Escola de Redes



Nós não sabíamos bem o que era cocriação interativa até que começamos a não-obstruir a livre-interação.

O problema é que nós não sabíamos nem o que era não-obstruir. Até que aprendemos o que é obstruir. Alguns exemplos:

OBSTRUIR É fazer uma reunião participativa, daquelas em que a pessoa chega, entra na roda e levanta o dedo para pedir a palavra a um coordenador;

OBSTRUIR É ter um coordenador (com o pretexto de evitar a bagunça e a confusão);

OBSTRUIR É adotar metodologias obrigatórias (com o pretexto de garantir a obtenção de algum resultado);

OBSTRUIR É incentivar a discussão e o debate;

OBSTRUIR É propor temas para as pessoas tratarem (com o pretexto de não deixar as coisas "muito soltas");

OBSTRUIR É fazer broadcasting presencial (uma pessoa falando e todas as outras ouvindo) ou chamar pessoas para fazer palestras (com o pretexto de atrair mais gente);

OBSTRUIR É dizer coisas assim: "Pessoal, vamos começar!?" ou "Então tá, pessoal: hoje já deu, nos encontramos no dia tal".

OBSTRUIR É (este foi o aprendizado mais recente) adotar plataformas centralizadas (exigir que as pessoas publiquem suas ideias que ensejarão processos de cocriação em uma mesma plataforma única e determinada e não onde bem entenderem, de modo distribuído - desde que haja alguma mecanismo de interação).

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Respostas a este tópico

Organização é obstrução? Acho que não. Há processos cocriativos onde a ordem leva ao desenvolvimento e ao surgimento do novo, ao aparecimento de um novo caos, para uma nova ordem emergir. Augusto, me desculpe, mas achei as frases muito limitadas e limitantes. Um tipo de obstrução.

Pois é, André. Organização emergente não é obstrução. Trato aqui daquelas intervenções top down organizadoras. Mas isso não é um exercício de imaginação. É o resultado do que estamos aprendendo do final de 2011 para cá, a partir de experiências intensas, semanais e agora quase diárias. Uma coisa curiosa que descobrimos também é que para sair do achismo e entender a cocriação só cocriando.

A organização se complica com a imposição de uma heteronomia. E o que se vê é que esses modelos baseados em autocracia, supostamente organizantes, nem funcionam. Vivem embebidos em metalinguagens gerenciais e pouco conseguem dos resultados que se impõem.

Concordo com você Mário, e com o Augusto, mas ainda não consigo entender aspectos como, por exemplo,"incentivar a discussão e o debate seja uma forma de obstrução" ou "ter um coordenador é obstrução". Acho que afirmações como essa não abrem a perspectiva do debate e utiliza da mesma forma que você cita como autocracia, a imposição de uma ideia generalizante. 

Incentivar um debate ou um dialogo não vai de encontro a livre-intereção, muito menos a existência de um líder. Não são coisas opostas, mas possibilidades. Pode-se incentivar um debate dentro de uma lógica de poder, como pode-se incentivar em uma lógica amorosa, com interesse genuíno de cocriação. A mesma coisa acontece com a presença de uma figura de liderança. 

Esse é meu entendimento, por enquanto, obrigado por me proporcionar essa possibilidade de aprender. Abraços.

 

Hoje o Sergio Venuto lembrou um texto antigo (de fevereiro de 2009) que ajuda a compreender por que a lógica do debate, da discussão coordenada, é meio incompatível com a livre-interação cocriativa. É como se ela convocasse dimensões diferentes das pessoas, baseadas em concordância e discordância, familiaridade e estranhamento. Agora, líder (monoliderança) já é o fim da picada mesmo (redes são ambientes favoráveis à emergência de multiliderança, lideranças temporárias, eventuais, exercidas por várias pessoas). Mas a questão da cocriação, André, é uma dinâmica. Não tem haver com intenções, interesses (genuínos). Vale a pena dar uma olhada na Lógica da Abundância http://escoladeredes.net/profiles/blogs/a-logica-da-abundancia?xg_s...

Bem... achei também uma imagem já publicada aqui que completa os não-fazeres do post acima:

Me parece que a dificuldade maior gira em torno de uma percepção, um tanto quanto generalizada, de que seja necessário "obstruir fluxos no presente" para poder "liberar fluxos no futuro"... e geralmente a partir de uma ação organizadora - ou seja, de alguma forma organizar o que ou outros estão fazendo - ou de um "incentivo" que costuma na pratica ser algum tipo definição do tema da interação. Esse tipo de percepção é característico de situações de escassez, nas quais é necessário fazer trabalhar juntas uma pequena quantidade de pessoas que não estão intrinsecamente interessadas em fazer algo em comum... por outro lado, em um mundo que está cada vez mais hiper-conectado (já uns 3 bilhões de pessoas??), essa ação organizadora ou incentivadora parece não ser mais tão necessária... cada vez mais, pessoas que estão legitimamente interessadas nas mesmas coisa se encontram e criam, trabalham, vivem... e fazem isso encontrando maneiras de liberar fluxos no futuro "sem precisar obstruir fluxos no presente", pois os meios para isso também estão cada vez mais abundantes.

Se me permitem, minha  consideração para esse assunto é de que a palavra NÃO à frente da palavra OBSTRUIR diz tudo. Concluo que assim como a imagem, "obstruir" é contrário à "não obstruir, que simplificadamente e objetivamente significa proibir ou não proibir. Há mesmo a nessecidade de ir além?

Peço desculpas se cometi gafe ao me inserir na discussão, essa é minha primeira participação, ainda estou tentando compreender quais parâmetros devo obedecer para cocriar.

 

Achei muito importante a clarificação sobre obstrução. Entendo que a palavra se aplica à obstrução de ideias ou da criatividade das pessoas.

As melhores reuniões que tive com meus colaboradores ocorria nos nossos encontros para fazermos um "toró de ideias" ou "memória do futuro".

Em ambas era clara a liberdade de todos em se manifestar livremente, sem qualquer restrição ou receio de ver barrada sua fala. Para cada nova ideia apresentada os demais membros agiam de forma sinérgica, buscando acrescentar novas formas e novas maneiras para que surgisse a melhor ideia de todos sobre qualquer assunto, que podia ser aplicável ou apenas ficar gestando até o seu momento de eclosão.

No caso da "memória do futuro" partíamos de uma necessidade presente, que podia ou não ser comum a todos. A partir daí as ideias iam sendo colocadas como o melhor cenário (ou solução) que poderia ser dado ao problema apresentado. Essas ideias, até sua finalização, tratavam da forma que esperávamos ver a solução ideal, sem se importar com restrições ou falta de recursos.

Depois de encontrada a solução ideal partíamos para apresentar as maneiras de superarmos as restrições e falta de recurso, até que conseguíssemos transformá-la em algo prático, exequível.

Tudo num ambiente naturalmente descontraído e propício para germinar ideias e inovações.

Gostei muito de conhecer o seu texto e as opiniões juntadas.

Augusto, estou plenamente de acordo! O fundamental é a livre circulaçao e isto vale para os mais variados aspectos da vida: para a energia e os fluidos que circulam no nosso organismo, para o transito nao engarrafado, para o fluxo das ideias e da imaginaçao,  para as interaçoes cocriativas, etc. Mas tudo isso significa poder colocar em pratica (no plano individual e social) uma nova mentalidade, capaz de autonomia e liberdade intelectual, superando a mentalidade prevalentemete infantil, insegura e primitiva que demandou e sustentou milenios de uma civilizaçao baseada em organizaçoes hierarquicas "protetivas"- da familia à politica passando pela religiao e todas as instituiçoes do tecido social. Pensemos a quantos milhoes de pessoas no mundo ainda precisam deste apoio: estavam intensamente angustiadas e perdidas em consequencia da renuncia do Papa.  A emergencia do novo Papa foi saudada com um profundo sentimento de alivio coletivo como se fosse a soluçao de todo o mal estar dos tempos atuais. E isto principalmente pelo fato de ver preenchido o vazio simbolico no alto do vertice da hierarquia catolica ferida com a recente e inesperada renuncia . Suportar incertezas, silencios, ter confiança na propria criatividade e na riqueza do incontro espontaneo com o outro, tolerar o desconhecido, o novo  o que nao é  ou nao esta ainda organizado, tudo isto é expressao de uma nova mentalidade e representa um grande desafio e uma ardua conquista! Mas sentir que nao estamos sos neste percurso é fundametal para reativar diariamente a academia da necessaria  paixao e entusiasmo! 

Pois é... Como diz uma imagem publicada em comentário anterior, Eliane, "É PROIBIDO PROIBIR SE PROIBIR DE"

Particularmente, não tenho problema com a palavra NÃO, hehe. Há um mito que rola entre comunicadores e marqueteiros que nunca se deve começar uma sentença com a palavra NÃO. Há outro mito, que rola entre programadores neurolinguísticos, de que o cérebro não capta o NÃO ou capta de uma maneira contrária ao pretendido.

Mas Eliane, a questão é que você não precisa obedecer a nenhum parâmetro para cocriar. Precisa, ao contrário, desobedecer. Desobedecer a quem? A quem quer que você obedeça. Por exemplo, a quem lhe diz para percorrer um caminho pré-traçado, tratar de um tema pré-escolhido, se submeter a um processo de geração de escassez (como a votação, a construção administrada de consenso, o rodízio) et coetera.


Eliane Medeiros Rodrigues disse:

Se me permitem, minha  consideração para esse assunto é de que a palavra NÃO à frente da palavra OBSTRUIR diz tudo. Concluo que assim como a imagem, "obstruir" é contrário à "não obstruir, que simplificadamente e objetivamente significa proibir ou não proibir. Há mesmo a nessecidade de ir além?

Peço desculpas se cometi gafe ao me inserir na discussão, essa é minha primeira participação, ainda estou tentando compreender quais parâmetros devo obedecer para cocriar.

 

pido disculpas por escribir en español. me quede reflexionando sobre la propuesta de augusto y los comentarios posteriores. lo que me produce ruido es proponer las conclusiones de la experiencia como "el camino" para la creatividad. tenemos la experiencia que producir novedad es un proceso complejo al que se puede llegar por multiples caminos, algunos mas "pre-organizados" y otros mas "autoorganizados". lo que me produce curiosidad (mas que defender una cosa u otra) es preguntarme en que contextos se hace mas fluido un tipo de proceso y cuales contextos son mas productivos los otros. agradezco mucho las reflexiones de todos, me han hecho revisar muchas cosas de mis modos de estar con otros.

Sim, Saul. De pleno acordo. Sobretudo depois que descobrimos que os contextos são formados pela topologia da rede e não por conteúdos e condições dos indivíduos. Assim, em ambientes com topologia mais distribuída do que centralizada, a cocriação interativa pode ocorrer com mais facilidade do que em ambientes de adesão ou de participação (pré-organizados).

saul ignacio fuks disse:

pido disculpas por escribir en español. me quede reflexionando sobre la propuesta de augusto y los comentarios posteriores. lo que me produce ruido es proponer las conclusiones de la experiencia como "el camino" para la creatividad. tenemos la experiencia que producir novedad es un proceso complejo al que se puede llegar por multiples caminos, algunos mas "pre-organizados" y otros mas "autoorganizados". lo que me produce curiosidad (mas que defender una cosa u otra) es preguntarme en que contextos se hace mas fluido un tipo de proceso y cuales contextos son mas productivos los otros. agradezco mucho las reflexiones de todos, me han hecho revisar muchas cosas de mis modos de estar con otros.

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