Escola de Redes

Amar e Brincar - Fundamentos esquecidos do humano

Autor(a): Maturana,Humberto R. & Verden-Zoller,Gerda

 

Em essência, o livro aborda três grandes temas: a origem da cultura patriarcal européia,, as relações entre mãe e filho e os fundamentos da democracia a partir da noção de biologia do amor. Maturana e Verden-Zöller vêem a democracia como uma forma de convivência que só pode existir entre adultos que tenham vivido, na infância, relações de total aceitação materna. Os autores examinam com detalhes os fundamentos da condição humana que permeiam o afetivo e o lúdico. Mostram como a cultura do patriarcado europeu nos levou à atual situação de autoritarismo, dominação, competição predatória, desrespeito à diversidade biológica e cultural e profunda ignorância do que são os direitos humanos.

Formato: DOCX (Office Word 2010)

Download: 

http://www.mediafire.com/?e4exerljj1iwlhd

 

Conversações matrísticas e patriarcais

by Humberto Maturana (1993)

Este é o primeiro capítulo do livro de Humberto Maturana e Gerda Verden-Zoller (1993) intitulado Amar e Brincar: Fundamentos esquecidos do humano, traduzido e publicado no Brasil pela Palas Athena Editora (São Paulo: 2009).

 

NOTA PRELIMINAR

O termo "matrístico" é usado no título e no texto deste capítulo com o propósito de conotar uma situação cultural na qual a mulher tem uma presença mística, que implica a coerência sistêmica acolhedora e liberadora do maternal fora do autoritário e do hierárquico. A palavra "matrístico", portanto, é o contrário de "matriarcal", que significa o mesmo que o termo "patriarcal", numa cultura na qual as mulheres têm o papel dominante. Em outras palavras - e como se verá ao longo deste capítulo -, a expressão "matrística" é aqui usada intencionalmente, para designar uma cultura na qual homens e mulheres podem participar de um modo de vida centrado em uma cooperação não-hierárquica. Tal ocorre precisamente porque a figura feminina representa a consciência não-hierárquica do mundo natural a que nós, seres humanos, pertencemos, numa relação de participação e confiança, e não de controle e autoridade, e na qual a vida cotidiana é vivida numa coerência não-hierárquica com todos os seres vivos, mesmo na relação predador-presa.

 

APRESENTAÇÃO

Este ensaio é o resultado de várias, inspiradas e iluminadoras conversas que tive com Gerda Verden-Zoller, nas quais aprendi muito sobre a relação materno-infantil e comecei a perguntar-me sobre a participação da mudança emocional na transformação cultural. Mas isso não é tudo. Essas conversas levaram-me também a considerar as relações homem-mulher de uma maneira independente das particularidades da perspectiva patriarcal, e a perceber como elas surgem na constituição do espaço relacional da criança em crescimento. Por tudo isso, agradeço-lhe e reconheço sua participação na origem de muitas das ideias contidas neste trabalho.

 

INTRODUÇÃO

Este ensaio é um convite a uma reflexão sobre a espécie de mundo em que vivemos, e a fazê-lo por meio do exame dos fundamentos emocionais do nosso viver. A vida humana, como toda vida animal, é vivida no fluxo emocional que constitui, a cada instante, o cenário básico a partir do qual surgem nossas ações. Além disso, creio que são nossas emoções (desejos, preferências, medos, ambições...) - e não a razão - que determinam, a cada momento, o que fazemos ou deixamos de fazer. Cada vez que afirmamos que nossa conduta é racional, os argumentos que esgrimimos nessa afirmação ocultam os fundamentos emocionais em que ela se apoia, assim como aqueles a partir dos quais surge nosso suposto comportamento racional.

Ao mesmo tempo, penso que os membros de diferentes culturas vivem, movem-se e agem de maneira distinta, conduzidos por configurações diferentes em seu emocionar. Estas determinam neles vários modos de ver e não ver, distintos significados do que fazem ou não fazem, diversos conteúdos em suas simbolizações e diferentes cursos em seu pensar, como modos distintos de viver. Por isso mesmo, também creio que são os variados modos de emocionar das culturas o que de fato as torna diferentes como âmbitos de vida diversos.

Por fim, considero que se levarmos em conta os fundamentos emocionais de nossa cultura - seja ela qual for -, poderemos entender melhor o que fazemos ou não fazemos como seus membros. E, ao perceber os fundamentos emocionais do nosso ser cultural, talvez possamos também deixar que o entendimento e a percepção influenciem nossas ações, ao mudar nosso emocionar em relação ao nosso ser cultural.

Para continuar lendo

Exibições: 7282

Respostas a este tópico

Grande, Leandro! Este é o livro que faltava - o livro fundamental do meu ponto de vista :)))

Bravisimo, hace tiempo que le reclamaba este libro a Augusto.

Muchas gracias

Augusto,

Agora precisamos espelhar os links para não sejam cassados pela inquisição online!

:))



Augusto de Franco disse:

Grande, Leandro! Este é o livro que faltava - o livro fundamental do meu ponto de vista :)))

Estou abrindo páginas aqui no grupo para publicá-lo também em HTML. E estou formatando a primeira parte, a do Maturana (Conversações Matrísticas e Patriarcais) para publicá-la independentemente em outros lugares. Não haverá perseguição neste caso (imagino).

Leandro Nunes Azevedo disse:

Augusto,

Agora precisamos espelhar os links para não sejam cassados pela inquisição online!

:))



Augusto de Franco disse:

Grande, Leandro! Este é o livro que faltava - o livro fundamental do meu ponto de vista :)))

Segue a primeira parte - e mais importante - livro formatada (em PDF) para download: Conversações Matrísticas & Patriarcais de Humberto Maturana (1993).

Anexos

Conversações matrísticas e patriarcais de Humberto Maturana (1993) talvez seja o texto mais importante, de todos os que já foram escritos. Eis aqui uma versão em PDF boa de ler. Faça o download e comece hoje (domingo de ramos, hehehe).

Anexos

Coincido con vos, conseguí el libro en español, pero estaba en formato foto de pdf, entoces lo pase a wor de nuevo y lo remasterise a pdf en castellano solo ocupa un par de megas todo el libro, si querés te lo mando por mail

Claro, Boyle :)

Excelente! Fundamental! Grande descoberta. Muito obrigado, Augusto, por descobrir tanto material.

Reproduzo aqui uma parte do final do texto como uma forma de agradecimento, rss:

"Como humanidade, nossas dificuldades atuais não se devem a que nossos conhecimentos sejam insuficientes ou a que não disponhamos das habilidades técnicas necessárias. Elas se originam de nossa perda de sensibilidade, dignidade individual e social, auto-respeito e respeito pelo outro. E, de um modo mais geral, originam-se da perda do respeito por nossa própria existência, na qual submergimos levados pelas conversações de apropriação, poder e controle da vida e da natureza, próprias de nossa cultura patriarcal".

RSS

© 2017   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço