Escola de Redes

A tele consiste, basicamente, na capacidade de diferenciar pessoas, coisas e objetos como partes separadas de si mesmo e comunicar-se empaticamente com elas. O ser humano pode responder a esta sensação de separatividade com afeto, rejeição ou neutralidade vincular, sendo esta última indiferença ao outro, seja por falta de proximidade física, conhecimento emocional ou diferenças de interesses e valores sócio-culturais. Seguindo esta leitura do conceito de tele, a capacidade de fazer diferenciações está diretamente ligada aos processos de desenvolvimento infantil e as respostas espontâneas para a formação de vínculos (afeto, rejeição, indiferença) sofreriam estas influências.  

O primeiro reflexo social que indica o surgimento do fator tele é quando a criança, através do desenvolvimento de seu sistema nervoso e o amadurecimento dos órgãos  do sentido, consegue aos poucos diferenciar o eu do não eu, podendo responder aos estímulos externos com atração ou rechaço. Este momento constitui o núcleo das posteriores condutas de atração e repulsão e das emoções. Com o desenvolvimento da criança, o fator tele torna-se cada vez mais complexo. Partindo de uma tele indiferenciada para a matriz de identidade, em que se confundem pessoas e coisas, fantasia e realidade, passa-se para um período em que a tele começa a se ramificar aumentando, na criança, a capacidade discriminativa. Emerge, então, a tele para pessoas e a tele para objetos, a tele para objetos reais e para objetos imaginários. A partir do desdobramento da vida afetiva e da complexidade do meio em que o sujeito se desenvolve, o fator tele continua a se especializar.

 

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