Escola de Redes

II - DEMOCRACIA INTERATIVA

Que sua dinâmica será mais interativa do que participativa ou adesiva.

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Pesando em Max Weber, se nota que os seus três tipos de dominação estabelecida na autoridade estão descaracterizando: A) Dominação carismática, que se suporta sua autoridade graças a uma devoção afetiva por parte dos dominados. Podemos ver as transformações que vem ocorrendo, a perda das forças dos Padres/Bispos católicos para os Pastores evangélicos; Fechamento de muitas igrejas na Europa, crescimento do islã na Europa, como o aparecimento de novos movimentos da Nova Era (New Age).

B) Dominação tradicional, onde a autoridade é, pura e simplesmente, suportada pela existência de uma fidelidade tradicional, regido por uma lei moral. A autoridade dos pais vem se perdendo dentro de casa, os filhos não os obedecem mais; mas escolas podem ver indisciplinas e violências entre professores e alunos como entre si.

C) Dominação legal, onde através do direito pode ser criado e modificado e tem a burocracia como o aparelho para este tipo de dominação, hoje os partidos políticos estão perdendo a autoridade de ser o intermediário entre a cidadania e o Estado contrapondo com as ONGs que estão ganhando mais força e interferindo no poder políticos nos dias de hoje. Lembrando que esta transformação acompanha a perda de um interesse digamos “generalista” de uma ideologia de futuro melhor dos programas dos partidos políticos para ação de resultados imediatos das ONGs e que são pontuam em específicas lutas (direcionam a luta em uma só frente ou em um só foco). O político de hoje, está perdendo o seu papel de representante, o cidadão não mais os vêem como o interlocutor de suas necessidades.

No Brasil de hoje, cidadãos estão se organizando e formando grupos para controlarem as contas publicas, em varias cidades pelo interior do Brasil (Amarribo, OS de transparências, Observatório social que está presente em 14 estados em mais de 75 municípios). São cidadãos que estão montando Organização Não Governamental sem fins lucrativos e político-partidários, que visa transparência na gestão pública e o combate à corrupção. Ou seja, os cidadãos estão querendo se interagir participar das políticas sociais, o que significa que cada vez mais querem ter o direito de interagir: na elaboração, na deliberação, na implantação, no monitoramento e na avaliação das políticas públicas.

Nota-se que a crise de autoridade se passa no meio da nossa cultura, a sociedade mobiliza-se cada vez mais rejeitando o poder, a autoridade e a liderança fundada em uma só pessoa como se fosse o grande líder ou o “poderoso chefão”. As instituições de hoje buscam em suas organizações outro tipo de liderança, ou melhor, buscam colíderes em que a liderança está sendo cooperada e interagida entre todos os participantes, cada vez mais todos recebem estímulos para a sua autoliderança, dissolvendo desta forma a relação liderança e liderado, tornando estas instituições mais flexíveis e dinâmicas. Desta forma fortalece cada vez mais a formação de uma DEMOCRACIA INTERATIVA.

(Peço desculpas pelo meu português, tento melhorá-lo, mas acabo sempre escorregando, resultado da minha dislexia).

Democratização Interativa em Redes por Afiliação

“Qualquer ser humano pode pertencer a diferentes culturas em diversos momentos do seu viver, segundo as conversações das quais ele participa nesses momentos.”

(Humberto Maturana, “Conversações Matristicas e Patriarcais”)

Na nova Ciência de Redes, uma das investigações complexas é quanto as redes por afiliação, onde as pessoas são identificadas pelos diversos contextos em que se aglomeram. Assim “redes por afiliação são, portanto, redes de conjuntos superpostos, ligados entre si pela coparticipação de indivíduos em múltiplos grupos” (1). Infere-se daí que as pessoas podem clusterizar-se com outras, em quantidade de afiliações que lhes aprouver, permanecendo ou não neste contexto, sem que o seu desligamento reflita uma atitude de dissidência combatente. Assim o outro que discorda e diz que não pertence, permanentemente ou por um período, daquela rede de conversações de pessoas, este não sai com o emocionar de quem está numa competição, numa guerra. Mas se as pessoas deste grupo se organizam em um padrão hierárquico, em um sistema autocrático de poder (uma gangue política, p.ex.), tenderam a tratar o outro como um inimigo a ser derrotado, pois se não aceitou ser massa de manobra deles então faz parte da gangue adversa e a partir de então uma luta implacável será travada em busca da demonização e destruição deste outro. Essa visão dualista da política contaminou e parasitou o alargamento da democratização interativa. Franco analisando este tipo de ideal propalado por Lênin nos fala que “tudo o que seja afastar-se da ideologia socialista significa fortalecer a ideologia burguesa” e que “não há meio-termo, porque a humanidade não elaborou nenhuma “terceira” ideologia” (2).

Pois bem: o outro que tomou rumo diverso daqueles, saiu porque participa da abundancia de caminhos e das múltiplas interações que podem ser geradas, bem como para adensar outras nuvens de idéias que podem ser cocriadas. “Em nossa cultura patriarcal, estamos sempre prontos a tratar os desacordos como disputas ou lutas. Vemos os argumentos como armas, e descrevemos uma relação harmônica como pacífica, ou seja, como uma ausência de guerra - como se a guerra fosse a atividade humana mais fundamental” (3).

Esta luta do militante de pirâmides, que opera contra a formação de múltiplas redes por afiliação, pode ser dissolvida quando há uma rede de conversações onde esteja presente “uma relação de participação e confiança, e não de controle e autoridade, e na qual a vida cotidiana é vivida numa coerência não-hierárquica com todos os seres vivos, mesmo na relação predador-presa” (4).

Quem acusa o outro de ser o dissidente pratica e espalha o não-amor, demonstrando sua incapacidade de democratizar interativamente. Isto porque convive na rede de conversações que cria disputas de tendências e acaba por replicar o fazimento da política como uma questão de lado. O não-amor aqui citado é no sentido contrário da biologia do amor maturano de que “não estou falando com base no cristianismo. Se vocês me perdoam direi que, infelizmente, a palavra amor foi desvirtuada, e que a emoção que ela conota perdeu sua vitalidade, de tanto se dizer que o amor é algo especial e difícil. O amor é constitutivo da vida humana, mas não é nada especial. O amor é fundamento do social, mas nem toda convivência é social. O amor é a emoção que constituiu o domínio de condutas em que se dá a operacionalidade da aceitação do outo como legítimo outro na convivência, e é esse modo de convivência que conotamos quando falamos do social. Por isso, digo que o amor é a emoção que funda o social. Sem aceitação do outro na convivência, não há fenômeno social.” (5).

Por fim, salienta-se que a pessoa ou grupo que está na luta, em grau sofisticado de poderio, costuma “instrumentalizar os outros, mobilizá-los para o confronto, insuflar um ânimo adversarial, construir e demonizar inimigos” (6). Isso tende a ocorrer com militantes de partidos políticos, pois “acreditam que todo mal que nos assola é sempre causado por algum inimigo; quando o inimigo não é facilmente identificado ou não está muito claro, então se põem logo a construir um inimigo para lutar contra ele (porque acham que tudo é luta, que todas as conquistas da humanidade foram resultados de lutas); ou seja, estão intoxicados pela ideologia de que o ser humano é inerentemente competitivo: um homo hostilis estaria na raiz do fenômeno humano” (7). Repito: o outro saiu com o emocionar de cooperar com o que bem entender, participando de múltiplos caminhos que podem existir, afiliando-se a rede que desejar. E este outro não manda nos outros, até porque desobedece qualquer ordem de comando-e-controle que recaia sobre si, portanto, busca “desaprender autocracia”(8). E se essa pessoa já convive em redes sociais mais distribuídas do que centralizadas, a sua interação com outros grupos e contextos, que não seja daquele cluster que estava e que pode ter emergido espontaneamente, não implicará em guerra, mas o plantio de mais democratização na política, surgindo inúmeras redes por afiliação em prol de objetivos comuns. Afinal, o democrático convive com o outro configurando ambientes cooperativos.

(1) WATTS, Duncan (2003): Seis graus de separação.

(2) FRANCO, Augusto (2007): Alfabetização Democrática.

(3) MATURANA, Humberto: Conversações matristicas a patriarcais.

(4) idem.

(5) MATURANA, Humberto (2002): Emoções e Linguagens na Educação e na Política.

(6) FRANCO, Augusto: “A Terceira Invenção da Democracia”, livro que está sendo escrito na Escola-de-Redes e Facebook.

(7) FRANCO, Augusto: “10 pontos para entender porque os militantes não entendem o que está acontecendo no Brasil e no mundo”, texto no facebook. Link  https://www.facebook.com/photo.php?fbid=616852048346997&set=a.2....

(8) FRANCO, Augusto (2007): Alfabetização Democrática.

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