Escola de Redes

[Inovação necessária] Tribalismo étnico => Civilização de conquista => ?
Publicado por Claudio Estevam Próspero em 8 abril 2009 às 8:37 em Ecoloucos

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Além da Civilização - recomendação de leitura
Postado por Claudio Estevam Próspero em 30 março 2009 às 2:42

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Respostas a este tópico

"Não são os produtos que fazem com que a economia tribal funcione e sim a energia humana. Essa é a transação fundamental, que ocorre tão naturalmente que as pessoas se equivocam freqüentemente pensando que não existe nenhuma economia, assim como supõem, equivocadamente, que elas não têm nenhum sistema educacional. Vocês fazem e vendem centenas de milhões de produtos a cada ano para construir, equipar e contratar pessoas para trabalhar nas escolas e educar seus filhos. Os povos tribais atingem o mesmo objetivo, graças a um nível menor, porém constante, de troca de energia entre adultos e crianças, que mal é percebida. Vocês fazem e vendem centenas de milhões de produtos a cada ano para poder contratar policiais para manter a lei e a ordem. Os povos tribais atingem os mesmos objetivos fazendo isso eles mesmos. Manter a lei e a ordem não é uma tarefa agradável, mas isso não chega a tirar o sono deles, como ocorre com vocês. Vocês fazem e vendem trilhões de produtos a cada ano para manter governos incrivelmente ineficientes, como você bem sabe. Os povos tribais conseguem se autogovernar com eficiência, sem comprar nem vender nada. Um sistema baseado na troca de produtos inevitavelmente canaliza a riqueza para as mãos de poucos, e nenhuma mudança governamental será capaz de corrigir isso. Não tem nada a ver com o capitalismo especificamente. O capitalismo foi apenas a expressão mais recente de uma idéia que surgiu há dez mil anos com a fundação da sua cultura. Os revolucionários do comunismo internacional não se aprofundaram suficientemente para realizar as mudanças que sonhavam. Eles pensaram que poderiam parar o carrossel se capturassem todos os cavalos. Mas, claro, os cavalos não faziam o carrossel girar. Os cavalos eram apenas passageiros, como todos vocês." - Daniel Quinn, Além da civilização.
Duas Visões do Universo ou da Vida - Trecho de História de B - Daniel Quinn.

Como mais um estimulo para encorajar a leitura da obra de Quinn, segue anexo um trecho onde é discutida a diferença entre a Nossa Cultura ("Pegadora") e as Culturas Tribais ("Largadoras").

Reforço minha convicção de que os livros de Quinn são ferramentas necessárias para formar Novas Cabeças, que conseguirão fazer a transição para Além da Civilização: um modo de vida melhor e viável para manter a Vida na Terra. Algo que Velhas Cabeças, mesmo que com Novos Programas, não podem fazer.

Um abraço.
Claudio
Anexos
Uma parábola sobre a durabilidade

Um inventor levou seus projetos de um aparelho para um engenheiro, que olhou para eles e disse:

“O que você tem aqui é sistematicamente defeituoso, o que significa que vai quebrar depois de apenas alguns minutos de funcionamento”.

“Não, se for bem feito”, replicou o inventor. “Toda peça deve ser feita com o melhor material que existe com as especificações exatas”.

O engenheiro mandou construir o aparelho, mas ele quebrou depois de apenas quatro minutos de funcionamento. O inventor não desanimou.

“Você não fez o que lhe disse para fazer”, disse ele. “Você vai ter de usar materiais bem melhores — os melhores de todos — e fabricar as peças seguindo as especificações da maneira mais exata possível”.

O engenheiro tentou novamente, e o novo modelo funcionou durante oito minutos.

“Viu?”, disse o inventor. “Fizemos um progresso tremendo. Tente de novo, agora com materiais melhores ainda e seguindo as especificações de maneira mais fiel ainda”.

O último aparelho durou dez minutos. O inventor pediu ao engenheiro que fizesse outro modelo, usando materiais bem melhores e sendo mais fiel ainda às especificações. O novo modelo durou onze minutos.

O inventor queria continuar indefinidamente o processo, esforçando-se por ter peças perfeitas, mas o engenheiro recusou, dizendo:

“Não está vendo que estamos tendo melhorias cada vez menores? É um desperdício de tempo tentar fazer um projeto defeituoso funcionar melhorando suas peças. Traga-me um projeto viável que lhe garanto um aparelho que vai funcionar durante anos, usando peças de materiais comuns com especificações comuns”.

173
Por que o que temos não é durável
É um princípio fundamental de nossa mitologia cultural que a única coisa errada conosco é que os seres humanos não são suficientemente bem feitos. Precisamos ser feitos com materiais melhores, com um conjunto de especificações melhores (criados, talvez, pelas versões ecológicas de nossas religiões tradicionais). Só precisamos ter mais bondade, gentileza, carinho, amor; menos egoísmo, mais visão, e assim por diante, e aí, então, tudo vai ser ótimo. É claro que ninguém conseguiu nos melhorar no ano passado, nem no anterior, nem no outro antes deste, nem no anterior a este último — aliás, em ano nenhum da história documentada —, mas talvez este ano a gente tenha sorte... ou talvez o próximo, ou o outro depois dele.

O que tentei dizer em todos os meus livros é que o defeito da nossa civilização não está nas pessoas, mas no sistema. É verdade que o sistema tem feito um barulhão nos últimos dez mil anos, que é um tempo bem longo segundo a escala de uma vida individual, mas, visto segundo a escala da história humana, esse episódio não é notável por sua duração épica, mas por sua trágica brevidade.

Em Ismael, comparo o nosso aparato civilizatório a um avião que está no ar há dez mil anos — mas em queda livre, não em vôo. Se ficarmos dentro dele, vamos nos espatifar com ele, e logo. No entanto, se a maioria de nós diminuir sua carga abandonando-o, ele talvez consiga manter-se no ar durante muito tempo (enquanto o resto de nós tenta alguma coisa que faça mais sentido).

174
Vamos saltar de pára-quedas e passar para o outro lado do muro!
James W. Fernandez, professor de antropologia, escreveu o seguinte:

“Os antropólogos, ao contrário dos filósofos, acham que os mundos culturais nascem com o uso (a promulgação) de metáforas combinadas” (itálicos meus).

É isso aí. Estou satisfeito por combinar algumas metáforas em prol da criação de um novo mundo cultural.

Depois de várias horas de discussão sobre o movimento que deve levar para uma vida tribal além da civilização, um dos membros do seminário de que participei disse que ainda não entendia por que essa proposta serviria para tornar a vida humana mais sustentável. Já se passou um bocado de tempo desde a última vez que falei dessa questão e por isso acho que devo abordá-la de novo. É uma questão válida e importante. A Nova Revolução Tribal pode dar uma vida melhor às pessoas, mas, se não servir para perpetuar a nossa espécie além de algumas décadas, qual é o problema?

Neste exato momento, há cerca de seis bilhões de seres humanos no que chamei de “cultura do prejuízo máximo”. Só dez por cento desses seis bilhões de pessoas estão sendo prejudiciais ao máximo — esgotando recursos a toda a velocidade, contribuindo para o aquecimento global a toda a velocidade, e assim por diante —, mas os outros noventa por cento, sem nada melhor em vista, só querem ser como os dez por cento. Invejam aqueles dez por cento porque estão convencidos de que viver de um modo que seja prejudicial ao máximo é o melhor de todos os modos de vida possíveis.

Se não lhes oferecermos algo melhor para querer, estamos fritos.

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Uma mudança sistêmica
A Nova Revolução Tribal é um plano de fuga da prisão da nossa cultura. Os muros da nossa prisão são econômicos, isto é, a necessidade de ganhar a vida nos mantém dentro deles, pois não há como ganhar a vida do lado de fora. Não podemos empregar a solução maia — não podemos desaparecer num mundo de tribalismo étnico. Mas podemos desaparecer numa vida de tribalismo ocupacional.

Isso vai transformar a nossa civilização em ruínas fumegantes? Claro que não. Vai diminuí-la. À medida que um número cada vez maior de pessoas entender que pular o muro significa conseguir algo melhor (não “renunciar” a alguma coisa), um número cada vez maior de pessoas vai abandonar a cultura do prejuízo máximo — e quanto mais essa cultura for abandonada tanto melhor. O plano de fuga leva para além da civilização, para além daquilo que, segundo a nossa mitologia cultural, é a invenção suprema, a última invenção da humanidade.

O plano de fuga leva para a próxima invenção da humanidade.

Mesmo assim, será que essa próxima invenção vai dar-nos um modo de vida sustentável? Eis aqui uma forma de avaliar isso: os seres humanos que viviam em tribos eram tão estáveis ecologicamente quanto leões ou babuínos que viviam em bandos. A vida tribal não foi algo que os humanos se sentaram e ficaram imaginando. Foi o presente da seleção natural, um sucesso comprovado — não a perfeição, mas difícil de melhorar. A hierarquização, por outro lado, mostrou ser não somente imperfeita, mas catastrófica, em última instância, para a Terra e para nós. Quando o avião está caindo e alguém lhe oferece um pára-quedas, você não faz questão de ver sua garantia.

176
Mas por que próxima grande aventura da “humanidade”?
Em A história de B e em outras obras, fiz questão de deixar bem claro que nós — os conquistadores, o povo dessa cultura — não somos a humanidade e, com toda a certeza, nunca refutei essa afirmação. Não é a humanidade que está convertendo a biomassa deste planeta em massa humana, são os membros da nossa cultura — nossa. Não é a humanidade que está levando milhares de espécies à extinção todos os anos com sua expansão, são os membros da nossa cultura — nossa.

Por que então descrever a Nova Revolução Tribal como próxima grande aventura da “humanidade” em vez de “nossa” próxima grande aventura? A resposta é simples: a civilização não foi “nossa” aventura. Como disse muitas e muitas vezes neste livro, a civilização foi uma aventura da qual muitos povos participaram. “Nós” não fomos os únicos; fomos apenas os únicos que a mantiveram próximo da auto-imolação. E, se a civilização não era apenas a “nossa” grande aventura, como a próxima grande aventura poderia ser apenas “nossa”?

A Nova Revolução Tribal não pretende ser nossa apenas — afinal de contas, qualquer um pode participar dela. Mas também não é compulsória. O velho tribalismo com o qual a humanidade se tornou humanidade é tão bom quanto sempre foi. Nunca vai se desgastar, nem ficar obsoleto. Pousar na Lua foi uma grande façanha da humanidade, mas não significa que todos os seres humanos têm de ir até lá.

Que tipos de negócio se prestam a isso?
Para mim, qualquer tipo de negócio que pode dar certo de maneira convencional pode dar certo de maneira tribal — com algumas exceções. Um negócio estruturado em torno do trabalho de um único indivíduo não parece prestar-se a uma abordagem tribal. Por exemplo: é difícil imaginar um clínico-geral e sua equipe trabalhando tribalmente. A disparidade entre o que o médico oferece e o que todos os outros oferecem é grande demais. Por outro lado, a idéia de um hospital tribal não é um absurdo, pois lá o clínico-geral ofereceria um trabalho equivalente ao do cirurgião, do administrador, do anestesista, e assim por diante. Não consegui imaginar uma forma de transformar o trabalho de escritor/a num negócio tribal (a menos que ele/ela prefira publicar a própria obra).

Para citar só algumas coisas: restaurantes, firmas de jardinagem e empreiteiras poderiam se estruturar tribalmente (e tenho certeza de que muitas já fazem isso). Lembre-se de que, tal como já foi definida, uma tribo não é nada mais que uma coalizão de pessoas que trabalham juntas como iguais para ganhar a vida.

Realmente não vejo limites para as possibilidades.

Trechos extraídos de ALEM DA CIVILIZAÇÃO - A próxima grande aventura da humanidade

Cláudio, espero ainda contar com suas lembranças de leitura. Estou acabando Além da Civilização e achando ótimo. Engraçado que estamos conversando aqui onde moro sobre a constituição de uma mídia colaborativa e o texto veio casando com uma experiência que já tive, de ter um jornal. Realmente não é possível nos moldes capitalistas tradicionais, como ele fala. Só não tinha pensado nessa ferramenta social que ele muito bem explana que é a tribo. Sensacional! 

Rafael, boa noite.

     É sempre gratificante revisitar Daniel Quinn. Eu o faço regularmente. É um dos meus autores prediletos.

     Espero que sua "tribo tecnológica"  (mídia colaborativa) possa ser mais um exemplo, entre as tantas experiências, existentes no mundo, de novas manifestações da Tecnologia Social que a Humanidade desenvolveu em milhões de anos e que foi ofuscada por nossa obsessão pela Civilização das Pirâmides /Templos dos últimos 10.000 anos. Grande abraço e sucesso.



rafael ferreira de paula disse:

Cláudio, espero ainda contar com suas lembranças de leitura. Estou acabando Além da Civilização e achando ótimo. Engraçado que estamos conversando aqui onde moro sobre a constituição de uma mídia colaborativa e o texto veio casando com uma experiência que já tive, de ter um jornal. Realmente não é possível nos moldes capitalistas tradicionais, como ele fala. Só não tinha pensado nessa ferramenta social que ele muito bem explana que é a tribo. Sensacional! 

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