milhões de pessoas.

Percebi que, para estudar coisas com esse nível de complexidade, eu faria melhor progresso se trabalhasse com outro pesquisador. Como se constatou mais tarde, James Fowler, também da Harvard, estudava redes de uma perspectiva completamente diferente. James e eu não nos conhecíamos, apesar de trabalharmos em edifícios vizinhos no mesmo campus havia vários anos. Em 2002, fomos apresentados por um colega comum, o cientista político Gary King. Em outras palavras, iniciamos nossa jornada como amigos de um amigo. Gary achava que poderíamos ter interesses intelectuais comuns, e ele estava certo. Na verdade, o simples fato de termos nos conhecido em virtude de nossa rede social ilustra a questão essencial que queríamos demonstrar: como e por que as redes sociais operam e quanto elas nos beneficiam.

James tinha passado alguns anos estudando a origem das convicções políticas das pessoas e examinando como a tentativa de uma pessoa de resolver um problema social ou político influenciava outras. Como os seres humanos se reúnem para realizar aquilo que não podem fazer sozinhos? Ele compartilhou interesses por outros temas que foram essenciais na história: altruísmo e bondade, ambos fundamentais para que as redes sociais cresçam e sobrevivam.

Juntos, à medida que começamos a pensar na idéia de que as pessoas estão conectadas em vastas redes sociais, percebemos que a influência social não termina com as pessoas que conhecemos. Se influenciarmos nossos amigos, e eles influenciarem seus amigos, nossas ações podem, então, potencialmente, influenciar as pessoas que não conhecemos. Começamos estudando vários efeitos sobre a saúde. Descobrimos que se o amigo do amigo de seu amigo ganhou peso, você ganhou peso. Descobrimos que se o amigo do amigo de seu amigo parou de fumar, você parou de fumar. Descobrimos que se o amigo do amigo de seu amigo tornou-se feliz, você tornou-se feliz.

Com o tempo, percebemos que havia regras fundamentais que regulamentavam tanto a formação quanto a operação das redes sociais. Concluímos que, se íamos estudar a maneira como as redes funcionavam, também teríamos de entender como são montadas. Não é possível, por exemplo, viver absolutamente sozinho. As pessoas são compelidas pela geografia, pelo status socioeconômico, pela tecnologia e mesmo por genes para que tenham certos tipos de relacionamentos sociais e certo número deles. O segredo para entender as pessoas é entender os laços entre elas; conseqüentemente, nosso foco passou a ser esses laços.

Nosso interesse por esses temas correspondia aos interesses de muitos outros pesquisadores que promoveram a matemática e a ciência das redes ao longo dos últimos dez anos. À medida que começamos a estudar as conexões humanas, encontramos engenheiros estudando redes de centrais elétricas, neurocientistas estudando redes de neurônios, geneticistas estudando redes de genes e físicos estudando redes de praticamente tudo. As redes desses pesquisadores também poderiam ser interessantes, pensamos, a a nossa era muito mais: muito mais complicada e muito mais significativa, afinal, os nós em nossas redes são seres humanos que pensam. Eles podem tomar decisões, mudar potencialmente suas redes mesmo quando incorporados a elas, e ser influenciados por elas. Uma rede de seres humanos tem um tipo de vida próprio.

Assim como os cientistas, que se interessam pela beleza subjacente e pelo poder explicativo das redes, a maioria das pessoas também pensa sobre elas. Isso basicamente se deve ao surgimento da internet nos lares, que deu a todo mundo a noção de como várias coisas podem estar interconectadas. As pessoas começaram a falar coloquialmente de "Net" e, por fim, em "World Wide Web" (sem mencionar o filme "Matrix", sucesso de bilheteria). Elas começaram a perceber que estavam tão interconectadas quanto seu computadores. Essas conexões tornaram-se tão explicitamente sociais que hoje quase todo mundo está familiarizado com os sites de redes sociais, como Facebook e MySpace.

À medida que estudamos as redes sociais mais profundamente, começamos a pensar nelas como um tipo de superorganismo humano. Elas crescem e evoluem. Tudo flui e se move dentro delas. Esse superorganismo tem sua própria estrutura e uma função, e nos tornamos obcecados em entender ambas.

Ao nos vermos como parte de um superorganismo, entendemos nossas ações, escolhas e experiências sob uma nova luz. Se formos afetados por nossa incorporação às redes sociais e também por outras pessoas com as quais estamos ou não intimamente ligados, perdemos necessariamente parte do poder em relação a nossas próprias decisões. Essa perda do controle pode provocar reações especialmente fortes quando as pessoas descobrem que seu vizinhos, ou mesmo estranhos, podem influenciar comportamentos e resultados que têm implicações morais e repercussões sociais. Mas o outro lado dessa compreensão é que as pessoas podem transcender a elas mesmas e suas próprias limitações. Neste livro, defendemos que nossa interconexão não é apenas parte natural e necessária de nossas vidas, mas também uma força que veio para ficar. Assim como cérebros podem fazer coisas que nenhum neurônio individual pode, também as redes sociais podem fazer coisas que nenhum indivíduo pode.

Há décadas, ou mesmo séculos, preocupações humanas sérias, por exemplo, se uma pessoa irá viver ou morrer, será rica ou pobre ou agirá justa ou injustamente, foram reduzidas a um debate sobre responsabilidade individual versus coletiva. Cientistas, filósofos e os que estudam a sociedade geralmente se dividem em duas áreas: aquelas que acham que indivíduos têm controle sobre seus destinos e aqueles que acreditam que as forças sociais (variando da falta da boa educação pública até a presença de um governo corrupto) são responsáveis pelo que nos acontece.

Mas achamos que há um terceiro fator não mencionado nesse debate. Dadas as nossas pesquisas e nossas diversas experiências de vida - desde encontrar nossos cônjuges, encontrar um ao outro, cuidar de pacientes terminais até construir latrinas em aldeias pobres - acreditamos que nossas conexões com outras pessoas são o que há de mais importante, e que, ao vincular o estudo de indivíduos ao estudo de grupos, a ciência das redes sociais pode explicar muito sobre a experiência humana. Este livro focaliza nossos laços com outras pessoas e como estes influenciam emoções, sexo, saúde, política, situação financeira, evolução e tecnologia. Mas ele trata, principalmente, do que nos torna singularmente humanos. Para saber quem somos, devemos entender como estamos conectados.


Eis vídeo onde Christakis e Fowler explicam o seu Connected:

Eis a série de apresentações elaboradas pelos autores:
CHRISTAKIS, Nicholas & FOWLER, Janes (2009): Connected (Apresentação em PPT do livro em 9 partes) | 1 - In the Thick of It | Introduction | 2 - When You Smile, The World Smiles with You | Emotions | 3 - Love the One You're With | Love and Sex | 4 - This Hurts Me as Much as It Hurts You | Health | 5 - The Buck Starts Here | Money | 6 - Politically Connected | Politics | 7 - It's in Our Nature | Evolution | 8 - Hyperconnected | Technology | 9 - The Whole Is Great | Conclusion

 

 

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Tags: redes, verticais, religiosas, comunidades, religião

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Comentário de Taivan Steckling Muller em 3 setembro 2013 às 4:47

Obrigado Luiz, fiz a tentativa mas não consegui denovo neste link! Mas acabei encontrado outro com uma qualidade boa até! Não sei qual o procedimento, ainda sou novo na rede, mas caso alguém tenha interesse posso disponibilizar o arquivo!! 

Comentário de Luiz de Campos Jr em 2 setembro 2013 às 16:41

Taivan, não é a melhor versão, mas este está funcionando...
http://migre.me/lYbK

Comentário de Taivan Steckling Muller em 30 agosto 2013 às 9:51

Não consigo acesso ao livro! o link ainda está funcionando?

Comentário de Sonia Beth em 12 setembro 2012 às 21:08

Boa noite, 

O prefácio deste livro me fez lembrar de um comentário de minha mãe (93 anos) : sua mãe , minha avó,  benzedeira, procurava tratar sempre do casal, mesmo se somente um trouxesse a queixa. 

Comentário de Augusto de Franco em 21 dezembro 2011 às 4:21

FOWLER, James & CHRISTAKIS, Nicholas (2008). Dynamic spread of hapiness in a large social network

Comentário de Augusto de Franco em 17 fevereiro 2011 às 5:36
CHRISTAKIS, Nicholas & FOWLER, James (2009): Connected: o poder das conexões (nova digitalização)

Comentário de Luís Eduardo Teixeira de Macedo em 9 fevereiro 2011 às 16:37
Caros companheiros de grupo, consegui finalmente comprar o meu Connected, pois no Rio andou em falta. Comprei também outros 02 livros do Christakis, escritos antes dele se encantar pelo estudo das redes sociais, quando seu objeto de estudo principal ainda era a terminalidade, os cuidados paliativos e a realização de prognósticos médicos. Engraçado como ele começou a ser despertado pela correlação das redes com a saúde: ao receber um telefonema do amigo do marido da filha de um homem, viuvo recente. A partir daí, ao assistir novos pacientes e seus familiares tentava também entender seus laços sociais.
Comentário de Luis Fernando Guggenberger em 21 junho 2010 às 15:12
Acabo de postar uma matéria sobre o Connected na Revista Época:

http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/um-bom-material-para-r...
Comentário de Luiz de Campos Jr em 19 junho 2010 às 12:47

Obrigado Volney! Não via os arquivos srt pq eles só são visíveis para quem estiver "logado" no dotSUB.

Aí está a versão com a legenda em português incorporada - infelizmente ainda temos um "pequeno" problema com acentos e cedilhas...

O arquivo pode ser baixado (formato AVI, 83Mb) em:
http://www.4shared.com/video/aIt_wy-a/Nicholas_Christakis.html


Comentário de Volney Faustini em 17 junho 2010 às 17:43
Oi Luiz
No link abaixo (vide meu último comentário) - basta cliclar no Port.Br (he he). Vou colocar no meu 4shared também - ok?
 

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