Escola de Redes

VIDA: Criando Mundos e não as Representações - e Reações - à um Mundo Objetivo, externo ao ser vivente - Como a mente <<NÃO É >> um processo análogo ao de um computador....

VIDA: Criando Mundos e não as Representações - e Reações - à um Mundo Objetivo, externo ao ser vivente - Como a mente NÃO É >> um processo análogo ao de um computador....


Criando um Mundo

Na emergente teoria dos sistemas vivos, a mente não é uma coisa, mas um processo. É a cognição, o processo do conhecer, e é identificada com o processo da própria vida. É esta a essência da teoria da cognição de Santiago, proposta por Humberto Maturana e Francisco Varela.

 

A identificação da mente, ou cognição, com o processo da vida é uma idéia radicalmente nova na ciência, mas é também uma das intuições mais profundas e mais arcaicas da humanidade. Nos velhos tempos, a mente humana racional era vista como um mero aspecto da alma imaterial, ou espírito. A distinção básica não era entre corpo e mente, mas entre corpo e alma, ou corpo e espírito. Embora a diferenciação entre alma e espírito fosse fluida, e flutuasse ao longo do tempo, ambos originalmente unificavam em si mesmos duas concepções - a da força da vida e a da atividade da consciência.

 

Nas línguas dos velhos tempos, essas duas idéias são expressas por meio da metáfora do sopro da vida. De fato, as raízes etimológicas de "alma" e "espírito" significam "sopro", "alento", em muitas línguas antigas. As palavras para "alma" em sânscrito (atman), em grego (pneuma) e em latim (anima) significam, todas elas, "alento". O mesmo é verdadeiro para a palavra que designa "espírito" em latim (spiritus), em grego (psyche) e em hebraico (ruah). Todas essas palavras também significam "alento".

 

A antiga intuição comum que está por trás de todas essas palavras é a da alma ou espírito como o sopro da vida. De maneira semelhante, a concepção de cognição na teoria de Santiago vai muito além da mente racional, pois inclui todo o processo da vida. Descrevê-la como o sopro da vida é uma perfeita metáfora.

 

Ciência Cognitiva

Assim como a concepção de "processo mental", formulada independentemente por Gregory Bateson, a teoria da cognição, de Santiago, tem suas raízes na cibernética. Foi desenvolvida no âmbito de um movimento intelectual que aborda o estudo científico da mente e do conhecimento a partir de uma perspectiva interdisciplinar sistêmica que se situa além dos arcabouços tradicionais da psicologia e da epistemologia. Essa nova abordagem, que ainda não se cristalizou num campo científico maduro, é cada vez mais conhecida como "ciência cognitiva".

 

(209) A cibernética proporcionou à ciência cognitiva o primeiro modelo de cognição. Sua premissa era a de que a inteligência humana assemelha-se à "inteligência" do computador em tal medida que a cognição pode ser definida como processamento de informações - isto é, como uma manipulação de símbolos baseada num conjunto de regras.5 De acordo com esse modelo, o processo de cognição envolve representação mental. Assim como um computador, pensa-se que a mente opera manipulando símbolos que representam certas características do mundo.6 Esse modelo do computador para a atividade mental foi tão convincente e poderoso que dominou todas as pesquisas em ciência cognitiva por mais de trinta anos.

 

Desde a década de 40, quase tudo na neurobiologia foi modelado por essa idéia de que o cérebro é um dispositivo de processamento de informações. Por exemplo, quando estudos sobre o córtex visual mostraram que certos neurônios respondem a certas características dos objetos percebidos - velocidade, cor, contraste, e assim por diante - acreditava-se que esses neurônios com características específicas captassem informações visuais vindas da retina e as transferissem a outras áreas do cérebro para processamento posterior. No entanto, estudos subseqüentes com animais tornaram claro que a associação entre neurônios e características específicas só pode ser feita com animais anestesiados, em ambientes internos e externos rigidamente controlados. Quando um animal é estudado enquanto está desperto e exercendo seu comportamento em circunvizinhanças mais normais,suas respostas neurais tornam-se sensíveis a todo o contexto dos estímulos visuais, e não podem mais ser interpretadas em termos de processamento de informações realizado etapa por etapa.

 

O modelo do computador para a cognição foi finalmente submetido a sério questionamento na década de 70, quando surgiu a concepção de auto-organização. A motivação para submeter a hipótese dominante a uma revisão proveio de duas deficiências amplamente reconhecidas da visão computacional. A primeira é a de que o processamento de informações baseia-se em regras seqüenciais, aplicadas uma de cada vez; a segunda é a

de que ele é localizado, de modo que um dano em qualquer parte do sistema resulta numa séria anormalidade de funcionamento do todo. Ambas as características estão em patente contradição com as observações biológicas. As tarefas visuais mais comuns, até mesmo as que ocorrem em insetos minúsculos, são executadas mais depressa do que é fisicamente possível fazê-lo simulando-as seqüencialmente; e é bem conhecida a elasticidade do cérebro, que pode sofrer lesões sem que isso comprometa todo o seu funcionamento.

 

Essas observações sugeriram uma mudança de foco - de símbolos para conexidade, de regras locais para coerência global, de processamento de informações para as propriedades emergentes das redes neurais. Com o desenvolvimento concorrente da matemática não-linear e de modelos de sistemas auto-organizadores, essa mudança de foco prometia abrir novos e intelectualmente instigantes caminhos para as pesquisas. De fato, no início da década de 80, modelos "conexionistas" de redes neurais tornaram-se muito populares.

 

Estes são modelos de elementos densamente interconexos planejados para executar simultaneamente milhões de operações que geram interessantes propriedades globais, ou emergentes. Como Francisco Varela explica:

 

"O cérebro é ... um sistema altamente cooperativo: as densas interações entre seus componentes requerem que, no final, tudo o que esteja ocorrendo seja uma função daquilo que todos os componentes estão fazendo. ...

Em conseqüência disso, todo o sistema adquire uma coerência interna em padrões intrincados, mesmo que não possamos dizer exatamente como isso acontece."

 

(210) A Teoria de Santiago

A teoria da cognição de Santiago originou-se do estudo das redes neurais e, desde o princípio, esteve ligada com a concepção de autopoiese de Maturana. A cognição, de acordo com Maturana, é a atividade envolvida na autogeração e na autoperpetuação de redes autopoiéticas. Em outras palavras, a cognição é o próprio processo da vida. "Sistemas vivos são sistemas cognitivos", escreve Maturana, "e a vida como processo é um processo de cognição." Em termos de nossos três critérios fundamentais para os sistemas vivos - estrutura, padrão e processo - podemos dizer que o processo da vida consiste em todas as atividades envolvidas na contínua incorporação do padrão de organização (autopoiético) do sistema numa estrutura (dissipativa) física.

 

Uma vez que a cognição é tradicionalmente definida como o processo do conhecer, devemos ser capazes de descrevê-la pelas interações de um organismo com seu meio ambiente. De fato, é isso o que a teoria de Santiago faz. O fenômeno específico subjacente ao processo de cognição é o acoplamento estrutural.

 

Como vimos, um sistema autopoiético passa por contínuas mudanças estruturais enquanto preserva seu padrão de organização semelhante a uma teia. Em outras palavras, ele se acopla ao seu meio ambiente de maneira estrutural, por intermédio de interações recorrentes, cada uma das quais desencadeia mudanças estruturais no sistema. No entanto, o sistema vivo é autônomo. O meio ambiente apenas desencadeia as mudanças estruturais; ele não as especifica nem as dirige.

 

Ora, o sistema vivo não só especifica essas mudanças estruturais mas também especifica quais as perturbações que, vindas do meio ambiente, as desencadeiam. Esta é a chave da teoria da cognição de Santiago. As mudanças estruturais no sistema constituem atos de cognição. Ao especificar quais perturbações vindas do meio ambiente desencadeiam suas mudanças, o sistema "gera um mundo", como Maturana e Varela se expressam.

 

Desse modo, a cognição não é a representação de um mundo que existe de maneira independente, mas, em vez disso, é uma contínua atividade de criar um mundo por meio do processo de viver. As interações de um sistema vivo com seu meio ambiente são interações cognitivas, e o próprio processo da vida é um processo de cognição. Nas palavras de Maturana e de Varela: "Viver é conhecer."

 

É óbvio que estamos lidando aqui com uma expansão radical da concepção de cognição e, de maneira implícita, da concepção de mente. Nessa nova visão, a cognição envolve todo o processo da vida - incluindo a percepção, a emoção e o comportamento - e não requer necessariamente um cérebro e um sistema nervoso. Até mesmo as bactérias percebem certas características do seu meio ambiente. Elas sentem diferenças químicas

em suas vizinhanças e, conseqüentemente, nadam em direção ao açúcar e se afastam do ácido; sentem e evitam o calor, se afastam da luz ou se aproximam dela, e algumas bactérias podem até mesmo detectar campos magnéticos.14 Desse modo, até mesmo uma bactéria cria um mundo - um mundo de calor e de frio, de campos magnéticos e de gradientes químicos. Em todos esses processos cognitivos, a percepção e a ação são inseparáveis, e, uma vez que as mudanças estruturais e as ações associadas que se desencadeiam no organismo dependem da estrutura do organismo, Francisco Varela descreve a cognição como "ação incorporada".

 

(211) De fato, a cognição envolve dois tipos de atividades que estão inextricavelmente ligadas: a manutenção e a persistência da autopoiese e a criação de um mundo. Um sistema vivo é uma rede multiplamente interconexa cujos componentes estão mudando constantemente e sendo transformados e repostos por outros componentes. Há grande fluidez e flexibilidade nessa rede, que permite ao sistema responder, de uma maneira muito especial, a perturbações, ou "estímulos", provenientes do meio ambiente. Certas perturbações desencadeiam mudanças estruturais específicas - em outras palavras, mudanças na conexidade através de toda a rede. Este é um fenômeno distributivo. Toda a rede responde a uma perturbação determinada rearranjando seus padrões de conexidade.  Cada organismo muda de uma maneira diferente, e, ao longo do tempo, cada organismo forma seu caminho individual, único, de mudanças estruturais no processo de desenvolvimento. Uma vez que essas mudanças estruturais são atos de cognição, o desenvolvimento está sempre associado com a aprendizagem. De fato, desenvolvimento e aprendizagem são dois lados da mesma moeda. Ambos são expressões de acoplamento estrutural.

 

Nem todas as mudanças físicas num organismo são atos de cognição. Quando uma parte de um dente-de-leão é comida por um coelho, ou quando um animal é machucado num acidente, essas mudanças estruturais não são especificadas e dirigidas pelo organismo; elas não são mudanças de escolha, e portanto não são atos de cognição. No entanto, essas mudanças físicas impostas são acompanhadas por outras mudanças estruturais (percepção, resposta do sistema imunológico, e assim por diante) que são atos de cognição.

 

Por outro lado, nem todas as perturbações vindas do meio ambiente causam mudanças estruturais. Os organismos vivos respondem a apenas uma pequena fração dos estímulos que se imprimem sobre eles. Todos nós sabemos que podemos ver ou ouvir fenômenos somente no âmbito de uma certa faixa de freqüências; em geral, no nosso ambiente, não percebemos coisas nem eventos que não nos dizem respeito, e também sabemos que aquilo que percebemos é, em grande medida, condicionado pelo nosso arcabouço conceitual e pelo nosso contexto cultural.

 

Em outras palavras, há muitas perturbações que não causam mudanças estruturais porque são "estranhas" ao sistema. Dessa maneira, cada sistema vivo constrói seu próprio mundo, de acordo com sua própria estrutura. Como se expressa Varela: "A mente e o mundo surgem juntos." No entanto, por meio de acoplamentos estruturais mútuos, os sistemas vivos individuais são parte dos mundos uns dos outros. Eles se comunicam uns com os outros e coordenam seus comportamentos. Há uma ecologia de mundos criados por atos de cognição mutuamente coerentes.

 

Na teoria de Santiago, a cognição é parte integrante da maneira como um organismo vivo interage com seu meio ambiente. Ela não reage aos estímulos ambientais por meio de uma cadeia linear de causa e efeito, mas responde com mudanças estruturais em sua rede autopoiética não-linear, organizacionalmente fechada. Esse tipo de resposta permite que o organismo continue sua organização autopoiética e, desse modo, continue a viver em seu meio ambiente. Em outras palavras, a interação cognitiva do organismo com seu meio ambiente é interação inteligente. A partir da perspectiva da teoria de Santiago, a inteligência se manifesta na riqueza e na flexibilidade do acoplamento estrutural de um organismo.

 

A gama de interações que um sistema vivo pode ter com seu meio ambiente define seu "domínio cognitivo". As emoções são parte integrante desse domínio. Por exemplo, quando respondemos a um insulto ficando zangados, todo esse padrão de processos fisiológicos - um rosto vermelho, a respiração acelerada, tremores, e assim por diante - é parte da cognição. De fato, pesquisas recentes indicam vigorosamente que há uma coloração emocional para cada ato cognitivo.

 

(212) À medida que a complexidade de um organismo vivo aumenta, seu domínio cognitivo também aumenta. O cérebro e o sistema nervoso, em particular, representam uma expansão significativa do domínio cognitivo de um organismo, uma vez que eles aumentam em grande medida a gama e a diferenciação de seus acoplamentos estruturais. Num certo nível de complexidade, um organïsmo vivo acopla-se estruturalmente não apenas ao seu meio ambiente mas também a si mesmo, e, desse modo, cria não apenas um mundo exterior, mas um mundo interior. Nos seres humanos, a criação desse mundo interior está intimamente ligada com a linguagem, com o pensamento e com a consciência.

 

Ausência de Representação, Ausência de Informação

Sendo parte de uma concepção unificadora da vida, da mente e da consciência, a teoria da cognição de Santiago tem profundas implicações para a biologia, para a psicologia e para a filosofia. Entre essas implicações, sua contribuição à epistemologia, o ramo da filosofia que trata da natureza do nosso conhecimento a respeito do mundo, é talvez o seu aspecto mais radical e controvertido.

 

A característica singular da epistemologia implicada pela teoria de Santiago está no fato de que ela se opõe a uma idéia que é comum à maior parte das epistemologias, mas só raras vezes é explicitamente mencionada - a idéia de que a cognição é uma representação de um mundo que existe independentemente. O modelo do computador para a cognição como processamento de informações foi apenas uma formulação específica, baseada numa analogia errônea, da idéia mais geral de que o mundo é pré-dado e independente do observador, e que a cognição envolve representações mentais de suas características objetivas no âmbito do sistema cognitivo. A imagem principal, de acordo com Varela, é a de "um agente cognitivo que desceu de pára-quedas num mundo pré-dado" e que extrai suas características essenciais por intermédio de um processo de representação.

 

De acordo com a teoria de Santiago, a cognição não é a representação de um mundo pré-dado, independente, mas, em vez disso, é a criação de um mundo. O que é criado por um determinado organismo no processo de viver não é o mundo mas sim um mundo, um mundo que é sempre dependente da estrutura do organismo. Uma vez que os organismos no âmbito de uma espécie têm mais ou menos a mesma estrutura, eles criam mundos semelhantes. Além disso, nós, seres humanos, partilhamos um mundo abstrato de linguagem e de pensamento por meio do qual criamos juntos o nosso mundo.

 

Maturana e Varela não sustentam que há um vazio lá fora, a partir do qual criamos matéria. Há um mundo material, mas ele não tem nenhuma característica predeterminada. Os autores da teoria de Santiago não afirmam que "nada existe" (nothing exists); eles afirmam que "não existem coisas" (no things exist) que sejam independentes do processo de cognição. Não há estruturas que existam objetivamente; não há um território pré-dado do qual podemos fazer um mapa - a própria construção do mapa cria as características do território.

 

(213) Por exemplo, sabemos que gatos ou pássaros vêem árvores de maneira muito diferente daquela como nós vemos, pois eles percebem a luz em diferentes faixas de freqüências. Dessa maneira, as formas e as texturas das "árvores" que eles criam serão diferentes das nossas. Quando vemos uma árvore, não estamos inventando a realidade. Mas as maneiras pelas quais delineamos objetos e identificamos padrões a partir da multidão de entradas (inputs) sensoriais que recebemos depende da nossa constituição física. Como diriam Maturana e Varela, as maneiras pelas quais podemos nos acoplar estruturalmente ao nosso meio ambiente, e portanto o mundo que criamos, dependem da nossa própria estrutura. Junto com a idéia de representações mentais de um mundo independente, a teoria de Santiago também rejeita a idéia de que as informações são características objetivas desse mundo que existe independentemente. Nas palavras de Varela:

 

Devemos pôr em questão a idéia de que o mundo é pré-dado e de que cognição é representação. Na ciência cognitiva, isso significa que devemos pôr em questão a idéia de que as informações existem já feitas no mundo e de que elas são extraídas por um sistema cognitivo.

 

A rejeição da representação e da informação como sendo relevantes para o processo do conhecer são ambas difíceis de se aceitar, porque usamos constantemente ambos os conceitos. Os símbolos da nossa linguagem, tanto a falada como a escrita, são representações de coisas e de idéias; e na nossa vida diária consideramos fatos tais como a hora do dia, a data, o boletim meteorológico, o número do telefone de um amigo como pedaços de informação que são relevantes para nós. De fato, toda a nossa época tem sido, muitas vezes, chamada de a "era da informação". Portanto, como podem Maturana e Varela alegar que não existe informação no processo da cognição?

 

Para entender essa afirmação aparentemente enigmática, devemos nos lembrar de que, para os seres humanos, a cognição envolve a linguagem, o pensamento abstrato e conceitos simbólicos que não estão disponíveis para outras espécies. A capacidade de abstrair é uma característica fundamental da consciência humana, como veremos, e, devido a essa capacidade, podemos, e realmente o fazemos, usar representações mentais, símbolos e informações. No entanto, estas não são características do processo geral de cognição que é comum a todos os sistemas vivos. Embora os seres humanos usem freqüentemente representações mentais e informações, nosso processo cognitivo não se baseia nelas.

 

Para adquirir uma perspectiva adequada a respeito dessas idéias, é muito instrutivo olhar mais de perto para o que se entende por "informação". A visão convencional é a de que a informação, de alguma maneira, está "situada lá fora", pronta para ser colhida pelo cérebro. No entanto, esse pedaço de informação é uma quantidade, um nome ou uma breve afirmação que nós abstraímos de toda uma rede de relações, de um contexto no qual ela está encaixada e que lhe dá significado. Sempre que tal "fato" estiver encaixado num contexto estável que encontramos com grande regularidade, podemos abstraí-lo desse contexto, associá-lo com o significado inerente no contexto e chamá-lo de "informação".

 

Estamos tão acostumados com essas abstrações que tendemos a acreditar que o significado reside no pedaço de informação, e não no contexto do qual ele foi abstraído.

 

Por exemplo, não há nada de "informativo" na cor vermelha, exceto o fato de que, por exemplo, quando encaixada numa rede cultural de convenções e na rede tecnológica do tráfego da cidade, ela está associada com o ato de parar num cruzamento. Se pessoas vindas de uma cultura muito diferente chegam a uma de nossas cidades e vêem uma luz vermelha de tráfego, isso pode não significar nada para elas. Não haveria informação alguma transmitida. De maneira semelhante, a hora do dia e a data são abstraídas de um complexo contexto de conceitos e de idéias, inclusive de um modelo do Sistema Solar, de observações astronômicas e de convenções culturais.

 

214

As mesmas considerações se aplicam às informações genéticas codificadas no ADN. Como explica Varela, a noção de um código genético foi abstraída de uma rede metabólica subjacente na qual o significado do código está incorporado:

 

Durante muitos anos, os biólogos consideraram as seqüência de proteínas como sendo instruções codificadas no ADN. No entanto, é claro que tripletos de ADN são capazes de especificar previsivelmente um aminoácido numa proteína se e somente se eles estiverem incorporados no metabolismo da célula, isto é, nas milhares de regulações enzimáticas numa rede química complexa. É apenas devido às regularidades que emergem dessa rede como um todo que podemos destacar esse background metabólico e, dessa maneira, tratar os tripletos como códigos para aminoácidos.

 

 

 

Trecho acima extraído do livro:

 

Capra, Fritjof. A TEIA DA VIDA. Uma nova compreensão científica dos 
sistemas vivos. Tradução: Newton Roberval Eíchemberg

 

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Atenciosamente. 
Claudio Estevam Próspero 

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Respostas a este tópico

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