Escola de Redes

Os seres humanos vem construindo seu viver a partir de conversações. Vivemos mergulhados na linguagem e compartilhamos em grupos nossas experiências de vida desde os tempos das cavernas. Antes das sociedades patriarcais/matriarcais esse compartilhar acontecia na igualdade da legitimidade de todos os indivíduos. E formamos nossa cultura desse modo, aprendendo uns com os outros de modo livre e não ordenado.

Entretanto os modelos civilizatórios centralizados nos ordenaram em um outro modelo de convivência onde os papéis de pai, tutor, chefe, mestre e senhor surgiram promovendo a diferenciação entre quem sabe e quem aprende. Nossas escolas estão organizadas assim, as empresas se hierarquizam desse modo e em nossas casas também convivemos nesta dinâmica.

Quando Harrison Owen propõe o Open Space como método de organização para o encontro de grupos ele nos traz exatamente uma ferramenta de convivência que nos permite resgatar nosso modo de ser mais natural e fluente. Open Space então ocorre como um espaço aberto onde de modo livre e não-hieráquico podemos nos reunir para aprendizado, decisão, solução de conflitos ou puro entretenimento.

Academicamente o Open Space se inspira em inúmeras referências como a Aprendizagem Construtivista de Jean Piaget e a Aprendizagem Cognitiva de David Ausubel.

Owen em seu artigo “Opening Space for Emerging Order”, explica os Quatro Princípios do Open Space:

1) Seja quem for que veio,é a pessoa certa;

2) O que quer que aconteça, é apenas aquilo que deveria ter acontecido;

3) Quando quer que comece é na hora certa;

4) Quando acabar, acabou.

E acompanhando a Lei dos Dois Pés afirmando que, “Se a qualquer momento você encontra-se em qualquer situação onde você não estiver nem aprendendo ou contribuindo – use seus dois pés e dirija-se para um lugar mais ao seu gosto”.

Observem que estas leis não são regras s serem seguidas mas apenas descrevem o que ocorre naturalmente. Elas tem um efeito legitimador sobre nosso modo de ser espontâneo, nos livrando da culpa e punição por desejarmos abandonar uma reunião chata, ou divagar mentalmente enquanto alguém diz algo que não nos interessa. Os princípios de Owen não são norteadores, são liberadores!

Interessante observar que Open Space, o Bar Camp , a desconferência e outras formas de conversação livres em grupo, como o Woldcafé e a Investigação Apreciativa, surgem nos anos 80 a partir de pesquisadores acadêmicos no Canadá, México e Estados Unidos.

Enquanto a Era do Conhecimento se afirmava os modelos de relacionamento e interação presenciais começaram a não dar conta da demanda. A inteligência coletiva, o conectivismo, o aprendizado em rede e as diversas formas de conexão entre indivíduos passaram a exigir modelos de encontros presenciais menos hierárquicos, mais ricos em possibilidades e inovação.

Termino perguntando provocativamente, como podemos desejar que as pessoas interajam de uma maneira inovadora nos meios digitais se nos encontros presenciais ainda mantemos os velhos modelos de reunião, palestra, aula, congresso e conferência?

Foi buscando esta resposta que entendi Harrison Owen e seu Open Space.

Se você quiser aprofundar esta reflexão compareça no encontro sobre este tema no Open Space da CIRS 2010. Estarei por lá te aguardando.

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