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Aventura humana na escala biblica-6 dias da criação. Da perspectiva de Gaia, o planeta vivo, como um todo, evolução dos seres humanos tem sido, até agora, um episódio muito breve, e pode mesmo chegar

Aventura humana na escala biblica-6 dias da criação. Da perspectiva de Gaia, o planeta vivo, como um todo, evolução dos seres humanos tem sido, até agora, um episódio muito breve, e pode mesmo chegar a um fim abrupto em futuro próximo


A aventura da evolução humana é a fase mais recente do desdobramento da vida na Terra, e para nós, naturalmente, tem um fascínio especial. No entanto, da perspectiva de Gaia, o planeta vivo como um todo, a evolução dos seres humanos tem sido, até agora, um episódio muito breve, e pode mesmo chegar a um fim abrupto em futuro próximo. Para demonstrar quão tardiamente a espécie humana chegou ao planeta, o ambientalista californiano David Brower concebeu uma narrativa engenhosa, comprimindo a idade da Terra nos seis dias da história bíblica da criação.

 

No cenário de Brower, a Terra é criada no domingo à zero hora. A vida, na forma das primeiras células bacterianas, aparece na terça-feira de manhã, por volta das 8 horas. Durante os dois dias e meio seguintes, o microcosmo evolui, e por volta da quinta-feira à meia-noite, está plenamente estabelecido, regulando todo o sistema planetário. Na sexta-feira, por volta das dezesseis horas, os microorganismos inventam a reprodução sexual, e no sábado, o último dia da criação, todas as formas de vida visíveis se desenvolvem.

 

Por volta de 1:30 da madrugada do sábado, os primeiros animais marinhos são formados, e, por volta das 9:30 da manhã, as primeiras plantas chegam às praias, seguidas, duas horas mais tarde, por anfíbios e por insetos. Dez minutos antes das dezessete horas, surgem os grandes répteis, perambulam pela Terra em luxuriantes florestas tropicais durante cinco horas, e então, subitamente, morrem por volta das 21:45. Enquanto isso, os mamíferos chegam à Terra no final da tarde, por volta das 17:30, e os pássaros já à noitinha, cerca das 19:15 horas.

 

(206) Pouco antes das 22 horas, alguns mamíferos tropicais que habitavam árvores evoluem nos primeiros primatas; uma hora depois, alguns destes evoluem em macacos; e por volta das 23:40 aparecem os grandes símios antropóides. Oito minutos antes da meia-noite, os primeiros símios antropóides do sul se erguem e caminham sobre duas pernas. Cinco minutos mais tarde, desaparecem novamente. A primeira espécie humana, o Homo habilis, surge quatro minutos antes da meia-noite, evolui no Homo erectus meio minuto mais tarde e, nas formas arcaicas do Homo sapiens, trinta segundos antes da meia-noite. Os Neandertais comandam a Europa e a Ásia de quinze a quatro segundos antes da meia-noite. Finalmente, a espécie humana moderna aparece na África e na Ásia onze segundos antes da meia-noite, e na Europa, cinco segundos antes da meia-noite. A história humana escrita começa por volta de dois terços de segundo antes da meia-noite.

 

Por volta de 35.000 anos atrás, a espécie moderna de Homo sapiens substituiu os Neandertais na Europa e evoluiu numa subespécie conhecida como Cro-Magnon – batizada em homenagem a uma caverna do sul da França -, à qual pertencem todos os modernos seres humanos. Os Cro-Magnons eram anatomicamente idênticos a nós, tinham uma linguagem plenamente desenvolvida e criaram uma verdadeira explosão de inovações tecnológicas e de atividades artísticas. Ferramentas de pedra e de ossos primorosamente trabalhadas, jóias de conchas e de marfim, e magníficas pinturas nas paredes de cavernas úmidas e inacessíveis são testemunhos vívidos da sofisticação cultural desses membros primitivos da raça humana moderna.

 

Até recentemente, os arqueologistas acreditavam que os Cro-Magnons desenvolveram gradualmente suas pinturas rupestres, começando com desenhos desajeitados e grosseiros e atingindo seu apogeu com as famosas pinturas em Lascaux, há cerca de 16.000 anos. No entanto, a sensacional descoberta da caverna Chauvet, em dezembro de 1994, forçou os cientistas a revisar radicalmente suas idéias. Essa ampla caverna da região de Ardèche, no sul da França, consiste num labirinto de câmaras subterrâneas repletas com mais de trezentas pinturas extremamente bem-acabadas. O estilo é semelhante à arte de Lascaux, mas cuidadosas datações com carbono radioativo mostraram que as pinturas de Chauvet têm, pelo menos, 30.000 anos.

 

As figuras, pintadas em ocre, em matizes de carvão vegetal e em hematita vermelha, são imagens simbólicas de leões, de mamutes e de outros animais perigosos, muitos deles saltando ou correndo ao longo de largos painéis. Especialistas nas velhas pinturas em rocha ficaram perplexos pelas técnicas sofisticadas - sombreamento, ângulos especiais, cambaleio das figuras em movimento, e assim por diante - utilizadas pelos artistas rupestres para representar movimento e perspectiva. Além das pinturas, a caverna Chauvet também contém uma profusão de ferramentas de pedra e de objetos rituais, inclusive uma laje de pedra semelhante a um altar com um crânio de urso colocado sobre ela. Talvez a descoberta mais intrigante seja um desenho em preto de uma criatura xamânica, metade ser humano e metade bisão, encontrado na parte mais profunda e mais escura da caverna. A data inesperadamente antiga dessas pinturas magníficas significa que a grande arte fazia parte integral da evolução dos modernos seres humanos desde o princípio. Como assinalam Margulis e Sagan:

 

Essas pinturas, por si sós, marcam claramente a presença do moderno Homo sapiens sobre a Terra. Somente as pessoas pintam, somente as pessoas planejam expedições até as extremidades mais fundas de cavernas úmidas e escuras em cerimônias. Somente as pessoas enterram os seus mortos com pompa. A procura pelo ancestral histórico do homem é a procura pelo contador de histórias e pelo artista.

 

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Isto significa que um entendimento adequado da evolução humana é impossível sem um entendimento da evolução da linguagem, da arte e da cultura. Em outras palavras, agora devemos voltar nossa atenção para a mente e para a consciência, a terceira dimensão conceitual da visão sistêmica da vida.

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Trecho acima extraído do livro:

 

Capra, Fritjof. A TEIA DA VIDA. Uma nova compreensão científica dos 
sistemas vivos. Tradução: Newton Roberval Eíchemberg

 

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Atenciosamente. 
Claudio Estevam Próspero 

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Respostas a este tópico

Interessante o conteúdo do texto, darei atenção para o último parágrafo e além de vários autores que pairou a memória o que me chamou atenção foi Henri Bergson no seu livro "O pensamento e o Movente" assim assinala: " A inteligência só guarda dele uma série de posições: um ponto atingindo de início, depois um outro, depois outro ainda. Objeta-se ao entendimento que entre esses pontos se passa algo? Rapidamente ele intercala novas posições e assim por diante, indefinidamente. Da transição ele desvia seu olhar. Se insistmos, arranja-se de modo que a mobilidade, repelida para intervalos cada vez mais estreitos à medida que aumenta o número das posições consideradas, recue, se afaste, desapareça no infinitamente pequeno. Nada mais natural, se a inteligência estiver destinada sobretudo a preparar e a iluminar nossa ação sobre as coisas. Nossa ação só se exerce comodamente sobre pontos fixos; é portanto a fixidez que nossa inteligência procura....O autor busca uma compreensão da mente como sendo transmitidas por objetos exterior aos nossos sentidos, uma espécie de materialidade quando pensamos, se pensamos em arte fazemos analogias com outros objetos para abstrair-mos a necessária elucidação, no caso da linguagem e cultura vai muito além deste simples fragmento de texto, além de análise semiológica, lógico-semântica, e tudo aquilo marginalizada de vetoriais análises, "gramática", "poder", "dialética", etc, ficarei mais tranquilo se todas estes sistemas fossem imerso na filosofia, assim ter-se-á falando presumivelmente de linguagem, porém, coligindo, ao mesmo tempo de cultura.

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