Escola de Redes

Finalmente, em "The Holy", Daniel Quinn lança sua cartada final e conta como um pai de família se torna um neo-beatnick, largando esposa e filho para empreender uma jornada estranha e non-sense depois da sua descrença no sistema educacional vigente (a exemplo de Quinn que passou por frustração semelhante depois de trabalhar no mercado editorial).

Mesmo "The Man Who Grew Young", "The Tales of Adam" e "The Book of the Damned", "Work, Work, Work" e "If They Give You Lined Paper, Write Sideways", seu mais recente livro, são apenas complementos para a solução animista que apresenta em "The Holy".

Enquanto a trilogia prepara as mentes, "The Holy" derruba sua inércia (uma das falhas que manteve na trilogia) e ousa exemplificar uma alternativa revolucionária e seus resultados imprevisíveis no mundo. E a mensagem final de "The Holy" é pura e simplesmente o que Daniel Quinn sugere abertamente em "Além da Civilização":
"Deixem meu povo ir embora!"

E nós somos este povo (sem toda a carga bíblica e/ou marxista que deram a ela, obviamente). Reparem também que no final o gorila Ismael volta para a floresta, Jared e Shirin viram foragidos depois do assassinato do B original, Julie sugere que irá preparar a sua "nova revolução tribal" (livre de escolas e universidades) e David (de "The Holy") se torna um outsider que mesmo com um fim trágico, realiza seu sonho e prepara a missão do seu filho com o exemplo de sua escolha por um modo diferente de viver e morrer.

Mesmo que DQ não tenha cogitado nada disso ou que ele nunca endosse o que descrevi acima, esta tese pode nos indicar algum caminho, afinal, esta é a vantagem da didática maiêutica de Sócrates.

Por favor, perdoe minha arrogância em tentar encontrar um modo pragmático de ação direta. E, depois de todo o exposto acima, a melhor e mais viável ação direta seria o fomento do êxodo urbano começando individualmente até gerar uma verdadeira onda que iria se acelerar com a inevitável busca de recursos naturais cada vez mais escassos. Esta troca de ambiente pode não erradicar o problema da mente Pegadora que iria junto com algumas das pessoas mais desavisadas, mas iria filtrar quem fica e quem sai. Na natureza selvagem não adianta o "pede prá sair"!

O corpo é a arma, como dizia o psiquiatra Roberto Freire.
Luiz Cipher

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