Escola de Redes

Informação

CONNECTED

Grupo para estudar e comentar o livro "Connected" de Nicholas Christakis e James Fowler (2009)

Membros: 76
Última atividade: 25 Nov, 2015

CONNECTED - O PODER DAS CONEXÕES


Eis a tradução brasileira do livro Connected de Nicholas Christakis e James Fowler (Little, Brown and Company: 2009).

CHRISTAKIS, Nicholas & FOWLER, James (2009): Connected: o poder das conexões

No Brasil o título ficou assim: O poder das conexões: a importância do networking e como ele molda nossas vidas (Rio de Janeiro: Elsevier, 2010). A tradução é de Edson Furmankiewicz.

CONNECTED

Nicholas Christakis & James Fowler (2009)

Prefácio

AS REDES SOCIAIS SÃO DE estranha beleza. Elas são tão elaboradas e complexas - na verdade, tão onipresentes - que devemos perguntar a qual objetivo servem. Por que estamos integrados a ela? Como se formam? Como funcionam? Como nos afetam?

Eu (Nicholas) me inspirei nessas questões por boa parte dos últimos dez anos. Comecei me interessando pela rede social mais simples de todas: um par de pessoas, uma díade. Inicialmente, as díades que estudei eram maridos e esposas. Como médico, atendendo doentes terminais e suas famílias, percebi os sérios danos que a morte de uma pessoa inflige ao cônjuge. Ao longo de tempo, me interessei em como uma doença em uma pessoa poderia causar doenças em outra. Parecia para mim que, se as pessoas estivessem interconectadas, sua saúde também deveria estar. Se uma esposa ficar doente ou morrer, o risco de morte de seu marido seguramente aumentará. Por fim, comecei a perceber que havia todo tipo de díade que eu poderia estudar, como pares de irmãos ou pares de amigos ou pares de vizinhos que estão conectados (não separados) pelo muro de um quintal.

Mas o cerne intelectual da questão não estava nessas estruturas simples. Em vez disso, a compreensão fundamental era a de que essas díades se agregavam para formar teias enormes de laços que iam muito mais longe. A esposa de um homem tem uma melhor amiga que tem um marido que tem um colega de trabalho que tem um irmão que tem um amigo e assim por diante. Essas cadeias se ramificam como raios, formando padrões intrincados por toda a sociedade humana. A situação, aparentemente, era muito mais complexa. Sempre que nos afastamos de um indivíduo em uma rede social, o número de laços com outros seres humanos e a complexidade da ramificação aumentam muito, muito rapidamente. À medida que refletia sobre esse problema, comecei a ler o trabalho de outros cientistas sociais, de solitários estudiosos alemães na virada do século XX a sociólogos visionários nos anos 1970, que tinham estudado redes sociais que variavam de 3 a 30 pessoas. Mas meu interesse eram redes sociais de 3 mil, 30 mil ou mesmo 3 milhões de pessoas.

Percebi que, para estudar coisas com esse nível de complexidade, eu faria melhor progresso se trabalhasse com outro pesquisador. Como se constatou mais tarde, James Fowler, também da Harvard, estudava redes de uma perspectiva completamente diferente. James e eu não nos conhecíamos, apesar de trabalharmos em edifícios vizinhos no mesmo campus havia vários anos. Em 2002, fomos apresentados por um colega comum, o cientista político Gary King. Em outras palavras, iniciamos nossa jornada como amigos de um amigo. Gary achava que poderíamos ter interesses intelectuais comuns, e ele estava certo. Na verdade, o simples fato de termos nos conhecido em virtude de nossa rede social ilustra a questão essencial que queríamos demonstrar: como e por que as redes sociais operam e quanto elas nos beneficiam.

James tinha passado alguns anos estudando a origem das convicções políticas das pessoas e examinando como a tentativa de uma pessoa de resolver um problema social ou político influenciava outras. Como os seres humanos se reúnem para realizar aquilo que não podem fazer sozinhos? Ele compartilhou interesses por outros temas que foram essenciais na história: altruísmo e bondade, ambos fundamentais para que as redes sociais cresçam e sobrevivam.

Juntos, à medida que começamos a pensar na idéia de que as pessoas estão conectadas em vastas redes sociais, percebemos que a influência social não termina com as pessoas que conhecemos. Se influenciarmos nossos amigos, e eles influenciarem seus amigos, nossas ações podem, então, potencialmente, influenciar as pessoas que não conhecemos. Começamos estudando vários efeitos sobre a saúde. Descobrimos que se o amigo do amigo de seu amigo ganhou peso, você ganhou peso. Descobrimos que se o amigo do amigo de seu amigo parou de fumar, você parou de fumar. Descobrimos que se o amigo do amigo de seu amigo tornou-se feliz, você tornou-se feliz.

Com o tempo, percebemos que havia regras fundamentais que regulamentavam tanto a formação quanto a operação das redes sociais. Concluímos que, se íamos estudar a maneira como as redes funcionavam, também teríamos de entender como são montadas. Não é possível, por exemplo, viver absolutamente sozinho. As pessoas são compelidas pela geografia, pelo status socioeconômico, pela tecnologia e mesmo por genes para que tenham certos tipos de relacionamentos sociais e certo número deles. O segredo para entender as pessoas é entender os laços entre elas; conseqüentemente, nosso foco passou a ser esses laços.

Nosso interesse por esses temas correspondia aos interesses de muitos outros pesquisadores que promoveram a matemática e a ciência das redes ao longo dos últimos dez anos. À medida que começamos a estudar as conexões humanas, encontramos engenheiros estudando redes de centrais elétricas, neurocientistas estudando redes de neurônios, geneticistas estudando redes de genes e físicos estudando redes de praticamente tudo. As redes desses pesquisadores também poderiam ser interessantes, pensamos, a a nossa era muito mais: muito mais complicada e muito mais significativa, afinal, os nós em nossas redes são seres humanos que pensam. Eles podem tomar decisões, mudar potencialmente suas redes mesmo quando incorporados a elas, e ser influenciados por elas. Uma rede de seres humanos tem um tipo de vida próprio.

Assim como os cientistas, que se interessam pela beleza subjacente e pelo poder explicativo das redes, a maioria das pessoas também pensa sobre elas. Isso basicamente se deve ao surgimento da internet nos lares, que deu a todo mundo a noção de como várias coisas podem estar interconectadas. As pessoas começaram a falar coloquialmente de "Net" e, por fim, em "World Wide Web" (sem mencionar o filme "Matrix", sucesso de bilheteria). Elas começaram a perceber que estavam tão interconectadas quanto seu computadores. Essas conexões tornaram-se tão explicitamente sociais que hoje quase todo mundo está familiarizado com os sites de redes sociais, como Facebook e MySpace.

À medida que estudamos as redes sociais mais profundamente, começamos a pensar nelas como um tipo de superorganismo humano. Elas crescem e evoluem. Tudo flui e se move dentro delas. Esse superorganismo tem sua própria estrutura e uma função, e nos tornamos obcecados em entender ambas.

Ao nos vermos como parte de um superorganismo, entendemos nossas ações, escolhas e experiências sob uma nova luz. Se formos afetados por nossa incorporação às redes sociais e também por outras pessoas com as quais estamos ou não intimamente ligados, perdemos necessariamente parte do poder em relação a nossas próprias decisões. Essa perda do controle pode provocar reações especialmente fortes quando as pessoas descobrem que seu vizinhos, ou mesmo estranhos, podem influenciar comportamentos e resultados que têm implicações morais e repercussões sociais. Mas o outro lado dessa compreensão é que as pessoas podem transcender a elas mesmas e suas próprias limitações. Neste livro, defendemos que nossa interconexão não é apenas parte natural e necessária de nossas vidas, mas também uma força que veio para ficar. Assim como cérebros podem fazer coisas que nenhum neurônio individual pode, também as redes sociais podem fazer coisas que nenhum indivíduo pode.

Há décadas, ou mesmo séculos, preocupações humanas sérias, por exemplo, se uma pessoa irá viver ou morrer, será rica ou pobre ou agirá justa ou injustamente, foram reduzidas a um debate sobre responsabilidade individual versus coletiva. Cientistas, filósofos e os que estudam a sociedade geralmente se dividem em duas áreas: aquelas que acham que indivíduos têm controle sobre seus destinos e aqueles que acreditam que as forças sociais (variando da falta da boa educação pública até a presença de um governo corrupto) são responsáveis pelo que nos acontece.

Mas achamos que há um terceiro fator não mencionado nesse debate. Dadas as nossas pesquisas e nossas diversas experiências de vida - desde encontrar nossos cônjuges, encontrar um ao outro, cuidar de pacientes terminais até construir latrinas em aldeias pobres - acreditamos que nossas conexões com outras pessoas são o que há de mais importante, e que, ao vincular o estudo de indivíduos ao estudo de grupos, a ciência das redes sociais pode explicar muito sobre a experiência humana. Este livro focaliza nossos laços com outras pessoas e como estes influenciam emoções, sexo, saúde, política, situação financeira, evolução e tecnologia. Mas ele trata, principalmente, do que nos torna singularmente humanos. Para saber quem somos, devemos entender como estamos conectados.


Eis vídeo onde Christakis e Fowler explicam o seu Connected:

Eis a série de apresentações elaboradas pelos autores:
CHRISTAKIS, Nicholas & FOWLER, Janes (2009): Connected (Apresentação em PPT do livro em 9 partes) | 1 - In the Thick of It | Introduction | 2 - When You Smile, The World Smiles with You | Emotions | 3 - Love the One You're With | Love and Sex | 4 - This Hurts Me as Much as It Hurts You | Health | 5 - The Buck Starts Here | Money | 6 - Politically Connected | Politics | 7 - It's in Our Nature | Evolution | 8 - Hyperconnected | Technology | 9 - The Whole Is Great | Conclusion

 

 

Fórum de discussão

Quando você ri o mundo ri com você

A demonstrar como certas emoções são transmitidas pela rede social, em virtude dos fenômenos da interação, os autores deste livro pontuaram um capítulo com o nome "Quando você ri o mundo ri com…Continuar

Iniciado por Rafa Almeida 12 Ago, 2013.

Disconnected? 1 resposta 

http://www.slate.com/id/2298208We've heard that obesity and divorce can be passed from one person to another. Critics now wonder how the "social…Continuar

Iniciado por Augusto de Franco. Última resposta de Alexandre Odainai 29 Set, 2011.

Deus está nas redes sociais? 3 respostas 

"Há uma crescente evidência de que tanto a religião quanto a inclinação de formar redes sociais fazem parte de nossa herança biológica e que as duas possam estar relacionadas. A religião é um meio de…Continuar

Tags: redes, verticais, religiosas, comunidades, religião

Iniciado por Cíntia Santana. Última resposta de Cíntia Santana 2 Mar, 2011.

Caixa de Recados

Comentar

Você precisa ser um membro de CONNECTED para adicionar comentários!

Comentário de Luiz de Campos Jr em 17 junho 2010 às 16:47

Oi Volney,
Desculpe, eu não entendi.
Onde temos o arquivo srt disponível?

Comentário de Volney Faustini em 17 junho 2010 às 12:11
Não precisa Luiz,
O arquivo srt já está com a legenda no timing certo.
Basta juntar os dois.
http://dotsub.com/view/249d6c23-2a6f-4cd6-bf7c-855f6e34ed50
Comentário de Luiz de Campos Jr em 17 junho 2010 às 11:48

Quem quer colaborar?

O arquivo do vídeo pode ser baixado aqui:
http://www.4shared.com/video/z-gPAKkc/Christakis_Redes.html

A tradução oficial está aqui:
NicholasC_tedtalks.doc

Podíamos dividir em partes e inserir legendas com o MovieMaker e depois juntar novamente...

Abs, Luiz.

Comentário de Augusto de Franco em 17 junho 2010 às 8:38
Caro Luis e caro Volney,
precisamos colocar esse vídeo com legendas em português no Youtube. O Vimeo não permite download com legenda. Isso, em alguns casos, inviabiliza o uso do material com fins educacionais.
Forte abraço.
Comentário de Luiz de Campos Jr em 16 junho 2010 às 22:09


Comentário de Volney Faustini em 16 junho 2010 às 21:30
Já subimos no TED a legenda do seu talk - voce pode assistir aqui:

http://www.ted.com/talks/lang/por_br/nicholas_christakis_the_hidden...
Comentário de Mariana Oliveira em 31 maio 2010 às 8:11
TED E=R, boa! :D
Comentário de Augusto de Franco em 31 maio 2010 às 6:08
Vamos andando aqui de qualquer modo, no nosso TED E=R.
Comentário de Luiz de Campos Jr em 30 maio 2010 às 17:57

Oi Mariana, Augusto e tod@s.

Reli o texto e modifiquei um ou outro detalhe (abaixo segue o resultado), mas creio que ainda cabem contribuições!

Entrei na comunidade TED, mas a palestra do Christakis aparece como "em processo de tradução", ficando assim indisponível para envio de contribuições no momento...

Abraços, Luiz CJr.

------------------------

Nicholas Christakis: A influência oculta das redes sociais

Para mim, essa história começa há 15 anos, quando eu era médico no hospital da Universidade de Chicago. E eu estava cuidando de pessoas em estado terminal e suas famílias, no South Side de Chicago. Observava o que acontecia com as pessoas e suas famílias ao longo de sua doença terminal. E no meu laboratório, eu estava estudando o "efeito viuvez", que é uma idéia muito antiga nas ciências sociais, que remonta a 150 anos, conhecida como "morrer de coração partido." Quer dizer, se eu morro, o risco de morte da minha esposa pode, por exemplo, dobrar no primeiro ano. E eu tinha ido cuidar de uma paciente em particular, uma mulher que estava morrendo de demência. E, neste caso, diferente de um casal, ela estava sendo cuidada por sua filha. E a filha estava exausta de cuidar de sua mãe. E o marido da filha também estava doente pela exaustão de sua esposa. E eu estava dirigindo para casa um dia e recebi um telefonema do amigo do marido, porque estava deprimido com o que estava acontecendo com seu amigo. Assim, recebi um telefonema de um cara aleatório que está tendo uma experiência que estava sendo influenciada por pessoas com as quais mantinha alguma distância social.

E assim de repente eu percebi duas coisas muito simples. Em primeiro lugar, o efeito viuvez não estava restrito aos maridos e esposas. E segundo, não se restringia aos pares de pessoas. Então comecei a ver o mundo de uma maneira totalmente nova, como pares de pessoas ligadas umas às outras. Por sua vez, estes indivíduos estariam ligados em quartetos, com outros pares de pessoas próximas. E então, na verdade, essas pessoas estavam envolvidas em outros tipos de relacionamentos, maritais, conjugais, de amizade e outras espécies de vínculos. E que, de fato, estas ligações eram vastas e que estamos todos incorporados neste amplo conjunto de ligações uns com os outros. Desta forma, eu comecei a ver o mundo de uma maneira completamente nova e me tornei obcecado com isso. Eu me tornei obcecado com o como e quão fortemente estamos inseridos nessas redes sociais e como eles afetam nossas vidas. Assim, as redes sociais são estas coisas de intricada beleza, e são tão elaboradas, tão complexas e tão onipresentes que, na verdade, se tem que perguntar para que servem. Por que estamos inseridos em redes sociais? Quero dizer, como eles se formam? Como elas funcionam? E como elas nos afetam?

E assim o meu primeiro tópico, com relação a isso, não foi a morte, mas a obesidade. E, de repente, tornou-se moda falar sobre a epidemia da obesidade. E, junto com meu colaborador, James Fowler, começamos a nos perguntar se a obesidade era realmente epidêmica e se poderia se espalhar de pessoa para pessoa, como as quatro pessoas que eu mencionei anteriormente. Então este é um slide de alguns dos nossos resultados iniciais. É de 2.200 pessoas no ano de 2000. Cada ponto é uma pessoa. Tornamos o tamanho do ponto proporcional ao tamanho corporal da pessoa. Assim, os pontos maiores são as pessoas maiores. Então, além disso, se o tamanho do seu corpo, se o seu IMC - o índice de massa corpórea - for acima de 30, se você estiver clinicamente obeso, também colorimos os pontos de amarelo. Então, se você olhar para esta imagem, de imediato você pode ver que existem grupos de indivíduos obesos e não obesos na imagem. Mas a complexidade visual é ainda muito elevada. Não é óbvio o que está acontecendo exatamente. Além disso, algumas questões são imediatamente levantadas. Como quão agrupado está? Há mais agrupamentos do que seria devido apenas ao acaso? Qual é o tamanho dos agrupamentos? Quais são seus alcances? E, mais importante, o que provoca os agrupamentos?

Então, fizemos alguns cálculos para estudar o tamanho destes clusters. Esta aqui mostra, no eixo Y, o aumento da probabilidade de que se uma pessoa é obesa, algum outro elemento de sua rede social também é obeso. No eixo X, os graus de separação entre as duas pessoas. E, no canto esquerdo, você verá a linha roxa, que diz que, se seus amigos são obesos, o seu risco de obesidade é de 45%. E a linha seguinte, a laranja, diz que, se amigo de seus amigos são obesos, o risco de obesidade é de 25%. E então a próxima linha diz que, se o amigo do amigo do seu amigo - alguém que você provavelmente não conhece - é obeso, o seu risco de obesidade é de 10%. Apenas quando você chegar ao amigo do amigo do amigo do seu amigo é que não há mais relação entre o peso da pessoa e o seu próprio peso.

Bem, o que pode estar causando esse agrupamento? Há pelo menos três possibilidades. Uma delas é a de que, à medida que eu ganho peso, induzo você a ganhar também - uma espécie de propagação de pessoa para pessoa. Outra possibilidade, muito óbvia, é a homofilia, ou aves do mesmo bando. Aqui, vou me relacionar com você porque nós compartilhamos de um tamanho corporal similar. E a última possibilidade é o que conhecemos como confusão, porque confunde a nossa capacidade de descobrir o que está acontecendo. E aqui, a idéia não é que o meu ganho de peso está causando o seu ganho de peso, nem que eu preferencialmente me relacione com você porque nós compartilhamos o mesmo tamanho do corpo, mas sim porque nós compartilhamos um interesse comum por algo – como um SPA - que faz com que nós possamos perder peso ao mesmo tempo.

Quando estudamos esses dados, encontramos evidências para essas coisas, inclusive para a indução. E descobrimos que, se seu amigo se torna obeso, aumenta o risco de obesidade (cerca de 57%) no mesmo período de tempo determinado. E podem existir muitos mecanismos para esse efeito. Uma possibilidade é que seus amigos lhe dizem algo como - você sabe, eles adotam um comportamento que se espalha para você, como "Vamos ter muffins e cerveja", que é uma combinação terrível, mas se você adotar essa combinação poderá começar a ganhar peso como eles. E outra possibilidade mais sutil é que se eles começam a ganhar peso, e isso muda suas idéias do que é um tamanho do corpo aceitável. E, aqui, o que está se espalhando de pessoa para pessoa não é um comportamento, mas sim uma norma. Uma idéia está se espalhando.

Agora, os escritores de manchetes tiveram um dia de campo com os nossos estudos. Eu acho que a manchete do New York Times foi: "Você está acima do peso? Culpe seus amigos gordos". O que nos chamou a atenção foi que as manchetes européias tinham uma opinião diferente, que dizia: "Seus amigos estão ganhando peso? Talvez você seja o culpado." (Risos) E nós pensamos que este era um comentário muito interessante sobre a América, e do tipo de auto-serviço, o fenômeno "não-é-minha-responsabilidade".

Agora eu quero ser muito claro: nós não pensamos que nosso trabalho deveria ou poderia justificar o preconceito contra pessoas de uma ou outra dimensão corporal. Agora, nossa próxima pergunta é: Será que podemos realmente visualizar este comportamento? Foi o ganho de peso em uma pessoa que realmente “se espalhou” para o ganho de peso em outra pessoa? E isso é complicado, porque precisamos levar em conta o fato de que a estrutura da rede e a arquitetura das relações vêm mudando ao longo do tempo. E, além disso, porque a obesidade não é uma epidemia unicêntrica, não há um “paciente zero” da epidemia de obesidade - se nós encontramos este cara, então houve uma disseminação da obesidade dele para os outros. É uma epidemia multicêntrica, muitas pessoas estão fazendo coisas ao mesmo tempo. Eu vou lhes mostrar um vídeo de animação de 30 segundos, que levou James e eu a cinco anos à frente de nossas vidas. E assim, novamente, cada ponto é uma pessoa. Cada laço entre elas é uma relação. E vamos colocar isso em movimento agora, tendo recortes diários para a rede por cerca de 30 anos.

O tamanho destes nós irão crescer. Você verá surgir um mar de amarelo. Você irá ver gente nascer e morrer, os nós vão aparecer e desaparecer. Laços irão se formar e se quebrar. Casamentos e divórcios, amizades e inimizades, muita complexidade, muita coisa está acontecendo apenas nestes últimos trinta anos, o que inclui a epidemia de obesidade. E no final, você vai ver grupos de obesos e não-obesos inseridos na rede. Agora, quando olho para isso, mudei a maneira como vejo as coisas, porque essa rede, que está mudando ao longo do tempo, tem uma memória. Ela se move, o fluxo das coisas tem uma espécie de coerência; as pessoas podem morrer, mas ele não morre, e sim persiste. E tem uma espécie de resistência que lhe permite sobreviver ao longo do tempo.

E assim, comecei a ver esses sinais de redes sociais como coisas vivas, tão vivas que nós poderíamos colocá-las sob uma espécie de microscópio, estudá-las, analisá-las e compreendê-las. Utilizamos uma variedade de técnicas de fazer isso e começamos a explorar todos os tipos de outros fenômenos. Então nós começamos a prestar atenção em comportamentos como tabagismo e alcoolismo, comportamento de voto e divórcio, que podem se espalhar, e no altruísmo. E, finalmente, nós ficamos interessados nas emoções. Quando nós sentimos emoções, nós as mostramos. Por que nós mostramos as nossas emoções? Quer dizer, não seria uma vantagem vivenciar nossas emoções internamente - você sabe, a raiva ou a felicidade-, mas nós não simplesmente sentimos, nós mostramos o que estamos sentindo. E não só eles podem lê-los, como podem copiá-los. Existe um contágio emocional que ocorre nas populações humanas. E então esta função das emoções sugere que, além de quaisquer outros fins, elas são um tipo de forma primitiva de comunicação. E que, de fato, se realmente queremos entender as emoções humanas, precisamos pensá-las desta forma.

Nós estamos acostumados a pensar sobre as emoções desta forma, em simples e breves períodos de tempo. Por exemplo: recentemente eu estava dando esta palestra em Nova York, e eu disse: "Você sabe, é como quando você está no metrô, e as outras pessoas do vagão sorriem para você, e você apenas instintivamente sorri de volta”. E eles olharam pra mim e disseram: "Nós não fazemos isso em Nova York." E eu disse: "Em qualquer outro lugar do mundo, este é o normal do comportamento humano." Essa é uma forma muito instintiva em que nós brevemente transmitimos nossas emoções uns aos outros. E, de fato, o contágio emocional pode ser ainda maior, como podemos exemplificar com expressões de raiva, como em rebeliões. A questão que gostaríamos de fazer é a seguinte: a emoção pode ser disseminada, de maneira mais sustentada do que em tumultos, além de um par de indivíduos sorrindo uns para os outros no vagão do metrô, e sim ao longo do tempo e envolvendo um grande número de pessoas? Talvez haja uma espécie de tumulto silencioso, abaixo da superfície, que nos anima o tempo todo. Talvez haja tumultos emocionais que naveguem através das nossas redes sociais. Talvez, na verdade, as emoções possuam uma existência coletiva, não apenas uma existência individual.

Esta é uma das primeiras imagens que fizemos para estudar este fenômeno. Novamente, uma rede social, mas agora nós marcamos as pessoas felizes em amarelo, as pessoas tristes em azul e em verde as pessoas que estão “mais ou menos. E se você olhar para esta imagem, pode imediatamente ver grupos de pessoas felizes e infelizes, novamente, espalhando-se em três graus de separação. E você pode deduzir que as pessoas infelizes ocupam uma posição estrutural diferente dentro da rede: há uma média e uma vantagem para esta rede, e os infelizes parecem estar localizados nas bordas. Portanto, para invocar outra metáfora, se você imaginar as redes sociais como uma espécie de tecido grande da humanidade - eu sou ligado a você e ela, independentemente da infinita distância - este tecido é realmente como uma colcha de retalhos, felizes e infelizes retalhos. E você ficar feliz ou não, depende, em parte, se você ocupar um retalho feliz.

(Risos)

Portanto, este trabalho com as emoções, que são tão fundamentais, nós fizeram pensar: talvez as causas fundamentais das redes sociais estejam de alguma forma codificadas em nossos genes. Porque as redes sociais, sempre que elas forem mapeadas, vão ter a mesma aparência, uma imagem da rede, mas nunca exatamente iguais. Por que não se parecem com isso? Por que nós não formamos redes sociais que se pareçam com uma grade regular? Bem, os padrões marcantes das redes sociais, sua onipresença e seu propósito aparente pressupõem perguntas: se nós evoluímos para as redes sociais em primeiro lugar, e se evoluímos para formar redes com uma estrutura particular.

Observe, antes de tudo... E assim, para entender isso, porém, precisamos antes dissecar a estrutura da rede. E perceba que todas as pessoas nesta rede têm exatamente a mesma estrutura local como qualquer outra pessoa. Mas isso não é o caso das redes reais. Por exemplo: aqui está uma verdadeira rede de estudantes em uma universidade de elite do Nordeste dos EUA. E agora eu estou destacando alguns pontos: e se você olhar aqui, os pontos, compare o nó B, no canto superior esquerdo, com o nó D na extrema direita. B tem quatro amigos que se ligam a ele, e D e tem seis amigos que se ligam a ele. E assim, os dois indivíduos têm diferentes números de amigos – o que é muito óbvio, todos sabemos isso. Mas alguns outros aspectos da estrutura da rede social não são tão óbvios.

Compare o nó B, no canto superior esquerdo com o nó A no canto inferior esquerdo. E agora ambas as pessoas têm quatro amigos, mas os amigos de A se conhecem entre si, e os amigos de B, não. Assim, um amigo do amigo de A, é novamente um amigo de A, ao passo que um amigo de um amigo de B não é um amigo de B, está mais longe da rede. Isto é conhecido como transitividade nas redes. E, finalmente, compare os nós C e D: ambos têm 6 amigos. Se você conversar com eles, e perguntar: "Qual é a sua vida social”, eles diriam: "Eu tenho seis amigos, essa é a minha experiência social." Mas agora estamos com ponto de vista da águia: olhando para esta rede, você pode ver que eles ocupam diferentes mundos sociais, e eu posso cultivar essa intuição em você apenas lhe perguntando: Quem você preferiria ser se um germe mortal está se espalhando através da rede? Você prefere ser C ou D? Você iria preferir ser D, na borda da rede. E quem você iria preferir ser se um suculento pedaço de fofocas, não sobre você, está se espalhando através da rede? Agora, você preferiria ser C.

Assim, diferentes áreas estruturais têm diferentes implicações para sua vida. E, na verdade, quando fizemos algumas experiências percebendo isto, o que nós encontramos é que 46% da variação em quantos amigos você tem é explicada por seus genes. E isso não é surpreendente: sabemos que algumas pessoas nascem tímidas e alguns nascem participantes, isto é óbvio. Mas também encontramos algumas coisas não-óbvias. Por exemplo, os 47% da variação em que seus amigos se conhecem uns aos outros é imputável a seus genes. Se seus amigos conhecem uns aos outros, não tem apenas a ver com os genes deles, mas com o seu. E nós percebemos que a razão para isso é que algumas pessoas gostam de apresentar seus amigos uns aos outros, você sabe quem você é, e outras pessoas gostam de mantê-los separados, e não introduzem os seus amigos uns aos outros. Assim, algumas pessoas se unem às redes ao redor deles, criando uma espécie de densa teia de relações em que estão confortavelmente encaixados. E, finalmente, percebemos que 30% da variação se as pessoas estão no meio ou na ponta da rede também podem ser atribuídos aos seus genes. Então, se você se encontrar no meio ou na ponta, também é parcialmente hereditário.

Agora, qual é o sentido disso? Como isso nos ajuda a entender? Como isso nos ajuda a descobrir alguns dos problemas que estão nos afetando atualmente? Bem, o argumento que eu gostaria de dizer é que as redes têm valor: elas são uma espécie de capital social. Novas propriedades surgem por causa da nossa inserção em redes sociais, e essas propriedades na estrutura das redes, não apenas nos indivíduos inseridos nelas. Então, pense sobre estes dois objetos comuns. Ambos são feitos de carbono, e ainda assim um deles tem átomos de carbono que estão dispostos de uma maneira particular, à esquerda, e você obtém o grafite, que é macio e escuro. Mas se você pegar os mesmos átomos de carbono e interligá-las de maneira diferente, você tem um diamante, que é claro e duro. E as propriedades de maciez e dureza e escuridão e claridade não residem nos átomos de carbono: elas residem nas interconexões entre os átomos de carbono, ou pelo menos surgem devido às interconexões entre os átomos de carbono. Assim, da mesma forma, o padrão de conexões entre as pessoas confere diferentes propriedades aos grupos de pessoas. É o vínculo entre as pessoas que torna o todo maior que a soma de suas partes. E isso não é apenas o que está acontecendo com essas pessoas que estão perdendo ou ganhando peso, ou tornando-se rico ou pobre, ou tornar-se feliz ou infeliz, isso nos afeta. É também a própria arquitetura dos laços que nos rodeiam.

A nossa experiência do mundo depende da própria estrutura das redes em que estamos e que residem sobre os tipos de coisas que navegam e fluem através da rede. Eu acho que a razão é que os seres humanos se reúnem e formam uma espécie de super organismo. Agora, o superorganismo é uma espécie de coleção de indivíduos que apresentam comportamentos evidenciam ou fenômenos que não são redutíveis ao estudo dos indivíduos e devem ser entendidos por referência e estudados pelo coletivo, como, por exemplo, um enxame de abelhas que está procurando uma nova colméia, ou um bando de pássaros que está fugindo de um predador, ou um bando de pássaros que é capaz de reunir sua sabedoria, voar e encontrar uma partícula de uma ilha no meio do Pacífico, ou uma alcatéia é capaz de derrubar grandes presas. Superorganismos têm propriedades que não podem ser entendidas apenas pelo estudo dos indivíduos. Acho que a compreensão das redes sociais e como se formam e funcionam, pode nos ajudar a compreender, não apenas saúde e emoções, mas todos os tipos de fenômenos como crimes, guerras e fenômenos econômicos, como corridas bancárias, falhas de mercado e adoção da inovação e da disseminação de aprovação do produto.

Agora, olhe para isto. Acho que nós formamos as redes sociais por causa dos benefícios de uma vida ligada superam os custos. Se eu fosse sempre violento com você, ou trouxesse informações falsas, ou fizesse você ficar triste, ou infectasse você com germes mortais, você poderia cortar os laços comigo, e a rede se desintegraria. Assim, a propagação de coisas boas e valiosas é necessária para sustentar e alimentar as redes sociais. Da mesma forma, as redes sociais são necessárias para a propagação de coisas boas e valiosas, como o amor, bondade, felicidade, altruísmo e idéias. De fato, eu acho que se percebermos o quão importantes são as redes sociais, nós gastaríamos muito mais tempo a alimentá-las e sustentá-las, porque eu acho que as redes sociais são fundamentalmente relacionadas com a bondade, e o que eu acho que o mundo precisa agora é de mais conexões.

Obrigado.

Comentário de Mariana Oliveira em 30 maio 2010 às 0:08
Augusto e Luiz, não sei se mais alguém ficou de traduzir a palestra do Nicholas Christakis mas cá está a tradução dos trechos 4 a 19, precisando daquela revisão, é claro! :)


(4) Então, fizemos alguns cálculos para estudar o tamanho destes clusters. Esta aqui mostra, no eixo Y, o aumento da probabilidade de que se uma pessoa é obesa, algum outro elemento de sua rede social também é obeso. No eixo X, os graus de separação entre as duas pessoas. E, no canto esquerdo, você verá a linha roxa, que diz que, se seus amigos são obesos, o seu risco de obesidade é de 45%. E a linha seguinte, a laranja, diz que, se amigo de seus amigos são obesos, o risco de obesidade é de 25%. E então a próxima linha diz que, se o amigo do amigo do seu amigo - alguém que você provavelmente não conhece - é obeso, o seu risco de obesidade é de 10%. Apenas quando você chegar ao amigo do amigo do amigo do seu amigo é que não há mais relação entre o peso da pessoa e o seu próprio peso.

(5) Bem, o que pode estar causando esse agrupamento? Há pelo menos três possibilidades. Uma delas é a de que, à medida que eu ganho peso, induzo você a ganhar também - uma espécie de propagação de pessoa para pessoa. Outra possibilidade, muito óbvia, é a homofilia, ou aves do mesmo bando. Aqui, vou me relacionar com você porque nós compartilhamos de um tamanho corporal similar. E a última possibilidade é o que conhecemos como confusão, porque confunde a nossa capacidade de descobrir o que está acontecendo. E aqui, a idéia não é que o meu ganho de peso está causando o seu ganho de peso, nem que eu preferencialmente me relacione com você porque nós compartilhamos o mesmo tamanho do corpo, mas sim porque nós compartilhamos um interesse comum por algo – como um SPA - que faz com que nós possamos perder peso ao mesmo tempo.

(6) Quando estudamos esses dados, encontramos evidências para essas coisas, inclusive para a indução. E descobrimos que, se seu amigo se torna obeso, aumenta o risco de obesidade (cerca de 57%) no mesmo período de tempo determinado. E podem existir muitos mecanismos para esse efeito. Uma possibilidade é que seus amigos lhe dizem algo como - você sabe, eles adotam um comportamento que se espalha para você, como "Vamos ter muffins e cerveja", que é uma combinação terrível, mas se você adotar essa combinação, poderá começar a ganhar peso como eles. E outra possibilidade mais sutil é que se eles começam a ganhar peso, e isso muda suas idéias do que é um tamanho do corpo aceitável. E, aqui, o que está se espalhando de pessoa para pessoa não é um comportamento, mas sim uma norma. Uma idéia está se espalhando.

(7) Agora, os escritores de manchetes tiveram um dia de campo com os nossos estudos. Eu acho que a manchete do New York Times foi: "Você está acima do peso? Culpe seus amigos gordos". O que nos chamou a atenção foi que as manchetes européias tinham uma opinião diferente, que dizia: "Seus amigos estão ganhando peso? Talvez você seja o culpado." (Risos) E nós pensamos que este era um comentário muito interessante sobre a América, e do tipo de auto-serviço, o fenômeno "não-é-minha-responsabilidade".

(8) Agora eu quero ser muito claro: nós não pensamos que nosso trabalho deveria ou poderia justificar o preconceito contra pessoas de uma ou outra dimensão corporal. Agora, nossa próxima pergunta é: Será que podemos realmente visualizar este comportamento? Foi o ganho de peso em uma pessoa que realmente “se espalhou” para o ganho de peso em outra pessoa? E isso é complicado, porque precisamos levar em conta o fato de que a estrutura da rede e a arquitetura das relações vêm mudando ao longo do tempo. E, além disso, porque a obesidade não é uma epidemia unicêntrica, não há um “paciente zero” da epidemia de obesidade - se nós encontramos este cara, então houve uma disseminação da obesidade dele para os outros. É uma epidemia multicêntrica, muitas pessoas estão fazendo coisas ao mesmo tempo. Eu vou lhes mostrar um vídeo de animação de 30 segundos, que levou James e eu a cinco anos à frente de nossas vidas. E assim, novamente, cada ponto é uma pessoa. Cada laço entre elas é uma relação. E vamos colocar isso em movimento agora, tendo recortes diários para a rede por cerca de 30 anos.
(9) O tamanho destes nós irão crescer. You're going to see a sea of yellow take over. Você irá ver um mar de amarelo.?????? Você irá ver gente nascer e morrer, os nós vão aparecer e desaparecer. Laços irão se formar e se quebrar. Casamentos e divórcios, amizades e inimizades, muita complexidade, muita coisa está acontecendo apenas nestes últimos trinta anos, o que inclui a epidemia de obesidade. E no final, você vai ver grupos de obesos e não-obesos inseridos na rede. Agora, quando olho para isso, mudei a maneira como vejo as coisas, porque essa rede, que está mudando ao longo do tempo, tem uma memória. Ela se move, o fluxo das coisas tem uma espécie de coerência; as pessoas podem morrer, mas ele não morre, e sim persiste. E tem uma espécie de resistência que lhe permite sobreviver ao longo do tempo.
(10) E assim, comecei a ver esses sinais de redes sociais como coisas vivas, tão vivas que nós poderíamos colocá-las sob uma espécie de microscópio, estudá-las, analisá-las e compreendê-las. Utilizamos uma variedade de técnicas de fazer isso e começamos a explorar todos os tipos de outros fenômenos. Então nós começamos a prestar atenção em comportamentos como tabagismo e alcoolismo, comportamento de voto e divórcio, que podem se espalhar, e no altruísmo. E, finalmente, nós ficamos interessados nas emoções. Quando nós sentimos emoções, nós as mostramos. Por que nós mostramos as nossas emoções? Quer dizer, não seria uma vantagem vivenciar nossas emoções internamente - você sabe, a raiva ou a felicidade, mas nós não simplesmente sentimos, nós mostramos o que estamos sentindo. E não só eles podem lê-los, como podem copiá-los. Existe um contágio emocional que ocorre nas populações humanas. E então esta função das emoções sugere que, além de quaisquer outros fins, elas são um tipo de forma primitiva de comunicação. E que, de fato, se realmente queremos entender as emoções humanas, precisamos pensá-las desta forma.

(11) Nós estamos acostumados a pensar sobre as emoções desta forma, em simples e breves períodos de tempo. Por exemplo: recentemente eu estava dando esta palestra em Nova York, e eu disse: "Você sabe, é como quando você está no metrô, e as outras pessoas do vagão sorriem para você, e você apenas instintivamente sorri de volta”. E eles olharam pra mim e disseram: "Nós não fazemos isso em Nova York." E eu disse: "Em qualquer outro lugar do mundo, este é o normal do comportamento humano." Essa é uma forma muito instintiva em que nós brevemente transmitimos nossas emoções uns aos outros. E, de fato, o contágio emocional pode ser ainda maior, como podemos exemplificar com expressões de raiva, como em rebeliões. A questão que gostaríamos de fazer é a seguinte: a emoção pode ser disseminada, de maneira mais sustentada do que em tumultos, além de um par de indivíduos sorrindo uns para os outros no vagão do metrô, e sim ao longo do tempo e envolvendo um grande número de pessoas? Talvez haja uma espécie de tumulto silencioso, abaixo da superfície, que nos anima o tempo todo. Talvez haja tumultos emocionais que naveguem através das nossas redes sociais. Talvez, na verdade, as emoções possuam uma existência coletiva, não apenas uma existência individual.
(12) Esta é uma das primeiras imagens que fizemos para estudar este fenômeno. Novamente, uma rede social, mas agora nós marcamos as pessoas felizes em amarelo, as pessoas tristes em azul e em verde as pessoas que estão “mais ou menos. E se você olhar para esta imagem, pode imediatamente ver grupos de pessoas felizes e infelizes, novamente, espalhando-se em três graus de separação. E você pode deduzir que as pessoas infelizes ocupam uma posição estrutural diferente dentro da rede: há uma média e uma vantagem para esta rede, e os infelizes parecem estar localizados nas bordas. Portanto, para invocar outra metáfora, se você imaginar as redes sociais como uma espécie de tecido grande da humanidade - eu sou ligado a você e ela, independentemente da infinita distância - este tecido é realmente como uma colcha de retalhos, felizes e infelizes retalhos. E você ficar feliz ou não, depende, em parte, se você ocupar um retalho feliz.
(Risos)
(13) Portanto, este trabalho com as emoções, que são tão fundamentais, nós fizeram pensar: talvez as causas fundamentais das redes sociais estão de alguma forma codificada em nossos genes. Porque as redes sociais, sempre que elas forem mapeadas, vão ter a mesma aparência, uma imagem da rede, mas nunca exatamente iguais. Por que não se parecem com isso? Por que nós não formamos redes sociais que se pareçam com uma grade regular? Bem, os padrões marcantes das redes sociais, sua onipresença e seu propósito aparente pressupõem perguntas: se nós evoluímos para as redes sociais em primeiro lugar, e se evoluímos para formar redes com uma estrutura particular.

(14) Observe, antes de tudo ... E assim, para entender isso, porém, precisamos antes dissecar a estrutura da rede. E perceba que todas as pessoas nesta rede têm exatamente a mesma estrutura local como qualquer outra pessoa. Mas isso não é o caso das redes reais. Por exemplo: aqui está uma verdadeira rede de estudantes em uma universidade de elite do Nordeste dos EUA. E agora eu estou destacando alguns pontos: e se você olhar aqui, os pontos, compare o nó B, no canto superior esquerdo, com o nó D na extrema direita. B tem quatro amigos que s ligam a ele, e D e tem seis amigos que se ligam a ele. E assim, os dois indivíduos têm diferentes números de amigos – o que é muito óbvio, todos sabemos isso. Mas alguns outros aspectos da estrutura da rede social não são tão óbvias.
(15) Compare o nó B, no canto superior esquerdo com o nó A no canto inferior esquerdo. E agora ambas as pessoas têm quatro amigos, mas os amigos de A se conhecem entre si, e os amigos de B, não. Assim, um amigo do amigo de A, é novamente um amigo de A, ao passo que um amigo de um amigo de B não é um amigo de B, está mais longe da rede. Isto é conhecido como transitividade nas redes. E, finalmente, compare os nós C e D: ambos têm 6 amigos. Se você conversar com eles, e perguntar: "Qual é a sua vida social”, eles diriam: "Eu tenho seis amigos, essa é a minha experiência social." Mas agora estamos com ponto de vista da águia: olhando para esta rede, você pode ver que eles ocupam diferentes mundos sociais, e eu posso cultivar essa intuição em você apenas lhe perguntando: Quem você preferiria ser se um germe mortal está se espalhando através da rede? Você prefere ser C ou D? Você iria preferir ser D, na borda da rede. E quem você iria preferir ser se um suculento pedaço de fofocas, não sobre você, está se espalhando através da rede? Agora, você preferiria ser C.


(16) Assim, diferentes áreas estruturais têm diferentes implicações para sua vida. E, na verdade, quando fizemos algumas experiências percebendo isto, o que nós encontramos é que 46% da variação em quantos amigos você tem é explicada por seus genes. E isso não é surpreendente: sabemos que algumas pessoas nascem tímidas e alguns nascem participantes, isto é óbvio. Mas também encontramos algumas coisas não-óbvias. Por exemplo, os 47% da variação em que seus amigos se conhecem uns aos outros é imputável a seus genes. Se seus amigos conhecem uns aos outros, não tem apenas a ver com os genes deles, mas com o seu. E nós percebemos que a razão para isso é que algumas pessoas gostam de apresentar seus amigos uns aos outros, você sabe quem você é, e outras pessoas gostam de mantê-los separados, e não introduzem os seus amigos uns aos outros. Assim, algumas pessoas se unem às redes ao redor deles, criando uma espécie de densa teia de relações em que estão confortavelmente encaixados. E, finalmente, percebemos que 30% da variação se as pessoas estão no meio ou na ponta da rede também pode ser atribuída a seus genes. Então, se você se encontrar no meio ou na ponta, também é parcialmente hereditário.
(17) Agora, qual é o sentido disso? Como isso nos ajuda a entender? Como isso nos ajuda a descobrir alguns dos problemas que estão nos afetando atualmente? Bem, o argumento que eu gostaria de dizer é que as redes têm valor: elas são uma espécie de capital social. Novas propriedades surgem por causa da nossa inserção em redes sociais, e essas propriedades na estrutura das redes, não apenas nos indivíduos inseridos nelas. Então, pense sobre estes dois objetos comuns. Ambos são feitos de carbono, e ainda assim um deles tem átomos de carbono que estão dispostos de uma maneira particular, à esquerda, e você obtém o grafite, que é macio e escuro. Mas se você pegar os mesmos átomos de carbono e interligá-las de maneira diferente, você tem um diamante, que é claro e duro. E as propriedades de maciez e dureza e escuridão e claridade não residem nos átomos de carbono: elas residem nas interconexões entre os átomos de carbono, ou pelo menos surgem devido às interconexões entre os átomos de carbono. Assim, da mesma forma, o padrão de conexões entre as pessoas confere diferentes propriedades aos grupos de pessoas. É o vínculo entre as pessoas que torna o todo maior que a soma de suas partes. E isso não é apenas o que está acontecendo com essas pessoas que estão perdendo ou ganhando peso, ou tornando-se rico ou pobre, ou tornar-se feliz ou infeliz, isso nos afeta. É também a própria arquitetura dos laços que nos rodeiam.

(18) A nossa experiência do mundo depende da própria estrutura das redes em que estamos e que residem sobre os tipos de coisas que navegam e fluem através da rede. Eu acho que a razão é que os seres humanos se reúnem e formam uma espécie de superorganismo. Agora, o superorganismo é uma espécie de coleção de indivíduos que apresentam comportamentos evidenciam ou fenômenos que não são redutíveis ao estudo dos indivíduos e devem ser entendidos por referência e estudados pelo coletivo, como, por exemplo, um enxame de abelhas que está procurando uma nova colméia, ou um bando de pássaros que está fugindo de um predador, ou um bando de pássaros que é capaz de reunir sua sabedoria, voar e encontrar uma partícula de uma ilha no meio do Pacífico, ou uma alcatéia é capaz de derrubar grandes presas. Superorganismos têm propriedades que não podem ser entendidas apenas pelo estudo dos indivíduos. Acho que a compreensão das redes sociais e como se formam e funcionam, pode nos ajudar a compreender, não apenas saúde e emoções, mas todos os tipos de fenômenos como crimes, guerras e fenômenos econômicos, como corridas bancárias, falhas de mercado e adoção da inovação e da disseminação de aprovação do produto.
(19) Agora, olhe para isto. Acho que nós formamos as redes sociais por causa dos benefícios de uma vida ligada superam os custos. Se eu fosse sempre violento com você, ou trouxesse informações falsas, ou fizesse você ficar triste, ou infectasse você com germes mortais, você poderia cortar os laços comigo, e a rede se desintegraria. Assim, a propagação de coisas boas e valiosas é necessária para sustentar e alimentar as redes sociais. Da mesma forma, as redes sociais são necessárias para a propagação de coisas boas e valiosas, como o amor, bondade, felicidade, altruísmo e idéias. De fato, eu acho que se percebermos o quão importante são as redes sociais, nós gastaríamos muito mais tempo a alimentá-las e sustentá-las, porque eu acho que as redes sociais são fundamentalmente relacionados com a bondade, e o que eu acho que o mundo precisa agora é de mais conexões.
Obrigado.
 

Membros (75)

 
 
 

© 2018   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço