Escola de Redes

INVESTIGAÇÕES EM ANDAMENTO 2016

DEMOCRACIA COMO MODO DE VIDA | A transição de um olhar platônico por um olhar protagoriano (quando as academias virarão democracias). A democracia como processo intermitente de desconstituição de autocracia. A democracia como um erro no script da Matrix ou como uma janela para o simbionte social poder respirar. O processo de democratização na base da sociedade e no cotidiano do cidadão: em que medida é possível democratizar a família, a escola e a universidade, as igrejas, as organizações da sociedade civil e as empresas? A transição da sociedade hierárquica para uma sociedade em rede: por que não é possível substituir as instituições sociais atuais por outras entidades mais democráticas (a transição que não será substituição). Como usar a democracia para desprogramar seis milênios de cultura autocrática.

RECONHECIMENTO DE PADRÕES | Pode haver uma ciência propriamente dita de reconhecimento de padrões baseada numa ampliação do conceito de isomorfismo? Reconhecimento de padrões como chave para decifrar códigos de programação da rede social que se replicam em diferentes regiões do tempo. A rede como fluxo e a programação da rede como reprogramação do tempo. As problemáticas da sintonia, da sinergia e da simbiose entre pessoas que estão vivendo em diversos ambientes (e que mesmo estando aparentemente co-presentes estão vivendo em outras regiões do tempo: a não-contemporaneidade). A aplicação da “teoria” do reconhecimento de padrões para explicar a resiliência dos padrões autocráticos da civilização patriarcal.

OPENSCIENCE | Por que as ciências do segundo milênio não foram open sciences. O conceito de código da ciência para além do conceito kuhniano “sindical” de paradigma. A ciência inventada pelos epistemólogos racionalistas da passagem do século 19 para o século 20 e as ciências não-mecanicistas passadas e futuras. Como abrir o código da ciência mecanicista. Como tornar abertas as investigações. Como compartilhar recursos entre diversos investigadores. Como criar novos ambientes compartilhados de investigação-aprendizagem organizados em rede e regidos democraticamente (processos de multiversidade abertos no lugar de ambientes fechados de universidade). Como examinar outros códigos de possíveis ciências diferentes da ciência atual. Como manter abertos os códigos das novas ciências da complexidade que já estão emergindo ou vão surgir no terceiro milênio.

TEORIA INTERATIVISTA DA APRENDIZAGEM | Uma nova visão da aprendizagem não-cognitivista, ou seja, não baseada em uma teoria do conhecimento e sim numa teoria da alostase social. A aprendizagem como processo interativo: somente redes podem aprender. As diferenças entre a aprendizagem que ocorre em seres vivos (organismos, partes de organismos e ecossistemas), em redes de seres vivos (conjuntos de seres vivos em interação), em redes de seres não-vivos (capazes de interagir) e em seres sociais (pessoas ou redes de pessoas). Como o animal humano (o indivíduo da espécie Homo Sapiens) aprende por meio de processos que são comuns aos seres vivos. Porque esses processos são interativos (e não-instrutivos). Como os seres humanos podem aprender por meio de processos que não são comuns aos seres vivos, mas que ocorrem apenas entre humanos: quais as características dessa aprendizagem tipicamente humana. Por que, na aprendizagem tipicamente humana, quem aprende é a pessoa. Como, quando aprende, a pessoa se modifica. Por que a pessoa se modifica quando muda de comportamento no relacionamento com outras pessoas (alostase social). Por que e como, quando a pessoa se modifica, modificam-se necessariamente a topologia e a dinâmica do emaranhado (a rede) onde ela está e é (quer dizer, existe como pessoa). Por que, quando a pessoa se modifica, criam-se novos mundos sociais (novos emaranhados, novas redes). Por que toda aprendizagem tipicamente humana é criativa, não reprodutiva. Como justificar, segundo um ponto de vista interativista (e não individual) que o único fundamento da aprendizagem tipicamente humana é a liberdade (que depende da livre-interação entre pessoas). E por que toda aprendizagem tipicamente humana é livre-aprendizagem. A abordagem da livre-aprendizagem como um ato criativo: como uma criação-entre (alterpoiese).

ALMA E REDE | Por que o que chamamos de alma é uma interiorização por espelhamento — sempre única a cada vez — dos relacionamentos que produzem humanidade. A humanidade como qualidade da alma e não como uma coleção de indivíduos de uma espécie biológica. A explicação de por que o que produz humanidade são os mesmos eventos que produzem o ente social que chamamos de pessoa; ou seja, o humano propriamente dito. Como enfrentar o desafio brutal de reler e reescrever — para além do último Hillman e à luz da Nova Ciência das Redes — tudo que foi dito para o indivíduo à luz dessa concepção.

O SIMBIONTE SOCIAL | O tema me persegue desde 1996. Tudo parte da hipótese de que o social é uma outra criação (a pessoa como clone social). Não tenho como fazer agora uma ementa adequada e por isso transcrevo para cá as anotações que fiz durante um voo de São Paulo para Belo Horizonte, em setembro de 2013, nas margens de uma revista da companhia aérea. “Imagine que as outras pessoas fazem parte de você; ou seja, que você e as outras pessoas fazem parte de um mesmo organismo. Cada pessoa, por certo, é diferente das demais, é sempre unique, inclusive porque desempenha, a cada momento, uma função particular nesse organismo, ainda que não determinada pela sua posição no organismo. Assim, as funções particulares de cada pessoa não são fixas, mas variam com o fluxo interativo que rege o metabolismo do organismo e que, em certo sentido, é o próprio organismo. O organismo em questão não é uma hierarquia, mas uma rede. O organismo é composto por pessoas, não por indivíduos. Isso significa que o organismo é social, não biológico. O organismo é fractal, não unitário: cada pessoa faz parte do organismo, mas também é o próprio organismo, em prefiguração. Ou seja, as pessoas só existem como tais enquanto estão prefigurando o organismo. O organismo não existe, porém existirá. Não porque só possamos percebê-lo movendo-se solidariamente, dançando como um corpo, como um organismo mesmo, a partir de níveis altíssimos de interatividade que ainda não foram alcançados, mas porque seu tempo ou modo-de-ser é o futuro. No presente, porém, existem as pessoas”. Dois dias depois acrescentei: “Só o presente existe (passado e futuro são modos de narrá-lo). No modo futuro existe o simbionte social, mas no presente só as pessoas. Quando o futuro da não-hierarquia chegar, será presente. O presente das pessoas”.

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