Escola de Redes

CONVERSAÇÕES... 7 - REFLEXÕES ÉTICAS FINAIS

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Quero fazer algumas considerações adicionais, quase como um resumo de tudo o que foi dito neste longo ensaio.

Neste texto, afirmei que a vida humana é cultural, isto é, ocorre como uma rede de conversações no entrelaçamento do linguajear e do emocionar. Ou - o que é o mesmo - que a vida humana acontece como uma rede de coordenações consensuais de coordenações consensuais de ações e emoções entre seres humanos que se tornaram humanos vivendo uma vida humana. Além disso, fiz a totalidade de minha argumentação neste ensaio considerando o emocionar que, a cada momento, torna possível a rede de conversações que define uma dada cultura como forma específica de coexistência numa comunidade humana.

No processo de apresentar meus argumentos, sustentei que a existência humana surgiu na linhagem particular de primatas bípedes a que pertencemos. Tal ocorreu quando o viver em conversações - como um entrelaçamento do linguajear com o emocionar - começou a ser mantido, geração após geração, como parte do modo de vida que definiu desde então essa linhagem. De fato, fez dela uma linhagem humana. Também afirmei que o viver em redes de conversações acabou sendo a característica mais central do modo de vida de nossos ancestrais, e indica que eles devem ter vivido uma história de coexistência fundada na biologia do amor. Entretanto, ao fazer essa afirmação também sustentei que o amor, como o domínio das ações que constituem o outro como legítimo outro em coexistência, é uma emoção básica que constitui a vida social em geral. É também a emoção essencial da história humana, tanto na origem da linguagem quanto na realização e conservação do modo humano de viver.

Por fim, também afirmei que devido à nossa origem evolutiva, nós, seres humanos, somos animais - animais de- pendentes do amor, que adoecem ao ser privados dele em qualquer idade. Como humanos, somos também seres culturais que podem viver em qualquer cultura que não negue totalmente, em seu desenvolvimento inicial, uma relação mãe- filho de íntimo contato corporal em total confiança.

A guerra, a agressão e a maldade como formas de viver na negação dos outros não são características de nossa biologia. Como animais, nós, seres humanos, sem dúvida somos biologicamente capazes de agressão, ódio, raiva - ou de qualquer emoção que a experiência nos mostra que podemos viver e que constitua um domínio de ações que leve à destruição ou à negação dos outros. Mas vivemos esses domínios de ações seja como episódios transitórios, seja como alienações culturais, que, como sabemos, distorcem nossa condição humana e nos levam à loucura ou à infelicidade. A agressão, a guerra e a maldade não são parte da maneira de viver que nos define como seres humanos e que nos deu origem como humanos.

Mas existimos em conversações e podemos cultivar conversações de agressão, guerra, ódio, controle, obediência, e assim gerar e viver culturas que alimentam esses domínios de ações, como fizeram nossos ancestrais indo-europeus ao produzir sua cultura patriarcal. E continuam a fazê-lo as culturas patriarcais dela descendentes, como a nossa cultura patriarcal européia.

Em outras palavras, acredito que o conflito entre o bem e o mal, que deu origem a tantos mitos na história de nossa cultura, não é próprio de nossa animalidade. E tampouco o é de nossa condição humana: corresponde a um aspecto da história da humanidade que surge com a cultura patriarcal indo-europeia e que, ao tornar-se uma maneira cotidiana de viver, cedo ou tarde nos distancia de nossa condição humana de seres filhos do amor.

Na condição de seres humanos ocidentais modernos, falamos em valorizar a paz e vivemos como se os conflitos que surgem na convivência pudessem ser resolvidos na luta pelo poder; falamos de cooperação e valorizamos a competição; falamos em valorizar a participação, mas vivemos na apropriação, que nega ao outros os meios naturais de subsistência; falamos da igualdade humana, mas sempre validamos a discriminação; falamos da justiça como um valor, mas vive- mos no abuso e na desonestidade; afirmamos valorizar a verdade, mas negamos que mentimos para conservar as vantagens que temos sobre os demais... Isto é: em nossa cultura patriarcal ocidental vivemos em conflitos, e freqüentemente dizemos que a fonte deles está no caráter conflituoso de nossa natureza humana.

Com freqüência, dizemos que tanto a luta entre o bem e o mal quanto o viver em agressão são características próprias da natureza biológica dos seres humanos. Discordo, não por pensar que o ser humano, em sua natureza, seja pura bondade ou pura maldade, mas porque considero que a questão do bem e do mal não é biológica e sim cultural. Esse conflito em que nós, seres humanos patriarcais modernos, vivemos, nos dobrará com sofrimentos e por fim nos destruirá, a menos que o resolvamos.

A meu ver, a maior parte da humanidade vive o presente de uma cultura que nos aliena para nossos fundamentos, alienando-nos na apropriação, no poder, nas hierarquias, na guerra. Isto é, vivemos na negação de nossa condição de filhos do amor que gera nossa cultura patriarcal européia. Além disso, creio que nosso conflito como seres humanos modernos da cultura patriarcal européia - à qual pertencemos - surge da contradição emocional em que nos mergulha a sucessiva incorporação aos modos de vida matrístico e patriarcal que vivemos ao crescer como membros dessa cultura.

Examinemos de novo a natureza do conflito fundamental em que vivemos imersos em nossa cultura patriarcal européia, ao vivermos a oposição desses dois modos de vida que negam um ao outro em todos os aspectos de seu emocionar. A primeira é a forma matrística de viver da nossa infância, na qual nos formamos como seres sociais absorvidos na dinâmica relacional da biologia do amor. Nela, homens e mulheres são de sexos diferentes, mas são iguais na co-participação equivalente na configuração do conviver. A outra é a maneira patriarcal adulta de viver. Esta nos submerge de modo recorrente na negação da biologia do amor, por meio de uma dinâmica de relações mútuas baseada na fascinação da manipulação da natureza e da vida. Associa-se a ela a idéia da superioridade intrínseca do homem sobre a mulher, numa oposição fundamental de feminino e masculino.

O modo matrístico de viver abre intrinsecamente um espaço de coexistência, com a aceitação tanto da legitimidade de todas as formas de vida quanto da possibilidade de acordo e consenso na geração de um projeto comum de convivência. O modo de vida patriarcal restringe intrinsecamente a coexistência mediante as noções de hierarquia, dominação, verdade e obediência, que exigem a autonegação e a negação do outro. A maneira matrística de viver nos descortina a possibilidade da compreensão da vida e da natureza porque nos leva ao pensamento sistêmico, permitindo-nos ver e viver a interação e a co-participação de todo vivente no viver de tudo o que é vivo. A forma patriarcal de vida restringe nossa compreensão da vida e da natureza, ao levar-nos à busca de uma manipulação unidirecional de tudo, pelo desejo de controlar o viver.

No entanto, nesse conflito também está a possibilidade de saída por meio da reflexão, num processo que pode levar- nos a uma compreensão que de outro modo não seriamos capazes de conseguir: o entendimento da origem de nossos desejos de democracia, bem como a compreensão da origem dos nossos desejos de eqüanimidade e justiça. Com efeito, o que sabemos de eqüanimidade e justiça para poder desejá-las? Diz-se que é próprio da natureza humana viver em conflito entre o amor e ódio, assim como na agressão e em guerra. E, quando se fala em natureza humana, fala-se em biologia humana. Também se diz com freqüência, em relação aos aspectos indesejáveis da conduta humana, que estes revelam nossa natureza animal.

Neste ensaio, afirmei que não é assim, e que não é nossa natureza animal - nem nossa natureza humana como animais na linguagem e no conversar - que nos conduzem a viver em agressão e competição. Isso se deve à nossa cultura patriarcal européia. Afirmo que é o patriarcal que gera a agressão e a competição como modos de vida. Foi o conflito entre as culturas matrística pré-patriarcal européia e patriarcal pastoril - na origem de nosso presente cultural patriarcal ocidental - que gerou o conflito entre o bem e o mal, o amor e o ódio, que, como foi dito há pouco, freqüentemente se afirma serem características da natureza humana.

De todo modo, afirmo que nós, membros da cultura patriarcal européia, sabemos ou conhecemos algo sobre participação, eqüanimidade e cooperação por meio de nossa infância matrística. E desejamos viver na democracia quando queremos recuperar a essência de tal infância. Sustento que nós, membros da cultura patriarcal européia, queremos a democracia quando desejamos recuperar a dignidade, o autorrespeito e o respeito pelos outros. Também afirmo que queremos recuperar tudo isso somente à proporção que já o vivemos em nossa infância.

Além do mais, sabemos que esses desejos não correspondem a uma nostalgia vazia ou a uma simples esperança, pois chegado o momento saberemos o que fazer na coexistência neomatrística da democracia. De fato, saberemos o que fazer porque vivemos, em nossa infância, imersos em conversações matristicas que têm a ver com nossa condição humana de seres amorosos, dependentes do amor para a sua saúde física e mental.

Assim, sabemos que devemos considerar a criação de nossos filhos oferecendo-lhes as relações matristicas de total confiança e aceitação, nas quais eles crescem com dignidade, isto é, com respeito por si mesmos e pelos outros. Também sabemos que nossos filhos devem viver assim até entrar plenamente em sua juventude, de modo que seu autorrespeito, consciência e responsabilidade social não venham a ser de todo negados pelas conversações patriarcais adultas (ver Verden-Zõller no próximo capítulo). Sabemos ainda que nós, adultos, também precisamos viver em autorrespeito e respeito pelos outros, se quisermos viver uma vida física e psiquicamente saudável. Por fim, sabemos que tudo o que temos a fazer para que o autorrespeito ocorra como um fenômeno natural da vida é agir com autorrespeito e respeito pelos outros: aceitando-os como legítimos outros em coexistência conosco na prática das conversações neomatrísticas da democracia, tanto no acordo quanto na discrepância.

O mundo está mudando e os direitos da mulher se tornaram aceitos. É verdade? Podemos dizer que as mulheres estão recuperando seus direitos como cidadãs totalmente democráticas por meio dos movimentos feministas. Contudo, o fato de que a mulher afirme - e de que os homens concordem com ela - que tem de lutar ou pelejar pelo que ela sustenta serem seus legítimos direitos de cidadã democrática reafirma a patriarcalidade. Esta é, precisamente, o domínio cultural em que a questão da dignidade e do respeito recíproco nas relações humanas são vividos na forma de direitos e deveres, que têm de ser assegurados por alguma forma de luta social, e não como algo natural e próprio da convivência social humana. É a dissolução da luta que deve acontecer como seu verdadeiro propósito, e tal dissolução só é possível na passagem de uma cultura patriarcal para uma cultura neomatrística.

Estejamos ou não conscientes disso, o curso da história da humanidade segue o caminho do emocionar, e não o da razão ou o das possibilidades materiais ou dos recursos naturais. Isso se dá porque são nossas emoções que constituem os distintos domínios de ações que vivemos nas diferentes conversações em que aparecem os recursos, as necessidades ou as possibilidades. Assim, a vida que vivemos, o que somos e o que chegaremos a ser - e também o mundo ou os mundos que construímos com o viver e o modo como os vivemos - são sempre o nosso fazer.

No fim das contas, ao percebermos que assim é, os mundos em que vivermos serão de nossa total responsabilidade. A compreensão como modo de olhar contextual, que acolhe todas as dimensões da rede de relações e interações na qual ocorre o que se compreende, abre-nos a possibilidade de perceber nossas emoções quando o que entendemos é a nossa própria vida. Portanto, abre-nos também a possibilidade de sermos responsáveis por nossas ações. Por fim, se ao perceber nossa responsabilidade nos dermos conta de nossa percepção e agirmos de acordo com ela, seremos livres e nossas ações surgirão na liberdade.

Quando somos responsáveis, agimos conscientes das conseqüências de nossas ações e segundo o nosso desejo delas. Um ato responsável implica, pois, a consciência de que toda conduta humana ocorre num âmbito de relações vitais muito mais amplo do que o da própria individualidade e é, portanto, uma experiência espiritual. Por isso, um ato responsável e livre, embora possa ter conseqüências dolorosas, não acarreta grande sofrimento individual. Nessas circunstâncias, nossa possibilidade de sair da contradição emocional básica em que estamos imersos em nossa cultura patriarcal ocidental - e assim escapar do sofrimento que essa contradição traz consigo - está em nossa possibilidade de perceber que sua origem é cultural e não biológica.

Afirmei muitas vezes que nós, humanos, somos seres emocionais como todos os mamíferos e que, por existirmos na linguagem e no conversar, usamos a razão para ocultar ou justificar nossos desejos. Tal afirmação não desvaloriza a razão. Tudo o que foi dito neste texto - ou, de um modo mais geral, tudo o que fazemos - surge em nosso ser racional, por- que o racional consiste em operar nas coerências do linguajear.

O problema com a racionalidade não está nela mesma, mas na apropriação da verdade nas situações de conflito que surgem quando, num espaço de convivência humana, se rompe a unidade cultural.

Dado que somos membros da mesma rede de conversações, da mesma cultura - e vivemos imersos na mesma rede de noções fundamentais que orientam nosso fazer e pensar como verdades evidentes -, nunca vivemos discrepâncias racionais; apenas desacordos emocionais ou meros erros lógicos. Todo sistema racional, seja ele científico, técnico, filosófico ou místico, fundamenta-se em premissas aceitas implícita ou explicitamente a priori, isto é, segundo as preferências implícitas ou explícitas daquele que o aceita.

Ao crescer como membro de uma cultura, cresce-se imerso de modo natural e como algo que se aceita como próprio e espontaneamente desejado. Isso ocorre numa rede de conversações que implicam um emocionar que especifica, operacionalmente, o conjunto de premissas que fundamenta as distintas argumentações racionais dessa cultura. Para os membros da comunidade que a vivem, uma cultura é um âmbito de verdades evidentes. Elas não requerem justificação e seu fundamento não se vê nem se investiga, a menos que no futuro dessa comunidade surja um conflito cultural que leve a tal reflexão. Esta última é a nossa situação atual. Como membros da cultura patriarcal européia, vivemos duas culturas opostas numa só.

Em nossa infância, vivemos imersos naquilo que é uma cultura principalmente matrística. Na vida adulta, vivemos quase que exclusivamente uma cultura patriarcal. No entanto, se nos dermos conta dessa oposição, teremos oportunidade de refletir e dar à racionalidade o seu verdadeiro lugar.

Partindo do pensamento científico - que surge como possibilidade da democracia como uma forma neomatrística de pensar-, é possível perceber que todo sistema racional tem um fundamento emocional. Mas também é possível perceber que, à medida que alguém se dá conta disso, ele pode se tornar responsável por sua racionalidade, e não amarrá-la à crença de ser dono de um acesso privilegiado a uma verdade transcendente. Desse modo, é possível, de fato, dar ao pensamento racional e ao saber humano responsabilidade e liberdade. Nós, humanos, somos muitos e contaminamos tudo com uma quantidade crescente de detritos. Isso resulta da superpopulação e esta, por sua vez, se origina do fato de que, em nossa cultura patriarcal ocidental, consideramos a procriação e o crescimento como valores em si, e não como meras preferências culturais.

Assim, geramos miséria ao nosso redor, movidos pelo desejo de um enriquecimento ilimitado pela apropriação de tudo a qualquer custo, sob o argumento de que a livre empresa é um direito. Destruímos e alteramos o mundo natural no qual somos seres vivos porque, induzidos por nosso orgulho de mestres do tecnológico, queremos controlá-lo e explorá-lo, argumentando que esse é o nosso direito, visto que somos os seres mais inteligentes da Terra. Vivemos em tensão e exigência porque, em nosso afã de ser melhores, competimos e usamos os outros - e não o nosso próprio fazer - como a medida do nosso valor, afirmando que a competição leva ao progresso e que este é um valor.

Habitualmente atuamos, de modo consciente ou inconsciente, segundo os nossos desejos. Mas, como nem sempre somos responsáveis por eles, geramos nos outros e em nós mesmos um sofrimento nem sempre desejado. Portanto, se quisermos atuar de modo diverso, se quisermos viver num mundo diferente, devemos mudar nossos desejos. Para isso precisamos modificar nossas conversações. Mas temos de fazê-lo totalmente conscientes do que queremos para corrigir nossas ações, se estas nos levam a uma direção não desejada. Como humanidade, nossas dificuldades atuais não se devem a que nossos conhecimentos sejam insuficientes ou a que não disponhamos das habilidades técnicas necessárias. Elas se originam de nossa perda de sensibilidade, dignidade individual e social, autorrespeito e respeito pelo outro. E, de um modo mais geral, originam-se da perda do respeito por nossa própria existência, na qual submergimos levados pelas conversações de apropriação, poder e controle da vida e da natureza, próprias de nossa cultura patriarcal.

Por fim, creio que as reflexões que apresentei neste ensaio mostram que a única saída para essa situação é a recuperação de nossa consciência de responsabilidade individual por nosso atos, ao percebermos de novo que o mundo em que vivemos é configurado por nosso fazer. Acredito que isso só é possível pela recuperação do modo de viver matrístico. É ele que de fato vivemos quando, honestamente, nas relações neomatrísticas de uma vida honesta, nas conversações que constituem a vida democrática, tornamo-nos responsáveis por nossa racionalidade e responsabilizamo-nos por nossos desejos.

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Referências bibliográficas

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