Escola de Redes

Procurávamos algo para escrever sobre o princípio lógico do "terceiro excluído" e nos topamos com esta magnífica introdução a um ateliê de lógica de Maruxa Armijo do ano 2000 em Méjico.
Como mostra, tenho aqui o início de uma narração de Chesterton que podemos oferecer a nossos alunos como uma saborosa sobremesa à lição do princípio lógico do terceiro excluso:
O professor Openshaw perdia sempre a acalma com um forte murro dado sobre qualquer parte se alguém o chamava espiritista ou crente em espiritismo. Mas isto, no entanto, não esgotava suas explosivas faculdades porque também perdia a acalma com um forte murro dado sobre qualquer parte se alguém o chamava incrédulo em espiritismo. […] e não tinha nada que o comprazesse mais que se sentar num círculo de devotos espiritistas e fazer minuciosas descrições de como ele tinha posto em evidência a medium depois de medium e fraude depois de fraude; porque realmente era um homem de talento detectivesco e clareza de idéias uma vez que tinha fixado sua vista num objeto suspeito, e sempre a tinha fixado num medium como num objeto altamente suspeito. […] Seus relatos deixavam aos verdadeiros crentes mais bem sem repouso, quando em realidade era repouso o que tentavam atingir. Mas mal podiam queixar-se, já que os espiritistas não negam a existência dos média fraudulentos; só que as desbordantes narrações do professor pareciam indicar que todos os média eram fraudulentos.
[“The Blast of the Book” de Gilbert K. Chesterton].

Que passa com o Professor Openshaw?
Se contradiz, nega que ser espiritista ou não o ser esgota todas as alternativas possíveis ou simplesmente se recusa afirmar tanto E como não-E enquanto não tenhamos ou uma prova ou uma refutação?
Este conto, que em palavras de Borges “simula ser policial mas é bem mais”, ao início nos propõe um enigma a primeira vista indecifrável, sugere depois uma solução não menos mágica que atroz, e por fim aporta à verdade que tenta ser raciocinada e razoável

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Tags: excluído, terceiro

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